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112 – Trajetória de Paulino Augusto Rodrigues

 

Como ficou dito no início desta viagem, Paulino Augusto Rodrigues nasceu em 1870 na Fazenda Puris.

E é bom que se registre que a propriedade ficava ao pé da Serra dos Puris e sua sede foi cortada pela BR 116, no km 771, nas proximidades do Bairro da Onça.

Durante 77 anos, até seu falecimento(1) no dia 19 de setembro de 1947, em Leopoldina, Paulino foi figura de destaque, tendo sido considerado um homem extremamente bom.

Foi “Capitão” da Guarda Nacional, juiz de paz e delegado de polícia substituto no município de Leopoldina. Hoje, empresta seu nome a uma rua da cidade, no bairro do Rosário. Foi fazendeiro e proprietário de vários imóveis urbanos. Herdou parte da fazenda Puris e em abril de1909 vendeu-a para seu irmão Antônio Augusto Rodrigues. Em dezembro do mesmo ano, adquiriu a fazenda Bela Aurora, que ficou mais conhecida como “Fazenda do Banco”, localizada na antiga estrada de Leopoldina para o distrito de Piacatuba.

Sobre a Bela Aurora, cabe registrar nota(2) do Jornal Irradiação, de novembro de 1888, que faz luz sobre a origem do nome pelo qual passou a ser conhecida. O texto dá notícia da existência de procedimento judicial de autoria do Banco do Brasil, contra Venâncio José D’Almeida Costa e sua mulher, tornando público que legalmente a fazenda Bela Aurora, pertencente aos requeridos, estava sendo assumida pelo Banco. Mais adiante outros documentos vieram mostrar que a Bela Aurora pertencia, quando transferida para Paulino, ao Comendador Tobias Laureano Figueira de Melo, que a arrematara em hasta pública.

 Figueira de Melo era (3) “Comendador da Ordem da Rosa, do Brasil e da Ordem de Christo, de Portugal. Fez importantes donativos a institutos de beneficência e de ensino. Era sócio benemérito e vice-presidente da Sociedade Propagadora de Bellas Artes, sócio correspondente do Instituto do Ceará, e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, para o qual entrou 12 de outubro de 1890”. Era um homem do seu tempo, reproduzindo as práticas comuns entre as famílias da elite dominante, com destaque para a benemerência.

Nascido aos 23 de junho de 1842 em Sobral, no Ceará, filho de Ana Rosalina e Francisco Laureano Figueira de Melo, mesmo já residindo no Rio de Janeiro continuava realizando negócios e investimentos do estado natal e, seguindo o ritmo da economia, tornou-se também fazendeiro de café. Em 1889, recebeu(4) Medalha de Ouro na Exposição Universal de Paris, onde expôs a variedade de café que produzia. No mesmo ano, assumiu o posto(5) de Conselheiro do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro e, provavelmente no exercício da função, tomou conhecimento de que na pequena Leopoldina, então grande produtora de café na zona da mata mineira, o Banco do Brasil havia arrestado a Fazenda Bela Aurora que fora dada em garantia hipotecária pelos antigos donos, Venâncio José de Almeida Costa e sua mulher.

Se por informação privilegiada ou por outro meio, o fato é que logo depois Figueira de Melo se tornou proprietário da fazenda Bela Aurora, então conhecida como Fazenda do Banco. Em 1891, criou(6) a Associação Comercial Vista Alegrense, em Leopoldina, da qual foi Diretor Presidente. E por algum tempo transformou a fazenda em moradia temporária, para cá trazendo esposa e filhos. Um deles, Alfredo Figueira de Melo, aqui faleceu(7) em março de 1904.

Paralelamente, continuava com suas atividades na Capital, como investidor e também comerciante estabelecido(8) na Rua Buarque de Macedo nº 73, no Catete.

É certo também que, com a crise do café de 1902, começou a redirecionar seus investimentos para outras áreas, deixando a produção da Bela Aurora por conta de seu administrador, Paulino Augusto Rodrigues, para quem vendeu a propriedade, conforme anotação do próprio comprador em sua caderneta pessoal:

 “Escritura da Fazenda Bela Aurora, foi passada em 23 de dezembro de 1909, por $40.000,000 e a escritura foi por $4.410,000, os registros por $3.190,000. Pelo Tabelião Constantino Thomas de Oliveira.” (Cópia literal).

A série sobre o Paulino Augusto Rodrigues ainda merece mais uma viagem. E ela virá na próxima edição do Jornal, trazendo informações sobre o seu parente João Ignacio de Moraes, citado no texto 107.


Fontes de Referência

1 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv de sepultamentos de 1947, termo 196.

2 – Jornal Irradiação. Leopoldina, 14 nov. 1888, ed 39 pag 3.

3 – Diccionário Bio-bibliográfico Cearense do Barão de Studart. Portal da História do Ceará. Disponível em <http://portal.ceara.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1241&catid=292&Itemid=10> Acesso 6 jun.2018

4 – MOREIRA, Nicolau Joaquim. O Auxiliador da Indústria Nacional. Rio de Janeiro: Laemmert, 1889. pag 245.

5 – Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro, 5 nov. 1889, ed 300 pag 2.

6 – Diario do Commercio. Rio de Janeiro, 23 jan 1981, ed 778 pag 1.

7 – Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 15 mar. 1904, ed 75 pag 6.

8 – LAEMMERT, Eduardo e Henrique. Almanak Laemmert. Rio de Janeiro, 1914 ed A00070 pag 1877.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 364 no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2018

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