Expedicionários Leopoldinenses – Adilon Machado

Logotipo da coluna Trem de História.

A relação dos expedicionários leopoldinenses, conforme ficou dito na edição anterior, reúne os que participaram da Segunda Guerra Mundial, seja nos campos da Itália ou no patrulhamento da costa brasileira onde morreram mais brasileiros do que nos campos europeus.

O Trem de História de hoje começa a contar um pouco sobre a vida de alguns combatentes sem qualquer pretensão de fazer apologia à Guerra ou, julgar se ela foi justa ou injusta. Pretende, unicamente, falar do cidadão que foi uniformizado e mandado para a frente de defesa ou ataque. E que em muitos casos não voltou ou trouxe consigo as mazelas de uma guerra. Este cidadão que perdeu parte de sua juventude lutando contra um inimigo que não era seu, mas de seu país, é o foco da pesquisa.

Quando nada para que as gerações futuras possam contar aos mais novos, sem amarras ideológicas, que um dia o Brasil, num determinado contexto político e governamental, se envolveu num conflito mundial e, sem grandes recursos e prática (1), juntou civis e militares para criar a Força Expedicionária Brasileira que cuidaria de defender o território nacional. Nas unidades militares então formadas estavam 2947 mineiros (2) e destes, pelo menos mais de três dezenas eram leopoldinenses. Conterrâneos que num passado não muito distante lutaram e alguns morreram pelo país e, hoje, setenta anos depois, a cidade pouco se lembra deles.

Foram inicialmente considerados os nomes citados por Kléber Pinto de Almeida (3), os constantes no monumento existente na Avenida dos Expedicionários, no Bairro Bela Vista, em Leopoldina, e os pesquisados por alunos da Escola Estadual Luiz Salgado Lima (4).

A partir destas três listagens foram consultadas outras fontes, sendo fundamentais as informações colhidas na imprensa periódica da época do conflito, bem como nos arquivos da Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – ANVFEB, unidade de Juiz de Fora, MG e em alguns arquivos de familiares.

O primeiro da relação é ADILON MACHADO.

Um nome que aparece na relação do monumento na Avenida dos Expedicionários como Odilon Machado. No trabalho dos alunos da Escola Estadual Luiz Salgado Lima (4) ele consta como sendo Adilson Machado.

Adilon nasceu a 23.05.1919 e faleceu no dia 26.10.2001, em Leopoldina. Era filho de Francisco Custódio Machado e Rita Morais Machado e casou-se com Odete (5) Werneck de Souza, natural de Dona Euzébia (MG), filha de Américo Werneck de Souza e Maria Madalena Pinto. Adilon e Odete foram pais de Francisco de Assis, Lúcia Maria, Adilson, Rita Maria, Antonio Carlos, Sebastião Celso, Alchindar, Edilson e José Renê.

Por certidão (6) de 30.07.85 verifica-se que Adilon foi incorporado ao Exército em 01.03.41 e excluído em 22 de novembro do mesmo ano. Foi reincluído por convocação de 10.04.43 e atuou na proteção da costa brasileira a bordo do navio Itaquera, entre o porto do Rio de Janeiro e Caravelas, na Bahia, tendo participado efetivamente de operações bélicas até 21.10.43. Em 15.03.92 recebeu o diploma da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, em Juiz de Fora (MG).

Segundo informe da Prefeitura (7) Adilon Machado empresta seu nome ao Centro Municipal de Educação Infantil – CEMEI no distrito de Ribeiro Junqueira, onde foi produtor rural e residiu durante toda a sua vida.

Notas

(1) MIRANDA, Francisco. 70 Anos da Tomada de Monte Castelo. A Batalha que Euclides da Cunha não viu. Disponível em <https://chicomiranda.wordpress.com/tag/soldados-brasileiros&gt;. Acesso em 01 jan. 2015.

(2) MORAES, J. B. Mascarenhas de. A FEB pelo seu Comandante. 2.ed. Rio de Janeiro: Bibliex, 1960. p. 401.

(3) ALMEIDA, Kléber Pinto de. Leopoldina de todos os tempos. Belo Horizonte: s.n., 2002. p.101

(4) PEREIRA, Rodolfo. Leopoldinenses na FEB (1943-1945). Publicado em 20 nov. 2013. Disponível em <http://www.acropolemg.blogspot.com.br/search/label/FEB&gt;. Acesso em 08 mar. 15.

(5) PAMPLONA, Nelson V. A Família Werneck. Rio de Janeiro, particular, 2010. p.122

(6) Ministério do Exército, Certidão do Departamento Geral do Pessoal, Diretoria de Cadastro e Avaliação.

(7) OLIVEIRA, Paloma Rezende de. História das Escolas – Leopoldina – Trajetórias e memórias das instituições escolares de Leopoldina/MG. Disponível em <http://historia-das-escolas-de-leopoldi.webnode.com/products/cemei-adilon-machado/&gt;. Acesso em 08 mar. 15.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de junho de 2015

Expedicionários Leopoldinenses: o início

Logomarca da coluna Trem de História no jornal Leopoldinense

O Brasil participou da Segunda Guerra Mundial (1) a partir de agosto de 1942, quando efetivamente reconheceu o estado de beligerância, até 08 de maio de 1945, considerado o Dia da Vitória. Contam, os que registraram os acontecimentos da época, que as tropas foram reunidas no Rio de Janeiro de onde embarcaram com destino ao Teatro de Operações na Itália ou, aos destinos indicados para proteção da costa brasileira.

Vale explicar que, para formar a Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária (2), juntaram-se as unidades já existentes no Exército Brasileiro na forma seguinte:

– Infantaria: 1º R.I (Regimento Sampaio) do Rio de Janeiro (RJ); 6º R.I. (Regimento Ipiranga) de Caçapava (SP); 11º R.I. (Regimento Tiradentes) de São João Del Rei (MG).

– Artilharia: 1º Grupo do Regimento de Obuzes Auto-Rebocado, criado no Rio de Janeiro (RJ); 1º Grupo do 2º Regimento de Obuzes Auto-Rebocado, constituído com elementos do 6º Grupo de Artilharia de Dorso, de Quitauna (SP); 2º Grupo de Artilharia de Dorso, do Rio de Janeiro (RJ); Grupo Escola do Rio de Janeiro (RJ) que, motorizado, se transformou em Grupo de 155 Auto-Rebocado. – Engenharia: 9º Batalhão de Engenharia de Aquidauana (MT).

– Cavalaria: Esquadrão de Reconhecimento do Rio de Janeiro (RJ), organizado pelo 2º Regimento Moto-Mecanizado.

– Saúde: 1º Batalhão de Saúde, criado em Valença (RJ).

– Tropa Especial: Companhia do Quartel General, Companhia de Transmissões, Companhia de Manutenção e Companhia de Intendência, todas do Rio de Janeiro (RJ).

– Órgãos não Divisionários: Um Depósito de Pessoal.

Com estas unidades reunidas, formou-se o contingente enviado para a Itália no total de mais de 25 mil militares e civis e um número ainda desconhecido de brasileiros que foi empregado na proteção da costa brasileira, em razão da sua extensão e da necessidade de manter minimamente operando o comércio com o resto do mundo. Nesta operação de guerra, seja na Itália ou no patrulhamento do Atlântico, mais de três dezenas de leopoldinenses estiveram diretamente envolvidos. Estes combatentes são conhecidos como Expedicionários por terem feito parte da Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira.

Importante esclarecer que se entende por Expedicionário todo militar que atuou nos campos da Itália ou na guarnição da nossa costa. Visão que se apoia na literatura pesquisada e em histórias contadas como as do livro das jornalistas Belisa Monteiro, Dérika Kyara e Letícia Santana (3), esclarecendo a convocação de militares e civis para defesa do litoral brasileiro, mostrando que suas tensões foram semelhantes às vividas pelos que cruzaram o Atlântico. Além do que, muitos dos que ficaram no Atlântico pertenciam a unidades existentes no Exército Brasileiro antes da Guerra, as quais foram reunidas para formar a Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária (4). Isto é, faziam parte do mesmo Exército.

Segundo Palhares (2), na costa brasileira foram bombardeados 32 navios nacionais entre janeiro de 1942 e julho de 1944, tendo chegado a 1081 o número dos mortos nas atividades costeiras, enquanto 457 perderam a vida nos campos da Itália(4).

Hoje o Trem de História inicia uma série de artigos que pretende contar um pouco sobre os leopoldinenses que estiveram nestas missões, como forma de homenageá-los pela passagem do 70º aniversário do fim daquele conflito. Do que conseguimos apurar até o momento, foram eles: 01 – Adilon Machado; 02 – Aloísio Soares Fajardo; 03 – Antonio de Castro Medina; 04 – Antonio Nunes de Morais; 05 – Antônio Vargas Ferreira Filho; 06 – Aristides José da Silva; 07 – Celso Botelho Capdeville; 08 – Derneval Vargas; 09 – Eloi Ferreira da Silva Filho; 10 – Euber Geraldo de Queiroz; 11 – Expedito Ferraz; 12 – Felício Meneghite; 13 – Geraldo Gomes de Araújo Porto; 14 – Geraldo Rodrigues de Oliveira; 15 – Itamar José Tavares; 16 – Jair Vilela Ruback; 17 – João Esteves Furtado; 18 – João Vassali; 19 – João Venâncio Filho; 20 – João Zangirolani; 21 – José Ernesto; 22 – José Luiz Anzolin; 23 – Lair dos Reis Junqueira; 24 – Lourenço Nogueira; 25 – Mário Castório [Castorino] Fontes Britto; 26 – Moacir Jurandir Barbosa Rodrigues; 27 – Nelson Pinto de Almeida; 28 – Orlando Pereira Tavares; 29 – Oscar Nunes Cirino; 30 – Paulo Monteiro de Castro; 31 – Pedro Medeiros; 32 – Pedro Rezende de Andrade; 33 – Pedro Silva Santos; 34 – Wenceslau Werneck.

Hoje, ficamos por aqui. Na próxima edição a história continua.

Notas:

(1) BENTO, Claudio Moreira. A Participação das Forças Armadas e da Marinha Mercante do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1942-1945). Volta Redonda, RJ: Gazetilha, 1995. Disponível em <http://www.ahimtb.org.br/FAMM2GM.htm&gt;. Acesso em 03 fev. 15.

(2) PALHARES, Gentil Palhares. De São João Del Rei ao Vale do Pó. Rio de Janeiro: Bibliex, 1957. p.456.

(3) BELÉM, Euler de França. Livro resgata história de pracinhas goianos que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Jornal Opção, Goiânia, GO, ed 1984, 14 jul. 2013. Disponível em <http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/livro-resgata-historia-de-pracinhas-goianos-que-lutaram-na-segunda-guerra-mundial&gt;. Acesso em 31 dez. 14.

(4) BARROS, Aluízio de.  Expedicionários Sacrificados na Campanha da Itália. Rio de Janeiro: Bruno Buccini, 1955. p. 403.

Luja Machado – Membro da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16  de maio  de 2015