Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

OS SANGIROLAMI

Coluna Publicada n'O Leopoldinense, 30 de dezembro de 2007

 

Quase todos nós conhecemos uma pessoa cujo nome foi escolhido pelos pais para homenagear um conhecido ou um parente. Muitas vezes a inspiração, nos dias de hoje, pode até ser o jogador de futebol ou o artista de sucesso da televisão. Mas até o início do século XX o mais comum eram os nomes em homenagem ao Santo de devoção, em razão da fé religiosa. E se voltarmos ainda mais no tempo vamos descobrir que não só os nomes próprios mas também alguns sobrenomes remontam ao devocionário, especialmente católico. Ao lado dos sobrenomes que têm origem no lugar de nascimento ou no nome do pai, a partir da Idade Média podemos encontrar nomes como José de Santana ou Maria do Espírito Santo e seus equivalentes em outras línguas.

Entre os italianos que viveram em Leopoldina não foi diferente. Alguns carregavam nomes de família cuja origem era o de um Santo. É o caso, por exemplo, da família Zanzirolami, que é uma homenagem a um dos maiores Doutores da Igreja Católica, São Jerônimo, nascido na atual Croácia e cujo significado no grego é "nome sagrado". Do original San Girolamo surgiu o Sangirolami > Zangirolami > Zanzirolami, sobrenome de família que chegou a Leopoldina em 1895 e que n'alguns casos é conhecida pelo apelido de "Ferreira", possivelmente por um antepassado ter tido o ofício de ferreiro.

Giovanni Battista Sangirolami, ancestral mais antigo da família em Leopoldina, nasceu em Montagnana, um pequeno comune da província de Padova, na região do Veneto. Casou-se com sua conterrânea Modesta Carmelim por volta de 1870. Era agricultor e assim como seus parentes e amigos, costumava passar alguns períodos longe de casa, trabalhando em propriedades rurais da região. Até que, em 1895, cruzou o Atlântico junto com muitos dos imigrantes italianos que vieram trabalhar em terras mineiras. Em 25.11.1895 Giobatta, como era conhecido, acompanhado da esposa e dos filhos Minervina, Pietro, Giovanni, Carolina e Egidio, chegou a Piacatuba contratado pelo fazendeiro Antonio Maurício Barbosa. Algum tempo depois a família Sangirolami estava trabalhando na Fazenda Paraíso, onde a matriarca faleceu aos 56 anos, no dia 14.11.1908.

Dos filhos do casal, sabemos que a mais velha, Minervina, casou-se com o também italiano Arturo Nicolini, não havendo registros de moradia deste casal na região urbana de Leopoldina.

O terceiro filho, Giovanni, casou-se com Giustina Borella, filha de italianos, no dia 16.05.06, no distrito de Providência. Deste casal identificamos os filhos Maria Genebra casada com Getomir Pereira da Bella, Ema, Geraldo e Maria Natalina Sangirolami.

Carolina, quarta filha de Modesta e Giovanni Battista Sangirolami, casou-se com o italiano Angelo Giulio Sangalli em 1909. Deste matrimônio são os filhos José Antonio casado com Maria Isolina Meneghetti, Carmelina casada com Julio Celestino Bronzato, Avelina casada com Fortunato Gottardo e Maria Ana Sangalli.

O filho caçula de Modesta e Giobatta foi Egidio Sangirolami, nascido em Montagnana em 1891 e casado em Leopoldina, no dia 26.04.13, com Pierina Mariana Borella, leopoldinense, filha de italianos. Egidio, conhecido como Gildo Zangirolami, faleceu em Leopoldina no dia 11.10.64 tendo deixado, pelo menos, os filhos: Rosa casada com Sebastião Flores; Maria Santina; Angelina casada com Antonio Candido Alves; Antonio; Luciana; João casado com Sebastiana Idalina Farinazzo; Ermelinda; Luzia; Amélia; Cecília casada com Pedro Santos; Geraldo casado com Luiza de Souza Barros; Mario casado com Antonia Flores; Tereza casada com Antonio Meneghetti.

Pietro Sangirolami, o segundo filho de Modesta e Giobatta, nasceu em Montagnana por volta de 1880, casando-se com Paschoa Bonini a 13.02.06, no distrito de Providência. Depois de formada a Colônia Agrícola da Constança, Pietro adquiriu um lote que provavelmente pertenceu a um dos colonos dissidentes, razão pela qual, embora tenha se instalado na Constança por volta de 1915, o seu nome não é citado nos registros da Colônia.

Pietro e Paschoa, ainda morando em Providência, tiveram os filhos José, João, Joaquim, Ana e Fortunato. O filho Joaquim faleceu aos 2 anos. Depois que o casal mudou-se para a Boa Sorte, nasceram os filhos Maria, Maximiano e Santo.

No dia 06.09.07 tivemos o prazer de conversar com João Sangirolami, dois dias depois de ele ter completado 90 anos. João nos contou um pouco sobre a vida de seus pais e relembrou coisas da Colônia Agrícola da Constança. Registramos nossos agradecimentos ao Sr. João e à sua família pela gentileza com que nos receberam.

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

HOME

Colunas Anteriores

ENTRE EM CONTATO

Creative Commons License
Este trabalho está sujeito a uma licença de uso: Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 License.