Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

MUDANÇA DE DESTINO

Coluna Publicada n'O Leopoldinense, 01 de março de 2008

 

Identificamos, entre os imigrantes que adquiriram lotes da Colônia Agrícola Constança, alguns que passaram ao Brasil no final do século XIX, mas somente a partir de 1910 aparecem em documentos de Leopoldina. Ao pesquisarmos suas trajetórias nos anos anteriores, deparamo-nos com memórias familiares que nos levaram a um emaranhado de fatos difíceis de serem comprovados. Um destes casos nos chegou através de um correspondente, quando pesquisávamos os passageiros do vapor Colombo, na viagem em que aportou no Rio de Janeiro em abril de 1896. Nesta travessia o Colombo trouxe 904 italianos cuja viagem foi paga pela Província de Minas Gerais. Mas a embarcação trazia também 385 passageiros que tiveram suas despesas cobertas por São Paulo, além de 98 imigrantes espontâneos.

Importante destacar que a categoria “espontâneos” incluía viajantes que, não tendo sido arregimentados pelos agentes espalhados pela Itália em busca de quem quisesse vir para o Brasil, ainda assim dirigiam-se ao porto italiano por conta própria. Para os agentes, cada pessoa embarcada significava um valor a ser recebido pelo serviço prestado. Assim, muitas vezes o espontâneo representava um lucro mais fácil, pois o agente não precisara investir no preparo da família para a travessia. Sabe-se que muitos espontâneos se preparavam, por conta própria, planejando emigrar para os Estados Unidos. Ao chegarem ao porto, diversos motivos poderiam fazê-los embarcar num vapor com destino à América do Sul. Muitas vezes o viajante não se dava conta da mudança de destino, já que a maioria tinha um nível de informação bem baixo.

Conta-nos um descendente que seus avós, ao desembarcarem do Colombo em 1896, foram separados dos demais viajantes e ficaram aguardando, junto com outros “espontâneos”, a contagem dos passageiros que seguiriam de trem para Minas. Horas depois o encarregado dirigiu-se ao grupo informando que havia 10 lugares vazios no trem. Uma família apresentou-se mas eram apenas 6 adultos e o agente voltou a falar com o grupo. A família deste nosso correspondente era, provavelmente, uma das poucas que sabia a diferença entre Minas e São Paulo, já que se prepararam para imigrar por orientação de parentes que estavam em terras paulistas há cinco anos. Mas a pressão do agente pode ter sido mais atraente e dois membros da família resolveram seguir para Minas.

Apesar da resistência do patriarca, os dois rapazes, solteiros, entraram no trem com a promessa de reencontrar a família assim que pudessem. Da Hospedaria Horta Barbosa os dois seguiram para Rio Novo, onde passaram por diversas propriedades. Vinte anos depois os irmãos voltaram a Juiz de Fora, com a intenção de chegar a São Paulo. Um deles havia se casado, estando acompanhado da mulher e de três filhos.

Depois de inúmeras dificuldades em Juiz de Fora, o grupo percebeu que não seria possível comprar passagens para todos. Sabiam apenas o nome da cidade onde se instalara, quase trinta anos antes, o tio que os estimulara a vir para o Brasil. Mesmo assim, promoveu-se mais uma divisão na família, ficando a esposa, os dois filhos menores e o irmão. Até o final de 2005, nosso correspondente não tinha conseguido localizar descendentes dos que ficaram em Juiz de Fora.

Com a intenção de ajudá-lo, fizemos algumas buscas relativas aos passageiros daquela viagem do vapor Colombo. Neste processo, descobrimos que Angela Pagano e Giovanni Carminatti chegaram a Roça Grande com os filhos Dalva (8 anos), Guglielmo (6 anos), Arturo (4 anos), Gregorio (2 anos) e o bebê Pietro. Nos anos seguintes nasceram Assunta, Belmira e Concetta.

Giovanni Carminatti nasceu por volta de 1861 em Ghisalba, Bergamo, Lombardia, onde se casou com sua conterrânea Angela Pagano. Em 03.04.1896, a família desembarcou no porto do Rio de Janeiro, sendo transferida para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, onde foi registrada no dia 5 de abril. Quinze dias depois os Carminatti deixaram a hospedaria com destino a Roça Grande, S. J. Nepomuceno, para trabalhar na propriedade de Joaquim Pereira de Sá. Pelo manifesto do navio descobrimos que Pietro contava sete meses quando desembarcou no Rio. Posteriormente ele se casou, em Argirita, com Maria Lopes.

Dos demais Carminatti sabemos apenas que Dalva casou-se com o italiano Virgilio Gruppi no dia 01.12.09, em Argirita e um de seus filhos recebeu o nome de Ivo, batizado em Piacatuba.

Sendo assim, pouco conseguimos apurar da família Carminatti que aparece, nos registros da Colônia Agrícola da Constança, como tendo ocupado o lote 58 em junho de 1910 e posteriormente adquirido o lote 59, do qual tomou posse em janeiro de 1911.

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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