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Instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção.

Sesmarias no Feijão Cru

Sesmarias constituem um dos assuntos recorrentes entre pesquisadores dos primórdios das cidades. No caso de Leopoldina, como não poderia deixar de ser, foi necessário um longo trabalho de localização, transcrição e estudo de diversos documentos deste tipo. Em apenas duas cartas o Feijão Cru foi mencionado, apesar de muitas outras terem sido concedidas no território que mais tarde veio a constituir o município de Leopoldina.

A análise destas duas Cartas de Sesmaria pode ser lida neste endereço.

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Sesmarias concedidas no território do Feijão Cru

A análise das cartas das sesmarias concedidas a Fernando Afonso Corrêa de Lacerda e a seu irmão Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda, é, antes de tudo, uma tentativa de resgatar informações que não estão presentes em relatos históricos sobre Leopoldina.

Embora outras concessões tenham ocorrido antes destas duas, em território que pertenceu ao município de Leopoldina, estas cartas se destacam por um dado definitivo: foram as únicas a citar, literalmente, o córrego do Feijão Cru.

Datadas respectivamente de 13 e 14 de outubro de 1817[1], foram concedidas a tios de dois personagens dos primórdios do povoamento. Filhos de Antônio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda, os dois beneficiados eram irmãos de Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda, pai de Francisco e Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda[2].

Se em 1817 o córrego já fora denominado Feijão Cru em documento oficial, não resta a menor dúvida de que a região fora trilhada, antes disso, por falantes da língua compreendida pelos dirigentes da província. Não nos cabe discutir a lenda tida como origem do nome por fugir aos objetivos deste trabalho.

Os beneficiários das duas sesmarias jamais devem ter tocado o solo leopoldinense. O que se pôde apurar é que, por volta de 1828, delegaram a seus sobrinhos Francisco e Romão a incumbência de fazer cumprir o que determinava a legislação da época. Ou seja: demarcar, povoar e cultivar as terras recebidas.

Por essa ocasião Francisco já estava casado com Mariana Maria de Macedo[3], filha de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo. Romão era solteiro e exercia o cargo de procurador da Câmara de Valença, RJ[4].

Na mesma época, outros personagens entram na história. Manoel Antônio de Almeida, sogro de um filho de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo, migra da Serra da Ibitipoca para o Feijão Cru, acompanhado de parentes e escravos.

Ora, os personagens até aqui citados moravam na Ibitipoca, Bom Jardim ou Aiuruoca[5]. As famílias Lacerda, Ferreira Brito e Almeida estavam ligadas por casamentos. Francisco estava encarregado de povoar a terra doada aos tios e Manoel Antônio de Almeida passa pela região. Como abandonar a hipótese de que tenham vindo em tropa, conhecer e analisar o território?

A provável vinda para o Feijão Cru na década de 1820 pode ser presumida por outros indicadores. Entre eles a função de tropeiro exercida por um dos sobrinhos de Manoel Antônio, conforme consta na identificação de moradores da Serra da Ibitipoca[6]. Posteriormente a família deste tropeiro estava morando no Feijão Cru.

Parece-nos claro que os prazos determinados na concessão não foram cumpridos. Segundo a carta, em um ano as terras deveriam ser demarcadas e em dois anos deveriam ser povoadas e cultivadas. No entanto, só encontramos indícios de demarcação com venda de terras mais de uma década depois[7]. E acompanhando os nascimentos de netos de Joaquim Ferreira Brito e Manoel Antônio de Almeida, chegamos ao ano de 1829 como tendo sido o da vinda das famílias dos pioneiros para as terras de São Sebastião do Feijão Cru.


Carta de Sesmaria de Fernando Afonso Corrêa de Lacerda

A análise das cartas das sesmarias concedidas a Fernando Afonso Corrêa de Lacerda e a seu irmão Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda, é, antes de tudo, uma tentativa de resgatar informações que não estão presentes em relatos históricos sobre Leopoldina. Embora outras concessões tenham ocorrido antes destas duas, em território que pertenceu ao município de Leopoldina, estas cartas se destacam por um dado definitivo: foram as únicas a citar, literalmente, o córrego do Feijão Cru. Datadas respectivamente de 13 e 14 de outubro de 1817 , foram concedidas a tios de dois personagens dos primórdios do povoamento. Filhos de Antônio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda, os dois beneficiados eram irmãos de Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda, pai de Francisco e Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda . Se em 1817 o córrego já fora denominado Feijão Cru em documento oficial, não resta a menor dúvida de que a região fora trilhada, antes disso, por falantes da língua compreendida pelos dirigentes da província. Não nos cabe discutir a lenda tida como origem do nome por fugir aos objetivos deste trabalho. Os beneficiários das duas sesmarias jamais devem ter tocado o solo leopoldinense. O que se pôde apurar é que, por volta de 1828, delegaram a seus sobrinhos Francisco e Romão a incumbência de fazer cumprir o que determinava a legislação da época. Ou seja: demarcar, povoar e cultivar as terras recebidas. Por essa ocasião Francisco já estava casado com Mariana Maria de Macedo , filha de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo. Romão era solteiro e exercia o cargo de procurador da Câmara de Valença, RJ . Na mesma época, outros personagens entram na história. Manoel Antônio de Almeida, sogro de um filho de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo, migra da Serra da Ibitipoca para o Feijão Cru, acompanhado de parentes e escravos. Ora, os personagens até aqui citados moravam na Ibitipoca, Bom Jardim ou Aiuruoca . As famílias Lacerda, Ferreira Brito e Almeida estavam ligadas por casamentos. Francisco estava encarregado de povoar a terra doada aos tios e Manoel Antônio de Almeida passa pela região. Como abandonar a hipótese de que tenham vindo em tropa, conhecer e analisar o território? A provável vinda para o Feijão Cru na década de 1820 pode ser presumida por outros indicadores. Entre eles a função de tropeiro exercida por um dos sobrinhos de Manoel Antônio, conforme consta na identificação de moradores da Serra da Ibitipoca . Posteriormente a família deste tropeiro estava morando no Feijão Cru. Parece-nos claro que os prazos determinados na concessão não foram cumpridos. Segundo a carta, em um ano as terras deveriam ser demarcadas e em dois anos deveriam ser povoadas e cultivadas. No entanto, só encontramos indícios de demarcação com venda de terras mais de uma década depois . E acompanhando os nascimentos de netos de Joaquim Ferreira Brito e Manoel Antônio de Almeida, chegamos ao ano de 1829 como tendo sido o da vinda das famílias dos pioneiros para as terras de São Sebastião do Feijão Cru. Carta de Sesmaria de Fernando Afonso Corrêa de Lacerda 2

A análise das cartas das sesmarias concedidas a Fernando Afonso Corrêa de Lacerda e a seu irmão Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda, é, antes de tudo, uma tentativa de resgatar informações que não estão presentes em relatos históricos sobre Leopoldina. Embora outras concessões tenham ocorrido antes destas duas, em território que pertenceu ao município de Leopoldina, estas cartas se destacam por um dado definitivo: foram as únicas a citar, literalmente, o córrego do Feijão Cru. Datadas respectivamente de 13 e 14 de outubro de 1817 , foram concedidas a tios de dois personagens dos primórdios do povoamento. Filhos de Antônio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda, os dois beneficiados eram irmãos de Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda, pai de Francisco e Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda . Se em 1817 o córrego já fora denominado Feijão Cru em documento oficial, não resta a menor dúvida de que a região fora trilhada, antes disso, por falantes da língua compreendida pelos dirigentes da província. Não nos cabe discutir a lenda tida como origem do nome por fugir aos objetivos deste trabalho. Os beneficiários das duas sesmarias jamais devem ter tocado o solo leopoldinense. O que se pôde apurar é que, por volta de 1828, delegaram a seus sobrinhos Francisco e Romão a incumbência de fazer cumprir o que determinava a legislação da época. Ou seja: demarcar, povoar e cultivar as terras recebidas. Por essa ocasião Francisco já estava casado com Mariana Maria de Macedo , filha de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo. Romão era solteiro e exercia o cargo de procurador da Câmara de Valença, RJ . Na mesma época, outros personagens entram na história. Manoel Antônio de Almeida, sogro de um filho de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo, migra da Serra da Ibitipoca para o Feijão Cru, acompanhado de parentes e escravos. Ora, os personagens até aqui citados moravam na Ibitipoca, Bom Jardim ou Aiuruoca . As famílias Lacerda, Ferreira Brito e Almeida estavam ligadas por casamentos. Francisco estava encarregado de povoar a terra doada aos tios e Manoel Antônio de Almeida passa pela região. Como abandonar a hipótese de que tenham vindo em tropa, conhecer e analisar o território? A provável vinda para o Feijão Cru na década de 1820 pode ser presumida por outros indicadores. Entre eles a função de tropeiro exercida por um dos sobrinhos de Manoel Antônio, conforme consta na identificação de moradores da Serra da Ibitipoca . Posteriormente a família deste tropeiro estava morando no Feijão Cru. Parece-nos claro que os prazos determinados na concessão não foram cumpridos. Segundo a carta, em um ano as terras deveriam ser demarcadas e em dois anos deveriam ser povoadas e cultivadas. No entanto, só encontramos indícios de demarcação com venda de terras mais de uma década depois . E acompanhando os nascimentos de netos de Joaquim Ferreira Brito e Manoel Antônio de Almeida, chegamos ao ano de 1829 como tendo sido o da vinda das famílias dos pioneiros para as terras de São Sebastião do Feijão Cru. Carta de Sesmaria de Fernando Afonso Corrêa de Lacerda

Final da Carta de Sesmaria de Fernando Afonso Corrêa de Lacerda

Dom Manoel de Portugal e Castro, do Conselho de Sua Majestade e do da Sua Real Fazenda, Governador Capitão General da Capitania de Minas Gerais.

Faço saber ao que esta minha Carta de Sesmaria virem, que tendo consideração a Fernando Affonso Correia de Lacerda a mim apresentado por sua petição, que em um córrego que deságua no rio da Pomba chamado Feijão Cru, no Distrito de Santo Antônio do Porto do Ubá, Freguesia da Vila de Barbacena, se acham terras devolutas e o suplicante as queria para ter o legítimo título de Sesmaria, me pediu lhe conceder naquela paragem meia légua de terra em quadra na forma das Ordens; digo atendendo eu e ao que responderam os oficiais da Câmara da dita Vila e o Desembargador Procurador da Coroa e Fazenda desta Capitania, aos quais ouvi, disse lhe não oferecer dúvida alguma à concessão por não encontrar inconveniente que a proibisse, e pela faculdade que Sua Majestade me permite nas Suas Reais Ordens, e na de 13 de abril de 1738, para conceder Sesmarias a moradores dela, que mas pedirem. Hei por bem fazer mercê como por esta faço, de conceder em nome de Suas Majestades, ao dito Fernando Affonso Correia de Lacerda, por Sesmaria meia légua de terra em quadra nas pedidas, sem interpolação de outras, ainda que sejam inúteis na referida paragem, não tendo outra, e não sendo esta em parte ou todo dela em áreas proibidas, e dentro das confrontações acima mencionadas, fazendo pião aonde pertencer, com declaração porém que será obrigado dentro de um ano, que se contará da data desta, a demarcá-la judicialmente, sendo para esse efeito notificados os vizinhos com quem partir, para alegarem o que for a bem de sua justiça; e ele fará também a povoar, e cultivar a dita meia légua de terra, ou parte dela, dentro de dois anos, a qual não compreenderá a situação e logradouros de algum arraial ou capela em que se administrem ao povo sacramentos com licença do Ordinário, até a distância de um quarto de légua; nem também compreenderá ambas as margens de algum rio navegável, porque neste caso ficará de uma e outra banda dele a terra que baste para o uso público de passageiros, e de uma das bandas junto à passagem do mesmo rio se deixará livre meia légua de terra para comodidade pública, e de quem arrendar a dita passagem como determina a Ordem de 11 de março de 1754, reservando os sítios dos vizinhos com quem partir esta sesmaria, suas vertentes e logradouros, sem que eles com este pretexto seguirão apropriando demasiadas em prejuízo desta mercê que faço ao suplicante, a qual não impedirá a Repartição dos Descobrimentos de terras minerais que no tal sítio hajam ou possam haver, nem os caminhos e serventias públicas que nele houver, e pelo tempo adiante pareça conveniente abrir para maior utilidade do bem comum, com declaração que partindo as ditas terras por mato virgem com outra sesmaria se deixará na sua extremidade por essa parte uma linha de duzentos palmos, e além disto se conservará a décima parte dos matos virgens das referidas terras, sendo a metade desta porção designada junto aos córregos ou rios que por elas correrem para a criação e conservação das madeiras necessárias para o uso público, a qual porção de terra assim reservada não poderá o suplicante roçar sem licença deste Governo, nem impedir que nela se cortem madeiras para os serviços minerais, proporcionalmente a arbítrio de Bom Varão, tudo na forma do Bando de 13 de maio de 1736, e possuirá a dita meia légua de terra com condição de nela não sucederem religiões, igrejas, ou eclesiásticos por título algum, e acontecendo possuí-las será com o encargo de pagar delas dízimos, como quaisquer seculares, e será outrossim obrigado a mandar requerer a Sua Majestade pela Mesa do Desembargo do Paço, confirmação desta Carta de Sesmaria dentro de quatro anos, que correrão da data desta em diante, a qual lhe concedo salvo sempre o Direito Régio, e prejuízo de terceiro, e faltando ao referido não terá vigor, e se julgará por devoluta a dita meia légua de terra, dando-a a quem a denunciar, tudo na forma das Reais Ordens. Pelo que o Juiz das Sesmarias do Termo da dita Vila dará posse ao suplicante da referida meia légua de terra em quadra nas pedidas, não sendo em parte ou todo dela em árias proibidas, e prejudiciais aos Reais Interesses, porque em tal caso se lhe não dará a dita posse nem terá efeito esta concessão; feita a demarcação e notificação como Ordeno, de que se fará Termo no Livro a que pertencer e assento nas costas desta para a todo o tempo constar o referido. E por firmeza de tudo lhe mandei passar a presente por mim assinada, e selada com o selo de minhas Armas, e que se cumprirá inteiramente como nela se contém, registrando-se nos Livros da Secretaria deste Governo, e onde mais tocam. Francisco José Teixeira Chaves a fez. Dada em Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, a 13 de outubro. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil oitocentos e dezessete. O Secretário do Governo João José Lopes Mendes Ribeiro a fez escrever. Dom Manoel de Portugal e Castro.


Carta de Sesmaria de Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda
Carta de Sesmaria de Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda 1
Carta de Sesmaria de Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda 2
Carta de Sesmaria de Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda 3

Dom Manoel de Portugal e Castro, do Conselho de Sua Majestade e do da Sua Real Fazenda, Governador e Capitão Geral da Capitania de Minas Gerais.

Faço saber aos que esta minha Carta de Sesmaria virem que, atendendo ao a mim apresentado por sua petição Jerônimo Pinheiro de Lacerda, que em um córrego chamado Feijão Cru que deságua no rio da Pomba no Distrito de Santo Antonio do Porto do Ubá, Termo de Barbacena, se acham terras devolutas; e que o suplicante requeria possuir por legítimo título de Sesmaria, me pedia lhe concedesse na dita paragem meia légua de terra em quadra, na forma das Ordens, ao que atendendo-se e ao que responderam os oficiais da Câmara da dita Vila, e o Doutor Procurador da Casa e Fazenda desta Capitania, aos quais ouvi, disse-lhe não oferecer dúvida alguma na concessão por não encontrar inconveniente que a proibisse; e pela faculdade que Sua Majestade me permite nas Suas Reais Ordens, e na de 13 de abril de 1738, para conceder Sesmarias das terras desta capitania aos moradores dela que mas pedirem. Hei por bem fazer mercê como por esta faço, de conceder em nome de Sua Majestade ao dito Jerônimo Pinheiro de Lacerda por Sesmaria meia légua de terra em quadra nas pedidas, sem interpolação de outras, ainda que sejam inúteis na referida paragem, não tendo outra, e não sendo esta em parte ou todo dela, em árias proibidas, e dentro das confrontações acima mencionadas, fazendo pião onde pertencer; com declaração porém que será obrigado dentro em um ano, que se contará da data desta, a demarcá-la judicialmente, sendo para esse efeito notificados os vizinhos com quem partir, para alegarem o que for a bem de sua justiça; e ele deverá também a povoar, e cultivar a dita meia légua de terra ou parte dela dentro em dois anos, a que não compreenderá a situação, e logradouros de algum arraial, ou capelas em que se administrem ao povo sacramentos com licença do Ordinário, até a distância de um quarto de légua, nem também compreenderá ambas as margens de algum rio navegável, porque neste caso ficará de uma a outra banda dele a terra que baste para o uso público dos passageiros; e de uma das bandas junto a passagem do mesmo rio se deixará livre meia légua de terra para comodidade pública e de quem arrendar a dita passagem, como determina a Ordem de 11 de março de 1754, reservando os sítios dos vizinhos com quem partir esta Sesmaria, suas vertentes, e logradouros, sem que eles com este pretexto seguirão a apropriar de demasiadas em prejuízo desta mercê que faço ao suplicante, o qual não impedirá a Repartição dos Descobrimentos de terras minerais, que no tal sítio hajam ou possam haver, nem os caminhos e serventias públicas que nele houver, e pelo tempo adiante pareça conveniente abrir para melhor utilidade do bem comum, com declaração que partindo das ditas terras por mato virgem com outra Sesmaria se deixará na sua extremidade por essa parte uma linha de duzentos palmos e além disto se conservará a décima parte dos matos virgens das referidas terras, sendo a metade desta porção designada junto aos córregos, ou rios que por elas correrem, para a criação e conservação das madeiras necessárias para o uso público, a qual porção de terra assim reservada não poderá roçar sem licença deste Governo, nem impedir que nela se cortem madeiras para os serviços minerais vizinhos, proporcionalmente a arbítrio de Bom Varão, tudo na forma do Bando de 13 de maio de 1736, e possuirá a dita meia légua de terras com condição de nela não sucederem religiões, igrejas ou eclesiásticos, por título algum, e acontecendo possuí-las será com o encargo de pagar delas dízimos, como quaisquer seculares, e será outrossim obrigado a mandar requerer a Sua Majestade, pela Mesa do Desembargo do Paço, confirmação desta Carta de Sesmaria dentro em quatro anos, que correrão da data desta em diante, a que lhe concedo salvo sempre o Direito Régio, o prejuízo de terceiro, e falhando ao referido não terá vigor, e se julgará por devoluta a dita meia légua de terra, dando a quem a denunciar, tudo na forma das Reais Ordens. Pelo que o Juiz das Sesmarias do Termo da dita Vila dará posse ao suplicante da referida meia légua de terra em quadra nas pedidas, não sendo em parte ou todo dela em árias proibidas, e prejudiciais aos Reais Interesses, porque em todo caso se lhe não dará a dita posse, e nem terá efeito esta concessão; feita a demarcação e notificação como ordeno, de que se fará Termo no livro a que pertencer, e assento nas costas desta, para a todo o tempo constar o referido. E para firmeza de tudo lhe mandei passar a presente por mim assinada, e selada com o selo de minhas Armas, que se cumprirá inteiramente, como nela se contém, registrando-se nos livros da Secretaria deste Governo, e onde mais tocar.

Francisco José Teixeira Chaves a fez. Dado em Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, aos 14 de outubro. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e dezessete. O Secretário do Governo, João José Lopes Mendes Ribeiro a fez escrever. Dom Manoel de Portugal e Castro.


[1] Códice 363, folhas 190 e 192verso, livros de Cartas de Sesmarias disponíveis no Arquivo Público Mineiro.

[2] Para o parentesco entre os personagens, ver banco de dados de Nilza Cantoni, baseado em pesquisas realizadas nos livros paroquiais da região da Serra da Ibitipoca.

[3] Cálculo de nascimento dos filhos segundo os Mapas de População de São José do Além Paraíba e São Sebastião do Feijão Cru, arquivados no Arquivo Público Mineiro.

[4] CASTRO, Celso Falabella de Figueiredo. Os sertões de Leste – Achegas para a história da zona da mata. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1987. pág. 69

[5] Pesquisa de Nilza Cantoni nos livros paroquiais de Conceição de Ibitipoca.

[6] Mapas de População de Santa Rita do Ibitipoca e Santana do Garambéu, arquivados no Arquivo Público Mineiro.

[7] Antônio Rodrigues Gomes Filho declarou ter adquirido terras a Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, em data de 20.04.1829, conforme Registro de Terras de 1856, arquivado no Arquivo Público Mineiro.

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Recontos de um Recanto – 4: Argirita

Nosso quarto reconto vai um pouco além das fronteiras do município de Leopoldina.  Vamos, hoje, às terras da atual cidade de Argirita, o antigo arraial do Bom Jesus do Rio Pardo.

Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em “Minhas Recordações” página 371, se refere ao lugar como sendo apenas Rio Pardo, quando narra a vida de Manoel Antônio de Almeida para Leopoldina, em 1829. Diz ele que naquela época “em Rio Pardo já havia, então, um começozinho de povoação”.

Localização de Argirita na zona da mata mineira

Mas, nossa história começa bem antes desta data, com dois filhos do casal Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier que, conforme se observa na literatura existente, pertenciam à família do nosso alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. E estes filhos são: Felisberto Gonçalves da Silva, ou da Silva Gonçalves e Domingos Gonçalves de Carvalho (filho).

Provavelmente por volta de 1810 os irmãos Felisberto e Domingos, acompanhados das esposas e filhos, ocuparam terras nas vertentes do Rio Pardo. Requereram posse ao governo da província e em novembro de 1813 receberam as respectivas Cartas de Sesmaria, duas para cada casal. Felisberto, em 29.11.1813, obteve Sesmaria cujo limite era o Córrego da Glória, no Sertão do Pomba, Termo de Barbacena, conforme carta arquivada no APM, códice 353, página 76.

Sobre Felisberto sabemos, também que nasceu por volta de 1785 e casou-se em São João del Rei, a 29 de setembro de 1802 com Ana Bernarda da Silveira.

Em Velhos Troncos Mineiros, do Cônego Raimundo Trindade, consta que o casal teve um único filho, Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, que nasceu a 2 de janeiro de 1804 em São João del Rei e casou-se com Francisca de Paula de São José, provavelmente filha de seu tio paterno, Domingos Gonçalves de Carvalho e de Antônia Rodrigues. Chaves.

Analisando a trajetória de Felisberto após o casamento temos razões para suspeitar que teve pelo menos mais um filho: Joaquim Gomes da Silva Flores.

Hoje podemos afirmar, com segurança, que sua morte ocorreu depois de janeiro de 1863, uma vez que seu nome aparece nas listas de votantes do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo nesse ano.

Inexplicavelmente o nome de Felisberto da Silva Gonçalves desapareceu da história oficial de Leopoldina e Argirita, embora conste do Mapa de População de 1831 como possuidor de 33 escravos, sendo o terceiro maior proprietário de cativos no então Distrito do Curato do Espírito Santo, Termo de Barbacena.

Em 1840, segundo o primeiro livro de compra e venda de bens de raiz de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), ele comprou de José da Silva Paradela e sua mulher Ana Marinha de Jesus, 60 alqueires de terras de cultura. Uma propriedade que estava dentro do território atual de Argirita e limitava-se com Joaquim Gonçalves de Almeida e Antonio Henriques de Souza.

Em 1842 vendeu parte de sua fazenda no Córrego da Glória, no lugar denominado Monte Redondo e em 1846 comprou, de Lino da Silva Paradela, terras no Ribeirão de São Bento.

No Registro de Terras de 1856 Felisberto aparece como vizinho da Fazenda do Socorro, de propriedade dos herdeiros de José Joaquim Monteiro de Barros.

A partir do estudo de diversos documentos concluímos que a Fazenda formada a partir das concessões de sesmarias ao casal Felisberto e Ana é a mesma Fazenda Fortaleza que ainda aparece nas cartas atuais do IBGE.

Quanto a Domingos Gonçalves de Carvalho, irmão de Felisberto, pouco sabemos.  O Cônego Trindade informa que ele casou-se com Antonia Rodrigues Chaves com quem teve apenas uma filha, de nome Maria, nascida em 1809. Em nossas pesquisas encontramos outros possíveis filhos do casal sem contudo podermos garantir dados sobre a descendência, tendo em vista a precariedade dos assentos paroquiais encontrados. Mas, nos livros pesquisados, encontramos batismos de Francisca, Maria, Rita, Antonio, José e Joaquim entre 1802 e 1820, cujos pais podem ser os casais que estamos abordando.

Resta dizer que o filho de Felisberto – Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, teve, pelo menos uma filha que recebeu o nome de Carolina Rosa de São José. E pela localização da residência de seus pais acreditamos que tenha sido batizada na Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre (Taruaçu). Mas, infelizmente ainda não foi possível descobrir onde estariam os registros dos primeiros atos realizados naquela Capela. É certo que Carolina foi casada com Francisco de Paula Pereira Pinto e deixou enorme descendência em Leopoldina e arredores.

Ficamos por aqui. Os Recantos de um Recanto continuarão no próximo número.

josé luiz machado rodrigues

nilza cantoni

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Piacatuba: evolução administrativa e origem do nome

Entre 1844 e 1851 o povoado, em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, abrangia uma vasta região em torno de uma capela filial, curada da Freguesia de São Sebastião do Feijão Crú. Para melhor explicarmos sua evolução, lembremo-nos do significado de cada um dos termos próprios da divisão administrativa, no século dezenove, bem como a sua aplicação.

A Província de Minas Gerais era administrada por um Conselho Geral, presidido pelo Governador da Província, que encaminhava os pedidos de criação de Vilas e Cidades para a Assembléia Geral Legislativa do Império. Aprovado o pedido, era então emitido o Decreto Imperial que sancionava a criação, estabelecendo que a Vila teria uma Câmara Municipal e determinando qual seria sua área de abrangência. Procedia-se à eleição dos Vereadores e marcava-se a data de Instalação da Vila. O mais votado, assumia como Presidente da Câmara.

No decurso de sua atuação, as Câmaras Municipais avaliavam a necessidade de criar subdivisões administrativas que melhor atendessem às necessidades da população. O Decreto Imperial de 11 de setembro de 1830, estabelecia que a criação de Distritos cabia às Câmaras Municipais. Esta determinação foi modificada por Lei Provincial Mineira de 12 de agosto de 1834 e a criação de Distritos passou para a alçada do Presidente da Província. Distrito é, pois, a divisão civil de uma Vila ou Cidade.

Durante o processo de criação e algumas vezes somente depois de criado o Distrito, era encaminhada ao Bispado a solicitação de Instituição Canônica da Freguesia, também conhecida por Confirmação Episcopal.

Geralmente, a criação de um Distrito se dava em torno de um povoado, onde já existia uma Capela. Em todas as grandes fazendas, o proprietário mandava construir, no mínimo, um Oratório para o serviço religioso de sua própria família. Se localizada a grande distância da Freguesia , após acordo com os fazendeiros vizinhos, o proprietário fazia a Doação do Patrimônio ao Santo de sua devoção.

Na prática, isto significava uma Escritura de transferência de seus direitos sobre um pedaço de terra para o Bispado, a que estivesse subordinado. De posse do Patrimônio, a Cúria Episcopal autorizava a realização de serviços religiosos naquela capela. O padre era então designado e poderia ser um Vigário Colado ou um Cura. A diferença está em que, na Vigairia Colativa, o salário do padre era pago pela Fazenda Real e era chamado de Côngrua. No Curato, os rendimentos do padre eram um percentual das taxas pagas pelos Fregueses para a realização dos atos religiosos.

Da estrutura do Bispado fazia parte a realização das Visitas Pastorais que, entre outras obrigações, fiscalizava os livros de cada uma das Igrejas de sua jurisdição. Observando um crescimento da população e, conseqüentemente, o aumento dos atos realizados no período, iniciava-se o processo de elevação do Curato em Freguesia.

Antes de prosseguirmos, queremos deixar claro que não havia uma regularidade no processo, e dois Bispados poderiam agir de forma bastante diferente. A história da criação do Curato de Nossa Senhora da Piedade, bem como do Curato do Tesouro de São Sebastião do Feijão Crú e alguns vizinhos, foi um tanto diferente de outros na mesma província. Isto porque, embora localizados dentro do território de Minas Gerais, sua Instituição Canônica foi realizada pelo Bispado do Rio de Janeiro.

Lei número 533 de 10 de outubro de 1851

Assim, o Curato de Nossa Senhora da Piedade foi instituído em terras doadas por Domingos de Oliveira Alves, em 1844, como capela filial curada da Freguesia de São Sebastião do Feijão Crú do Bispado do Rio de Janeiro. Foi elevado a distrito pela lei número 533 de 10 de outubro de 1851, pertencente ao município de Mar de Espanha. Com a elevação do Feijão Crú a Cidade e Vila de Leopoldina, em 1854, passou para esta jurisdição.

A lei número 2027, de 1º de dezembro de 1873, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade. De acordo com a legislação da época, isto significava conceder autonomia para ampliar o raio de ação, podendo o padre atender aos fregueses residentes fora de sua área administrativa. Acreditamos que esta lei tenha sido uma conseqüência do que já vinha ocorrendo na prática. Desde 1851, podemos encontrar diversos assentos paroquiais, realizados nas capelas do Porto de Santo Antônio (Astolfo Dutra) e de Santana de Cataguases, registrados nos livros da Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Alguns autores consideram que não houve Instituição Canônica, ou que a lei acima foi tornada sem efeito, em virtude do contido na lei número 3798 de 16 de agosto de 1889, que tratava da elevação à Freguesia. Pedimos permissão para manifestar uma opinião algo divergente. Analisando Atas de Visitas Comarcais do período, concluímos que pode ter havido algum processo interrompido, mas que a legislação civil acatou a lei de 1873, passando a referir-se à Freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Leopoldina. Nos atos eclesiásticos, porém, consta que ainda era Curato quando foi transferido para a Diocese de Mariana, por Ato Pontifício de 16 de julho de 1897, com o nome de Piedade da Leopoldina.

A derradeira mudança de nome veio muito tempo depois. Na divisão administrativa de Minas Gerais, levada a efeito pela Lei número 843 de 7 de setembro de 1923, foram trocados os nomes de 324 sedes distritais, sendo que, de 177, foram substituídas as denominações de origem cristã. Enquadra-se, neste caso, o Distrito da Piedade que, a partir daí, passou a ter uma palavra de origem tupi como seu topônimo.

O nome Piacatuba é formado dos seguintes termos: PIA que significa coração, CATU que significa bom e BA que significa lugar. Portanto, Piacatuba , na língua geral, significa LUGAR DE GENTE DE BOM CORAÇÃO, numa clara alusão aos pacíficos índios puris, seus primeiros habitantes.

Infelizmente, temos uma nota dissonante a este respeito. Embora o nome sugerido pelo Senador Basílio de Magalhães, por ocasião da discussão da Lei número 843 acima citada, tenha sido evidentemente explicado conforme documentação que compõe os anais da Assembléia Legislativa Estadual, muitos não compreenderam ou não quiseram aceitar seu significado. Data desta época a versão “Piracatuba” para o nome do distrito, constante em algumas obras oficiais, como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, editada 26 anos depois.

Mais uma vez, pedimos licença para manifestar uma opinião pessoal. É que a substituição de “Pia” por “Pira” modificaria o significado do topônimo. No lugar de ser conhecida como “Terra de gente de bom coração”, seria conhecida como “Terra de incendiários”, numa linguagem atualizada. No entanto, os autores de tal absurdo demonstraram o completo desconhecimento da língua geral. Isoladamente, “Pirá” era palavra utilizada pelos índios para designar peixe, donde temos, por exemplo, o peixe chamado “pirarucu”. Quanto a “Pyrá”, do grego, e “Pyra”, do latim, ambas se relacionam a “fogo e fogueira”. Uma hipotética aglutinação de Pyrá + Catu + Ba significaria, mais ou menos, “lugar bom para queimar”. Se considerada de exclusiva origem do tupi, Pira + Catu + Ba significaria “lugar bom para peixe” ou para pescar. O que não é, historicamente falando, o caso de Piacatuba.

Ainda sobre esta abominável interpretação, acreditamos que terá sido o motivo para uma troca de correspondência entre Custódio Lustosa e o Senador Basílio de Magalhães, cuja explicação definitiva foi também publicada na Gazeta de Leopoldina de 9 de outubro de 1923.

Pelo que pudemos apurar, de algumas lendas familiares, a troca de nomes teria sido alimentada por pessoas de pouco siso, cujo único objetivo seria achincalhar a História da Cruz Queimada, episódio que foi berço da religiosidade séria e respeitável de toda a “Gente de Bom Coração”.

Texto publicado em outubro de 2001 por11
Lucimary Vargas de Oliveira e Nilza Cantoni.

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Alguns Fatos da História de Leopoldina

1813 – 1910 Da concessão das primeiras sesmarias à criação da Colônia Constança: alguns fatos extraídos dos primeiros 97 anos da história de Leopoldina.

  • 24.11.1813 – Concedidas duas sesmarias a Antonia Rodrigues Chaves e seu marido Domingos Gonçalves de Carvalho, irmão de Felisberto da Silva Gonçalves a seguir mencionado. Localização: Mata geral do Sertão do Pomba, no Córrego da Fortaleza, Termo de Barbacena, onde se acha abrindo a estrada para o Porto de São Fidélis[1].
  • 26.11.1813 – Concedida a Anna Bernarda da Silveira, uma sesmaria com limite no Córrego da Fortaleza, Mata Geral do Sertão do Pomba, Termo de Barbacena[2].
  • 29.11.1813 – Concedida a Felisberto da Silva Gonçalves, marido de Anna Bernarda da Silveira, uma sesmaria também com limite no Córrego da Fortaleza, Sertão do Pomba, Termo de Barbacena[3].
  • 13.10.1817 – Concedida a Fernando Affonso Correia de Lacerda, uma sesmaria com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto do Ubá, Termo de Barbacena[4].
  • 14.10.1817 – Concedida a Jeronimo Pinheiro de Lacerda, uma sesmaria também com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto de Ubá, Termo de Barbacena[5].
  • 12.03.1818 – Concedida a José Joaquim Monteiro de Barros, uma sesmaria entre as Serras Bonita, Feia, Limoeiro e Conceição, Termo de Barbacena[6].
  • 28.03.1818 – Concedida a Maria Umbelina de Santa Brígida, uma sesmaria no Serão do Paraíba e Mar de Espanha, Termo de Barbacena. No mesmo local, concedida sesmaria a Antonio Francisco Teixeira Coelho[7].
  • 22.04.1818 – Concedida a Antônio José Monteiro de Castro, uma sesmaria nas Margens do Rio Paraíba, no caminho do Cantagalo, além das Serras Bonita ou pelos lados do mesmo caminho, ou no Ribeirão do Limoeiro ou Conceição, Termo de Barbacena[8].
  • 1828 – Manoel Carlos de Almeida assina a doação do patrimônio de Santa Rita da Meia Pataca[9].
  • 30.09.1829 – Manoel Antônio de Almeida, seu genro João Gualberto Ferreira Brito, o pai deste, Joaquim Ferreira de Brito,  acompanhados de esposas, filhos e escravos, chegam à Fazenda do Feijão Cru[10].
  • 01.06 e 20.11.1831 – Joaquim Ferreira de Brito doa terras para constituírem o patrimônio de São Sebastião[11].
  • 07.10.1838 – O primeiro Mapa de Moradores do então Distrito de São Sebastião do Feijão Cru, é encaminhado ao Governo Provincial, listando os 1274 moradores distribuídos em 135 moradas[12].
  • 1843 – A Freguesia do Feijão Cru aparece pela primeira vez num Relatório da Presidência da Província, relativo ao ano de 1842, composta dos distritos do Feijão Cru e do Angu, pertencendo ao município de São João Nepomuceno, contando com 161 casas e 970 eleitores[13].
  • 15.12.1843 – É encaminhada ao Governo Provincial, a segunda Lista Nominal dos Habitantes do Distrito de São Sebastião do Feijão Cru, constando de 2.171 habitantes, distribuídos em 213 casas[14].
  • 25.04.1851 – Data do mais antigo assento paroquial hoje existente, o batismo de Jacinta, filha de escravos de Francisco José de Miranda, ocorrido na matriz de Nossa Senhora da Piedade, hoje distrito de Piacatuba[15].
  • 1854 – O Relatório da Presidência da Província informa que no ano de 1853 o distrito do Feijão Cru estava dividido em 4 quarteirões, que ali residiam 237 votantes e que pertencia ao município de Mar de Espanha. Informa ainda que o distrito da Piedade contava com 199 votantes em 7 quarteirões, que o Rio Pardo dividia-se em 9 quarteirões com 154 votantes e que Conceição da Boa Vista contava com 358 votantes[16].
  • 27.04.1854 – Criação do município, pela Lei Provincial número 666, em território desmembrado de Mar de Espanha, ao qual pertencia desde a criação deste município em 1851.
  • 1855 – O Relatório da Presidência da Província informa que no ano de 1854 existiam 3 Igrejas e 1 capela em Leopoldina, sendo que uma das Igrejas precisando de urgentes reparos por estar “quase a desmonorar-se”[17].
  • 20.01.1855 – Instalação solene do município de Leopoldina.
  • 15.05.1855 – Provimento do professor Antônio Felício de Miranda para a Vila Leopoldina. A 16.05.1885, toma posse do cargo, para exercício interino, a professora de instrução primária Maria Carlota da Gama[18].
  • 18.02.1856 – É aberto o livro que servirá para o assento das propriedades existentes na Vila Leopoldina. São listadas 95 propriedades, a última no dia 20 de abril de 1856[19].
  • 1861 – Francisco de Paula Ferreira de Rezende chega a Leopoldina, onde mais tarde funda a Fazenda Filadélfia[20].
  • 16.10.1861 – Elevação a cidade, pela Lei Provincial número 1166.
  • 10.10.1871 – Companhia Estrada de Ferro Leopoldina, obtém concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina[21].
  • 27.03.1872 – Decreto Imperial – Concede ao engenheiro Antonio Paulo de Mello Barreto autorização para organizar uma companhia que se incumba de construir uma estrada de ferro econômica, entre a Estação do Porto Novo do Cunha e Santa Rita da Meia Pataca[22].
  • 15.07.1872 – Criação da comarca pela Lei Provincial número 1867.
  • 19.07.1872 – Matriz de Conceição da Boa Vista é elevada a Paróquia, pertencente do município de Leopoldina[23].
  • 01.12.1873 – Criação da Paróquia da Piedade, município de Leopoldina[24].
  • 10.12.1874 – Inauguração da Estação de Providência da Estrada de Ferro Leopoldina[25].
  • 25.05.1876 – Inauguração da Estação de Santa Isabel (Abaíba) da Estrada de Ferro Leopoldina[26].
  • 17.09.1876 – Bento Xavier doa terrenos da Fazenda Campo Limpo para a formação do povoado, que posteriormente veio a se chamar Ribeiro Junqueira[27].
  • 02.07.1877 – Inauguração da Estação de Leopoldina da Estrada de Ferro Leopoldina[28].
  • 1879 – Fundação do primeiro jornal do município, denominado Leopoldinense, por F. Costa Sobrinho[29].
  • 1880 – Escola Pública sob direção da professora Clara Sofia Gaëde de Carvalho. Escola particular na Piedade, com os diretores Souza Machado e Symphronio Cardoso[30].
  • 09.01.1881 – Leopoldina é sede do 9º Distrito Eleitoral da Província[31].
  • 30.04.1881 – Visita do Imperador Pedro II[32].
  • 21.05.1881 – Decreto nº 8.117 organiza os distritos eleitorais da Província e Leopoldina é o nono distrito[33].
  • 25.10.1881 – Criação da Paróquia de Tebas, município de Leopoldina[34].
  • 1882 – O Relatório da Presidência da Província informa que, no ano de 1881, foram contratados 9 (nove) imigrantes europeus para trabalhar na fazenda do Socorro, município de Leopoldina[35].
  • Setembro de 1882 – A revisão do alistamento eleitoral realizado em 1881 contabiliza 734 eleitores no município de Leopoldina[36].
  • 05.01.1883 – A população servil da Província atinge a 311.666 indivíduos. A cidade com maior número de escravos é Juiz de Fora, com 21.808, em seguida Leopoldina, com 16.001, em terceiro Mar de Espanha, com 15.183, em quarto Muriaé com 7.775 e os demais municípios em ordem decrescente[37].
  • 29.07.1887 – Fundação do jornal Estrela de Minas e logo depois, A Idéia Nova[38].
  • 1888 – Fazendeiros de Leopoldina recebem autorização para introduzir colonos europeus em suas propriedades, com subsídio do governo provincial[39].
  • 1888 – É autorizada a instalação de uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina[40].
  • Entre 1888 e 1889 – Honório Antunes Pereira organiza uma empresa para explorar o serviço de telefones entre Cataguases e Leopoldina[41].
  • 16.08.1889 – Elevação do Curato da Piedade a Freguesia, no município de Leopoldina[42].
  • 01.12.1889 – É fundada, em Leopoldina, a Sociedade Portuguesa de Beneficência. Veja.
  • 31.05.1893 – Território mineiro é dividido em 5 distritos de imigração, sendo que o 2º tem sede em Leopoldina[43].
  • 1894 – Funciona uma hospedaria de imigrantes, no sítio Jacareacanga. Neste mesmo ano, em alguns distritos de Leopoldina irrompe a febre amarela[44].
  • 1895 – Está em funcionamento uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina, nas proximidades da Estação de Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina[45].
  • 16.07.1897 – Leopoldina deixa de pertencer à diocese do Rio de Janeiro e é transferida para Mariana[46].
  • 1898 – É extinta a Hospedaria de Jacareacanga[47].
  • 1908 – Chegam a Leopoldina 10 famílias de imigrantes, com 47 pessoas[48].
  • 1909 – Núcleo de pessoas em assentamento da Leopoldina Railway Company Limited: 08 famílias alemãs com 38 pessoas; 01 família austríaca com 07 pessoas; 01 família portuguesa com 2 pessoas; 01 família brasileira com 9 pessoas[49].
  • 12.04.1910 – É criada a Colônia Agrícola da Constança para assentamento de imigrantes[50].

Fontes

[1] Códice SC 352 fls 76v e fls 73v respectivamente (Arquivo Público Mineiro)

[2] idem fls 81

[3] idem fls 79

[4] Códice SC 363 fls 190v (Arquivo Público Mineiro)

[5] idem fls 192v

[6] Trata-se de terras onde mais tarde foi formada a Fazenda Paraíso, pelo irmão do beneficiário. Códice SC 377 fls 61 (Arquivo Público Mineiro)

[7] Trata-se dos sogros do pioneiro Bernardo José Gonçalves Montes. Códice SC 377 fls 68 a 70 (Arquivo Público Mineiro)

[8] Há outras sesmarias, concedidas nos dias subsequentes, para familiares deste beneficiário. Códice SC 377 fls 93 (Arquivo Público Mineiro)

[9] Trata-se de familiar de Manoel Antonio de Almeida, pioneiro de Leopoldina. Fonte: Escritura de doação do patrimônio de Santa Rita do Meia Pataca (Prefeitura Municipal de Cataguases)

[10] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de, Minhas Recordações (Belo Horizonte: Itatiaia, 1988), pag. 390-391 e jornais antigos de Leopoldina.

[11] BARROSO JÚNIOR, Leopoldina  e seus primórdios (Rio Branco: Gráfica Império, 1943), notas da página 61

[12] Mapa da População do Feijão Cru, 1838, Caixa 03 Doc 06 (Arquivo Público Mineiro)

[13] Exposição do Conselheiro Bernardo Jacinto da Veiga, 23.03.1843, pag 23

[14] Mapa de População do Feijão Cru, 1843, Cx 03 Doc 04 (Arquivo Público Mineiro)

[15] Primeiro Livro de Batismos da Matriz de Nossa Senhora da Piedade.

[16] Relatório do Desembargador José Lopes da Silva Vianna, 01.05.1854, fl 108.

[17] Relatório do Presidente da Província Francisco Diogo Pereira de Vasconcelos, 25/03/1855, pag 18

[18] Fala do Conselheiro Herculano Ferreira Penna à Assembléia Legislativa Provincial, Mapa Anexo.

[19] TP 114 (Arquivo Público Mineiro)

[20] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de, Minhas Recordações (Belo Horizonte: Itatiaia, 1988)

[21] Lei Mineira nº 1826 (Coleção de Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro)

[22] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag. 338

[23] Lei Mineira nº 1903, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

[24] Lei Mineira nº 2027, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

[25] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag 1042

[26] idem, pag. 516

[27] Escritura de Doação, Arquivo Particular.

[28] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag. 639

[29] LAEMMERT, Eduardo e Henrique, Almanak Laemmert (Rio de Janeiro: 18–), 1885, pag. 278 e VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag 717.

[30] LAEMMERT, Eduardo e Henrique, Almanak Laemmert (Rio de Janeiro: 18–), 1885, pag. 285

[31] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag 139

[32] Caderneta do Imperador, Museu Imperial de Petrópolis.

[33] Almanaque de Leopoldina (Leopoldina: s.n., 1886).

[34] Lei Mineira nº 2848, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

[35] Fala de Theophilo Ottoni dirigida à Assembléia Provincial de Minas, 01/08/1882, pag. 66

[36] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembléia Provincial de Minas, 02/08/1883, pag. 8

[37] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembléia Provincial de Minas, 02/08/1883, páginas 66 e 67

[38] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag. 717

[39] Relatório de Luiz Eugenio Horta Barbosa, 01/06/1888, pag. 65-66

[40] Relatório do Barão de Camargos de 07.12.1888, pag 75

[41] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de, Minhas Recordações (Belo Horizonte: Itatiaia, 1988)

[42] Lei Mineira nr. 3798, 16/08/1889, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

[43] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), pag 525

[44] idem

[45] Mensagem do Presidente Crispim Jaques Bias Fortes, 15/07/1896, pag. 31

[46] Transcrição de Ata no Livro de Batismos da Matriz de São Sebastião.

[47] Mensagem do Presidente Francisco Silviano de Almeida Brandão, 15/06/1899, pag. 39

[48] Relatório da Companhia Estrada de Ferro Leopoldina, disponível no Centro de Documentação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, rua General Canabarro nr. 706, Rio de Janeiro, RJ.

[49] idem.

[50] Decreto nº 280, disponível no Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, coleção Secretaria de Agricultura.

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