Arquivos Públicos Regionais

 

Este momento do Encontro de Pesquisadores de História e Geografia do Caminho Novo da Estrada Real contou com a participação de representantes das seguintes instituições: 1 – Arquivo Público Municipal de Ouro Preto – APMOP, com João Paulo Martins;

2 – Escritório Técnino do IPHAN de São João del Rei, com Jairo Machado;

3 – Arquivo Histórico da Universidade Federal de Juiz de Fora – AHJF, com Galba di Mambro;

4 – Arquivo Público Municipal de Santos Dumont – APMSD, com Marisa Fontes;

5 – Arquivo Públimo Municipal de Barbacena – APMB, com Edna Resende.

Não só através das comunicações dos responsáveis, mas também por conversas que fluíram durante todo o dia, chama a atenção a necessidade de atuação de associações de amigos dos arquivos públicos para buscar alternativas diversas. Isto porque, no âmbito de sua atuação, nem sempre os diretores ou responsáveis conseguem equipamentos, melhorias, estagiários e um sem número de providências necessárias.

1 – APMOP

João Paulo Martins informou que o acervo abrange o período 1728 a 1931, com volume maior para o século XIX. É composto por documentação produzida pela Câmara e pela Prefeitura. Em sua breve apresentação, mencionou curiosidades. Uma delas: as pontes existentes entre Ouro Preto e Barbacena não são antigas como normalmente se divulga, mas construídas no século XIX.

2 – IPHAN

Este arquivo conta com material produzido a partir de 1711. “O cidadão tem direito a sua memória, a suas raízes, a dialogar com seus antepassados”, disse Jairo Machado. Falou sobre a mudança da instituição que antes utilizava um pequeno espaço dentro do Museu Regional de São João del Rei e agora conta com sede própria. E ressaltou que ‘obrigatoriamente a história de Minas Gerais passa por São João del Rei’, a principal vila abastecedora da Corte do Rio de Janeiro.

Além de informar que o Escritório Técnico do IPHAN conta com uma Biblioteca de mais de mil volumes, Machado fez diversas considerações sobre a função do arquivo e encerrou afirmando: ‘o mais importante: é um arquivo público’.

3 – AHJF

O professor Galba di Mambro denominou sua apresentação como ‘Arquivo Hisórico da UFJF: perspectivas de pesquisa sobre o Caminho Novo’. Destacou que o acervo relativo ao tema é pequeno, só um fundo que, entretanto, conta com 30.000 processos de 1830 a 1960, provenientes do Forum Benjamin Colucci.

Um dos destaques da apresentação, além do roteiro didaticamente apresentado em slides, foi a explicação de que a instituição não é o Arquivo Permanente da Universidade, mas um Centro de Memória Social. Informou que está sendo providenciada a mudança do nome para melhor identificá-lo dentro do Sistema de Arquivos da UFJF.
Site do Arquivo

4 – APMSD

Marisa Fontes lembrou que um dos organizadores do Encontro, Luiz Mauro Andrade da Fonseca, é um dos fundadores do arquivo e incentivador de seu trabalho na instituição. ‘A sensibilidade de guardar a memória da cidade’, disse Fontes, nasceu pelas mãos de vários entusiastas. Destacou, entre outros, Oswaldo Castelo Branco, historiador e um dos fundadores da Casa de Cabangu, e o grupo Pesquisadores Independentes do qual Luiz Mauro faz parte.

Na direção desde 1997, Marisa Fontes mostrou-se uma entusiasta da preservação da memória local que muitas vezes sofre concorrência da imagem popular que liga o município exclusivamente ao aviador Alberto Santos Dumont. Entretanto, trata-se de um município importante para a história da Estrada Real, da Ferrovia e da indústria de laticínios, entre outras.

Descreveu ligeiramente o acervo que hoje se encontra no antigo prédio da Estação Ferroviária e informou que, além de subsidiar projetos de Educação Patrimonial, o arquivo municipal preocupa-se não só com o armazenamento mas com catalogação, microfilmagem e digitalização do acervo. Divulgar, é a chave de sua atuação, disse Fontes. ‘As crianças se encantam’, complementou, especialmente com o que se refere à ferrovia que é a alma do município.

Em seguida, Luiz Mauro Andrade da Fonseca comentou que a obra de Alberto Santos Dumont é sobejamente estudada e conhecida e que a cidade tem outros focos, como a industrialização. ‘A coisa ruim das nossas cidades’, disse Fonseca, é que as escolas continuam estudando Inconfidência Mineira, Tiradentes e Aleijadinho e não incluem a história local em seus programas de ensino.

5 – APMB

Edna Resende informou que as atividades do Arquivo foram iniciadas há 10 anos, ‘quando a documentação do Poder Judiciário estava prestes a ser eliminada’ e a inauguração ocorreu em agosto de 2005. Foram apresentadas imagens do acervo, antes e depois do tratamento arquivístico.

Posteriormente foram recolhidos outros conjuntos, com destaque para o arquivo do Professor Altair Savassi com um rico material sobre a história regional, incluindo publicações periódicas. Além de obras dos memorialistas, os pesquisadores encontram na instituição fontes como inventários, testamentos, processos criminais, sesmarias, material sobre escravidão, escrituras e outros. Edna Resende informou que há cartas de sesmarias, provindas da coleção da família Andrada, diferentes das encontráveis no Arquivo Público Mineiro.

‘Era difícil fazer pesquisa sobre Barbacena porque não havia fontes disponíveis’, lembrou Resende, situação que agora se modificou e já apresenta resultados em pesquisas universitárias ou não. Ressaltou, ainda, que a criação da Associação Cultural do Arquivo Histórico Municipal Professor Altair José Savassi trouxe novo estímulo, já que o grupo tem sido responsável por buscar outros caminhos para o funcionamento da instituição.

Ao final da mesa redonda alguns ouvintes declararam não saber, até aquele momento, da existência de tal diversidade de fontes disponíveis para o estudo não só do Caminho Novo como, especialmente, da história dos municípios surgidos a partir dele.

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