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Estrada de Ferro.

Trecho da Estrada de Ferro Leopoldina em 2016

“Repórter Mateus Parreiras registra rescaldos da Ferrovia Leopoldina.”

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Estrada de Ferro Leopoldina chega a Leopoldina

O dia 10 de dezembro de 1874 representa a data oficial de inauguração da primeira estação em território que ainda hoje pertence ao município de Leopoldina. Esta é a data informada por Xavier da Veiga, nas Efemérides Mineiras: 1664-1897 [Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes. pag 1042]. Entretanto, uma nota no Jornal do Commercio de 18 de dezembro de 1874, edição 350, página 4, informa que a estação de Providência foi aberta ao tráfego no dia 9 de dezembro de 1874.

Como se sabe, a lei nº 1.826 da antiga província de Minas Gerais, datada de 10 de outubro de 1871, concedeu privilégio para a construção de uma primeira estrada de ferro entre Porto Novo do Cunha, na fronteira entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e Leopoldina. Posteriormente o decreto do governo imperial nº 4.914, de 27 de março de 1872, modificou a concessão, estendendo o percurso até Cataguases, com uma estação em Vista Alegre – então um povoado às margens do Pomba em território de Leopoldina, e o centro de Leopoldina.

Dois meses antes da inauguração da estação em Providência começaram a funcionar as estações Porto Novo (Além Paraíba), Pântano (depois Antônio Carlos, atual Fernando Lobo) e Volta Grande. A estação de São José, localizada entre a Porto Novo e a Pântano, só foi construída mais tarde, com o objetivo de desafogar a estação Porto Novo que era o ponto de ligação da Estrada de Ferro Pedro II com a Leopoldina.

No mesmo dia em que Providência foi inaugurada, começou também a funcionar a estação São Luiz (Trimonte). No ano seguinte foi a vez de iniciarem as operações em São Martinho e ser concluído o assentamento dos trilhos até Santa Isabel (Abaíba), cuja estação foi inaugurada somente em 25 de maio de 1876. Entre junho e agosto de 1876 foi a vez das estações Recreio e Campo Limpo (Ribeiro Junqueira) e no dia 02 de julho de 1877 foram inauguradas as estações Vista Alegre e Leopoldina.

 

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Programa do V Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

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O nome da Estrada de Ferro Leopoldina

Embora muitos autores tenham explicado a origem do nome desta ferrovia, ainda há os que desconhecem o fato. Para estes, hoje publicamos um pequeno trecho de Impressões do Brazil no Seculo Vinte, obra editada em 1913 e impressa na Inglaterra por Lloyd’s Greater Britain Publishing Company, Ltd. Diretor Reginald Lloyd; editores W. Feldwick (Londres) e L. T. Delaney (Rio de Janeiro). Editor brasileiro Joaquim Eulalio. Contribuição do historiador londrino Arnold Wright. Página 224.

Não podendo dar o histórico de cada uma dessas antigas linhas férreas, vamos entretanto satisfazer a curiosidade do leitor, quanto à origem do poético nome da companhia. Leopoldina é uma pequena cidade que fica 200 milhas ao Norte do Rio de Janeiro. Por lei nº 1.826 da antiga província de Minas Gerais, datada de 10 de outubro de 1871, e por decreto do governo imperial nº 4.914, de 27 de março de 1872, foi autorizada a construção de uma primeira estrada de ferro entre Porto Novo do Cunha, na fronteira entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e Leopoldina. A inauguração dos primeiros 26 quilômetros de Porto Novo do Cunha a Volta Grande teve lugar em 8 de outubro, na presença do imperador do Brasil. E não porque tenha sido a primeira das muitas outras linhas e sim devido ao fato de ter a sua administração continuado a comprar e incorporar as outras estradas, o nome Leopoldina tem sido conservado pela moderna companhia anglicanizada.

Estrada de Ferro Leopoldina

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Conceição da Boa Vista perde mais território para formar Providência

O ano de 1890 representou a maior perda territorial para o velho distrito. No dia 9 de junho daquele ano foi criado o distrito de Providência, com parte de sua extensão tendo sido, até então, de Conceição da Boa Vista. No dia 27 do mesmo mês, outra parte passa a constituir o distrito de Recreio. Finalmente, a 21 de novembro de 1890 realizou-se outro fatiamento para constituir o distrito de São Joaquim e completar o de Santa Isabel, sendo este desmembrado de Providência.

Nesta imagem pode ser observada a localização de algumas das primeiras propriedades. Segundo o Registro de Terras de 1856, o número 1 equivale à fazenda Sossego, formada por Bernardo José Gonçalves Montes e sua esposa Maria Antonia, constando do equivalente a uma sesmaria. O ribeirão São Lourenço, referência para a fazenda Sossego, parece ter sido o berço da plantação de café na região de Leopoldina, já que Bernardo José aparece como o único fazendeiro a declarar o plantio da rubiácea em 1856. A linha pontilhada, à esquerda do número 1, indica a divisa entre o distrito de Abaíba e Leopoldina, tendo sido marcada em 1890 pelas propriedades de descendentes do casal pioneiro.

Recebe o número 2 a região onde se formou o arraial de Santa Isabel. Este povoado surgiu no entorno da estação ferroviária com este nome, inaugurada em 1875. Ali foram formadas algumas das fazendas dos Monteiro de Barros, beneficiários de diversas sesmarias concedidas em 1818 mas só efetivamente ocupadas depois de 1831. O número 4 também se refere a propriedades da mesma família, mais especificamente à fazenda Santa Úrsula, formada por volta de 1838.

Com o número 3 indicamos a provável localização da fazenda Dois Irmãos, sede da sesmaria de José Ferreira Brito e um seu irmão. Devido ao grande número de homônimos na família, ainda não pudemos apurar qual dos irmãos ficou com a outra metade da sesmaria. Até aqui sabemos apenas que os 4 filhos do segundo casamento de José Ferreira Brito viveram naquela região, sendo que duas foram casadas com pioneiros do Feijão Cru. Do primeiro casamento foi filho o Manoel Ferreira Brito, pai de Francisco e Ignacio Ferreira Brito. Este personagem, já tantas vezes citado neste blog, estabeleceu-se com a família nas proximidades do rio Pomba.

Parte da fazenda Dois Irmãos foi vendida a Jacinto Manoel Monteiro de Barros e seus descendentes estão entre os primeiros moradores do que veio a constituir o distrito de Santa Isabel.

 No desenho deste estudo, o número 5 marca a atual localidade de São Martinho que, segundo o constante no Registro de Terras de 1856, bem como na Arrecadação Tributária de 1858, pertencia a Conceição da Boa Vista e era propriedade da família Galvão de São Martinho. Lembremos que o patriarca da família, Pedro Afonso Galvão de São Martinho, foi o encarregado das diligências de 1784 e 1786 que abriram os Sertões do Leste ao povoamento do homem livre. Entretanto, Pedro Afonso faleceu 20 anos antes da ocupação do local por seus descendentes, beneficiados com diversas sesmarias no caminho utilizado pelas duas diligências.

 A linha pontilhada, logo acima do número 5, é o limite sul do território que foi desmembrado de Providência, em novembro de 1890, para constituir o atual distrito de Abaíba. Pelo que pudemos apurar, além das propriedades já citadas, em Abaíba estavam as fazendas Ponte Nova, Santa Isabel, Santa Rosa, Varginha e Água Limpa, esta última fundada por Francisco José de Freitas Lima, provavelmente na meia sesmaria adquirida do irmão de José Ferreira Brito.

 Já em Providência, além das propriedades da família Monteiro de Barros temos também referências à fazenda Passa Tempo, formada pelo pioneiro Joaquim Cesário de Almeida, cujas terras marcavam a divisa do Feijão Cru com Conceição da Boa Vista.

Queremos deixar claro que existiram outras propriedades formadas no início da expansão povoadora de Conceição da Boa Vista. Posteriormente pretendemos listá-las. Mas hoje quisemos apenas abordar as mais referidas no processo de divisão territorial.

 

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Café, Ferrovia e Recreio pós-municipalização

Leia um ARTIGO produzido pelos historiadores Cynthia Cristina de Mello Carvalho e Leonardo Ribeiro da Silva, em que apresentam uma breve narrativa sobre o começo da cidade de ‘Recreio’. Trata-se de um relato sobre os nativos existentes na Zona da Mata mineira e de sua colonização no século XVIII, que foi propiciada pela construção do Caminho Novo. Após a apresentação é abordada a chegada da estrada de ferro e a formação urbana do então Arraial Novo que em momentos tardios irá ser nomeado distrito e mais tarde será conhecido como ‘Recreio’. Com a análise do jornal O Verbo, são identificados os percalços que a administração municipal teve em seu momento inicial do então município.
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Nasce o distrito de Campo Limpo

Na esteira das modificações ocorridas na região, em função da construção da Estrada de Ferro da Leopoldina, em 12 de novembro de 1878 foi criado o distrito de Campo Limpo, constando da Lei que seu território foi desmembrado de Leopoldina. Entretanto, parte dele estava profundamente vinculada a Conceição da Boa Vista desde 1831.

O ribeirão São Manoel e o morro da Bocaina emprestaram seus nomes para a Fazenda São Manoel da Bocaina, formada pelo casal Manoel Ferreira Brito e Maria Josefa da Silva, pais de Francisco e Ignacio Ferreira Brito. A propriedade compreendia grande extensão de terras localizadas entre as “águas vertentes da Boa Vista e o distrito do Feijão Cru”, tendo sido desmembrada em diversas fazendas vendidas ao longo do século XIX.

Segundo os registros de compra e venda de bens de raiz relativos ao final dos anos de 1860 até 1878, quer nos parecer que a fazenda original de Manoel Ferreira Brito estendia-se desde o ponto marcado no desenho como Morro da Bocaina até o local onde foi construída a linha férrea ligando as estações Recreio e Campo Limpo. Deste ponto até a divisa sul de Campo Limpo, já dentro do município de Leopoldina, surge como referência a original fazenda Recreio, formada pelo casal Antônio José Dutra e Mariana Teresa Duarte na década de 1830. Esclareça-se, por oportuno, que as viúvas de Manoel Ferreira Brito e Antônio José Dutra aparecem como proprietárias em Conceição da Boa Vista em 1858. Ou seja: as duas propriedades não estavam dentro dos limites do Feijão Cru.

Com as sucessivas divisões, muitas delas por conta de transmissão de bens aos herdeiros, parte das duas fazendas originais ficaram pertencendo ao Campo Limpo a partir de 1878. Considerando-se que em 1856 a fazenda Recreio foi registrada como tendo 417 alqueires de terras, e que a São Manoel da Bocaina poderia ter tamanho equivalente, acredita-se que representassem grande parte do território destacado no desenho acima e que foi desmembrado de Conceição da Boa Vista para constituir o distrito de Campo Limpo, hoje Ribeiro Junqueira.

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Distritos de Leopoldina que fazem divisa com Recreio

ABAÍBA – Conforme informamos, a palavra significa difícil, trabalhoso, íngreme e foi nome de antiga fazenda no então distrito de Conceição da Boa Vista. Em 1890 tornou-se o distrito de Santa Isabel, que recebeu o nome atual em 1943.

PROVIDÊNCIANome de antiga fazenda do local, parte de seu território pertencia a Conceição da Boa Vista, tendo sido desmembrada na constituição do distrito, com este nome, em 1890.

RIBEIRO JUNQUEIRA – Distrito de Campo Limpo, criado em 1878, com parte do território tendo pertencido a Conceição da Boa Vista. O nome seria uma extensão da denominação dada ao local na época em que foi construída a estação da Estrada de Ferro Leopoldina, ali inaugurada em 1876. Recebeu o nome atual em 1948, em homenagem a José Monteiro Ribeiro Junqueira, político nascido em território então pertencente a Conceição da Boa Vista.

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Significados e Mudanças de Nomes das Localidades

Hoje trazemos algumas informações sobre as denominações dos antigos povoados. Nossa fonte principal é a obra Toponímia de Minas Gerais, de Joaquim Ribeiro Costa, edição de 1993 pela Itatiaia, de Belo Horizonte.

Ao mencionar os topônimos representados por nomes do calendário cristão, o autor lembra ser este um atestado do sentimento religioso daqueles que desbravaram o território e fundaram os antigos povoados. De modo geral, a formação do arraial iniciava-se em torno de uma igreja erguida em homenagem ao santo de devoção, cujo nome estendia-se para toda a localidade. Assim é que Leopoldina, por exemplo, chamou-se Tesouro de São Sebastião do Feijão Cru.

Obedecendo ao “Esquema Genealógico” constante na página 93 da obra de Ribeiro Costa, temos que de Leopoldina foram desmembrados os seguintes atuais municípios: Argirita, Astolfo Dutra, Barão do Monte Alto, Cataguases, Dona Eusébia, Itamarati de Minas, Laranjal, Miraí, Palma, Recreio e Santana de Cataguases. Para os objetivos deste comentário, vamos nos referir a Laranjal, Palma e Recreio.

PALMA – O Curato de São Francisco de Assis da Capivara foi incorporado a Leopoldina em 1854, transferido para São Paulo do Muriaé em 1871, depois para Cataguases em 1875 e elevado a município em 1890, compreendendo os distritos de Laranjal e Aliança (hoje Cisneiros). Em 1891 incorporou os distritos de Itapiruçu e São Sebastião da Cachoeira Alegre.

LARANJAL – A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal foi incorporada ao município de Leopoldina em 1871, transferida para São Francisco de Assis da Capivara (Palma) em 1890, para Cataguases em 1891 e elevada a município em 1938, compreendendo o distrito sede e o de São João da Sapucaia. Até onde pudemos apurar, a mudança de nomes foi apenas pela supressão do santo invocado na denominação original.

RECREIO – Nome da fazenda onde foi construída a estação da estrada de ferro, conforme já mencionado nos primeiros posts deste blog. Distrito criado em território de Conceição da Boa Vista em 1890, elevado a município em 1938 com os distritos de Conceição da Boa Vista e São Joaquim (atual Angaturama).

Nos próximos comentários vamos tratar dos distritos.

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Recreio, MG: Costureiras, Lavadeiras e Hotéis

Um leitor ewscreveu a respeito de nossos comentários de 22, 27 e 28 de janeiro, quando apresentamos os nomes de três mulheres foreiras de terrenos da Fazenda das Laranjeiras. Em sua opinião, as funções declaradas – costureiras e lavadeiras, seriam disfarces para a “profissão maisantiga da humanidade” segundo suas palavras. Com o respeito devido ao autor do comentário, gostaríamos de marcar nossa posição a respeito.

 Mary del Priore, em seu livro História do Amor no Brasil, esclarece que o conteúdo da obra não está relacionado às idéias e conceitos da autora, mas àqueles que vigoravam em cada época retratada. E convida “o leitor a olhar um pouco pelo retrovisor da História […] por meio dos variados documentos” (2006, p.17) que a autora menciona ao longo do livro. É o que temos tentado fazer neste blog, quando apresentamos informações pinçadas nos diversos documentos que pesquisamos. Entretanto, não podemos ir além do que ali está registrado. Seria irresponsabilidade nossa afirmar que as profissões declaradas pelas foreiras eram outras, já que não temos respaldo para isto.

 De todo modo, entendemos que o leitor faça ilações neste sentido, porque nossa maneira de pensar estrutura-se a partir das informações que vamos coletando ao longo da vida. Sabemos que outros autores publicaram referências como as que a professora Del Priore nos traz no capítulo sobre o amor no século XIX, quando comenta o estudo “A prostituição, em particular na cidade do Rio de Janeiro”, do médico Lassance Cunha.Este autor aborda as “meretrizes de sobradinho” que trabalhavam em hotéis ou nas chamadas “casas de costureiras”.Del Priore esclarece que o epíteto refere-se ao fato de serem comuns “que mulheres que tinham esse ofício, assim como tintureiras, lavadeiras e cabeleireiras, conservassem seu trabalho embora tivessem ligações passageiras” (p.198).

 Uma questão se nos apresenta: o fato de três mulheres assinarem um contrato, comprometendo-se a pagar alguns mil réis de foro anual, é garantia do tipo de profissão que elas exerciam? Podemos afirmar que lavadeiras e costureiras não teriam renda suficiente para honrar o compromisso? Ou seria um preconceito disfarçado, considerando-se que os rendimentos de outros foreiros também se inscreviam entre os tidos como parcos?

 Agradecemos ao leitor que nos enviou o comentário e esperamos ter esclarecido nossa posição a respeito do tratamento à informação que retiramos dos documentos da época. Temos tentado “olhar pelo retrovisor da História” conforme sugere Mary del Priore. Mas não podemos ultrapassar os registros a partir de interpretações que não encontrem suporte em material produzido no período analisado. Até o momento, nenhum indício encontramos sobre a presença ou atuação de profissionais do sexo durante o período de construção da Estação Recreio. Sendo assim, D. Josepha, D. Guilhermina e D. Ignez continuarão sendo, aos nossos olhos, lavadeiras e costureiras.

 Aproveitamos para informar, também, que não nos parece estranha a existência de dois hotéis no arraial que se organizava. Onde ficariam hospedados os trabalhadores da obra? É importante lembrar que estamos tratando da construção de uma ferrovia e que a Estação Recreio foi plantada no meio de uma fazenda, não nas proximidades de algum arraial já existente. Pelo que nos foi dado apurar até o momento, os operários, assim como seus superiores imediatos, foram contratados em localidades mais ou menos distantes. E, naquela época, seria impossível voltar para casa ao final da jornada diária.

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