Família Cantoni

Carolina Vespignani, Emília Cantoni, João Cantoni e Giuseppe Cantoni em fotografia do início do século.

- Italianos?

- Sim, os pais são italianos.

A família Cantoni, segundo certidão de desembarque emitida pelo Arquivo Público Mineiro, procedia de Lugo di Ravenna, tendo desembarcado no Porto do Rio de Janeiro, em agosto de 1896, procedente de Genova.

            No dia 22.08.1896 deram entrada na Hospedaria de Imigrantes de Juiz de Fora, tendo dali saído a 25 do mesmo mês, com destino a Espírito Santo (Mar de Espanha), contratados por Joaquim Fabiano Nogueira Alves. Além de Giuseppe e Carolina, desembarcou também Giovanni Cantoni, então com 73 anos, pai de Giuseppe.

O casal trabalhou na Fazenda São Mateus, entre as cidades mineiras de Juiz de Fora e Matias Barbosa. Ainda não sabemos em que data deixaram de trabalhar na fazenda e tampouco encontramos o óbito de Giovanni Cantoni.

A filha mais velha, Emília, afirmava ter sido batizada na Igreja de Santa Terezinha em Juiz de Fora, e seus documentos davam como 1902 o ano de seu nascimento. Depois de alguns anos de busca,conseguimos localizar seu batismo na Igreja da Glória, em Juiz de Fora, no dia 27 de novembro de 1901. A partir daí, foi mais fácil encontrar seus registros civis. Sim, no plural mesmo. Porque seu pai a registrou um dia após o nascimento mas a certidão deve ter se perdido. Em 1932, preparando documentos para o casamento civil, foi realizado novo registro, onde consta que Emília nasceu em 1902. Ressalte-se que o casamento religioso foi realizado em 1924, provavelmente em Juiz de Fora e o casamento civil em Matias Barbosa.  E embora tenhamos uma antiga certidão de casamento de Emília, emitida pelo Cartório de Matias Barbosa, não conseguimos encontrar o livro em que foi feito o assentamento.

Por ocasião do nascimento de Emília, a família residia no bairro chamado "Tapera", em Juiz de Fora. Segundo apuramos, na virada do século este bairro era reduto de imigrantes que abandonavam a lavoura. Muito provavelmente ali faleceu Giovanni Cantoni, o que esperamos confirmar a breve tempo.

O segundo filho do casal Giuseppe e Carolina, João, nasceu em 1905 e foi batizado em Matias Barbosa. Casou-se em Piraúba, uma pequena cidade próxima a Juiz de Fora. Na certidão de casamento dele, assim como na de Emília, consta que os pais nasceram no Reino da Itália.

Carolina Vespignani morreu queimada em 1912, deixando aos pequenos órfãos apenas uma vaga lembrança de sua figura. Nenhum documento, nenhuma carta.

Giuseppe morreu em 1917. Seus tímidos filhos, assustados, não participaram do processo burocrático de seu enterro. Sabiam apenas informar que a morte ocorreu na Santa Casa de Misericórdia, em Juiz de Fora. E falavam de uma segunda esposa, cujo nome foi esquecido.

Pelas poucas lembranças dos filhos, soubemos que o casal de italianos foi escravizado na Fazenda São Mateus e tão logo pôde, escapou dali. Sem dinheiro, sem parentes, sem qualquer condição de sobrevivência, reuniram forças para plantar verduras no terreiro de uma casa que alugaram, na Grota dos Macacos em Juiz de Fora.

Com a morte dos pais, os filhos foram morar "de favor" na casa de pessoas tão humildes quanto eles. E claro que logo arranjaram jeito de trabalhar. João na Fábrica de Tecidos Meurer e Emília como ajudante de uma costureira. Mas a costureira exigia que Emília passasse toda a semana em sua companhia. E a tímida Emília não suportava a saudade de seu irmão que era toda a sua família. Por isto, logo depois estava trabalhando no Sarmento.

Este casal de italianos gerou uma família brasileira bem pequena, cuja formação você pode conhecer aqui.

A falta de informações sobre os Cantoni, e o conhecimento da origem humilde, poderiam se constituir em motivo suficiente para caírem no esquecimento. Entretanto, nós pensamos diferente. E estamos contando sua história na esperança de encontrar algum descendente de seus prováveis irmãos ou irmãs. Conheça a origem e o significado dos nomes desta família.

Se você tem alguma informação sobre a família, desde já lhe agradecemos.

Agradecimentos especiais:

Carlos Cruz, do Cartório de Registro Civil do 1º Subdistrito de Juiz de Fora, pela pesquisa dos registros civis e de óbito.

João Vianey Belgo, um amigo de Juiz de Fora, que nos ajudou a localizar o batismo de Emília Cantoni.

Valderez Rosa Garcia, uma amiga de Belo Horizonte, que encontrou o registro da família no Arquivo Público Mineiro.

 

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