Arquivo da tag: Barroso

96 – Rita, Manoel e Custódio Martins da Costa Cruz

Como se viu no artigo anterior e se verá nos subsequentes, a família Costa Cruz, embora tenha ficado esquecida pelos historiadores, teve destacada participação no desenvolvimento de Leopoldina. Em função disto, continua sendo o assunto deste Trem de História. Agora, trazendo mais alguns filhos do patriarca Joaquim José da Costa Cruz.

Rita Martins da Costa Cruz foi a terceira filha de Joaquim José e Ana Joaquina. Casou-se com Teófilo Domingos Alves Ribeiro, nascido em Aracati-CE em 1843), filho de Domingos Teófilo Alves Ribeiro e Maria Joaquina Mendes.

Teófilo Domingos foi um dos nomes de destaque da família Costa Cruz. Empreendedor, em 1879 foi autorizado a fundar um Engenho Central de Açúcar, na margem do Rio Pomba, em Leopoldina, na situação denominada Aracaty, em sociedade com seu cunhado Custódio José. No ano seguinte era professor do Lyceu Leopoldinense e em 1883 aparece cobrando indenização do Governo Imperial referente à passagens de imigrantes contratados em 1882, que possivelmente passaram pela Hospedaria Jacareacanga, vizinha do Engenho.

Pessoa ativa, Teófilo Domingos foi, ainda, vereador em Leopoldina em 1886 e em 1889 e no ano de 1888 era redator do jornal Irradiação, na mesma cidade, propriedade de suas filhas. Em 1890 ele aparece vendendo o jornal Irradiação e se despedindo dos leitores, dizendo que iria para a capital do estado e nesse mesmo ano, em Ouro Preto, foi eleito presidente da Companhia Vila Rica. Mesmo com a transferência para a capital, permaneceu como Oficial da Guarda Nacional e em 1893 participou da Assembleia de Instalação da Sociedade Anonyma Arcádia Leopoldinense, da qual foi sócio. Mais tarde, em abril de 1907, era Secretário de Finanças do Estado de Minas Gerais.

Rita e Teófilo Ribeiro tiveram, pelo menos, os seguintes filhos:

1 – Teófilo, nascido por volta de 1877 em Leopoldina onde faleceu em 1897; 2 – Ester, (n.1880); 3 – Adalgisa c.c. Ismael Franzen; 4 – Maria Rita c.c. José Pedro Drumond; 5 – Guiomar c.c. Antonio Gomes Monteiro Júnior e segunda vez com Manoel Martins da Costa Cruz, promotor em Leopoldina em 1898, filho de Custódio José e Gabriela Augusta.

Manoel Martins da Costa Cruz, o quinto filho de Joaquim José e Ana Joaquina, foi batizado em Leopoldina em 1858 e dele não se tem outras notícias.

Custódio José Martins da Costa Cruz, o sexto e o mais conhecido dos filhos do casal, foi sócio do seu cunhado Teófilo Domingos no Engenho Central Aracaty, autorizado pelo Decreto nº 7.508, de 27.09.1879, que estabelecia:

“Fica concedida á companhia que Theophilo Domingos Alves Ribeiro e Custodio José da Costa Cruz organizarem para o estabelecimento de um engenho central, destinado ao fabrico de assucar de canna, mediante o emprego de apparelhos e processos modernos os mais aperfeiçoados, á margem do rio Pomba, no municipio de Leopoldina, Provincia de Minas Geraes, na zona comprehendida pela situação denominada Aracaty”.

Custódio José nasceu em Nova Era, MG. Casou-se com Gabriela Augusta de Souza Lima, filha de João José de Souza Lima e Carlota Raquel de Souza Barroso, conforme apurado pela pesquisadora Joana Capella.

Em 1875, assinou como Irmão em ata da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Paróquia de São Sebastião da Leopoldina. Três anos depois foi nomeado Delegado de Polícia da cidade e no mesmo ano obteve privilégio para construção de uma ferrovia entre Recreio e São Francisco do Glória. Em dezembro de 1890 requereu ao estado uma autorização para exploração de cobre e outros minerais em Conceição do Serro e Itabira. Em abril de 1891, no Rio de Janeiro, RJ, lançou a Cia. Minas Industrial, com atividades agrícolas, de colonização e construção. Nesta época ele vivia no distrito de Ribeiro Junqueira, Leopoldina, na Fazenda Aracati Velho, divisa do Distrito de Paz Vista Alegre.

Custódio José e Gabriela Augusta tiveram, pelo menos, os seguintes filhos: 1 – Manoel Martins da Costa Cruz, casado com sua prima Guiomar Ribeiro, filha de Teófilo Domingos e Rita; 2 – Henrique c/c Francisca Delfim Silva, filha de Camilo Delfim e Silva e Euzébia de Souza Lima; 3 – Maria Carmen c/c João José Vieira Júnior, filho de João José Vieira e Clara Pereira Nunes; 4 – Dilermando Martins da Costa Cruz, do qual se vai falar na próxima edição; 5 – Custódio Filho, nascido em 1880, editor do Correio da Tarde de Juiz de Fora; 6 – Carlos, nascido em 1881 e em 1928 era médico em Leopoldina, c.c Mercedes Paranhos de Souza com quem teve os filhos Carlos, Haroldo, Caio e Áureo; 7 – Afonso c.c. Alzira Neto;  8 – Tereza, conhecida como Zizinha Cruz, c.c. Emilio Gonçalves Júnior, editor do jornal Cidade de Barbacena; e, 9 – Cecília, citada por Pedro Maciel Vidigal, de quem não se tem outras notícias.

Muito ainda existe sobre a família Costa Cruz. Mas por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo número ele trará vida e obra de Dilermando Martins da Costa Cruz. Até lá.


Fontes Consultadas:

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 01 bat fls 35 termo 184; lv 02 bat fls 35v termo 329, fls 64v termo 612 e 613.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 1 1896-1903 fls 13 reg 11583 sep 1333 3º plano.

Diário Oficial da União, 10 out 1898, ed 1266, pag 2.

Lei Mineira nr 2452 de 18 out 1878; Decreto 7808 de 27 de setembro de 1879 e Decreto 406 de 6 março 1891

Jornais: A Actualidade (Ouro Preto), 30 abr 1878, ed 17 pag 3; A Província de Minas (Ouro Preto), 2 out 1880, ed 14 pag 4 e 19 ago 1886, ed 380 p.2; Gazeta de Leopoldina 26 jun1898 ed 11 pag 3; Gazeta de Leste (Leopoldina, MG), 5 out 1890, ed 1 pag 1 e 1 nov 1890 ed 5 pag 2; Irradiação (Leopoldina), 14 nov 1888 ed 39, 11 abr 1889 ed 60 p.1; 21 maio 1890 ed 117 pag 2; Minas Geraes (Belo Horizonte), 5 out 1893, ed 269 fls 5 a 7; O Liberal Mineiro (Ouro Preto), 26 out1883, ed 137, pag 3 e O Pharol (Juiz de Fora), 3 dez 1890 ed 296 pag 2, idem, 14 abril 1891 ed 87 pag 2.10 abril 1907, ed. 84, pag. 1, 17 nov 1907, ed. 273, pag. 1

FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.41

VIDIGAL, Pedro Maciel, Os Antepassados. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1979 e 1980. v 2 tomo 2 1ª parte p 910, 933 e 932.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 349 no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2018

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Centenário de Nascimento

Nascidos no município de Leopoldina

04 abr 1917

Perpetua

Pai:                          João de Melo Gouvêa

Mãe:                        Emilia Teixeira de Melo


06 abr 1917

Bolivar Pereira Machado

Pai:                          Teofilo José Machado

Mãe:                        Maria Pereira de Oliveira


11 abr 1917

Rita

Pai:                          Manoel Gonçalves Ferreira

Mãe:                        Eliza de Andrade Neto


15 abr 1917

José Muniz

Noemia Guerzoni

Pai:                          Andrea Guerzoni

Mãe:                        Mariana Umbelina de Lacerda


16 abr 1917

José Meneghetti

Pai:                          Felice Augusto Meneghetti

Mãe:                        Ida de Angelis

Tereza

Pai:                          Artur Sebastião Pereira

Mãe:                        Rosa Maria de Jesus


25 abr 1917

Helena Antinarelli

Pai:                          Alfredo Antinarelli

Mãe:                        Carmen Franzone


26 abr 1917

Mario Vossoli

Pai:                          Vicente Vossoli

Mãe:                        Maria Mainante


28 abr 1917

Matilde Barroso Guimarães

Pai:                          Arsênio Tambasco Guimarães

Mãe:                        Dinorah Barroso

Geraldo Luiz Neto

Pai:                          Antonio Luiz Neto

Mãe:     Maria Sebastiana de Oliveira

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56 – Barroso Júnior na visão de terceiros

O último vagão com informações sobre João Barroso Pereira Júnior traz opiniões e comentários de pessoas que conhecem a sua obra.

E começa com o material de José Barroso Junqueira(1), citando o tabloide “Leopoldina – 155 anos de História”, jornal publicado em comemoração aos 155 anos da cidade, em 27 de abril de 2009. Para José Barroso, em função de seu tio ter sido “educado desde criança, em colégios de padres, adquiriu sentimentos de moral e religiosidade cristã, desfrutando de estima e consideração de todos que o conheciam.” Segundo a mesma fonte, “sua vida e sua dedicação às causas sociais não ficaram, entretanto, restritas exclusivamente aos preceitos da religião católica. No seio da família, nas reuniões sociais, nos meios literários, sempre baseado na moral teológica, fazia-se admirado pela sua jovialidade, pela sua inteligência, quer palestrando, quer através de produções literárias e históricas.” E acrescenta que, “como jornalista e historiador, o passado o envolvia” e “era evocado em todos os seus acontecimentos dignos de registro”.

Sobre a sua principal obra publicada, “Leopoldina – Os seus primórdios”, José Barroso Junqueira assim se manifesta:

“Uma obra pioneira. Levantamento histórico de episódios relacionados com a nossa cidade, seus vultos, suas vidas e realizações. Esse trabalho, de investigação, levantamento e interpretação de sua significação na vida leopoldinense e publicado em 1943 é, até hoje, leitura e consulta obrigatória de pesquisadores para conhecimento de coisas, fatos e pessoas ligadas à nossa História. Foi escrito com primor e com palavras poéticas, que evidenciam o amor do autor pela cidade que adotou como sua para viver e morrer.”

Mário de Freitas(2), que a ele se refere chamando-o carinhosamente de “Barrosinho”, relaciona-o como professor, bibliotecário, historiador e jornalista.

Sérgio Otávio Bassetti(3), ao historiar a política de educação especial em Santa Catarina, ressalta que as ideias precursoras de educação especial naquele estado organizaram-se em 1954, quando da visita a Florianópolis do Professor Barroso Júnior, que ali esteve para divulgar a novidade do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, do Rio de Janeiro (RJ). Nessa ocasião o INES havia criado um curso para formação de professores do ensino primário voltado para alunos com deficiência auditiva. Como foi dito no primeiro artigo da série, durante seis meses Barroso Junior prestou apoio à Fundação Catarinense de Educação Especial(4) e ao Instituto de Surdos Mudos de Florianópolis (SC).

Destacamos, ainda, que no discurso de inauguração da Biblioteca Municipal de Leopoldina, proferido em 29 de setembro de 1960, declarou Barroso Júnior:

“Singular solenidade marca hoje a inauguração dessa instituição municipal. Congregamo-nos neste recinto para marcar o início das solenidades culturais da Biblioteca Pública. Aspiração de longos anos, hoje, para gáudio de todos, o novo instituto abre suas portas para o povo”.

Para a coluna Trem de História, ao organizar a Biblioteca Municipal, Barroso Júnior solidificou sua imagem de cidadão preocupado com o acesso de todos aos bens culturais. Por tudo o que fez, foi e escreveu, é personalidade que merece respeito e admiração de todos os leopoldinenses. Suas contribuições para a área cultural leopoldinense, por ações próprias ou, delegadas, pelas peças jornalísticas ou literárias que divulgaram a cidade e, acima de tudo, pelos registros históricos que ainda hoje são base segura para pesquisa de quantos se preocupam com a história de Leopoldina, João Pereira Barroso Júnior está entre os que mais lutaram pelo desenvolvimento cultural da cidade.

Na próxima edição o Trem de História abordará outra personalidade. Aguardem!


Fontes consultadas:

(1)Discurso de posse na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em maio de 2009, sobre seu patrono.

(2) FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.236 e 244

(3) BASSOTI, Sérgio Otavio. Política de Educação Especial do Estado de Santa Catarina: proposta. 2006. p.8. Disponível em <http://zip.net/bws76t>. Acesso em 18.11.14.

(4) DESTRI, Débora Silva (Org.) Caderno Técnico do Centro de Avaliação e Encaminhamento – 2008. p.13. Disponível em < http://zip.net/bns7MZ>. Acesso em 01.12.14.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de agosto de 2016

Personagens Leopoldinenses: série Barroso Júnior

53 – Barroso Júnior: o Cidadão 

54 – Barroso Júnior: a família e as atividades 

55 – Barroso Júnior: o escritor 
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Igreja do Divino Espírito Santo

Sob a invocação do Divino Espírito Santo, em meados dos anos 1800, foi construída a primeira capela de pau-a-pique e, certamente em torno dela, surgiu o arraial do Empoçado, hoje Cataguarino.

Em 6 de novembro de 1869, quando ainda pertencia ao município de Leopoldina, o povoado foi elevado a Distrito de Paz pela Lei 1.623, com a denominação de Espírito Santo do Empoçado, passando a Paróquia em 1º de dezembro de 1873.

Igreja do Espírito Santo do Empoçado

Uma bela Igreja, em estilo colonial, foi construída no mesmo local da primeira capela, sendo capelão do distrito, em 1874, o Reverendo Padre Mariano.Nesta época, aqui já residiam as famílias Pereira de Souza, Teixeira de Siqueira, Souza Lima, Afonso Rodrigues, Cardoso Abranches, Silva Spíndola, Gomes de Santana, Andrade, Silva Pinto,  Fialho Garcia, Lopes Nascimento, Henriques, Assis, Gomes de Barros, Moreira da Silva, Azevedo, Pinto, Cardoso, Medeiros, Marlière, Oliveira Brasil, Alves Ferreira, Ferreira dos Santos, Miranda, Ribeiro da Silva, Fernandes Vieira, Barros, Soares, Ribeiro do Vale, Lopes de Faria, Barroso, Serrotinho, Vieira, Souza Reis, Barroso, Esteves dos Santos, Fonseca Viana, Rodrigues Nascimento, Pereira, Rodrigues, Silva, Marques de Oliveira, Ferreira, Vieira de Souza, os italianos Aliano e Spina, dentre outras.

A Comissão Eclesiástica, encarregada das obras, era composta pelos Srs. José Joaquim de Oliveira, comerciante, Antonio Carlos de Mello e Antonio José Pinto, ambos fazendeiros, todos residentes no distrito.

A Assembléia da Província de Minas Gerais, sediada em Ouro Preto, fez a doação de 2.500$000 (dois contos e quinhentos mil réis) para a conclusão das obras, valor equivalente, na época, a 52 alqueires de terras na região.

Com esta verba, o oficial Antonio Fernandes Ramos, residente no distrito de Meia Pataca, hoje Cataguases, foi contratado para construir o altar, conforme a escritura pública de contrato, assinada em 23 de outubro de 1874, que previa:

“fazer um altar mor lizo porem com alguma talha no Sacrario, Tarja e capulus, colunnas xatas e degraus do trono lizo e guarnecido, e levantar o lugar do biobiterio e formar escada de entrada, e forrar o tecto da capella mór, e uma semalha por dentro abacho do fôrro ”

Das matas virgens então existentes no distrito do Empoçado, sairam, por certo, as madeiras para a construção, madeiras estas que já se achavamtiradas e lavradas, e parte serradas”, conforme cita o referido contrato.

Sob este altar foram enterrados os corpos de João José de Souza Lima, fazendeiro, falecido em 27 de abril de 1874; de Carlota Rachel de Souza Lima, viúva de João José, fazendeira, falecida aos 54 anos, em 06 de dezembro de 1894, e o de José Fabiano de Souza, o comerciante e vereador Zeca Fabiano, falecido em 19 de outubro de 1904.

As primeiras cerimônias realizadas na nova Igreja, até agora conhecidas, são:

  • o batismo de João, filho de João Lourenço da Silva e Rita Maria de Jesus, realizado em 09 de julho de 1876 pelo padre Antonio Augusto da Silva Lagoa, cujos padrinhos foram os avós maternos Candido José Coelho e Germana Pereira de Souza;

  • o casamento do português Manoel José dos Santos com Carlota de Souza, em 02 de fevereiro de 1880, celebrado pelo padre Luiz Pereira Gonçalves Araújo, sendo a noiva filha de João Antonio Henriques e de Carolina Maria Joaquina, esta da família Pereira de Souza. O noivo era filho de Agostinho José dos Santos e Maria Isabel de Jesus.

A celebração de batizados e casamentos em oratórios particulares, prática comum na época, justifica estes registros tardios.

A bela igreja colonial serviu à comunidade de Cataguarino até 1965, quando foi demolida para a construção de uma outra, no mesmo local.

O majestoso altar foi guardado, por quarenta anos, no porão da casa do então Coordenador da igreja, Sr. Sebastião Rodrigues Pinto, e sua esposa,  Maria Nascimento Rodrigues, até que, em outubro de 2005, a partir das informações de Marcelino Abritta Pinto, que primeiramente identificou as peças, e da professora Célia Abritta, esta por muitos anos dedicada catequista, o altar foi localizado por Maria Joana Neto Capella e a comunidade, então, conhecedora do fato, se mobilizou para que o mesmo fosse recuperado, de forma que retornasse à Igreja.

Antigo Altar da Matriz de Cataguarino

De destacar a orientação e o apoio recebidos do Padre Antonio Luiz da Silva, na época Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, à qual está subordinada a Igreja do Divino Espírito Santo, possibilitando a volta do antigo e belo altar ao seu lugar de origem para orgulho da comunidade de Cataguarino.

Para tanto, foi formada  a Comissão de Restauração, encarregada de coordenar os trabalhos e buscar os recursos necessários à obra, composta por Diorcélio da Silva, João do Carmo Rodrigues, Marlene Aparecida de Paula Pinto, Maria Aparecida Abritta, Marcos Antonio Henriques Teixeira, Maria Joana Neto Capella e Seleste Gonçalves de Barros Rodrigues.

Além do altar, foram restauradas a centenária Pia Batismal, em pedra sabão, e a imagem, em madeira, do Padroeiro, o Divino Espírito Santo. Com a colaboração e apoio do Conselho da Igreja, presidido por Marcos Antonio Henriques Teixeira, dos moradores de Cataguarino e, sobretudo, de pessoas, famílias, empresas, institutos e fundações de Cataguases, sua restauração foi realizada sob a orientação da renomada restauradora Laiz de Assis Teixeira, do Rio de Janeiro.

 

O trabalho de marcenaria, que utilizou madeiras de lei (cedro e vinhático) para recompor as peças danificadas, coube às seguintes empresas:

– Fábrica de Móveis Duarte, dirigida pelos irmãos Manoel Pereira Boia e Welington Pereira Boia, sendo os serviços executados pelos competentes artesãos Milton Gomes de Oliveira e João Batista de Oliveira;

– Nagimerito Móveis e Esquadrias, de propriedade de Márcio José Duarte, cuja execução ficou a cargo de sua equipe, composta dos habilidosos profissionais Aloísio Cláudio Rios Rodrigues, Luis Alvino Fontoura e Leandro de Souza Andrade.

A instalação foi um trabalho de arte dos marceneiros Alexandre da Costa Martins e Célio de Souza Landes, gentilmente cedidos pela Prefeitura Municipal de Cataguases.

O trabalho de base da pintura foi de José Luiz Eugênio Monteiro e Gérson Bento Rodrigues.

A pintura de arte e sua delicada douração, na forma original, foram realizadas por Laiz de Assis Teixeira e o acabamento na douração da mesa e dos vasos foi um trabalho gracioso de Maria Antonia Rodrigues Correia.

O projeto de ambientação, de forma que a Igreja ficasse mais condizente com o altar restaurado, foi graciosamente realizado pela conceituada decoradora cataguasense, Maria Heliana Lourenço Machado, atualmente radicada em Belo Horizonte.

As obras do piso ficaram a cargo de João Batista Justino e seu ajudante, Joel Gonçalves Marques.

O projeto de reforma do telhado para a instalação do altar, cuja altura excedia à do antigo telhado, foi elaborado pela equipe do Programa de Arquitetura Pública, sob a coordenação do arquiteto Paulo Henrique Alonso, através do convênio entre a Universidade Federal de Minas Gerais, Prefeitura Municipal de Cataguases e o Instituto Cidade de Cataguases.

A execução da obra coube à empresa Empreendimentos CATAUÁ Ltda, sob a direção de César Ferreira da Cruz.

Hoje, 136 anos após o início de sua construção, sob as bençãos do Bispo Dom Dario Campos, do atual pároco Monsenhor Alexandre dos Santos Ferraz, do Padre Antonio Luiz da Silva e do Padre José Carlos Ferreira Leite, o imponente altar, novamente instalado, constitui o  patrimônio cultural  maior da  comunidade de Cataguarino.

Nosso profundo agradecimento a todos que trabalharam neste projeto, bem como àqueles que, de alguma forma, contribuíram para a sua realização.

a) Comissão de Restauração.

Cataguarino, 30 de outubro de 2010.

Altar da Matriz de Cataguarino restaurado em 2010

Pesquisa de Maria Joana Neto Capella

Revisão: Dilson Martins de Freitas

Fontes Textuais:

Livros de Notas 1870 a 1910, distrito de Espírito Santo do Empoçado.

Livros Paroquiais 1875  a 1895,  Matriz de Santa Rita de Cataguases.

MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de  Minas Gerais – 1875. Ouro Preto: Imprensa Oficial, 1864-1875.

Fontes Iconográficas:

Acervo de Teócrito Abritta

Acervo de Célia Abritta.

Laiz de Assis Teixeira

Maria Joana Neto Capela

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