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113 – Entrelaçamentos na família de João Ignacio de Moraes

O Trem de História resgata hoje um pouco da vida e família de João Ignacio de Moraes, outro morador da Serra de Ibitipoca que teve filhos migrados para Leopoldina e descendentes que se entrelaçaram com os Rodrigues, sobrenome do Paulino.

Importante destacar que, conforme foi visto no texto de número 107, os filhos de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina de Jesus usaram formação de sobrenome bem variada, o que dificulta sobremaneira a identificação deles. Alguns perpetuaram o sobrenome do pai enquanto outros resgataram o sobrenome do avô materno, hábito bastante frequente na época. Outro aspecto que chama a atenção é o uso de sobrenome de família por duas das filhas mulheres, pois o mais comum era que elas usassem apenas um nome de devoção.

De modo geral, a adoção ou não de sobrenomes tinha relação com a posição econômica da família. Como não se descobriu, até o momento, qual a origem de João Ignacio de Moraes, pode-se apenas destacar a perpetuação do sobrenome Oliveira, entre filhos e netos do casal, numa referência ao pai de Anastácia Felisbina. Batizada(1) aos 13 de julho de 1800, foi a terceira filha de Maria Narciza de Jesus e Vital Antonio de Oliveira, sendo neta materna do português Bernardo da Costa de Mendonça, proprietário na localidade de Ribeirão dos Cavalos, em Santana do Garambéu, e de Maria Tereza de Jesus cuja mãe foi uma das lendárias Três Ilhoas, das quais grande parte dos mineiros é descendente. Ou seja, Anastácia Felisbina era sobrinha de Rita Esméria de Jesus, esposa do “comendador” Manoel Antonio de Almeida, casal que esteve entre os povoadores do Feijão Cru.

Os avós paternos de Anastácia foram Bernardina Caetana do Sacramento e o português José Rodrigues Braga, cujos filhos usaram, principalmente, o mesmo sobrenome Oliveira mantido pelos filhos de Anastácia. Mas entre os tios paternos de Anastácia, alguns usaram também o Rodrigues que parece representar um elo com Manoel Rodrigues da Silva, avô paterno de Paulino Augusto Rodrigues. Pelo menos uma das tias paternas migrou para a nossa região e dos avós paternos de Anastácia descendem alguns usuários do sobrenome “de Bem” em Leopoldina, Recreio e Muriaé.

Verifica-se, portanto, que os filhos de Anastácia Felisbina e João Ignácio de Moraes têm ancestrais comuns aos pioneiros moradores do Feijão Cru e seus descendentes mantiveram tais laços, especialmente na família próxima de Paulino Augusto Rodrigues.

Os filhos do casal foram batizados na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca que, à época, jurisdicionava o território que mais tarde veio a formar o distrito de Quilombo, município de Bias Fortes. É o que se comprova pela localização da propriedade de João Ignacio de Moraes conforme o registro(2) de 1856:

 “(literis) Eu abaixo assignado sou senhor e possuidor de uma sorte de terras de cultura cita na fazenda do Ribeirão de S. João no Distrito do Quilombo, Freguesia de Santa Rita que levará de planta de milho sem alqueires pouco mais ou menos, cujas comfrontão com as segtes. Por lado devidem com Francisco Antônio, Francisco Vilas e José Luiz do Carmo, A Vieira da Rocha e Francisco Moraes meos socios e com a fazenda que foi do Pe. F… por verdade….inverte… da Ley Regulamentar….. que vai por mim c/o m. assignado. Ribeirão de São João 25 de fevereiro de 1856. João Ignacio de Moraes.”

A partilha das terras, ocorrida após a morte de João Ignacio em 1876, corrobora a afirmação da origem dos “Rodrigues” da família do Paulino Augusto na região conhecida como Serra da Ibitipoca, de onde vieram também os Almeida Ramos, os Ferreira Brito e os Gonçalves Neto, povoadores do Feijão Cru.

Dos 13 filhos de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina, viveram em Leopoldina os 8 listados a seguir:

|–Mariana Carolina de Oliveira

|   +Justino Marques de Oliveira

|–José Vital de Moraes

|   +Umbelina Cassiano do Carmo

|–Joaquim Candido da Silva

|   +Rita Carolina de Oliveira

|   +Erondina Corrêa Lacerda

|–Antonio Romualdo de Oliveira

|   +Francisca Carolina de Oliveira

|–Delfina Honorata de Jesus

|   +José Alexandre da Costa

|–José Ignacio de Oliveira

|   +Maria Messias de Almeida

|–Maria Luiza de Jesus

|   +Joaquim Antonio de Almeida Ramos

|   +Antonio Joaquim Vilas Boas

|–Rita Ignacia de Moraes

|    +Antonio Rodrigues da Silva

É evidente que a história de Paulino Augusto Rodrigues, seus ascendentes e descendentes não termina aqui. Mas esta série de artigos sobre ele, sim. No próximo Jornal, outro personagem ocupará este espaço, seguindo a ideia inicial dos autores de, com estas viagens do Trem de História, resgatar a história da gente que construiu Leopoldina. Até lá.


Fontes de Referência:

1 – Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena. lv 02 bat fls 67-verso.

2 – Registro de Terras de Santa Rita de Ibitipoca, termo 27.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 365 no jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2018

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107 – Os ascendentes maternos de Paulino Rodrigues

Conforme anunciado no artigo anterior, hoje o Trem de História é dedicado a Mariana Custódia de Moraes, a mãe do personagem principal desta viagem.

Mas, antes, vale um esclarecimento. Na época em que os pais de Paulino se casaram, a Paróquia de São Sebastião da Leopoldina ainda pertencia ao Bispado do Rio de Janeiro. Com isto, muitas fontes eclesiásticas eram para lá encaminhadas e, por razões burocráticas, se encontram indisponíveis para consulta desde o final da década de 1990, como é o caso do processo matrimonial do casal que, ao que se sabe, dependeu de autorização episcopal em virtude de parentesco consanguíneo e de afinidade.

Mariana era filha de José Vital de Moraes, também referido em algumas fontes como Vital Ignacio de Moraes, nascido em Conceição de Ibitipoca por volta de 1822, filho de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina de Jesus.

Os pais de Anastácia, Vital Antônio de Oliveira e Maria Narciza de Jesus, casaram-se(1) em Santana do Garambéu no dia 08 de março de 1796. Vital era natural de Conceição de Ibitipoca e Maria Narciza nasceu em Santana do Garambéu, onde seu pai, Bernardo da Costa Mendonça, era proprietário na localidade de Ribeirão dos Cavalos, atualmente pertencente ao município de Ibertioga. Bernardo faleceu(2) em 1811 e é ancestral de vários antigos moradores de Leopoldina, já que foi sogro do “comendador” Manoel Antônio de Almeida.

A mãe de Mariana Custódia de Moraes, Umbelina Cassiano do Carmo, também era natural de Conceição de Ibitipoca, filha de Tereza Maria de Jesus e José Carlos de Oliveira, sendo neta paterna do casal Vital Antonio de Oliveira e Maria Narciza de Jesus acima citado. Portanto, a avó paterna de Mariana, Anastácia Felisbina, era irmã de seu avô materno, José Carlos de Oliveira, dois dos filhos de Vital Antonio, como se verá no quadro genealógico a seguir.

Os avós paternos de Mariana, João Ignacio de Moraes e Anastácia Feslisbina de Jesus foram pais de: 1- Mariana Carolina de Oliveira cc Justino Marques de Oliveira; 2- José Vital de Moraes cc Umbelina Cassiano do Carmo; 3- Joaquim Ignacio de Moura ou de Moraes cc Eufrasia Raimunda de Jesus; 4- Joaquim Candido da Silva cc Rita Carolina de Oliveira; 5- Ana Olina Bibiana cc Antonio Paulino de Faria; 6- Joaquina Flausina de Jesus cc Antonio José Machado; 7- Antonio Romualdo de Oliveira cc Francisca Carolina de Oliveira; 8- Delfina Honoria de Jesus cc José Alexandre da Costa; 9- José Ignacio de Oliveira cc Maria Messias de Almeida; 10- João Gustavo de Oliveira cc Ana Umbelina do Sacramento; 11- Manoel Ignacio de Oliveira cc Rita Carolina de Jesus; 12- Maria Luiza de Jesus cc Antonio Joaquim Vilas Boas e segunda vez com Joaquim Antonio de Almeida Ramos; 13- Rita Ignacia de Moraes cc Antonio Rodrigues da Silva.

Sabe-se que os filhos de nrs 5, 6 e 10 não migraram para Leopoldina, tendo vivido e falecido em Bias Fortes.

Os avós maternos, José Carlos de Oliveira e Tereza Maria de Jesus, foram pais de: 1- Maria Tereza; 2- Justino; 3- Ana; 4- Umbelina Cassiano do Carmo cc José Vital de Moraes; 5- Rita Tereza de Jesus cc Cassiano José do Carmo; 6- Francisca; 7- Mariana Ignacia de Oliveira cc Antônio José de Almeida Ramos; 8- Domingos Marques de Oliveira cc Ana Antonia de Jesus; 9- Victal; 10- Antonio; e, 11- José Carlos de Oliveira Pires cc Ignacia Carolina de Almeida.

A viagem de hoje termina aqui. Na próxima edição o Trem de História trará o ramo paterno de Paulino Augusto Rodrigues. Aguarde!


Fontes de Referência:

1 – Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena, livro de casamentos de Conceição de Ibitipoca 1751-1801, pesquisa de Paulo Ribeiro da Luz.

2 – Museu Regional de São João del Rei, inventário caixa 287.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 359  no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2018

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