Arquivo da tag: Barbacena

71 – Martins de Almeida – Seus antepassados – I

Como prometido no artigo anterior, a viagem continua pela família de Martins de Almeida. Hoje, para lembrar os seus antepassados.

Conforme já foi dito anteriormente, Francisco Martins de Almeida era filho do magistrado Dr. Antonio Francisco de Almeida e de Georgina Martins de Almeida, e nasceu em Leopoldina em 07 de janeiro de 1903. A partir do convite para o seu sepultamento[1] no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 30 de julho de 1983, é de se supor que tenha falecido na condição de solteiro. E considerando que a missa de 7º dia foi celebrada na Matriz de N. S. de Copacabana, provavelmente continuava morando na Rua Hilário de Gouvêa, endereço citado nas atas da Comasa – Construtora Martins de Almeida, empresa de engenharia da qual participava com irmãos e outros familiares.

Embora não se tenha encontrado o registro de casamento dos pais de Martins de Almeida – Georgina e Antonio Francisco, uma notícia publicada[2] em 1899 faz crer que o noivado do casal teria sido breve e o casamento se realizara em fevereiro daquele ano. Dois anos depois, o nome do marido aparece ao lado do nome do pai de Georgina na lista de acionistas do Banco de Leopoldina.

Mas a homonímia não nos permite afirmar que Antonio Francisco tenha sido o jovem que recebeu o grau[3] de bacharel em ciências jurídicas e sociais em 1894 e que no ano seguinte foi nomeado[4] promotor de justiça da comarca de Ouro Preto. Entretanto esta informação respalda a notícia do noivado dando conta de que ele era Secretário de Polícia em 1898 e posteriormente foi nomeado para substituir o promotor Francisco de Castro Rodrigues Campos que esteve lotado em Leopoldina até por volta de 1900 sem ter assumido efetivamente o cargo.

O fato é que Georgina Martins Ferreira e Antônio Francisco de Almeida passaram a residir na Fazenda Araribá onde nasceram, pelo menos, dois de seus filhos: Félix Martins de Almeida em 20 de fevereiro de 1902 e Francisco Martins de Almeida em 07 de janeiro de 1903, ambos registrados no Cartório de Providência. E é possível que um filho mais velho, homônimo do pai, também tenha nascido em Providência, da mesma forma que outros quatro: José (1904), Maria Eugênia (1905), Heloisa (1906) e Elza (1907). Poderíamos acrescentar, ainda, Liana Martins de Almeida que aparece em convites fúnebres da família, publicados em jornais do Rio de Janeiro na década de 1980.

Registre-se que o problema para a identificação correta desse grupo familiar advém das diversas mudanças de localização da família. Se na primeira década dos novecentos encontramos referências no Registro Civil do distrito de Providência, em Leopoldina, na década seguinte um dos filhos, Félix, estudava[5] em Barbacena, MG, mas não sabemos se toda a família ali residia. Já nos anos de 1920, a filha Elza estudava[6] no Colégio Granbery, em Juiz de Fora, e em 1924 o endereço[7] da família era Muzambinho, MG.

Depois da passagem por Belo Horizonte, fomos encontrar Francisco Martins de Almeida no Rio de Janeiro, como advogado e sócio fundador da COMASA – Construtora Martins de Almeida, constituída[8] em 25 de fevereiro de 1946 pelos irmãos, com a participação de cunhados e alguns outros parentes.

Esta viagem se tornou exaustiva em razão destas seguidas mudanças, o que obriga o Trem de História a fazer mais uma parada. Mas, fique tranquilo o leitor. Na próxima edição ela prosseguirá com a família Martins de Almeida. Até lá!


Fontes Consultadas:

[1] Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 30 jul 1983, ed 113 p.14.

[2] Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, MG, 14 fev 1899 p.3

[3] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 15 jul 1894 ed 403, p.1.

[4] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 6 mar 1896 ed 426 p.3.

[5] O Pharol, Juiz de Fora, MG, 28 abr 1914 ed 98 p.2.

[6] O Pharol, Juiz de Fora, MG, 11 nov 1925 ed 1064, página 4.

[7] Correio da Semana, Queluz [Conselheiro Lafaiete], MG, 25 set 1924 ed 492 p.3.

[8] Correio da Manhã, Rio de Janeiro, RJ, 29 mar 1946 ed. 15767 p.6.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 326 no jornal Leopoldinense de 1 de março  de 2017

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Encontro Histórico Musical em Barbacena

 

A ACAHMPAS e a SCMB, em mais uma parceria, unem a música e a história e convidam você para, sob os acordes da melhor música, conhecer os personagens históricos que habitam o Arquivo Histórico Municipal e que fazem dele um lugar de memória tão privilegiado e único para Barbacena e região.

Convite Encontro Hisrórico Musical

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Programa do V Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

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Barbacena Século XXI entrevista

Programa da TV Estrada Real com Edna Rezende, Diretora do Arquivo Histórico Municipal Altair José Savassi.

 

Nos estudos de história de Leopoldina foram pesquisados muitos inventários e testamentos disponíveis neste Arquivo. Além da maioria dos povoadores do Arraial do Feijão Cru terem nascido em território da então Vila de Barbacena, a região do atual município de Leopoldina pertencia ao Termo de Barbacena.

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Efemérides Leopoldinenses: Outubro

O mês de outubro na história de Leopoldina.

1 de outubro

1874

Resultado do Recenseamento de 1872. Veja.


5 de outubro

1893

Publicados os Estatutos da Sociedade Anônima Arcádia Leopoldinense, destinada à instrução da mocidade. Veja.


8 de outubro

1873

A Assembleia Legislativa Provincial de Minas decreta que o Curato do Rio Pardo torna-se Freguesia. A Lei Mineira n. 2027, de 1 de dezembro do mesmo ano, em seu artigo 3º confirma a decisão.

Lei Mineira nº 2027, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

Na mesma data a Assembleia autoriza a presidência da província a contribuir com a construção de uma estrada de rodagem entre a estação ferroviária de Santa Izabel (hoje Abaíba) e Dores do Pomba (hoje Itapiruçu).

Estrada entre Abaíba e Itapiruçu

1874

Inauguração das primeiras estações da Estrada de Ferro Leopoldina: Porto Novo (Além Paraíba), Pântano (depois Antônio Carlos, atual Fernando Lobo) e Volta Grande. A estação de São José, localizada entre a Porto Novo e a Pântano, só foi construída mais tarde, com o objetivo de desafogar a estação Porto Novo que era o ponto de ligação da Estrada de Ferro Pedro II com a Leopoldina.

Fonte: Jornal do Commercio, 10 de outubro de 1874, edição 281, pag. 3


9 de outubro

1831

Encaminhada para o governo provincial a primeira contagem populacional com moradores do Feijão Cru. Veja.

1895

José Feijó Monteiro de Rezende vende prédio do Bairro da Grama para a Casa de Caridade. Veja.


10 de outubro

1851

Criação de novos distritos que em 1854 viriam a compor o território da Vila Leopoldina. Veja.

1871

Companhia Estrada de Ferro Leopoldina, obtém concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina. Posteriormente houve mudança na concessão e a Estrada de Ferro Leopoldina passou a ligar Porto Novo ao Meia Pataca, com o ramal Vista Alegre dando acesso à sede do município de Leopoldina.

Lei Mineira nº 1826, Coleção de Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro

Leia mais.

1895

Primeira Sede do Colégio Imaculada Conceição. Veja.


12 de outubro

1894

Morre o Padre Muniz, sacerdote que dedicou seus últimos anos de vida aos paroquianos da Piedade, hoje Piacatuba. Leia mais.


13 de outubro

1817

Concedida a Fernando Affonso Correia de Lacerda, uma sesmaria com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto do Ubá, Termo de Barbacena. Veja.


14 de outubro

1817

Concedida a Jeronimo Pinheiro de Lacerda, uma sesmaria também com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto de Ubá, Termo de Barbacena. Veja.


16 de outubro

1861

Leopoldina é elevada a Categoria de Cidade pela Lei Mineira nº 1166. Veja.


17 de outubro

1895

Acervo da Câmara Municipal de Leopoldina: patrimônio cultural desaparecido. Veja.


18 de outubro

1883

Criação do distrito do Tapirussu que havia sido criado como distrito policial um ano antes.

Leia mais:

Lei 3171

Criação do Distrito. Noticiado na página 3 do jornal O Liberal Mineiro, edição 154 de 9 novembro 1882

1883

Criadas duas cadeiras de instrução primária em Thebas, sendo uma para o sexo feminino e outra para o masculino

Lei Mineira nº 3127, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


19 de outubro

1866

A Secretaria da Presidência de Minas Gerais oficiou ao Ministério da Guerra, pedindo informações sobre a morte, na Guerra do Paraguai, do voluntário Candido Silva Brandão que ocupava o ofício de 2º tabelião em Leopoldina.

Diário de Minas, 9 de janeiro de 1867, edição 160, pag 1


20 de outubro

1882

Criada outra escola de instrução primária para o sexo masculino

Lei Mineira nº 2902, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


23 de outubro

1882

Cedido território do então distrito da Piedade, hoje Piacatuba, para ampliar o território de Cataguases.

Lei Mineira nº 3049, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


25 de outubro

1881

O então “districto dos Thebas, município de Leopoldina”, é elevado à categoria de Freguesia.

Lei Mineira nº 2848, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


28 de outubro

1878

O empresário Custódio José Martins da Costa Cruz obtém concessão de privilégio para construção, uso e gozo de uma estrada de ferro entre Recreio e São Francisco do Glória.

Lei Mineira nº 2452, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


29 de outubro

1874

Fuga de criminosos na Cadeia de Leopoldina, envolvendo o assassino de João José de Souza Lima, crime ocorrido em maio de 1874 na Freguesia do Espírito Santo do Empoçado, atual Cataguarino, distrito de Cataguases.

Fuga de presos da Cadeia de Leopoldina

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Sesmarias do Caminho Novo

Primeiras Sesmarias do Caminho Novo em Minas Gerais

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Festa Italiana em Barbacena, MG

124 anos da Colônia Rodrigo Silva

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Obras de preservação? em Fazenda do Registro Velho

Se as obras emergenciais foram realizadas para proteger a Fazenda do Registro Velho das intempéries do tempo; se as chuvas torrenciais são esperadas nesta época; seria um argumento válido dizer que a estrutura não resistiu por conta das chuvas?

Fazenda do Registro Velho em janeiro de 2012

Fazenda do Registro Velho em janeiro de 2012

 

 

Esta é a pergunta do autor do blog Fazenda do Registro Velho, de Barbacena, ilustradas pela imagem ao lado e diversas outras.

Leiam a matéria completa:

 

Obras de preservação? « Fazenda do Registro Velho.

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O papel do Imigrante

A presença do imigrante europeu em Leopoldina pode ser detectada desde os seus primórdios. Entretanto, as esparsas referências não nos permitem seguir rigidamente os passos deste elemento povoador.

Observamos que formavam núcleos isolados por origem e mantinham o relacionamento mínimo indispensável com a “gente da terra”.

É a partir da metade do século dezenove que os “estrangeiros” passam a ser notados com mais vigor. Observe-se entretanto que o imigrante português nem sempre é tido como estrangeiro.

Como eles chegaram?

Estabeleçamos três períodos para definir-lhes a história: 1829-1859; 1860-1888; 1889 até os primeiros anos do século vinte.

Os pioneiros, encontrados na cidade antes de 1859, eram essencialmente comerciantes. Não encontramos referências a agricultores entre eles. Quase sempre identificados como “turcos”, a sala de suas casas era a loja e as demais dependências destinavam-se à moradia. Entre eles estão os primeiros mascates do lugar, homens que visitavam as fazendas levando os produtos para serem vendidos. Eventualmente aparece o elemento português como mascate ou comerciante, mas sua atividade é quase sempre voltada ao comércio de gêneros alimentícios. Provavelmente estes primeiros imigrantes chegaram a Leopoldina buscando produtos a serem “exportados” para São Fidélis.

O segundo período, entre 1860 e 1888, pode ser contado a partir da abertura da estrada destinada a escoar a produção agrícola da região de Barbacena e Juiz de Fora. Para construí-la, foi fundada a Companhia União e Indústria, que contratou engenheiros, técnicos e operários especializados na Alemanha em 1856. Numa segunda etapa, em 1858, foram contratados colonos para desenvolverem a agricultura na Colônia Dom Pedro II, em Juiz de Fora. Necessário também nos referirmos aos trabalhadores arregimentados entre aqueles colonos de 1845/1847 que já não encontravam ocupação nas obras públicas de Petrópolis.

No contrato com o primeiro grupo em 1856, aqui classificado como de artífices, a Companhia União e Indústria se comprometia a pagar as despesas da viagem para o Brasil, empregá-los durante dois anos com salário de 2.000 réis mensais e fornecer alojamento e alimentação durante a vigência do contrato. Esses contratados puderam assim formar uma boa reserva pecuniária. Ao término dos dois anos, estabeleciam-se por conta própria com base na poupança amealhada. Deste grupo saíram os primeiros industriais da Zona da Mata.

Já os colonos contratados depois, obtinham vantagens menores. O transporte do Rio até a Colônia Dom Pedro II era gratuito, mas as despesas de viagem da Alemanha ao Brasil eram financiadas pela Cia em 4 anos. O salário mensal caía para 1.500 réis, a moradia era garantida por um ano apenas e alimentos e demais produtos necessários eram adquiridos pelo próprio colono.

A partir de 1860 a Cia iniciou a venda das glebas aos colonos, com financiamento de quatro anos. A partir daí muitos deles tornaram-se mão de obra assalariada para os fazendeiros da região, já como reflexo da Lei do Ventre Livre em 1871.

O declínio da Compahia União Indústria ocorreu no período de implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cujo traçado era, em linhas gerais, o mesmo da rodovia. Muitos colonos alemães, bem como imigrantes de outras nacionalidades, passaram a trabalhar na ferrovia.

Por esta época, 1871, a Companhia Estrada de Ferro Leopoldina obteve concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina. Substituida pela Leopoldina Railway Company Limited, esta companhia foi a principal responsável pela chegada da maioria dos imigrantes. Necessário esclarecer que quase todos estavam no Brasil há mais de dez anos, seja trabalhando na União Indústria ou na Estrada de Ferro Dom Pedro II.

O fluxo de imigrantes para Leopoldina, por conta da Leopoldina Railway Co. Ltd., estende-se por alguns anos. O assentamento desta Companhia ficava próximo a Vista Alegre, às margens do riacho Jacareacanga. Há menção a uma Hospedaria de Imigrantes no local, mas ainda não conseguimos localizar-lhe os documentos.

O terceiro período inicia-se com a Lei Áurea e representa percentualmente o maior volume de estrangeiros chegados à região. Enquanto até aqui os imigrantes eram profissionais das mais diversas categorias, a partir de então a região passa a receber quase que exclusivamente agricultores, basicamente espanhóis e italianos. Historiadores dos mais categorizados já disseram que, fustigados pela fome que assolava sua região de origem, estes imigrantes submeteram-se a condições de trabalho quase iguais às dos escravos que os precederam na lavoura. Diferentemente dos grupos anteriores, entre estes últimos o índice de analfabetismo era bastante elevado, o que contribuiu para torná-los ainda mais frágeis diante dos fazendeiros acostumados a lidar com cativos.

Os primeiros que conseguiram livrar-se dos absurdos contratos com os fazendeiros, estabeleceram-se no trecho que ligava a sede do município a Tebas. No bairro da Onça e na vizinha Fazenda da Constança, famílias de alemães e espanhóis haviam fixado residência e receberam os novos imigrantes sem dificuldades e, principalmente, sem o preconceito que os impedia de participarem ativamente da vida econômica da cidade. Nesta região, a Câmara Municipal havia estabelecido as bases de uma colônia de imigrantes.

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A zona da mata mineira em antigos cartogramas

RECONTOS DE UM RECANTO – 02 – Artigo de José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni publicado na Gazeta de Leopoldina.

Para este artigo de hoje nos valemos, do “Mapa da Capitania de Minas Geraes, com a deviza de suas comarcas”, José Joaquim da Rocha, concluído em 1778; do “Mapa da Província de Minas Gerais,” de 1855, de Friedrich Wagner que, provavelmente, incorporou os levantamentos de João José da Silva Theodoro para as Cartas do Presídio, de São João Nepomuceno e do Pomba; dos Relatórios da Presidência da Província do período entre 1836 e 1855; e, das publicações do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro – Coleção Mineiriana, principalmente os títulos: Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais e a Província Brasileira de Minas Gerais publicada em 1998 e que traz o artigo de Johann Jakob von Tschudi de 1862 que acompanhou o Mapa de 1855.

A terra mineira, na época da viagem de Tschudi, estava dividida em 18 comarcas. Destas, destacaremos duas, a do Paraibuna e a do Muriaé, que são as mais próximas a Leopoldina.

A primeira delas, a do Paraibuna, contava cerca de 58.500 habitantes e abrangia:

Barbacena, composta pela sede de mesmo nome e pelas freguesias de Santa Rita de Ibitipoca e de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca.  Rio Preto, com seus 7 mil habitantes distribuídos entre a Vila de Nossa Senhora dos Passos do Rio Preto e a Freguesia de São José do Rio Preto. Paraibuna, atual cidade de Juiz de Fora, com cerca de 13 mil habitantes, que incluía as freguesias de Simão Pereira e Engenho do Mato.

Dessa comarca vieram muitos do povoadores do Feijão Cru.

A segunda comarca que nos interessa é a que levava o nome de seu mais importante rio: o Muriaé.

Com 88 mil habitantes distribuídos em 4 municípios (Leopoldina – 23.000 habitantes, Mar de Espanha – 19.000,Ubá – 32.000 e Muriaé – 14.000), não mereceu de Tschudi as referências adequadas provavelmente por falta de conhecimento de seus informantes da “extraordinária expansão do povoamento” da região, em razão do plantio de café e toda a Zona da Mata.  Embora se deva ressaltar que em 1856, por ocasião da aplicação da chamada Lei de Terras (Lei nr.601 de 18.03.1850), o café ainda não aparecia como principal produto de nossa economia. Entre os proprietários de terras da região somente 15% declararam possuir plantações de café. Cerca de 65% mencionaram “planta de milho” e os demais não indicaram o produto de suas roças.

O primeiro município dessa comarca, Leopoldina, abrangia a Vila Leopoldina (3.000 habitantes) e as Freguesias de São José do Paraíba (3.000) e de Santa Rita do Meia Pataca (3.000, incluindo-se aí toda a povoação da margem esquerda do Pomba), além dos Curatos de Conceição da Boa Vista, Nossa Senhora da Piedade, Bom Jesus do Rio Pardo e Madre de Deus do Angu (que somavam 14.000).

O segundo município, Mar de Espanha, que incluía a Vila, a Freguesia do Rio Novo e também os Curatos do Aventureiro e do Espírito Santo do Mar de Espanha.

Ubá aparece como terceiro município dessa comarca e era composto pela Vila e as Freguesias de São João Batista do Presídio, Santa Rita do Turvo e São Sebastião dos Aflitos.

“Mapa da Província de Minas Gerais,” de 1855, de Friedrich Wagner O quarto município da Comarca é o que leva o nome do rio e que só seria elevado à categoria de “cidade” em 1865 como São Paulo do Muriaé. Dele faziam parte a sede e as Freguesias de Nossa Senhora do Glória e Nossa Senhora da Conceição dos Tombos.

Para finalizar transcrevemos o parágrafo de encerramento do artigo de Tschudi, com a tradução que encontramos na obra citada:

“Resta-me apenas acrescentar algumas palavras sobre o mapa anexo. Ele é o resultado de longos anos de trabalho do engenheiro civil Sr. Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, de Juiz de Fora, e do geógrafo da província de Minas Gerais, Sr. Friedrich Wagner, que faleceu no ano passado em sua residência em Ouro Preto. Embora não satisfaça às exigências que se fazem a uma carta geográfica precisa, é, no entanto, a melhor disponível sobre a província de Minas Gerais, e até mesmo a melhor sobre qualquer das províncias do Império. O auxílio pecuniário que foi colocado à disposição dos engenheiros por parte do governo provincial foi insuficiente para cobrir as despesas de medição do território, que tem mais de 16 mil milhas quadradas, e que apresenta tantas dificuldades topográficas. Ainda assim, esse mapa será de grande importância e valia para a futura elaboração de uma carta apoiada em medições trigonométricas, pela qual, porém, teremos certamente de esperar ainda durante muitas décadas.”

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