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76 – Biblioteca Leopoldinense

Hoje não temos uma viagem, mas uma parada do Trem de História na oficina. O objetivo é consertar uma narrativa colocada nos trilhos na viagem de nº 54, em agosto de 2016. Vem contar a história da Biblioteca Pública, recentemente instalada no prédio do antigo fórum, para fazer ajustes ao que se conhece.

A história mais conhecida inicia-se em 1959 quando, a título de cooperação do Ministério da Educação e Cultura(1) para com a administração do Município de Leopoldina, o Ministro Clóvis Salgado designou o professor João Barroso Pereira Junior para proceder a estudos que visavam organizar o Departamento de Cultura na cidade. Nessa mesma época, Barroso Júnior foi nomeado pelo Ministro Clóvis Salgado como primeiro Diretor da Biblioteca Municipal de Leopoldina que foi então instalada em parte do segundo andar do Colégio Estadual Professor Botelho Reis. Sob sua orientação a Biblioteca buscava ir além das estantes de livros para oferecer cultura geral aos usuários através de revistas, jornais, obras de arte e peças antigas.

“Barrosinho”, como a ele se refere carinhosamente Mário de Freitas(2), era professor, bibliotecário, historiador e jornalista. Daí sua grande importância para as áreas de educação e cultura de Leopoldina. Por sua orientação e criação pela Lei Municipal nº 316, de 1959, surgiu o  quadro de funcionários da Biblioteca Pública Municipal com o qual se viabilizou o seu funcionamento, a partir de 29.09.60, na ala esquerda do 2º andar do prédio do Ginásio, ao lado da agência do então Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DNOS.

E sob a coordenação de Ana Eugênia de Azevedo Filha, até 1969 funcionou com a colaboração de Antonio Sérgio Lima Freire (Serginho do Rock, patrono da cadeira nº 9 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes), Welsor Machado e Petrina Gomes Machado.

Posteriormente a professora Maria Helena Vieira Campos assumiu a coordenação e entendendo que a Biblioteca tem por finalidade promover a cultura, criou o 1º Concurso de Poesias Augusto dos Anjos cuja 25ª edição ocorreu em 2016.

O nome atual de Bibioteca Pública Municipal Luiz Eugênio Botelho foi determinado pela Lei Municipal nº 1106, de 1975, um mês depois da morte do homenageado, autor de livros de memórias sobre Leopoldina.

Tudo isto é sobejamente conhecido de todos e não há o que se discutir quanto à importância dessas ações para o desenvolvimento cultural da cidade.

Um novo capítulo na história da Biblioteca Municipal

O que poucos leopoldinenses sabem é que a Biblioteca Leopoldinense, organizada e valorizada por Barroso Junior por orientação do Dr. Clóvis Salgado, tem sua fundação mais de meio século antes.

Na página 2 da edição de 23/09/1895 da Gazeta de Leopoldina, encontramos a seguinte notícia:

“A camara municipal, desde o dia 17 do corrente, passou a funcionar no palacete que foi do Dr. Gabriel, adquirido para este fim. Hoje é o Itamaraty da terra. É ocasião apropriada para se dar novo regulamento à biblioteca, o que aliás desde muito é reclamado. Augmentada, em uma sala independente e com um bibliottecario cuidadoso – muito proveito poderá trazer a todos aquelles que queiram se instruir.”

Mas ao que tudo indica essa biblioteca não deve ter tido a ampliação sugerida e, possivelmente foi abandonada, uma vez que dez anos depois ela retorna ao noticiário em matéria publicada pelo Jornal O Pharol de 27.09.1905, edição 228 p. 2, conforme aqui se reproduz:

“Devido aos ingentes esforços do dr. Custodio Lustosa, integro juiz de direito de nossa comarca, a Bibliotheca Leopoldinense torna-se uma realidade pois, o que hontem não passava de uma idéa, hoje é um facto. A creação da bibliotheca é de utilidade palpitante, e isto, graças a Deus, vae sendo comprehendido por todos os bons leopoldinenses, que estão sempre promptos a trabalhar, luctar, desde que desse trabalho e lucta, possa brotar uma scentelha de progresso para esta velha e legendaria Leopoldina. A bibliotheca já tem recebido quarenta e muitos livros e vários jornaes.Têm feito offertas de livros os seguintes cidadãos: drs Custodio Lustosa, Randolpho Chagas, Rodrigues Campos, Pessoa Lins, Costa Cruz, Nunes Pinheiro, solicitadores Sylva Junio, Ricardo Martins, Arthur Leão, e o sr. Juvenal Carneiro. É de esperar que todos os nossos municipes concorram para o engrandecimento da Bibliotheca Leopoldinense.”

Curioso observar que, mesmo nesta nova fase, a Biblioteca Leopoldinense é anterior à criação do Ginásio Leopoldinense, considerado um marco do desenvolvimento cultural da cidade.

Importante ressaltar, também, o relativo esquecimento a que foi deixado este seu fundador, o Juiz de Direito Dr. Custódio de Almeida Lustosa, que durante 23 anos, de 1904 a 1927, esteve à frente da Comarca de Leopoldina.

Dr. Custódio Lustosa, segundo sua autobiografia, além dos trabalhos de Juiz, lecionou português, história universal e psicologia no Ginásio Leopoldinense e tomou parte nas bancas examinadoras de latim e grego. É da sua época na cidade a construção do Fórum na Praça Félix Martins (hoje, Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira), da Santa Casa (Casa de Caridade Leopoldinense), do cinema (Cine Brasil que existiu na esquina das atuais ruas João Lamarca e Custódio Junqueira), além da fundação do Colégio Imaculada Conceição e de outros benefícios que reanimaram a cidade.

Chama a atenção, também, o esquecimento dos nomes citados na matéria publicada no jornal O Pharol como doadores das primeiras obras que formaram o acervo da Biblioteca Leopoldinense. E uma curiosidade: quem fizer uma visitinha à Biblioteca observará que, entre as obras raras, há vários títulos da área do Direito. Talvez alguns deles remontem ao tempo em que os bacharéis capitaneados por Custódio Lustosa doaram seus livros para engrandecer o patrimônio cultural de Leopoldina. Nem todos eram leopoldinenses de nascimento, mas adotaram a cidade quando para cá vieram exercer suas funções. E não eram só advogados os que compunham o grupo: Nunes Pinheiro era médico, Ricardo Martins era jornalista e Juvenal Carneiro era guarda-livros. A maioria deles foi professor no então Colégio Leopoldinense fundado em 1906.

E pela atualidade do assunto, para encerrar esta parada nas oficinas do Trem de História, vale lembrar trecho da sua autobiografia em que Custódio Lustosa registra: “Quando lá cheguei (em Leopoldina, em 1904) ainda se faziam sentir os efeitos da FEBRE AMARELA que estava aniquilando o Brasil. Bendito Osvaldo Cruz!”.

A mesma Febre Amarela para qual a Fundação Oswaldo Cruz hoje, 113 anos depois, fabrica milhões de doses de vacina para combater um novo surto que ameaça a todos. Bendito Osvaldo Cruz, repetimos.


Fontes consultadas:

1 – Diário Oficial da União (DOU) • 13/03/1959• Seção 1 • p. 25. Portaria 97 de 05/03/1959. Disponível em <http://zip.net/bbs7xl>. Acesso em 30 nov. 14.

2 – FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.236 e 244

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 330 no jornal Leopoldinense de 27 de abril  de 2017

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62 – Como e porquê os restos mortais do poeta permanecem em Leopoldina

O personagem de hoje é conhecido de todos e se faz presente para que não fique esquecida a sua data de morte há 102 anos e o Jubileu de Prata do Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos era filho de Córdula de Carvalho e de Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho, o pernambucano que perambulou pelo nordeste como promotor público em Granja (CE), Aracahú (Aracati?) (CE), em Atalaya (AL), Pedra de Fogo (PB) e, como Juiz Municipal em Ipú (CE).

Um menino que nasceu a 20 de abril de 1884 no Engenho do Pau D’Arco, no interior da Paraíba e foi batizado no dia 27 de fevereiro de 1885 na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu, PB, na zona canavieira do vale do Rio Una.Augusto dos Anjos em 1895, aos 11 anos de idade

Um homem que se casou em João Pessoa (PB) e um dia abandonou o nordeste para fixar residência no Rio de Janeiro (RJ), onde trabalhou o quanto e no que pode para sustentar a si e aos seus.

Augusto dos Anjos, que estudou em Recife e tendo muitas outras cidades como referência, um dia foi indicado para dirigir uma escola no final de um ramal ferroviário no interior de Minas Gerais. Juntou a família e embarcou nesse Trem. Nesta nova terra continuou fazendo versos que ainda hoje encantam e granjeou admiradores que lhe teceram elogios mil.

Moacyr Carneiro[1] afirma em entrevista que Augusto, ao ser indagado sobre sua poesia ser triste, respondeu:

“Meu filho, o meu poema vem como o meu espírito o dita. É isto. O mundo, meu caro aluno, é o pior lugar do mundo. A desilusão ocorre em todos os níveis. Eu já nasci desiludido de tudo e de todos.”

Augusto dos Anjos criou discípulos, angariou amigos e construiu uma bela História de amor à terra que adotou. A doença lhe corroeu as entranhas e lhe tirou a vida ainda jovem, mas ele desejou permanecer na terra que o acolheu. Augusto dos Anjos faleceu em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914.

Na previsão emocionada de José Oiticica, segundo Fausto Cunha[2], a morte de Augusto dos Anjos só se comparava à morte prematura de Castro Alves: “Poucos o compreenderão hoje […] No futuro será, sem possível dúvida, o mais assinalado poeta brasileiro de seu tempo.”

Júlio Ferreira Caboclo foi um grande divulgador e incentivador do culto à obra do poeta em aulas e matérias publicadas. E de tal modo o fez, que se tornou uma figura indissociável da trajetória de Augusto dos Anjos entre a juventude leopoldinense. Os textos que produziu sobre o “rapaz de cérebro de ouro”[3] o confirmam.

Além disto, no dia 25 de junho de 1925, Júlio ajudou a fundar o Grêmio Lítero-Artístico Augusto dos Anjos[4], do qual foi o primeiro presidente. E foi com o apoio dele que, para comemorar o décimo segundo aniversário de morte de Augusto dos Anjos, em 1926, o Grêmio promoveu uma romaria ao túmulo e uma sessão solene que incluiu a denominada Missa de Arte, na qual falaram vários oradores.

Passado algum tempo começaram a surgir movimentos com o objetivo de levar os restos mortais de Augusto dos Anjos de volta à Paraíba. No final da década de 1940 estava sendo idealizada a construção, em João Pessoa, de um monumento a Augusto dos Anjos. Entre as diversas notícias a respeito, uma delas, de 1947, acrescentava[5] que os restos mortais do poeta seriam trasladados de Minas Gerais para a capital paraibana. No ano seguinte o mesmo periódico[6] informava que os jornalistas do estado natal de Augusto dos Anjos estavam “trabalhando junto ao governo para fazer a trasladação das cinzas do poeta” de Leopoldina para João Pessoa. Por outro lado, um jornalista recifense declarou que “os descendentes de Augusto dos Anjos nunca se mostraram desejosos das trasladações”.

Nesta época circularam rumores a respeito do túmulo do poeta em Leopoldina e em 1952 Henrique Gonzalez ressaltou[7] que os leopoldinenses ignoravam ter hospedado “um dos maiores poetas brasileiros” e ilustrou sua matéria com uma foto “do tosco túmulo cento e quarenta e nove”.Túmulo de Augusto dos Anjos em 1952Túmulo de Augusto dos Anjos em 1956

Gonzalez não estava totalmente enganado porque, a despeito de Julio Caboclo e Barroso Júnior terem publicado na imprensa do Rio de Janeiro vários artigos sobre Augusto dos Anjos, havia algum desconhecimento por parte dos moradores da cidade. Fato que se observou ao entrevistar pessoas que estudaram no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em meados da década de 1930, quais quais pouco sabiam sobre o poeta que foi diretor daquela instituição e acreditavam que o túmulo estaria vazio, que os ossos teriam sido levados embora.

Mas o poeta não estava esquecido! Esforços variados resultaram na construção do Mausoléu de Augusto dos Anjos, inaugurado no dia 11 de janeiro de 1964 quando a cidade recebeu[8] a então denominada Caravana da Cultura, patrocinada pela Rádio MEC, composta pela Diretora da Rádio, pelo Ministro da Educação Pascoal Carlos Magno e pelo escritor Francisco Assis Barbosa, biógrafo do poeta, e com a presença dos filhos de Augusto dos Anjos.

Entretanto, a intenção de trasladar os restos mortais voltou a ser divulgada mais tarde, resultando na atitude dos dois filhos do poeta, Glória e Guilherme, de registrarem no Cartório do 15º Ofício de Notas da rua da Assembleia, 36, Rio de Janeiro, RJ, no dia 15 de setembro de 1977, uma declaração tornando público o “propósito irrevogável de não consentirmos sejam trasladadas do cemitério dessa cidade [de Leopoldina] as cinzas de nosso glorioso pai, que ali jazem, sob o túmulo nº 149 desde o ano de 1914”.

O documento foi encaminhado para registro pelo Oficial do Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Leopoldina, Mauro de Almeida Pereira, que o transcreveu no Livro de Registro Integral de Títulos e Documentos nº B-4, fls 598 a 599, número de ordem 2438. Na mensagem, os filhos do poeta declaram

“plena convicção de estarmos cumprindo fielmente recomendação deixada, a tal respeito, por nossa inesquecível genitora, Esther Fialho Rodrigues dos Anjos” e que transmitiriam a orientação “aos netos e bisnetos de Augusto dos Anjos, ao abrigo do que dispõe o Código Civil Brasileiro em matéria de Direito de Família […] no sentido de que permaneçam, no Campo Santo de Leopoldina, MG, os restos mortais do referido vate. [e reiteram] ao povo leopoldinense o profundo sentimento de gratidão pela veneração, pura e sincera, sempre devotada à memória de Augusto dos Anjos a quem nos derradeiros meses de sua vida, jamais deixou de dar inequívocas provas de solidariedade, que se estenderam, após a sua morte, à viúva e aos seus dois filhos, ao longo de muitos anos [tendo recebido] expressões de estima e decisivo apoio moral em momentos difíceis”.

Segundo Orlandino Rocha[9] em matéria publicada em 1980, o mausoléu de Augusto dos Anjos, no cemitério de Leopoldina, “já se converteu, inclusive, em atração turística. Ir a Leopoldina e não visitar o túmulo de Augusto é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa”.

De resto, conferindo a bagagem do viajante deste Trem de História se constata que Augusto dos Anjos teria deixado João Pessoa aborrecido com fato ocorrido em sua vida profissional naquela cidade. Rumou para o Rio de Janeiro em busca de melhores dias, mas não obteve o sucesso esperado. Recebeu um convite para vir para Leopoldina e aqui encontrou emprego, carinho, vida social e cultural. Fez amigos e deixou saudades, material suficiente para a sua permanência entre nós. Até hoje seu nome e obra merecem o respeito de todos os leopoldinenses. A cidade o homenageia com o Museu Espaço dos Anjos, na casa onde viveu seus últimos dias, e com a Escola Estadual Augusto dos Anjos. A Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA o escolheu como patrono. E este ano, realiza-se o 25º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos, criado em 1992 pela equipe da Biblioteca Municipal Luiz Eugênio Botelho capitaneada pela professora Maria Helena Vieira.

Ele se disse “aquele que ficou sozinho, cantando sobre os ossos do caminho, a poesia de tudo quanto é morto[10]”. Mas está, em Leopoldina, rodeado de admiradores.


Fontes Utilizadas:

MACHADO, Luja e CANTONI, Nilza. Augusto dos Anjos visto por alguns biógrafos e pensadores. Ensaio. Leopoldina, 2014, 37f, Centenário de Morte de Augusto dos Anjos.

[1] Gazeta de Leopoldina, 30 nov 1979, p. 6

[2] Jornal do Brasil, 20 abr 1974, Caderno Livro, p.2

[3] Revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 30 out 1926, seção Caixilhos

[4] Revista Brasil Progresso, Rio de Janeiro, setembro 1925

[5] Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, agosto 1947, ed 148 p. 37

[6] Idem, abril 1948, ed 156, p. 37

[7] O Malhor, Rio de Janeiro, julho 1952, ed 150 p. 18

[8] A Noite, Rio de Janeiro, 10 jan 1964, ed 17513 p. 8

[9] O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 15 jan 1980, ed 10 p. 71

[10] ANJOS, Augusto dos. O Poeta do Hediondo. In: Eu e Outras Poesias. 42. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. p 65

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de novembro de 2016

 

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Personagens Leopoldinenses: Barroso Júnior

Na edição de 16 de agosto de 2016 do jornal Leopoldinense, concluímos a publicação de nossa pesquisa sobre João Barroso Pereira Júnior, antigo historiador de Leopoldina.

Personagens Leopoldinenses - Barroso Junior

Jornalista, Professor, organizador e primeiro Diretor da Biblioteca Municipal de Leopoldina, Barroso Júnior foi por nós abordado em três etapas:

Barroso Júnior: o Cidadão

A família e as atividades

O Escritor

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55 – Barroso Júnior: o escritor

Logomarca da coluna Trem de História

João Barroso Pereira Júnior foi professor, empresário, funcionário público, bibliotecário, jornalista, historiador e memorialista.

Nos textos anteriores já se falou sobre algumas de suas funções. Neste serão abordadas as atividades ligadas à escrita. A começar pela notícia de que ele é patrono da cadeira nº 8 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes, ocupada por seu sobrinho José Barroso Junqueira e que sua atividade como memorialista o credenciou para ser considerado um dos mais destacados da cidade de Leopoldina.

Como jornalista, Barroso Junior escreveu, dentre muitos outros, um artigo especial para a revista Dom Casmurro, de 01 de novembro de 1941, sob o título “Nirvana da Leopoldina” sobre Augusto dos Anjos onde afirma que o poeta “procurou nas montanhas mineiras novos ares à saúde combalida”. E contou como foram os últimos dias de vida do poeta paraibano em Leopoldina, reproduzindo informações de jornal da cidade. Registrou que “Nos primeiros dias de novembro (1914) o Dr. Augusto não apareceu na diretoria do Grupo Escolar. Mandara dizer à Dona Maria Brígida de Medeiros Castanheira, sua auxiliar de administração, que estava doente. E encerra dizendo que “Desse moço que publicara – um livro amargo – doloroso, extremamente triste, em 1912, ocupou-se toda a imprensa do país, ao ensejo de sua morte”. Para assistir aos funerais do poeta paraibano, toda a Leopoldina saiu de casa.”

Em 1932 escreveu um artigo especial publicado na revista Eu Sei Tudo(1), por conta dos 100 anos do início do povoado que se transformou na cidade de Leopoldina. Aí, em seis páginas, encimada a primeira pelo brasão da cidade, dentre outros fatos, registrou a missa realizada para marcar este centenário, na subida dos Pirineus.

Traslado do Cruzeiro, 1931

No mesmo artigo, publicou um soneto sobre “o alpestre da Pedra do Cruzeiro, na Serra dos Puris”:

Para a Revista Acaiaca(2), edição comemorativa do Centenário de Leopoldina, escreveu longo artigo sobre a história de Leopoldina desde o nascimento do povoado em 1831, num excelente registro de fatos ocorridos e pessoas que viveram no antigo Feijão Cru. E são desse trabalho as informações importantes que até hoje são repetidas por vários historiadores da cidade.

“Chegamos à Praça do Rosário. Foi aqui que a cidade nasceu […]. Em 1831, eleva-se aí a Casa do Rosário. O primeiro centenário achou nesse mesmo local a Igreja da mesma invocação. Buena Flor, que deixou em tantas obras o testemunho de sua arte, fez também o altar-mor, púlpitos e florões ornamentais desse gracioso templo. […] Hoje tem foros de Matriz e nela se sagrou com grande pompa S. Ex. Revma. Dom Aristides de Araújo Porto, seu antigo vigário.”

Em 1943, publicou a sua principal obra, o livro “Leopoldina e seus Primórdios” que na página 10 traz o local onde foi concluída: “Ginásio Rio Branco, Outubro de 1943”.

É desta obra, inclusive, a informação de que Joaquim Antônio de Almeida Gama, estudado nos artigos anteriores do Trem de História, foi o primeiro historiador-memorialista de Leopoldina, sendo provavelmente a fonte para o artigo A Cidade de Leopoldina, publicado(3) em 1886. Uma obra onde beberam e ainda bem, muitos conterrâneos que se dedicaram e se dedicam a remover o pó que recobre o passado da “Cidade Menina”, cantada pelo poeta Átila da Cruz Machado em poema publicado em 1961.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Mas voltará no próximo número ainda falando de Barroso Júnior e sua obra, na visão de terceiros. Até lá.


Fontes consultadas:

(1) BARROSO JR. Nossa Terra: O centenário da Cidade de Leopoldina, em Minas Geraes. Revista Eu Sei Tudo, Rio de Janeiro, Cia Editora Americana, nº 179, abril de 1932, 11º do anno XV, p. 11-14.

(2) LEOPOLDINA. Prefeitura Municipal. Revista Acaiaca: Primeiro Centenário de Leopoldina. Belo Horizonte: s.n., 1954., p. 13-36

(3) A Cidade de Leopoldina in: Almanaque de Leopoldina, Leopoldina: s.n., 1886. p.71-81

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2016

Personagens Leopoldinenses: série Barroso Júnior

53 – Barroso Júnior: o Cidadão 

54 – Barroso Júnior: a família e as atividades 

56 – Barroso Júnior na visão de terceiros 
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Rosa Cândida e Virgínia Angélica Almeida Gama

Com o texto de número 52, publicado na edição do dia 16 de julho do jornal Leopoldinense, encerramos a série sobre Joaquim Antonio de Almeida Gama, iniciada em abril deste ano.

Estas duas últimas filhas do primeiro historiador de Leopoldina reforçaram diversas ligações com outras famílias locais, especialmente com os Castro, os Moreira, os Gama Cerqueira, os Lacerda e os Salgado Lima. Estes últimos permanecem representados na cidade em diversos âmbitos, especialmente nas denominações do Conservatório de Música e do Terminal Rodoviário.

Os textos seguintes trarão informações sobre outro historiador da cidade: Barroso Júnior.

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54 – Barroso Júnior: a família e as atividades

logomarca da coluna Trem de História

Pouco tempo depois de chegar a Leopoldina, Barroso Júnior casou-se, no dia 26 de setembro de 1927, em Aparecida do Norte (SP), com Maria Aparecida de Azevedo Barroso, filha de Manuel Gonçalves de Azevedo e Ana Eugênia Pires.

Maria Aparecida era neta materna de Maria da Glória de Castro, filha de Maria Antonina e de João José Dutra, que em 1875 era subdelegado em Leopoldina. E neta paterna de Ana Eugenia Duarte e José Joaquim Pires, filho de outro do mesmo nome que se estabelecera no Feijão Cru na primeira metade do século XIX, sendo citado como exportador(1) de aves para a província do Rio de Janeiro já em 1841.

Do casamento de Barroso Júnior com Maria Aparecida nasceram três filhas: Eleonora Beatriz, Glória Maria (Acadêmica da ALLA) e, Stela Natalina.

Barroso Júnior e Maria Aparecida

Como funcionário público, sabe-se que em 1955 Barroso Júnior pertencia ao quadro de técnico de Educação, interino, do Ministério da Educação e Cultura, conforme o Diário Oficial da União(2). Em maio do ano seguinte, pela Portaria nº 197, de 21.05.56, do MEC, estava lotado no Instituto Nacional de Surdos-Mudos(3) e foi designado para, durante seis meses, prestar apoio à Fundação Catarinense de Educação Especial(4) e ao Instituto de Surdos Mudos de Florianópolis (SC).

A título de cooperação do Ministério(5) com a administração do Município de Leopoldina, o Ministro Clóvis Salgado o designou para proceder a estudo para organização do Departamento de Cultura na cidade, conforme Portaria nº 97, de 05.03.59. E como procurador da Prefeitura, em 23 de outubro de 1959 ele assinou acordo com o MEC e a Campanha Nacional de Educação para construção de quadra de basquete e voleibol no centro da cidade(6). Ainda como funcionário do MEC, foi nomeado pelo Ministro Clóvis Salgado como primeiro Diretor da Biblioteca Municipal de Leopoldina que foi então instalada em parte do segundo andar do Colégio Estadual Professor Botelho Reis. Biblioteca que, sob sua orientação, buscava ir além das estantes de livros, oferecendo cultura geral aos usuários através de revistas, jornais obras de arte e peças antigas.

João Barroso Pereira Junior faleceu no Rio de Janeiro(7) em 04.01.1963 e foi sepultado em Leopoldina.

O Trem de História faz uma pequena pausa. Mas promete seguir a viagem na próxima edição do Jornal contando um pouco sobre a vida do escritor. Aguardem.


Fontes consultadas:

(1) Registro do Porto Novo do Cunha, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Lv 1841-1842, fls 5, indice 133, conhecimento nr 428.

(2) Diário Oficial da União (DOU) • 26/07/1955 • Seção 1 • p. 29. Processo nr. 0 65.685-55 Disponível em <http://zip.net/bws7fG>. Acesso em 18 nov. 14

(3) idem • 25/05/1956 • Seção 1 • p. 23. Processo nr. 8.025-55 Disponível em < http://zip.net/bjs7z9> Acesso em 18 nov. 14.

(4) DESTRI, Débora Silva (Org.) Caderno Técnico do Centro de Avaliação e Encaminhamento – 2008. p.13. Disponível em < http://zip.net/bns7MZ>. Acesso em 01.12.14.

(5) Diário Oficial da União (DOU) • 13/03/1959• Seção 1 • p. 25. Portaria 97 de 05/03/1959. Disponível em <http://zip.net/bbs7xl>. Acesso em 30 nov. 14.

(6) Diário Oficial da União (DOU) • 24/10/1959• Seção 1 • p. 33. Termo de Acordo. Disponível em <http://zip.net/bks7DX>. Acesso em 30 nov. 14.

(7) Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 1 nr 10 plano 1 sep 16.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de agosto de 2016

Personagens Leopoldinenses: série Barroso Júnior

53 – Barroso Júnior: o Cidadão 

55 – Barroso Júnior: o escritor 

56 – Barroso Júnior na visão de terceiros 
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47 – Pelos 162 Anos da Emancipação Administrativa de Leopoldina: Joaquim Antonio de Almeida Gama

Logomarca da coluna Trem de História

Para as comemorações do aniversário de Leopoldina neste ano de 2016, o Trem de História traz, a partir deste número, uma série de textos sobre uma personalidade pouco conhecida dos leopoldinenses.

Um nome importante, mas que parece esquecido: Joaquim Antonio de Almeida Gama.

A razão para esta escolha é a informação de Barroso Júnior(1) segundo a qual “a publicação mais antiga trazendo notícias de Leopoldina data de 1864 e foi escrita pelo tenente-coronel Joaquim Antônio de Almeida Gama”.

Como fonte para esta informação, Barroso Junior indica o Almanaque administrativo, civil e industrial da Província de Minas Gerais(2) em cujo verbete Município de Leopoldina consta a nota de rodapé: “Devemos grande parte do trabalho deste município ao prestante cidadão sr. Tenente coronel Joaquim Antonio de Almeida Gama, a quem rendemos agradecimento”. Este registro vem confirmar ser Joaquim Antonio o primeiro historiador da cidade e merecedor, portanto, de uma atenção especial.

Ressalte-se que a mais antiga referência a Joaquim Antonio de Almeida Gama em Leopoldina é de 1843, nove anos antes da emancipação, quando seu nome aparece na Contagem Populacional do Feijão Cru(3) enviada para o governo da Província no dia 15 de dezembro. Por este documento verifica-se que ele era solteiro e estava com 31 anos, idade confirmada pelo Alistamento Eleitoral(4) de 1851.

Ele era filho de Antonio Francisco de Almeida e Gama e de Inocencia Claudina da Costa. E possivelmente sua vinda para Leopoldina tenha sido em consequência do movimento de 1842.

Como se sabe, a declaração de maioridade do Imperador Pedro II em 1841 levou os liberais a formarem a maioria da Câmara dos Deputados. A coroação ocorreu no dias 18 de julho e no dia 1 de maio do ano seguinte, cedendo à pressão dos conservadores, o jovem Imperador dissolveu(5) a Câmara. No dia 17 de maio desencadeou-se o movimento, a partir de Sorocaba, SP, e rapidamente se espalhou por Minas Gerais. Os liberais, mais tarde conhecidos como “luzias”, numa referência a Santa Luzia, MG onde estabeleceram a sede do governo rebelde, se insurgiam contra as leis reformistas dos conservadores – “os saquaremas” – que receberam o apelido porque em Saquarema, RJ ocorreu um embate vencido pelos conservadores. Estes queriam a Restauração do Conselho de Estado e a Reforma do Código de Processo Criminal de 1841.

Nesse ambiente de disputa política, é lícito supor que a indisposição de algum delegado ou subdelegado (cargos de influência dos chefes políticos) contra alguém, em razão de antigas ofensas ou ódios a vingar, conduziu muitos indivíduos para as cadeias. Acredita-se, inclusive, que pode ser esta a origem da informação a respeito da prisão de Joaquim Antonio e de outros liberais na cadeia do Feijão Cru, sem que o nome dele sequer tenha sido mencionado pelos estudiosos do movimento de 1842 e tampouco como subscritor das obras escritas sobre o movimento.

O que se tem de fato é que, na Ata de abertura do Alistamento Eleitoral de 1850(6), Joaquim Antonio é indicado como 3º Juiz de Paz do Feijão Cru. No pleito de 1855, foi eleito 2º substituto do Primeiro Juiz Municipal de Leopoldina.

Segundo Mauro de Almeida Pereira (7), até então as audiências judiciais eram presididas pelo Juiz Municipal, cargo eletivo, geralmente exercido por leigos, conforme se verifica em suas assinaturas que estão sempre seguidas da qualidade “3º, 4º substituto”. E periodicamente era realizada a “correição” por um juiz de fora.

Vale lembrar que a Comarca de Leopoldina foi criada pela Lei Provincial nº 1867, de 15.07.1872 e Caetano Augusto da Gama Cerqueira, primo de Joaquim Antonio, foi o seu primeiro Juiz de Direito. Dr. Gama Cerqueira, como era conhecido, de acordo com a Lei nº 406 de 03.10.1961 empresta seu nome à praça que antes recebia a denominação de “Melo Vianna” e que ainda hoje é mais conhecida como “Praça do Urubu”.

Em janeiro de 1858 Joaquim Antonio foi designado(8) 2º Substituto de Juiz Municipal e dois meses depois tomou posse (9) como 3º Substituto do Juiz Municipal e de Órfãos de Leopoldina. Em 1864 era Tenente-Coronel Chefe do Estado Maior da Guarda Nacional (10) de Mar de Espanha. Nesta ocasião, não havia Subdelegado do distrito da cidade e Joaquim Antonio ocupava o cargo na qualidade de 1º suplente (11). Em fevereiro de 1865 ocupou o posto (12) de 2º Suplente do Delegado de Polícia e um ano depois, foi empossado (13) como 1º Substituto do Juiz Municipal e de Órfãos. No dia 7 setembro de 1868 ele não participou da Assembleia de Formação da Mesa Paroquial para a eleição que ocorreria três dias depois e na qual recebeu 3 votos para vereador, ficando em 34º lugar, e 84 votos para Juiz de Paz, ficando como 1º suplente (14).  Nas eleições de 1872, ficou novamente como suplente (15) de Juiz de Paz e em novembro de 1873 foi nomeado (16) para cumprir o final do mandato deste cargo.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo número ele falará sobre os antepassados de Joaquim Antonio de Almeida Gama.


NOTAS:

1 – BARROSO JÚNIOR. Leopoldina: os seus primórdios. Rio Branco, MG: Gráfica Império, 1943. p. 25

2 – MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais para o ano de 1865. Ouro Preto: s.n., 1864. p.435

3 – Mapa da População do Feijão Cru 1843, fam. 158. APM cx 03 doc 04.

4 – Qualificação de eleitores do Feijão Cru em Janeiro de 1851. APM PP1 cx 44 pct 30 nr 233

5 – MARINHO, José Antonio. História do Movimento Político de 1842 em Minas Gerais. Rio de Janeiro: J.Villeneuve, 1844. v.1 p. 56

6 – Alistamento Eleitoral de 1850. APM PP 11 cx 36 pct  29 (SJN); PP 11 cx 44 pct 30 (Feijão Cru) e PP 11 cx 43 pct 09 (Rio Pardo).

7 – PEREIRA, Mauro de Almeida. Os Juízes de Direito de Leopoldina. In: Ilustração (Leopoldina, MG), 1961, 15 out, ed. 312

8 – Relatórios de Conselheiros e Presidentes da Província de Minas Gerais, 1858, 463 Mapa SN

9 – Livro de Juramento e Posse de Vereadores em Leopoldina – 1º livro, fls 15

10 – MARTINS, Antonio de Assis, Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais para o ano de 1865. Ouro Preto: s.n., 1864, pag 439

11 – idem, Suplemento, pag 4

12 – Livro de Juramento e Posse de Vereadores em Leopoldina – 1º livro, fls 45-verso

13 – idem, fls 49-verso

14 – Livro de Atas de Eleição de Juizes de Paz e Vereadores em Leopoldina, fls 3, 8v e 9v

15 – idem fls 15 e 16v

16 – Diário de Minas, (Outro Preto, MG), 1873 28 abril ed 81 pag 1

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 27 de abril de 2016

Personagens Leopoldinenses: série Almeida Gama

48 – Joaquim Antonio de Almeida Gama: seus antepassados 

49 – Joaquim Antonio de Almeida Gama: o casamento 

50 – Joaquim Antonio e Maria Josefina Cândida de Jesus 

51 – Filomena Josefina Cândida: a segunda filha de Joaquim Antônio de Almeida Gama 

52 – Rosa Cândida e Virgínia Angélica: filhas de Joaquim Antonio de Almeida Gama 
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Bibliotecas Públicas em Leopoldina

A Lei nr 2746, de 18 de dezembro de 1880,  autorizava o governo a aplicar verba em auxílio às bibliotecas públicas que fossem criadas pelas municipalidades da província. Parece-nos estar aí a origem da Biblioteca Pública Municipal que, em julho de 1889, recebeu uma doação de variadas obras por parte do advogado Gabriel de Paula Almeida Magalhães, conforme noticiado pelo jornal Irradiação do dia 24 de julho de 1889, edição nr 74, página 1.

Seis anos depois o jornal O Leopoldinense, de 19 de maio de 1895, edição 49, página 2, sugeriu ao Agente Executivo que desligasse a Biblioteca Municipal da Secretaria da Câmara, para aprimorar o seu funcionamento. Diz a matéria:

“Tal qual como tem estado até agora, esta repartição não produz nenhum dos benefícios para que foi creada, é letra morta e a querer-se tirar d’ella algum proveito, mistér se torna organisal-a em moldes mais racionaes.”

Não se sabe se as sugestões foram acatadas. Mas a Biblioteca Municipal continuou funcionando, conforme declarou Nelson de Senna em seu livro A Terra Mineira, publicado em 1926. Segundo este autor, Leopoldina estava no grupo de oito municípios mineiros onde associações literárias particulares mantinham Gabinetes de Leitura e Bibliotecas Anexas.

A atual Biblioteca Municipal Luiz Eugênio Botelho foi organizada por João Barroso Pereira Júnior, mais conhecido como Barroso Junior, que em seu discurso de inauguração não deixou de enfatizar ser uma “biblioteca pública onde os leitores terão livre acesso às estantes pejadas de livros.” Atualmente ela não está aberta ao público, já que espera a conclusão das obras e equipagem do Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, cuja inauguração deve ocorrer a breve tempo.

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Gênio dos Puris

Monolito gigante adormecido

Que desde priscas eras seculares

Jaz ao solo preso, convertido

Em atalaia sagrada d’estes lares.

 

Sobre teu dorso, Pedra, em tempo ido,

Veloz a jacutinga abriu os ares

Rumando além para o sertão perdido.

O Puri arisco os lindos mares.

 

De tuas selvas intérminas e densas

Correu dominador os seus arcanos,

Rei e senhor de florações extensas.

 

Testemunhaste sempre nossa sina

Através das idades e dos anos

Que és hoje o coração de Leopoldina!

 

Soneto de Barroso Júnior dedicado à Pedra do Cruzeiro, Leopoldina, Minas Gerais. Publicado na Revista Eu Sei Tudo de Abril de 1932, ano 15, nr 11, página 14.

 

 

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