Leopoldina pelo olhar de visitantes

Em novembro de 2010 os fotógrafos Luciane & Alexandre, da Sociedade Petropolitana de Fotografia – SOPEF, visitaram diversas cidades da zona da mata mineira. De Leopoldina fizeram os registros abaixo.

Pórtico na entrada, vindo de Muriaé.
Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Matriz do Rosário
Escola Estadual Botelho Reis, antigo Ginásio Leopoldinense
Prefeitura Municipal de Leopoldina
Catedral de São Sebastião
Catedral de São Sebastião
Praça Nossa Senhora da Paz, ao lado da Catedral
Catedral de São Sebastião vista da Praça Nossa Senhora da Paz
Catedral vista do Hotel Minas Tower
Igreja Matriz de São José
À direita, trecho do Ribeirão Feijão Cru, na Avenida Getúlio Vargas

Teatro em Leopoldina

A partir de uma informação de Natania Nogueira, surgiu uma questão sobre o ator Manuel del Valle Alonso que teria vivido em Leopoldina. Agradeço à Natania por ter levantado o assunto e à Joana Capella que, com suas leituras do jornal O Leopoldinense, levou-me a procurar um texto antigo que ainda não havia publicado pela internet.
O Cine Theatro Alencar, cujo prédio ainda pode ser visto na rua Cotegipe, é tido como a primeira casa de espetáculos existente em Leopoldina. Entretanto, parece que não é bem assim.

No livro O Rio Antigo – Pitoresco & Musical, de C. Carlos J. Wehrs, à página 177 encontramos:

“O teatro, o  prédio, eu o sempre olhava com certo receio, porque não acreditava na sua estabilidade. Era uma imensa casa de pau-a-pique, dividida em galerias e camarotes em torno da platéia, e, embaixo, constituída de cadeiras e bancos.” 

O autor está descrevendo o período que passou em Leopoldina, entre setembro e novembro de 1886.  Estaria se referindo ao primeiro prédio, posteriormente substituído pelo que ainda subsiste?

Segundo memórias familiares,  o prédio da rua Cotegipe teria sido construído pelo imigrante espanhol Salvador Rodrigues Y Rodriguez por volta de 1927 e as poltronas teriam sido obra do irmão de Salvador, Raphael Rodrigues Y Rodriguez. Portanto, não poderia ser o mesmo prédio objeto de menção no livro de Atas da Câmara de Leopoldina, relativo ao período de 1879 a 1881, em cuja folha 29 verso consta que no dia 16 de abril de 1880 foi lido um oficio de João Patricio de Moura e Silva, comunicando que renunciava ao direito, posse e domínio sobre o terreno que lhe pertencia, e que localizava-se entre Pereira Lopes & Guimarães e Luiza Ambrosia, para nele se construir um Theatro.

Se Moura e Silva falava em construir um Teatro em abril de 1880, estaria se referindo ao prédio mencionado em novembro do mesmo ano, conforme anúncio do jornal O Leopoldinense lembrado por Joana Capella?

Segundo esta divulgação, na página 3 da edição de 1 de novembro de 1880, João Manoel Ferreira Brandão levaria à cena, pela primeira vez em Leopoldina, a peça Helena. O endereço do Theatro Brandão: rua Sete de Setembro.

O diretor da companhia nasceu por volta de 1852, filho de Domiciano Ferreira Brandão e Francisca Angélica da Conceição, tendo vivido em Leopoldina até seu falecimento em 1895. Seu pai aparece no alistamento eleitoral do município a partir de 1874 e ele, João Manoel, foi alistado em 1892, conforme livros de Alistamento Eleitoral de Leopoldina para o período.

A irmã do diretor, Belmira Maria da Conceição, nasceu em Piacatuba e em janeiro de 1878 casou-se, em Leopoldina, com José Vitor de Oliveira e Maria Teresa de Jesus.

Interessante lembrar que a rua Sete de Setembo, que liga as praças Gama Cerqueira e Professor Botelho Reis, é uma das mais antigas da cidade e a única que permanece com o nome original. Nela residiram o Dr. Carvalho de Rezende e o advogado Francisco Pinheiro de Lacerda Werneck, conforme apuramos na pesquisa para o livro Nossas ruas, nossa gente: ruas, praças e logradouros de Leopoldina, publicado em 2004. Na esquina desta rua com a Tiradentes, existiu a casa de negócio de Pedro Barra. Na outra esquina, também faceando com a rua Tiradentes no percurso em que se dirige para o Largo do Rosário, foi instalado o primeiro Grupo Escolar que reunia as “aulas públicas” então existentes. Esta instituição de ensino posteriormente passou a chamar-se Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e em 1914 o poeta Augusto dos Anjos foi nomeado seu diretor.

Parece que o Teatro Brandão não teria sido o único em funcionamento naquele ano de 1880. Na mesma página d’O Leopoldinense encontramos o seguinte anúncio:

Em outras edições dos periódicos locais foram publicados anúncios de óperas, confirmando informações obtidas junto a antigos moradores entrevistados, os quais mencionaram que suas famílias frequentavam o teatro.

Acreditamos, portanto, que Leopoldina contava com programação teatral frequente, resultando em que, 20 anos após o sepultamento do ator espanhol Manoel Del Valle em 1906, foi concedido privilégio perpétuo do túmulo, conforme descobriu a professora Natania Nogueira em pesquisa realizada num livro que transcreve os atos da Câmara Municipal de Leopoldina em 1926. Observamos, pois, que a presença do ator em Leopoldina não foi excepcional, já que antes dele a cidade contou com outros artistas do gênero.

A Igreja e o Largo do Rosário

Acervo Espaço dos Anjos, de Luiz Raphael

Esta postagem foi construída com a ajuda de amigos que se preocupam com a preservação da memória cultural de Leopoldina, MG. Agradecemos especialmente a Luiz Rapahel (in memoriam) por nos ceder seu rico acervo de fotografias, bem como aos filhos do fotógrafo Jarbas por preservarem o arquivo do pai e, assim, permitirem que as novas gerações conheçam a Leopoldina do passado.

Segundo CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios. São Paulo: Pocai Weiss & Cia, 1916 p. 237-262

“Outro templo é a Egreja do Rosário, no largo homonymo. É esssa egreja um mimo de belleza e de arte, toda branca e sorridente de amor e de caridade. As decorações, em branco e ouro, são admiráveis, como assim a sua alta torre, o altar-mór de N. S. do Rosário, tendo á direita o S. Coração de Jesus e á esquerda S. Cecília. Bellas também as estatuas de S. José e de S. Benedicto. É vigário da Parochia Monsenhor Júlio Fiorentini, tendo como coadjutor o Rvmo. Padre João Manoel Trocado”

Largo do Rosário, Acervo do fotógrafo Jarbas

Pessoas em oração no Largo do Rosário. Acervo fotógrafo Jarbas.
O Largo do Rosário visto do antigo campanário do templo. Acervo Espaço dos Anjos, de Luiz Raphael
Largo do Rosário visto da posta do templo. Acervo Espaço dos Anjos, de Luiz Raphael.

  

Antigo sobrado no Largo do Rosário

Igreja do Rosário em 2009
2009: última imagem da Igreja do Rosário nas cores em que a conhecemos.

Como se viu na informação de Roberto Capri, a Igreja do Rosário era toda branca no início do século XX. Na década de 1960 os contornos eram pintados em tom creme. Na década de 1980, substituíram o creme por azul claro e depois voltaram à cor anterior. Inexplicavelmente, nos anos 2000 pintaram todos os templos católicos de Leopoldina num tom forte de azul, desrespeitando as características do patrimônimo.