Leopoldinense nascido em 1867

No dia 6 de junho de 1867 nascia Joaquim Cesário de Almeida Neto, filho de Antonio Venancio de Almeida e Rita Virgínia. Era neto paterno de Maria Constança de Jesus e Antonio de Almeida Ramos, sendo este filho de Rita Esméria de Jesus e Manoel Antonio de Almeida, um dos casais povoadores do Feijão Cru.

Herdou o nome de seu avô materno – Joaquim Cesário de Almeida, que era filho de Inacio José do Bem, sendo este filho de Manoel José de Bem e da ilhoa Tereza Maria de Jesus. Inacio era casado com Antonia Maria de Almeida, irmã do Manoel Antonio de Almeida acima citado. A avó materna, Luciana Esméria de Almeida, também era filha de Manoel Antonio de Almeida e Rita Esméria de Jesus.

Joaquim Cesário Neto casou-se em Conceição da Boa Vista, no dia 16 de junho de 1888, com Altiva Ferreira Brito, filha de Ignacio Ferreira Brito, de cuja fazenda fazia parte o terreno onde foi construída a Estação Ferroviária de Recreio. Ignacio Ferreira Brito é considerado um dos fundadores do então distrito, junto com seu irmão Francisco. A sogra de Joaquim Cesário Neto foi Mariana Ozoria de Almeida, filha de seus avós maternos Joaquim Cesário de Almeida e Luciana Esméria de Almeida.

Altiva faleceu um ano após o casamento, provavelmente por complicações do parto da filha homônima, nascida em maio de 1889. Em fevereiro de 1894, seu pai casou-se pela segunda vez com Maria da Encarnação Cimbron, natural da Ilha de São Miguel, nos Açores, filha de José de Medeiros Cimbron e de Teresa de Jesus Ferrão.

Joaquim e Encarnação tiveram, pelo menos, as filhas Aracy (1901) e Alice (1909) nascidas no distrito de Abaíba, em terras que pertenceram ao avô materno de Joaquim.

Joaquim Cesário de Almeida Neto era Alferes da 1ª Companhia do 72º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.

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Leopoldinenses nascidos em junho de 1917

2 de junho

Maria da Conceição Bolzoni, filha de Angelo Giovanni Bolzoni e Maria Fernandes

José Longordo, filho de Pedro Antonio Longordo e Francesca Lammoglia

14 de junho

Antonio Sangirolami, filho de Egidio Sangirolami e Pierina Mariana Borella

18 de junho

Helio Cobucci, filho de Gaspar Cobucci e Maria Teresa Monteiro Galvão de São Martinho

26 de junho

Sebastião Gottardo, filho de Michele Antonio Gottardo e Vitaliana Duana

 

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77 – Hamilton Vasconcelos , o fotógrafo.

O trem de história segue hoje para uma nova viagem. No seu contínuo embarque e desembarque de personagens que fizeram a história da cidade, prepara-se para falar de um destacado fotógrafo leopoldinense. Mas antes de recepcioná-lo no vagão, percorre um pouco os caminhos trilhados pela fotografia no Brasil.

O primeiro percurso desta viagem lembra que as primeiras imagens fotográficas no país datadas de 1832, foram tomadas por Hércules Florence[1], considerado por isto o pioneiro da fotografia no Brasil. Aliás, o país é um dos pioneiros em fotografia, graças principalmente ao imperador D. Pedro II, um grande apreciador da arte desde jovem, que em 1840 adquiriu em Paris um daguerreótipo[2] e fez muitas imagens. Outros fotógrafos ficaram famosos no Brasil como Buvelot, Prat, e Victor Frond [3] e o mais destacado, Marc Ferrez[4], foi o profissional que retratou muitas paisagens brasileiras e nos deixou uma obra de inestimável valor.

Sobre Ferrez é justo lembrar que, nascido no Rio de Janeiro, abandonou os estudos em Paris e voltou ao Rio onde trabalhou como gravador e litógrafo. Participou de uma expedição científica da Comissão Geológica do Império do Brasil, quando fotografou pela primeira vez, em plena selva, os índios botocudos (1875). Sua obra se destacou pelo registro da natureza do país e da transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX.

E foi na época retratada por Ferrez que nasceu[5], no dia 26 de janeiro de 1902, em Piacatuba, município de Leopoldina, filho de Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes o personagem desta viagem: Hamilton Vasconcelos. Sua trajetória na arte fotográfica não ficou restrita ao município de Leopoldina, tendo trabalhado também em municípios vizinhos.

Em 1925, Hamilton já exercia a profissão que abraçara. Segundo informações de seu filho Joaquim Barbosa Vasconcelos, Hamilton “foi um autodidata, interessando-se e aprimorando cada vez mais a arte que abraçou. Entre seus clientes estavam muitos italianos”.

Joaquim recorda que na época

“em Leopoldina havia apenas dois fotógrafos, mas meu pai, pela qualidade de seu trabalho, era sem dúvida o mais requisitado. Até 1962 ele exerceu sua profissão, sendo interrompido apenas durante a segunda guerra mundial, porque todo o material fotográfico era importado da Alemanha. Na maioria de suas fotos ele assinava ‘Foto Hamilton’. Desenvolveu uma técnica impressionante para retocar os negativos, do qual tirava todos os defeitos, como se fosse um Photoshop[6] hoje”.

É ainda do filho Joaquim a informação de que a família teria se transferido para Leopoldina em 1941, para que o fotógrafo pudesse dispor de um espaço melhor e mais adequado para instalar o seu laboratório.

Hamilton Vasconcelos teve grande importância e valor na sua cidade natal e na região. Entre as imagens que nos legou encontram-se as que enfeitam a imaginária “plataforma” desta parada.


Notas:

[1] O francês Antoine Hercules Romuald Florence chegou ao Brasil em 1824 e estabeleceu-se em Campinas (SP) onde realizou uma série de invenções e experimentos. Era pintor e naturalista. Em 1833 fotografou, através de câmera escura, com uma chapa de vidro sobre papel sensibilizado para a impressão por contato.

[2] É um processo de reprodução de imagem criado pelo francês Louis-Jacques~Mandé Daguerre em 1839. Um processo que utilizava uma camada de prata, aplicada sobre uma placa de cobre e sensibilizada em vapor de iodo. Foi empregado no Brasil até por volta de 1870.

[3] LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia. Fotografia do Século XIX. Rio de Janeiro: Capivara Editora, 2008. p.30.

[4] Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843 e faleceu na mesma cidade em 1923. Trabalhou como gravador e litógrafo. Aprendeu fotografia e tornou-se um fotógrafo com obras premiadas no exterior. Recebeu do Imperador o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa. Registrou a transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX. Um álbum de fotografias 1906-1907 sobre a arquitetura da avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, é sua obra mais conhecida.

[5] Cartório de Registro Civil de Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 6 cas fls 7.

[6] Photoshop é o nome comercial de um software desenvolvido pela Adobe Systems Incorporated para edição de imagens.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 331 no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2017

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Descendentes de Federico Carraro

1-Federico Carraro, filho de Andrea Carraro e Antonia Masuolo, nasceu cerca de 1861 em Mirano, Venezia, Veneto, Italia.

  • Chegou ao Brasil pelo Vapor Washington em Out 1888.
  • Saiu da Hospedaria Horta Barbosa com destino a Leopoldina a 5 Nov 1888.

Federico casou com Rosa Giovanna Calzavara, filha de Gregorio Calzavara e Antonia Benfatto,  a 27 Set 1888 em Pianiga, Venezia. Rosa nasceu cerca de 1867 em Pianiga. Eles tiveram dez filhos: Raimundo Brizol, José Luiz, Maria, Virginia Rosa, Jacobina, Maximino, Amalia, Maria, Ricardo e Sebastião Vitório.

1.1-Raimundo Brizol Carraro nasceu a 27 Jan 1890 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 23 Mar 1890 em Leopoldina, MG.


1.2-José Luiz Carraro nasceu a 14 Set 1891 em Leopoldina, MG, e faleceu a 13 Mar 1917 em Leopoldina, MG com 25 anos de idade.

Padrinhos de batismo: Luigi Cagliari e Maria Zampieri. Foi baptizado a 3 Out 1891 em Leopoldina, MG.


1.3-Maria Carraro nasceu a 19 Mar 1893 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Zampier José e Avutão Virginia. Foi baptizada a 20 Abr 1893 em Leopoldina, MG.


1.4-Virginia Rosa Carraro nasceu cerca de 1894.

Virginia casou com Alfredo Bartoli, filho de Pasquale Bartoli e Adele Gismondi,  a 22 Nov 1913 em Leopoldina, MG. Alfredo nasceu a 11 Mar 1891 em Chiaravalle, Ancona, Marche, Italia. Eles tiveram quatro filhos: Antonio, Rosa, Avelina e José.

1.4.1-Antonio Bartoli nasceu a 24 Jun 1915 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 22 Ago 1915 em Leopoldina, MG.

1.4.2-Rosa Bartoli nasceu a 29 Jan 1917 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Belizario Carrara e Joanina Carrara. Foi baptizada a 14 Abr 1917 em Leopoldina, MG.

1.4.3-Avelina Bartoli nasceu a 2 Abr 1919 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Santo Lorenzeto e Ercilia Carrara. Foi baptizada a 31 Mai 1919 em Leopoldina, MG.

1.4.4-José Bartoli nasceu a 14 Mar 1920 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 21 Abr 1921 em Leopoldina, MG.


1.5-Jacobina Carraro nasceu a 19 Mar 1897 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Emilio Marrano e Jacobina Fazolata. Foi baptizada a 20 Abr 1897 em Leopoldina, MG.


1.6-Maximino Carraro nasceu a 8 Out 1898 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 29 Dez 1898 em Leopoldina, MG.


1.7-Amalia Carraro nasceu entre 14 Abr 1902 e 1903 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Outro nome para Amalia é Amelia Carraro.

Padrinhos de batismo: José e Amália Cassavara. Foi baptizada a 3 Mai 1903 em Piacatuba, Leopoldina, MG.

Amalia casou com José Giuliani, filho de Candido Giuliani e Maria Casella,  a 14 Mai 1921 em Leopoldina, MG. José nasceu a 8 Out 1896 em Leopoldina, MG.

Ele foi baptizado a 28 Nov 1896 em Leopoldina, MG.


1.8-Maria Carraro nasceu a 13 Jul 1905 em Leopoldina, MG; Fazenda Paraíso.

Foi baptizada a 15 Ago 1905 em Leopoldina, MG; Fazenda Paraíso.


1.9-Ricardo Carraro nasceu a 21 Mai 1907 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Octaviano Marinati e Ana Scantamboule. Foi baptizado a 23 Jun 1907 em Leopoldina, MG.


1.10-Sebastião Vitório Carraro nasceu a 20 Jan 1909 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Victorio Brunazzo e Maria Toscana. Foi baptizado a 14 Mar 1909 em Leopoldina, MG.

 

 

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76 – Biblioteca Leopoldinense

Hoje não temos uma viagem, mas uma parada do Trem de História na oficina. O objetivo é consertar uma narrativa colocada nos trilhos na viagem de nº 54, em agosto de 2016. Vem contar a história da Biblioteca Pública, recentemente instalada no prédio do antigo fórum, para fazer ajustes ao que se conhece.

A história mais conhecida inicia-se em 1959 quando, a título de cooperação do Ministério da Educação e Cultura(1) para com a administração do Município de Leopoldina, o Ministro Clóvis Salgado designou o professor João Barroso Pereira Junior para proceder a estudos que visavam organizar o Departamento de Cultura na cidade. Nessa mesma época, Barroso Júnior foi nomeado pelo Ministro Clóvis Salgado como primeiro Diretor da Biblioteca Municipal de Leopoldina que foi então instalada em parte do segundo andar do Colégio Estadual Professor Botelho Reis. Sob sua orientação a Biblioteca buscava ir além das estantes de livros para oferecer cultura geral aos usuários através de revistas, jornais, obras de arte e peças antigas.

“Barrosinho”, como a ele se refere carinhosamente Mário de Freitas(2), era professor, bibliotecário, historiador e jornalista. Daí sua grande importância para as áreas de educação e cultura de Leopoldina. Por sua orientação e criação pela Lei Municipal nº 316, de 1959, surgiu o  quadro de funcionários da Biblioteca Pública Municipal com o qual se viabilizou o seu funcionamento, a partir de 29.09.60, na ala esquerda do 2º andar do prédio do Ginásio, ao lado da agência do então Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DNOS.

E sob a coordenação de Ana Eugênia de Azevedo Filha, até 1969 funcionou com a colaboração de Antonio Sérgio Lima Freire (Serginho do Rock, patrono da cadeira nº 9 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes), Welsor Machado e Petrina Gomes Machado.

Posteriormente a professora Maria Helena Vieira Campos assumiu a coordenação e entendendo que a Biblioteca tem por finalidade promover a cultura, criou o 1º Concurso de Poesias Augusto dos Anjos cuja 25ª edição ocorreu em 2016.

O nome atual de Bibioteca Pública Municipal Luiz Eugênio Botelho foi determinado pela Lei Municipal nº 1106, de 1975, um mês depois da morte do homenageado, autor de livros de memórias sobre Leopoldina.

Tudo isto é sobejamente conhecido de todos e não há o que se discutir quanto à importância dessas ações para o desenvolvimento cultural da cidade.

Um novo capítulo na história da Biblioteca Municipal

O que poucos leopoldinenses sabem é que a Biblioteca Leopoldinense, organizada e valorizada por Barroso Junior por orientação do Dr. Clóvis Salgado, tem sua fundação mais de meio século antes.

Na página 2 da edição de 23/09/1895 da Gazeta de Leopoldina, encontramos a seguinte notícia:

“A camara municipal, desde o dia 17 do corrente, passou a funcionar no palacete que foi do Dr. Gabriel, adquirido para este fim. Hoje é o Itamaraty da terra. É ocasião apropriada para se dar novo regulamento à biblioteca, o que aliás desde muito é reclamado. Augmentada, em uma sala independente e com um bibliottecario cuidadoso – muito proveito poderá trazer a todos aquelles que queiram se instruir.”

Mas ao que tudo indica essa biblioteca não deve ter tido a ampliação sugerida e, possivelmente foi abandonada, uma vez que dez anos depois ela retorna ao noticiário em matéria publicada pelo Jornal O Pharol de 27.09.1905, edição 228 p. 2, conforme aqui se reproduz:

“Devido aos ingentes esforços do dr. Custodio Lustosa, integro juiz de direito de nossa comarca, a Bibliotheca Leopoldinense torna-se uma realidade pois, o que hontem não passava de uma idéa, hoje é um facto. A creação da bibliotheca é de utilidade palpitante, e isto, graças a Deus, vae sendo comprehendido por todos os bons leopoldinenses, que estão sempre promptos a trabalhar, luctar, desde que desse trabalho e lucta, possa brotar uma scentelha de progresso para esta velha e legendaria Leopoldina. A bibliotheca já tem recebido quarenta e muitos livros e vários jornaes.Têm feito offertas de livros os seguintes cidadãos: drs Custodio Lustosa, Randolpho Chagas, Rodrigues Campos, Pessoa Lins, Costa Cruz, Nunes Pinheiro, solicitadores Sylva Junio, Ricardo Martins, Arthur Leão, e o sr. Juvenal Carneiro. É de esperar que todos os nossos municipes concorram para o engrandecimento da Bibliotheca Leopoldinense.”

Curioso observar que, mesmo nesta nova fase, a Biblioteca Leopoldinense é anterior à criação do Ginásio Leopoldinense, considerado um marco do desenvolvimento cultural da cidade.

Importante ressaltar, também, o relativo esquecimento a que foi deixado este seu fundador, o Juiz de Direito Dr. Custódio de Almeida Lustosa, que durante 23 anos, de 1904 a 1927, esteve à frente da Comarca de Leopoldina.

Dr. Custódio Lustosa, segundo sua autobiografia, além dos trabalhos de Juiz, lecionou português, história universal e psicologia no Ginásio Leopoldinense e tomou parte nas bancas examinadoras de latim e grego. É da sua época na cidade a construção do Fórum na Praça Félix Martins (hoje, Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira), da Santa Casa (Casa de Caridade Leopoldinense), do cinema (Cine Brasil que existiu na esquina das atuais ruas João Lamarca e Custódio Junqueira), além da fundação do Colégio Imaculada Conceição e de outros benefícios que reanimaram a cidade.

Chama a atenção, também, o esquecimento dos nomes citados na matéria publicada no jornal O Pharol como doadores das primeiras obras que formaram o acervo da Biblioteca Leopoldinense. E uma curiosidade: quem fizer uma visitinha à Biblioteca observará que, entre as obras raras, há vários títulos da área do Direito. Talvez alguns deles remontem ao tempo em que os bacharéis capitaneados por Custódio Lustosa doaram seus livros para engrandecer o patrimônio cultural de Leopoldina. Nem todos eram leopoldinenses de nascimento, mas adotaram a cidade quando para cá vieram exercer suas funções. E não eram só advogados os que compunham o grupo: Nunes Pinheiro era médico, Ricardo Martins era jornalista e Juvenal Carneiro era guarda-livros. A maioria deles foi professor no então Colégio Leopoldinense fundado em 1906.

E pela atualidade do assunto, para encerrar esta parada nas oficinas do Trem de História, vale lembrar trecho da sua autobiografia em que Custódio Lustosa registra: “Quando lá cheguei (em Leopoldina, em 1904) ainda se faziam sentir os efeitos da FEBRE AMARELA que estava aniquilando o Brasil. Bendito Osvaldo Cruz!”.

A mesma Febre Amarela para qual a Fundação Oswaldo Cruz hoje, 113 anos depois, fabrica milhões de doses de vacina para combater um novo surto que ameaça a todos. Bendito Osvaldo Cruz, repetimos.


Fontes consultadas:

1 – Diário Oficial da União (DOU) • 13/03/1959• Seção 1 • p. 25. Portaria 97 de 05/03/1959. Disponível em <http://zip.net/bbs7xl>. Acesso em 30 nov. 14.

2 – FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.236 e 244

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 330 no jornal Leopoldinense de 27 de abril  de 2017

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150 anos de nascimento

Honório de Vargas Corrêa nasceu em Leopoldina no dia 16 de maio de 1867, filho de Josué de Vargas Corrêa e Rita Guilhermina de Jesus. Era neto paterno de Francisco de Vargas Corrêa, filho de José de Vargas Corrêa e Ana Maria Silveira e de Teresa Maria de Jesus , filha de Francisco Pinheiro e Izabel Silveira.

Honório era neto materno de Antonio Rodrigues Gomes que, segundo Barroso Júnior, foi o escrivão da doação que Joaquim Ferreira Brito fez para constituir o patrimônio de São Sebastião do Feijão Cru. Sua avó materna,  Rita Esméria de Almeida, era filha de Rita Esméria de Jesus e de Manoel Antonio de Almeida, conhecido como “comendador” e genearca da numerosa família Almeida Ramos que povoou Leopoldina.

Honório casou-se em 1889, em Leopoldina, com Mariana Narciza de Lacerda, filha de João Antonio Narciso e Francisca Maria de Lacerda. O casal deixou numerosa descendência pelos seus treze filhos: Rita Guilhermina de Vargas, Josué Vargas Neto, João Narciso Corrêa, Antonia Honoria de Vargas, Alta Aparecida Corrêa, Antonio Corrêa, José Honório de Vargas e Maria Francisca Vargas

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75 – O Feijão Cru: antes de ser Villa Leopoldina

O Trem de História agora inicia uma viagem por tempos mais antigos. Lança dormentes e trilhos nas primeiras clareiras abertas na Mata Mineira para a formação do povoado do Feijão Cru. E começa no ano de 1847, quando foi produzida a “Carta topographica dos seus (Municipios) e Termos do Presídio, Pomba e São João Nepomuceno cum noticias do Paiz que delles segue até o mar pela costa oriental”, por João José da Silva Teodoro. Parte desse documento que é, até aqui, a mais antiga representação conhecida da região a incluir o então Distrito do Feijão Cru, uma importante informação sobre o processo de ocupação do lugar.

Como se sabe, na divisão eclesiástica a localidade de São Sebastião do Feijão Cru pertenceu oficialmente ao Bispado do Rio de Janeiro até 1897. Fato que dificulta enormemente a localização de fontes daqueles primeiros tempos porque nada é encontrado em Mariana e nos centros de documentação do Rio há apenas pistas esparsas que até hoje não conduzem aos instrumentos legais que criaram não só o povoado como a freguesia e o distrito civil do Feijão Cru. Assim, são poucas as informações sobre o estágio em que se encontrava o Feijão Cru quando de sua emancipação político administrativa.

Sabe-se, por exemplo, que a primeira contagem populacional, antes mesmo da existência do distrito, encontrou 62 ‘fogos’ em 1831, ou seja, 62 unidades habitacionais com 589 moradores no território que mais tarde viria a formar o Curato de São Sebastião do Feijão Cru. E que em 1835, quando o povoado passou a Distrito de São Sebastião do Feijão Cru, Termo da Vila do Pomba, o censo encontrou 135 unidades habitacionais ocupadas por 1.294 moradores. Em 1843, dois anos depois da elevação da povoação de São João Nepomuceno a Vila, abrangendo entre outros o distrito do Feijão Cru, aqui existiam 213 fogos com 2.171 moradores.

Importante esclarecer que tais ‘fogos’ estavam espalhadas por todo o grande território do distrito e, pelo mapa de Teodoro, observa-se que o Feijão Cru se estendia da margem direita do Rio Novo até a Serra Bonita e da margem direita do Rio Pomba até a margem esquerda do Paraíba do Sul.

A representatividade da população do Feijão Cru pode ser medida, também, pelo número de eleitores. Mas para melhor situar o tema é preciso lembrar que o Curato de Nossa Senhora das Mercês do Kágado (Mar de Espanha) era filial do Curato de São José da Parahyba (Além Paraíba) desde julho de 1832. Quando se deu a emancipação de São João Nepomuceno, o Kágado e São José do Parahyba foram incorporados à nova vila, assim como Conceição do Rio Novo, Santíssima Trindade do Descoberto, Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), Espírito Santo (Guarará), Madre de Deus do Angu (Angustura), Porto de Santo Antonio (Astolfo Dutra) e o Feijão Cru.

Ainda no final daquela década de 1840, forças políticas lutavam para emancipar o distrito do Kágado e um alistamento eleitoral, realizado entre junho de 1850 e fevereiro de 1851, serviria como argumento para preservar São João Nepomuceno com autonomia, abrangendo os distritos de Rio Novo, Descoberto, Astolfo Dutra, Feijão Cru e Rio Pardo. Nesse alistamento foram qualificados 1071 eleitores assim distribuídos: 357 eram moradores do Feijão Cru, 247 em Rio Novo, 171 em São João Nepomuceno, 164 no Rio Pardo, 80 em Descoberto e 52 no Porto de Santo Antonio. Mas São João Nepomuceno perdeu a batalha e em setembro de 1851 a sede da Vila foi transferida para o Arraial do Kágado, com a denominação de Villa do Mar de Hespanha, e, no mês seguinte, foi suprimida a Freguesia de São João Nepomuceno. Naquele momento, como se vê, o Feijão Cru era a maior unidade em território e população entre as que foram incorporadas ao Kágado.

Dois anos e sete meses depois, a 27 de abril de 1854, quando Mar de Espanha ainda nem tinha conseguido instalar toda a burocracia de seu novo status, foi a vez do Feijão Cru emancipar-se pela lei nº 666, com o nome de Vila Leopoldina, levando consigo os distritos da Piedade, do Rio Pardo, de Madre de Deus, de São José do Parahyba, de Conceição da Boa Vista, da Capivara, de Laranjal e do Meia Pataca.

Dois pontos fora da curva na história de Leopoldina

Diante destas afirmações cabe comentar dois pontos que se considera fora da curva da verdadeira história da cidade. Versões repetidas com certa frequência. Trechos da história contada por dois autores sobejamente conhecidos e que, de certa forma, acabaram por distorcer o estágio em que Leopoldina se encontrava na segunda metade do século XIX.

O primeiro deles é Francisco de Paula Ferreira de Rezende, um dos mais citados memorialistas da cidade que desconsiderou as reais condições econômicas e de desenvolvimento da região para dizer que Leopoldina, em 1861, encontrava-se “em um ponto de atraso extraordinário”, que o “Angu e S. José […] como em tudo o mais estavam mil furos adiante de Leopoldina” e que Leopoldina “deveria ter umas setenta ou oitenta casas”.  Informações estas que não espelham a realidade trazida pelos documentos compulsados.

Pode-se imaginar que ele tenha escrito isto por falta de informação ou porque, como se pode deduzir da sua obra, aqui chegara aborrecido por não ter conseguido ser reconduzido ao cargo de Juiz Municipal e de Órfãos de Queluz (Conselheiro Lafaiete), para o qual houvera sido indicado por políticos, mas que para mantê-lo precisava do apoio dos votantes locais. Ainda assim, não se deve descartar suas posições. Antes, deve-se aprofundar a pesquisa para confrontar as informações e estabelecer um panorama sustentado nas fontes ainda existentes.

O outro autor que cometeu deslizes foi Alfredo Moreira Pinto, em “Apontamentos para o Dicionário Geográfico do Brasil”. No verbete Feijão Cru, declara que se baseou em informações do vigário, embora não informe o nome desse religioso. Uma rápida consulta aos livros paroquiais foi o bastante para verificar que o Vigário era o Padre José Francisco dos Santos Durães, chegado a Leopoldina provavelmente em 1879 e que desde 1881 era também inspetor de ensino. Possivelmente foi o criador da lenda do Feijão Cru, que veio a público inicialmente pelo Almanaque de Leopoldina de 1886 e foi quase integralmente copiada pelo autor dos Apontamentos.

Depois de sua morte, uma segunda obra de Alfredo Moreira Pinto foi publicada por seu filho Justiniano Moreira Pinto, com o título Supplemento aos Apontamentos para o Diccionario Geographico do Brazil. Nela o autor manifesta opinião pessoal de uma visita a Leopoldina que talvez não tenha durado mais que um dia. Segundo se apurou, durante o período em que escreveu seus livros, Moreira Pinto viajava de trem e descia nas estações que lhe agradavam para colher os informes. E por este método pouco ortodoxo conclui ele que os povoadores de Leopoldina “foram infelicíssimos” na escolha do local onde estabeleceram a sede do município e que “seus prédios, em número de 450, são antigos e de feia aparência”. Embora declare que o comércio movimentava “avultado capital”, que a cidade contava, dentre outras atividades, com cinco médicos, cinco hotéis, dois engenhos de beneficiar café, duas tipografias, quatro escolas estaduais, uma escola municipal, dois colégios particulares e um curso noturno subsidiado pela Câmara. Informou, também, que Leopoldina era abastecida por água de boa qualidade e servida por rede de esgotos, contando com cerca de três mil moradores na área urbana.

Mas apesar de todas as farpas perpetradas, assim como foi dito sobre o Ferreira Rezende, reiteramos que nem por isto se pode desconsiderar Moreira Pinto. Até porque, são dele informações que não se encontram em outras fontes, como a existência de cinco cemitérios, “três dos quais extintos”: “o do Aterrado, para os lados de Cataguazes, o do morro da Forca e o da Matriz”. Dos ainda existentes na época, indicou a localização de apenas um deles: “no extremo da cidade, na ponta do morro que limita a chácara denominada do João Neto com a de José Alves”.

Mas isto pode ser assunto para um futuro Trem de História, porque o de hoje ficará por aqui. Até o próximo Jornal.


Fontes consultadas:

Arquivo Público Mineiro. Mapa da População de Além Paraíba – 1831CX 07 DOC 07; Mapa da População do Feijão Cru, 1835 e 1843 CX 03 DOC 06 e CX 03 DOC 04; Alistamento Eleitoral de São João Nepomuceno PP 11 cx 36 pacote 29.

Decreto Imperial de 14 de julho de 1832.

Leis Mineiras nr. 202, 01 abril 1841; nr. 514, 10 setembro 1851; nr. 542, 9 outubro 1851; nr. 666 27 abril 1854.

PINTO, Alfredo Moreira. Apontamentos para o Diccionario Geographico do Brazil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1899.

_______, Suplemento aos Apontamentos para o Diccionario Geographico do Brazil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1935.

REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 330 no jornal Leopoldinense de 27 de abril  de 2017

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Minelli: atualização do estudo sobre esta família italiana

Segundo notícia do Jornal do Commercio de 27 de agosto, edição número 237 página 6, às 20 horas do dia 26 de agosto de 1897 chegou à Ilha Grande (Rio de Janeiro) o paquete italiano Attività, procedente de Genova e escalas, com 788 italianos na 3ª classe. Com 27 dias de duração, a viagem trouxe imigrantes que se destinavam a Minas Gerais, os quais não passaram pela Hospedaria da Ilha das Flores, conforme se verifica no respectivo livro número 89. No dia 27, foram registrados na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora e quatro dias depois começaram a sair com destino a diversas cidades da zona da mata mineira. Para o município de Leopoldina vieram 270 pessoas dos seguintes sobrenomes:

Bardino, Beccari, Borghi, Casu, Conti, Facchini, Faedela, Ferretti, Gigli, Guidotti, Laffi, Lenzi, Lipparini, Loi, Lolli, Manca, Manella, Marchi, Marongiu, Mazotti, Mazzanti, Minelli, Mocci, Orati, Pazzaglia, Pedrini, Porcu, Rosa, Rubini, Sabbi, Scala, Soldati, Tassi, Tibaldi, Tonello, Tonioni, Toro, Vecchi, Ventura, Zannini, Zappoti, Zecchini, Zoncheddu e Zucca.

A maioria era proveniente da Emilia Romagna. Os demais eram da Sardegna. Nem todos ficaram em Leopoldina. Há relatos de fuga por tratamento inadequado em fazendas. Alguns ficaram pouco tempo trabalhando para o primeiro contratante e se transferiram para outros municípios. Da mesma forma, imigrantes destinados a localidades vizinhas vieram a se estabelecer definitivamente em Leopoldina alguns anos depois.

Entre os passageiros desta viagem do Attività, estavam os Minelli. O genearca do grupo foi Giacomo Emilio Minelli, nascido por volta de 1855 em Malfolle, localidade do comune de Marzabotto, província de Bologna. Era filho de Angelo Minelli e Maria Angela Caroli. Pelo que nos foi possível apurar, Giacomo teve pelo menos quatro irmãos: Saturno, Giuseppe, Gaetano e Federico, alguns nascidos em Malfolle e outros em Montasico, também Marzabotto. Na década de 1880, todos viviam em Marzabotto e eram colonos agricultores, ou seja, trabalhavam sob contrato com proprietários de terras.

Aos 24 de novembro de 1884, Giacomo Minelli casou-se com Albina Bruni, com quem teve a filha Clelia Adalgisa Maria Minelli, nascida no dia 15 de janeiro daquele ano. Albina estava com 22 anos, era natural de Grizzana Morandi, também na Bologna, sendo filha de Carlo Bruni e Catterina Mondassi.

O segundo filho do casal foi Antonio Alfonso Giuseppe Minelli, nascido no dia 22 de outubro de 1886 em San Martino. Dois anos depois, aos 19 de dezembro de 1888, nasceu o terceiro filho: Arnoldo Ponziano Alessandro Minelli.

Os leitores poderão estranhar os nomes porque em Leopoldina passaram a ser conhecidos como Adalgisa, Antonino e Ernesto. Os outros filhos do casal foram registrados com nome único:

– Giulio Minelli, nascido no dia 23 de novembro de 1891 em Montasico;

– Alfonso Minelli, nascido aos 28 de abril de 1894, também em Montasico.

Deste último não tivemos outras notícias após a saída da Hospedaria, no dia 31 de agosto de 1897. Por outro lado, encontramos o casamento de uma filha do casal nascida no Brasil, como se verá adiante.

1 – Clelia Adalgisa Maria Minelli, conhecida como Adalgisa, casou-se em Leopoldina no dia 30 de abril de 1910 com Alipio Ribeiro Macieira Filho, filho de Alipio Ribeiro Macieira e Angela da Costa. Adalgisa e Alipio tiveram, pelo menos, seis filhos nascidos no município de Leopoldina: Augusto, Angela, Carmen, Leonira, Marina e Omar Macieira. Alipio morreu em maio de 1935 e Adalgisa em janeiro de 1979.

2 – Antonio Alfonso Giuseppe Minelli, conhecido como Antonino, casou-se em Leopoldina aos 16 de janeiro de 1909 com Marina Fontanella, nascida no Piemonte, Italia, aos 22 de julho de 1889. Ela era filha de Francesco Fontanella e Verginia Gronda que passaram ao Brasil em 1899 com cinco filhos pequenos. Foram contratados para trabalhar em fazenda no mesmo distrito de Abaíba onde os Minelli viviam há um ano e meio.

Segundo informações de familiares, Antonino e Marina tiveram 8 filhos nascidos em Leopoldina. Entretanto, só encontramos nascimento de cinco e uma das filhas era desconhecida dos parentes. Até o momento temos os seguintes nomes: Maria, Acirema, Maria Francisca, Emilia, Helena, José, Ida, Nair e Geraldo Minelli.

3 – Arnoldo Ponziano Alessandro Minelli, conhecido como Ernesto, casou-se em Leopoldina no dia 10 de julho de 1916, com Djanira Ismenia de Jesus, filha de Ismeria Ignacia de Jesus. Não localizamos nascimentos de filhos do casal. Ernesto faleceu aos 12 de junho de 1963 em Leopoldina.

4 – Giulio Minelli, conhecido como Julio, casou-se em Leopoldina no dia 8 de dezembro de 1917, com Maria da Conceição Lopes de Barros. Ela era natural de Leopoldina, filha de Manoel Lopes de Barros e Alice da Costa Ribeiro que era filha de Alipio Ribeiro Macieira e Angela da Costa. Ou seja, a esposa de Julio Minelli era irmã do marido de Adalgisa Minelli. Embora tenhamos encontrado nascimento de apenas três filhos, segundo familiares o casal Julio e Maria da Conceição gerou nove filhos: Antonio, Alice, Lourenço, Moacir, Alcidio, Elia, Maria, Helida e Zelia. Julio faleceu em Leopoldina no dia 1 de junho de 1981.

5 – Alfonso Minelli pode ter falecido na infância e, conforme já dissemos, dele não encontramos referências.

6 – Angelina Minelli foi a filha brasileira de Giacomo e Albina. Segundo o registro de seu casamento, teria nascido em março de 1901 em Cachoeira Alegre que, na época, fazia parte do município de Muriaé mas logo depois se tornou distrito de Palma. Com a criação do município de Barão de Monte Alto em 1962, Cachoeira Alegre lhe foi incorporada.

Caso se confirme o nascimento de Angelina em Cachoeira Alegre, Giacomo Minelli teria ficado menos de quatro anos em Abaíba, repetindo trajetória de outros imigrantes que chegaram pelo vapor Attività em 1897 e foram contratados para trabalhar naquele distrito de Leopoldina. Informações orais dão conta de que três famílias que vieram pelo Attività e foram para Abaíba, antes de 1900 estavam em Morro Alto, hoje Barão de Monte Alto. Duas outras saíram de Abaíba na mesma época e se estabeleceram em Astolfo Dutra.

Angelina Minelli se casou em Leopoldina, no dia 27 de abril de 1918, com José da Cruz Cabral, natural de Ubá, filho de Manoel da Cruz Cabral Júnior e Luiza de Aguiar Cabral.

Manoel da Cruz Cabral Júnior era natural de Diamantina, filho de Manoel da Cruz Silva e de Ana Inocência da Cruz. Casou-se em Leopoldina aos 6 de outubro de 1895 com Luiza de Aguiar Cabral, natural de Leopoldina, filha de Antonio Tomaz de Aquino Cabral e Rosa Vitalina. Antonio Tomaz era filho de José Tomaz de Aquino Cabral, fazendeiro de café em Ribeiro Junqueira.

Angelina e José foram pais Leonidio, Maria das Neves e Amelia que se casou com Walter Fontanella, sobrinho da Marina Fontanella esposa de Antonino Minelli.

Esta atualização tem por objetivo corrigir informações divergentes prestadas por colaboradores sobre a primeira geração descendente de Giacomo Minelli e Albina Bruni. Posteriormente poderão ser feitas novas buscas com vistas a confirmar ou corrigir dados da segunda geração, razão pela qual não a incluímos neste estudo.

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74 – Pelo aniversário da Imigração Italiana em Leopoldina

            Neste artigo que pretende marcar a comemoração dos 137 anos da Imigração Italiana em Leopoldina e os 107 anos da Colônia Agrícola da Constança, o Trem de História fugirá um pouco da linha sem deixar a composição descarrilar, para contar um pouco da história da sua própria história.

Desde 2010, quando comemoramos festivamente o Centenário da Colônia Agrícola da Constança, criada aos 12 de abril de 1910, a primeira quinzena de abril passou a ser, para nós, a época em que todo ano homenageamos as famílias que deixaram sua terra natal e vieram contribuir para o desenvolvimento da nossa Leopoldina.

Naquele evento nós comemoramos, também, os 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, considerando que foi no ano de 1880 que se produziram as mais antigas fontes documentando a presença deles em nosso município. Foi nesse ano que começou a se formar o núcleo estrangeiro mais numeroso por aqui, do qual descende grande número dos atuais leopoldinenses.

Quando iniciamos nossas pesquisas, lá se vão mais de vinte anos, o assunto era desconhecido da grande maioria.Muitos se surpreendiam com nossas informações. Pareciam não acreditar no que viam e descobriam sobre seus antepassados. Porque pouco se sabia sobre a Colônia e menos ainda sobre a imigração italiana em Leopoldina.

Aliás, o primeiro trabalho de peso que divulgou a existência de uma colônia de imigrantes em Leopoldina foi produzido como tese de doutoramento por Norma de Góes Monteiro em 1973 e só atingiu o grande público vinte anos depois, em 1994, quando foi publicado em livro.

E como o conhecimento do passado não existe sem pesquisa, foi preciso um longo trabalho de levantamento de dados até que pudéssemos reuni-los inicialmente numa série de artigos publicados em jornal local de 1999 a 2001, ampliados para nova série publicada entre 2006 e 2010 quando então foram compilados num e-book.

Desde então, muitas pessoas nos procuram para pedir informações ou para colaborar com a ampliação do conhecimento sobre o assunto, gerando novas buscas de fontes probatórias e, consequentemente, a descoberta de novos dados. Assim é que, hoje, a lista de sobrenomes estrangeiros em Leopoldina é consideravelmente maior do que a divulgada há sete anos. E poderá aumentar se novas buscas forem realizadas.

Mas agora queremos reiterar informações já conhecidas, de modo a homenagear todos os imigrantes através de representantes daqueles primeiros tempos.

Conforme dissemos acima, as mais antigas referências à presença de italianos em Leopoldina são de 1880. Uma delas é o casamento de Nicola Pagano com Maria Giovanna Appratti. No ano anterior, no então distrito de Recreio, haviam se casado Giovanni Tambasco e Maria Amélia Guimarães, sendo ele irmão de Sebastiano Tambasco que morava em Leopoldina. Através de relações de compadrio ou comerciais destes personagens, sabemos que aqui também já viviam Filomena Brando, Francesco Conte, Nicola Eboli, Francesco e Giuseppe Biaggio Pagano, Nicola Sabino, e, provavelmente, o casal Vincenzo Appratti e Antonia Pagano.

Sem contar com outros estrangeiros que já viviam por aqui, mas cujos dados não conseguimos apurar, a década de 1880 veio ampliar consideravelmente a presença de italianos, assim como a chegada de portugueses continentais e das ilhas atlânticas, além de espanhóis. De tal sorte que em todos os distritos são encontradas referências a imigrantes trabalhando em fazendas ou em profissões autônomas nos povoados. Até que, na última década daquele século, organizou-se uma colônia municipal onde muitos deles se estabeleceram.

E em 1910, com a criação da Colônia Agrícola da Constança, em terras que fizeram parte das antigas fazendas Boa Sorte, Constança e Dona Antonia, foram demarcados lotes a serem vendidos aos imigrantes. A organização do núcleo colonial fora iniciada no ano anterior, quando os primeiros 10 lotes foram ocupados. O total de unidades ultrapassou 60 lotes, cada um deles com uma casa de morada e, tendo em média 5 alqueires de terra. Estes lotes eram financiados com o pagamento através de prestações anuais representativas de 20% da arrecadação da colheita agrícola de cada colono proprietário. A partir da aquisição do lote, com muito trabalho de parte de todos da família, aos poucos os colonos foram adquirindo carros de bois, carroças, arados, grade rústica puxada por animais e outros implementos, com o auxílio da administração da Colônia o que melhorava a produção e a qualidade de vida da família.

Vale registrar que o Estado administrou esta Colônia fornecendo máquinas, equipamentos e sementes até sua emancipação em 1921. Mas os imigrantes italianos da Colônia Agrícola da Constança, e os do comércio e atividades em geral, continuaram na luta diária, produzindo e contribuindo para o desenvolvimento dos seus e da cidade de Leopoldina. Fazendo-se  respeitados  e merecedores dos aplausos de todos.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Chegou a hora de preparar a carga para a próxima viagem que virá para as comemorações do aniversário da cidade. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 329 no jornal Leopoldinense de 16 de abril  de 2017

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Família Marinato II

O segundo grupo de sobrenome Marinato, que chegou pelo vapor Washington no dia 30 de outubro de 1888, era chefiado por Giordano Marco Marinato. A família recebeu o número 153 na lista da Hospedaria Horta Barbosa, de onde saiu no dia 4 de novembro com destino a Leopoldina.

Giordano era neto paterno de Lorenzo Marinato e de Pasqua Marchiro, cujos sobrenomes aparecem desde o período napoleônico na região que outrora fizera parte do Graticolato Romano, ou seja, uma extensa área plana dividida pelos romanos em quadrados com 710 metros de lado, destinados à agricultura. Conforme temos comentado em todos os posts sobre os passageiros do vapor Washington, muitos deles viviam na divisa entre as províncias de Venezia e Padova. Sendo assim, os comuni de Mirano, Pianiga, Dolo e Vigonza são as principais referências para pesquisar o grupo. E como ser verá no relatório genealógico a seguir, os sobrenomes daqueles passageiros se misturaram ao chegarem a Leopoldina e alguns já vinham com ancestrais aparentados.

Embora nem todos tenham vivido na Colônia Agrícola da Constança, os vínculos familiares fizeram com que a maioria a frequentasse, ainda que esporadicamente. Uma das pessoas que nos procuraram interessadas em conhecer a história dos Marinatos fez um relato característico. Disse que seus avós levavam filhos e netos para a festa de Santo Antônio de Pádua, na Capela da Colônia, onde foram iniciados alguns namoros.

 

 

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