Arquivos da categoria: Personagens Leopoldinenses

Série de textos extraídos de pesquisa de Luja Machado e Nilza Cantoni sobre personagens da história de Leopoldina.

94 – Savino # Sabino – A grafia do sobrenome

De forma proposital, nesta série de artigos o Trem de História inverteu a ordem tradicional de abordagem deste assunto. Embora arriscada, esta foi uma decisão pensada a partir de certos pressupostos que serão explicados a seguir.

Como bem lembrou Mioranza (1), “a onomástica envolve áreas da linguística, da antropologia, da sociologia, da geografia, da história e da psicologia”. E acreditam os autores não ser adequado desconsiderar este caráter multidisciplinar por conta da acepção da própria palavra: onomástica. Que, como se sabe, é um termo grego que se compõe de ónoma (nome) e tékne (arte), significando, então, arte dos nomes. É sabido que toda arte provém de um conjunto de conhecimentos e a onomástica busca suas bases na linguística histórica que reflete o conjunto das práticas de cada momento.

Necessário, ainda, lembrar que o mesmo Mioranza aponta a contribuição inestimável dos tabeliães e escrivães para a fixação das formas dos atuais sobrenomes que, na maioria das vezes, surgiram num momento em que a ausência de normas ortográficas foi suprida pela melhor forma de transcrever informações orais. Razão pela qual são encontradas variações de grafia contemporâneas, não sendo possível determinar-lhes a prevalência.

Mas o sobrenome é como um símbolo ou etiqueta de um tronco familiar. E como tal, se a ideia é considerar as relações familiares num estudo, faz-se mister agrupar todos os personagens sob uma só etiqueta. Assim, como metodologia de trabalho fez-se a opção pela grafia encontrada em fontes relativas ao genearca do grupo.

Tal decisão metodológica se fundamenta, também, em duas razões práticas. A primeira, porque o uso de variações ortográficas praticamente invalida a indexação automática e a busca no sistema de processamento de dados. A outra razão é que a forma utilizada no país de origem permite identificar rapidamente a procedência do imigrante. A família objeto deste estudo é um exemplo clássico: em Leopoldina existem os Sabino, procedentes do centro de Minas e os Savino, de origem italiana.

Para esclarecer a origem do sobrenome Savino tomou-se por base, inicialmente, outra obra de Mioranza na qual ele informa que Savino origina-se do latim Savinus ou Sabinus, “termo étnico pertencente ao povo dos sabinos, estabelecido nos arredores de Roma” quando de sua fundação.

Segundo Devoto & Oli, o sobrenome Savino vem de um povo antigo da Itália central, cuja tradição linguística é classificada como osco-umbra, denominação de uma das três subfamílias linguísticas do território italiano.

Para Fischer, o dialeto sabínico sobreviveu por mais tempo ao contato com as outras subfamílias – picena e latina, sendo esta a origem da forma Savino. Devoto & Oli acrescentam que o povo Sabini vivia no território compreendido entre Tevere, Nera, Aterno e Aniene, ou seja, na região setentrional do Lazio, a noroeste da Campania. Entretanto, Orlandini indica a Campania como origem do povo Savini que posteriormente migrou para o Lazio.

Assim como há divergência entre o ponto de origem e de dispersão do povo antigo por parte dos estudiosos, também a grafia adotada como sobrenome, séculos depois, não é unívoca. Nos livros de registros civis do século XIX, encontra-se a forma Sabino na Puglia e na Sicilia. Na Campania e no Lazio, a grafia é Savino. Mas especificamente para a família estudada, todas as fontes italianas a que se teve acesso trazem a forma SAVINO, razão porque foi adotada para os que de lá migraram para Leopoldina.

Com estas explicações fica, então, concluída a apresentação da família italiana do escritor Fernando Sabino. Na próxima edição iniciaremos nova viagem do Trem de História. Até lá!


Bibliografia Consultada:

1 – MIORANZA, Ciro. Filius Quondam. 2.ed. São Paulo: Larousse, 2009 e Dicionário dos Sobrenomes Italianos v.1 São Paulo: Escala, 1977

2 – DEVOTO, Giacomo e OLI, Gian Carlo. Il Dizionario della Lingua Italiana. Firenze-TO: Le Monnier, 2000.

3 – FISCHER, Steven Roger. Uma breve história da linguagem. Osasco-SP, Novo Século, 2009.

4 – ORLANDINI, Attilio Zuccagni. Corografia fisica, storica e statistica dell’Italia e sue Isole. v.2 Firenze-TO: s.nº.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 347 no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 20183

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93 – Savino # Sabino – Segundo casamento de Nicola Savino

Seguindo os passos de Nicola Savino, hoje o Trem de História conta mais um capítulo: o do segundo casamento dele.

Algum tempo depois da morte da primeira esposa, em 1891, Nicola viajou para a Itália. Não se sabe se levou os filhos. Mas é certo que eles tiveram seus batismos transcritos em livro de registros de Ispani em 1893.

Também não foi possível apurar se ele se casou pela segunda vez na Itália ou somente ao retornar ao Brasil. O que se sabe é que Nicola teve outros sete filhos, em Leopoldina, com Rosa Ana Giudice, filha dos italianos Rocco Giudice e Angela Savino. E não há notícia de que os pais de Rosa tenham viajado para o Brasil.

Mas considerando que Nicola estava de volta a Leopoldina em agosto de 1895, e que o filho mais velho dele com Rosa Ana nasceu em 1901, é de se supor que o segundo casamento tenha sido realizado no Brasil.

Registre-se, por oportuno, que em Casaleto Spartano, comune próximo a Ispani, foram encontrados vários usuários do sobrenome Giudice, incluindo alguns de nome Rocco. Por esta razão, foram feitas algumas buscas naquela localidade, sem sucesso.

Por outro lado, pouco se sabe sobre os filhos de Nicola e Rosa. Segundo informações orais, após a morte dele em 1914, a esposa teria se transferido com os filhos para o Rio de Janeiro ou Belo Horizonte. Uma mudança que pode ter sido estimulada por Domingos, o filho mais velho de Nicola, porque naquela época era comum que ao falecer o patriarca, o primogênito assumisse seu lugar. De todo modo, pelo menos um dos filhos ainda permanecia em Leopoldina na década de 1930.

Existem, ainda, divergências entre datas de nascimento informadas por familiares e as encontradas em fontes de Leopoldina. Em alguns casos, o registro civil mencionado por parentes indica data de nascimento posterior à data de batismo. Mas tais registros não foram localizados em Leopoldina e, por não se saber onde e quando foram feitos, não foi possível consultá-los. Sendo assim, pode-se apenas informar que:

7) José nasceu a 03 de março de 1901 em Leopoldina, onde foi batizado no dia 30 de setembro do mesmo ano;

8) Brígida teria nascido dia 02 de fevereiro de 1902 em Leopoldina, onde teria falecido solteira no dia 06 de outubro de 1967, conforme informações e datas fornecidas por parentes e não localizadas nos respectivos livros;

9) Angela teria nascido aos 15 de maio de 1903 em Leopoldina, onde não foi encontrado seu batismo nem o registro civil;

10) Umberto nasceu no dia 01 de junho de 1907 em Leopoldina, onde foi batizado no dia 13 de setembro do mesmo ano;

Sobre este filho há uma curiosidade. Seus padrinhos de batismo foram seu irmão João Batista, então com 20 anos e a futura sogra dele, Filomena Vargas. Ocorre que um irmão de Filomena, de nome Olímpio Vargas Corrêa, migrou para Manhuaçu na primeira década dos novecentos, estabelecendo-se na atual reserva particular Monte Alverne que permanece como propriedade de seus descendentes. Mais tarde Olímpio teria atraído outros parentes para a região, incluindo um jovem de sobrenome Sabino que seria seu afilhado e nascido em Leopoldina. Este mesmo jovem é referido por descendentes de outro irmão de Filomena que migrou para Faria Lemos. Nenhum dos informantes, no entanto, soube dizer o nome. Seria Umberto?

11) Nicolau Cataldo nasceu no dia 10 de março de 1908 em Leopoldina, onde foi batizado no dia 02 de janeiro de 1909, embora em seu registro civil conste que seu nascimento ocorreu no dia 11 de maio de 1905. Casou-se aos 06 de fevereiro de 1932, em Leopoldina, com Antonieta Andebert, natural de Paraíba do Sul, RJ, filha de Domingos Pinto Rezende e Gabriela Andebert;

12) Maria do Carmo teria nascido em Leopoldina em 1908, segundo informações de parentes;

13) Eugenio nasceu dia 05 de setembro de 1911 em Leopoldina, onde foi batizado no dia 20 de setembro do mesmo ano.

Aqui se encerra a história dos SAVINO # SABINO, da família do escritor Fernando Sabino, descendente de imigrantes italianos que residiram em Leopoldina. Mas para fechar o assunto, mais um artigo se faz necessário e ele virá na próxima edição do Jornal, para explicar a grafia do sobrenome e a razão pela qual foram adotadas as duas formas SAVINO e SABINO nos títulos desta série de artigos. Aguardem!


Fontes consultadas:

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 09 bat fls 47v termo 391; lv 11 bat fls 79 termo 253; lv 12 bat fls 26 termo 2; lv 16 bat fls 2 termo 463 e lv 7 cas fls 22 termo 7.

Gazeta de Leopoldina 29.08.1895 ed 19 p.2.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 346 no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2018

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92 – Savino # Sabino – Primeiro casamento de Nicola Savino

Nicola Savino casou-se a primeira vez com Angela Maria Grazia Appratto, filha de Vincenzo Appratto e Antonia Pagano, com quem teve seis filhos nascidos em Leopoldina. Após o falecimento da esposa, em 1891, Nicola viajou à Itália onde mandou transcrever os registros de batismo dos seis filhos e foram estes os registros encontrados nos livros do Tribunal de Sala Consilina no início das buscas para este trabalho.

Não se sabe se foi durante a estadia na Itália que Nicola se casou em segundas núpcias com Rosa Ana Giudice, com quem teve outros sete filhos, também nascidos em Leopoldina ou, se esta união se efetivou no Brasil após o retorno. Fato é que Nicola Savino faleceu em Leopoldina em 1914 deixando a viúva Rosa Ana com os seus sete filhos.

E como foi lembrado por seu neto, ele foi proprietário de um bar sobre o qual declarou Botelho:

“bar do Nicolau Sabino, o mais categorizado […] a fina sociedade ali se reunia […] O velho Nicolau Sabino era auxiliado pelos seus filhos […] Havia no bar uma taboleta que dizia assim; Perdute tuta esperanza quelle che entrata senza dinaro”(3)

Na relação de contribuintes de impostos no Município de Leopoldina para o exercício de 1897, publicada no jornal O Mediador, Nicola Savino aparece como proprietário de prédio urbano, hotel e oficina de sapateiro. O jornal O Arame acrescenta que existia um Tiro ao Alvo no Salão Recreio, de propriedade de Savino.

De sua primeira união, com Angela Maria Grazia Appratto, Nicola Savino deixou os seguintes filhos:

1) Domingos, nascido aos 18.04.1881 em Leopoldina, que se casou em Belo Horizonte, no dia 06 de setembro de 1913, com Odete Lacerda Tavares, nascida em 02.05.1891 em Leopoldina. Ela era filha de Fernando Pinheiro de Souza Tavares e Maria da Glória Lacerda, sendo descendente dos Lacerda e Werneck, antigas famílias de Leopoldina.

Odete formou-se na Escola Normal do Ginásio Leopoldinense em 1909 e, segundo o Laemmert, era professora da Escola Estadual do distrito de Abaíba em 1911. Foi também professora do Grupo Escolar de Leopoldina que mais tarde recebeu o nome de Ribeiro Junqueira, onde ficou até 1913, quando se mudou para Belo Horizonte. Em 1917 foi nomeada Auxiliar da Diretora do Grupo Escolar Silviano Brandão de Belo Horizonte.

Domingos foi aluno de escola pública do Professor José Maria Tesson, no então distrito de Argirita. Em 1904 lançou uma fábrica de águas minerais em Leopoldina, que pode ser o empreendimento citado por seu neto Fernando Sabino como “fábrica de Soda e de Água de Selters”. Em 1909 mudou-se para Belo Horizonte para dirigir o escritório da Companhia Brasileira de Eletricidade Siemens Schuckerverke. No ano seguinte, trabalhou no Rio de Janeiro retornando em 1911 para a direção do escritório da empresa em Belo Horizonte.

Em 1926 Domingos era representante da Metropolitan-Vickers Electrical Export Company Limited. Segundo Laemmert, em 1930 pertencia ao quadro de servidores da Chimica Industrial Bayer Meister Lucius em Belo Horizonte, MG. Faleceu em São Lourenço, MG, em 1948.

Domingos e Odete foram pais de Luiza (1914-2001), Gerson (1915-1998), Marilia (1916-?), Maria da Conceição (1918-?), Antonio (1919-?), Berenice (1920-1978) e Fernando Tavares Sabino (1923-2004).

2) Vicente Miguel, o segundo filho de Nicola e Ângela Maria, nasceu em 05.06.1883 em Leopoldina. Casou-se no Rio de Janeiro, em 27.06.1914, com Silvia Micaela Bianca Petrola, nascida por volta de 1893, em Leopoldina, filha dos italianos Nicola Petrola e Margherita Cazzolino. Vicente faleceu no Rio de Janeiro em dezembro de 1930.

3) Maria Antonia nasceu em 05.12.1886 em Leopoldina.

4) João Baptista nasceu em 04.08.1887 em Leopoldina onde se casou com Maria das Dores Levasseur, filha de Benjamim Levasseur de Vasconcelos e Filomena Vargas Corrêa. Ela, nascida em 05.07.1889 em Leopoldina onde faleceu em 14.05.1969. Maria das Dores era neta paterna de Antoine Urbain Levasseur e por sua mãe descendia dos povoadores do Feijão Cru, Antonio Rodrigues Gomes e Manoel Antonio de Almeida.

Segundo Freitas, João Baptista e Maria das Dores residiram na Praça Gama Cerqueira onde vivia a família Levasseur que cultivava o gosto pelo piano. Maria das Dores se formou na Escola Normal do Ginásio Leopoldinense em 1909 e foi professora no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira.

5) Deolinda nasceu em 12.10.1888 em Leopoldina.

6) Ernane nasceu em 10.04.1891 em Leopoldina.

Como ficou dito no início deste artigo, após o falecimento da primeira esposa, em 1891, Nicola se casou com Rosa Ana Giudice, com quem teve outros sete filhos, também nascidos em Leopoldina. Mas por uma questão de espaço este segundo casamento será abordado na próxima viagem do Trem de História. Até lá!


Fontes Consultadas:

Archivio di Stato di Sala Consilina, Salerno; Arquivo da Diocese de Leopoldina; Igreja de São José, Belo Horizonte; Cartórios de Notas e de Registro Civil do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, com a colaboração Eliana Sabino, Mariana Estill Sabino e Stanley Savoretti; Cemitério do Bonfim, Belo Horizonte, e Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG.

Imprensa Periódica: A Imprensa (Rio de Janeiro); A Noite (Rio); Gazeta de Leopoldina; Gazeta de Notícias (Rio); O Arame (Leopoldina); O Jornal (Rio); O Leopoldinense; O Mediador (Leopoldina); O Paiz (Rio) e O Pharol (Juiz de Fora).

BOTELHO, Luiz Rosseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979.

FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985.

LAEMMERT, Eduardo e Henrique. Almanak Laemmert. Rio de Janeiro: 1911.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 345 no jornal Leopoldinense de 16 de dezembro de 2017

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91 – Savino # Sabino – Savino em Leopoldina

Nicola Carmelo Rosario Savino foi um dos imigrantes italianos pioneiros da fase da Grande Imigração em Leopoldina, tendo chegado ao município antes de 1880. Era natural de Ispani, província de Salerno, região da Campania.

Ele nasceu(1) no dia 03 de outubro de 1852 em Ispani, filho de Domenico Savino e Brigida Petrola. Era neto paterno de Giovanni Battista Savino e Angela Giudice e neto materno de Rosanna Pagano e Nicola Felice Petrola, sendo este filho de Rocco Petrola e Brigida Teula, todos residentes em Ispani na época do nascimento de Nicola.

Domenico Savino e Brigida Petrola se casaram(2) em Ispani no dia 06 de julho de 1843 e tiveram, pelo menos, mais quatro filhos: Giovanni Battista Salvatore Carmelo nascido(3) em 1844, Rosanna Angela Nicolina nascida(4) em 1849, Carmine(5) nascido em 1856 e Rosana Filomena nascida em 1859.

Nicola Savino exerceu a profissão de sapateiro e em Leopoldina tornou-se sócio ou proprietário de alguns empreendimentos. Casou-se a primeira vez com Angela Maria Grazia Appratto, filha de Vincenzo Appratto e Antonia Pagano. Em segundas núpcias com Rosa Ana Giudice, filha dos italianos Rocco Giudice e Angela Savino.

Por entrelaçamentos familiares e negociais, sua história está ligada a alguns outros imigrantes italianos que chegaram ao Brasil em 1877. Um deles, Nicola Pagano, então com 30 anos de idade, que viajou no mesmo vapor em que vieram Giuseppe Tambasco e Domenico Pagano.

Registre-se que este Giuseppe era parente de Antonio, Sebastiano e Giovanni Tambasco, três irmãos que se estabeleceram em Recreio, distrito de Leopoldina na época.

Nicola Pagano, que era irmão de Antonia Pagano mãe de Nicola Savino, casou-se com a cunhada deste último e com ele realizou negócios em Leopoldina. Nicola Pagano foi sócio, também, de seu irmão Giuseppe Biaggio Pagano, na firma Braz Pagano & Irmão.

Noutra empresa que envolve estes imigrantes, denominada N. Petrola & Pagano, não se sabe qual dos Pagano foi sócio de Nicola Petrola, negociante em Bom Jesus do Rio Pardo (6) – atual município de Argirita, antigo distrito de Leopoldina – do final da década de 1870 até 1898.

A filha de Nicola Petrola e Margherita Cazzolino, Silvia Micaela Bianca Petrola, nascida por volta de 1893, casou-se em 27.06.1914 com o filho de Nicola Savino, Vicente Miguel.

Como se vê, não é muito simples rastrear os vínculos entre estes imigrantes. Além dos casamentos deles próprios e de seus filhos. Nos batismos é possível comprovar o compadrio que parece ter surgido também das relações comerciais entre eles.

Veja-se, por exemplo, os entrelaçamentos seguintes: a mãe de Nicola Savino chamava-se Brigida Petrola e não há dúvida de que seja familiar de Nicola Petrola; a sogra de Nicola Savino, Antonia Pagano, era irmã e também sogra de Nicola Pagano. E comadre nas famílias Eboli, Conte, Pagano e Brando.

Outro aspecto que chama a atenção é que, deste grupo de imigrantes alguns viajaram à Itália pelo menos uma vez, aparentemente para realizar negócios. Fato que os distingue de outros que vieram inicialmente com as famílias e com elas voltaram para a Itália e mais tarde resolveram retornar ao Brasil.

Quanto a Nicola Savino, sabe-se ainda que além da profissão de sapateiro (7), auxiliado pelos filhos mantinha um bar bem frequentado, onde a sociedade leopoldinense se reunia.

Sobre este bar, conta o seu neto Fernando Sabino (8):

“Meu avô Nicolau, italiano de nascença, era dono do Salão Recreio, um bar com pitoresco caramanchão na antiga rua 1° de Março, local também conhecido como praça do Ginásio, com uma tabuleta à entrada em que, para não vender fiado, ele se valia da célebre advertência de Dante: Lasciate ogni speranza voi ch’entrate.”(9)

O neto informa, também, que Nicola Savino importava barris de vinho Chianti da Itália e que vendia sorvete. Ao falar de seu pai, Fernando Sabino declara:

“E meu pai, seu Domingos, (antes de casar-se com a suave dona Odette), inspirado mais pelo vinho que pelo sorvete, juntou-se a um farmacêutico de nome João Teixeira e abriu uma fábrica de Soda e de Água de Selters – precursora, portanto, da alka-seltzer. Dos dois feitos muito me orgulho.”

Registre-se, por fim, que nos manifestos de vapores disponíveis no Arquivo Nacional foram encontrados alguns usuários do sobrenome. Entre eles há um Nicolau Sabino que desembarcou (10) do vapor Paulista no porto do Rio de Janeiro no dia 21 de fevereiro de 1872, proveniente de Santos. Mas por falta de outros dados, não se pode afirmar que seja o personagem do qual se falou aqui e se ocupará no próximo artigo, tratando do seu primeiro casamento. Até lá.


Fontes Consultadas:

1 – Archivio di Stato di Salerno, 1852 Atto di nascita nº 23.

2 – Archivio di Stato di Salerno, lv. 3 de matrimonio, 1843 p. 19 termo 3.

3 – Archivio di Stato di Salerno, Atto di nascita nº 33.

4 – Archivio di Stato di Salerno, Atto di nascita nº 7.

5 – Archivio di Stato di Salerno, Atto di nascita 1856 nr 1.

6 – Gazeta de Leopoldina. (Leopoldina, MG) 08.04.1898 ed 52 p.2.

7 – Na transcrição dos registros de nascimento dos filhos feita em outubro de 1893 em Ispani, Nicola declarou-se sapateiro.

8 – SABINO, Fernando. O Grande Mentecapto. 54.ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.

9 – Interpretação livre: perca as esperanças de consumo se entrou aqui sem dinheiro.

10 – Jornal do Commercio (Rio de Janeiro) 22.02.1872, edição 53 p.1.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 344 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2017

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90 – Savino # Sabino – De Ispani para o Brasil – Parte II

Conforme prometido no artigo anterior, a imigração de Ispani para o Brasil continua para falar um pouco mais sobre alguns imigrantes que vieram para Leopoldina.

Na consulta aos informativos do Centro Internazionale Studi Emigrazione Italiana para o período objeto deste estudo e observou-se que entre 1878 e 1882 a Campania aparecia com o maior número de expatriados, numa avaliação das províncias do sul e das ilhas italianas.

Considerando que as poucas informações de fonte oral obtidas indicam origem rural do grupo de interesse para este trabalho, foram procurados indicadores das atividades econômicas e condições de moradia da região de origem.

Segundo Fondi(1) e Taruffi et all(2), o tipo de habitação rural na Campania era uma espécie de cabana circular de paredes construídas com pedras e tijolos de argila e esterco, cobertas de palha. O telhado era sustentado por pedra calcária. Em geral, as casas eram divididas em dois ambientes: num deles dormia a família inteira e no outro, os porcos e galinhas.  As paredes eram escuras, mal rebocadas e sujas. O chão era de terra batida. Raros móveis e algumas caixas de madeira compunham o ambiente.

Quanto à dieta, Alvim(3) informa que era composta de pão de farinha de cevada ou centeio com verduras ou cebolas cruas. E neste quadro de penúria eles valorizavam, fundamentalmente, a posse da terra, ainda que exercessem profissões pouco especializadas nos núcleos urbanos mais próximos da moradia no campo.

Diante do quadro, não é difícil compreender o fascínio que lhes despertou a hipótese de se tornarem proprietários de uma gleba num país distante onde não faltava alimento, teto e religião. Mesmo aqueles que já se haviam proletarizado nas periferias dos centros urbanos, como operários de fábricas, sonhavam retomar seu modo de vida rural, dentro da estrutura familiar a que estavam habituados.

Os italianos que chegaram ao Brasil entre o final da década de 1870 e o início da seguinte aportaram num país que não tinha políticas de imigração bem delineadas e a introdução podia ser feita por conta do governo federal, dos governos provinciais ou mesmo de particulares.

Em Minas Gerais a administração central não tinha recursos.  Os primeiros tempos foram repletos de problemas de toda ordem.  A maioria não pensava em se fixar aqui, mas em conseguir algum dinheiro e voltar ao seu país. Esta ansiedade se reflete na trajetória de grupos que não paravam em fazenda alguma, sempre em busca de melhores salários.

Por outro lado, aos fazendeiros não interessava arcar com as despesas de transporte dos imigrantes para sua propriedade sem garantir que lá permaneceriam. Donde surgiram procedimentos que visavam cercear a liberdade dos colonos e que, muitas vezes encontrou forte reação entre eles. O mais comum era o imigrante abandonar a fazenda e pegar a estrada sem destino bem definido. Com a ampliação da malha ferroviária pela zona da mata sul, contam-se inúmeros casos de famílias que passavam poucos meses na fazenda e logo estavam de volta à estação, buscando embarque para outro destino.

Segundo Trento(4), Minas Gerais era a terceira área em ordem de importância dentre as atingidas pela emigração peninsular. Entretanto, somente em 1887 o governo mineiro começou a incentivar a imigração. Até 1893, os viajantes tinham que reembolsar 2/3 da passagem.

Trento lembra que a ocupação dos imigrantes que se dirigiram para a Corte e a província fluminense era diferente da ocorrida em Minas Gerais. Segundo ele, para o Rio de Janeiro vieram meridionais, principalmente das províncias de Cosenza, Potenza e Salerno, e, em número menor, de Nápoles, Caserta e Reggio Calábria.

A proximidade de Leopoldina com a província fluminense permite suspeitar que alguns imigrantes destinados ao Rio de Janeiro atravessaram o Paraíba do Sul e se estabeleceram no município que, na época, destacava-se no cenário regional. Seria o caso dos Eboli, Pagano, Savino e Tambasco, cuja entrada no país ainda não está completamente esclarecida.

É de Angelo Trento a afirmação de que a maior parte dos italianos meridionais dedicava-se ao comércio ambulante das mais variadas mercadorias, incluindo itens de vestuário, alimentação e ferramentas. E informa que em 1874 o comércio ambulante aparecia como a principal atividade dos italianos, seguida das função de engraxate, amolador, sapateiro, jardineiro, marceneiro e barbeiro.

A próxima viagem do Trem de História trará um dos italianos do grupo acima citado. Até lá!


Fontes Consultadas:

1 – FONDI, Mario. La Casa Rurale nella Campania. v.23 s.l.: L.S.Olschki, 1964.

2 – TARUFFI, Dino; NOBILI, Leonello de; VILLARI, Pasquale. La questione agraria e l’emigrazione in Calabria. Firenze: G. Barbèra, 1908.

3 – ALVIM, Zuleika. Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo. In: SEVCENKO, Nicolau (org.) História da vida privada. v.3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

4 – TRENTO, Angelo. Do outro lado do Atlântico – um século de imigração italiana no Brasil. São Paulo: Nobel, 1988.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 343 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2017

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89 – Savino # Sabino – De Ispani para o Brasil – Parte I

Seguindo a viagem em busca dos antepassados do escritor Fernando Sabino, o Trem de História de hoje começa com a informação estatística divulgada por Carpi (1) indicando que no ano de 1871 a população italiana totalizava 25.985.421 habitantes, dos quais 101.815 requereram passaporte para saírem do país, sendo que destes, 2.014 viviam na província de Salerno, aí não computados outros 113 que emigraram clandestinamente.

Segundo este mesmo autor, os moradores de Salerno que se dirigiam ao exterior em 1871 tinham como principal objetivo fazer fortuna como seus conterrâneos que haviam retornado ao país pouco antes, ou aqueles que enviavam grandes somas em dinheiro para os parentes que haviam permanecido na localidade de origem.

Percebe-se, nas palavras deste analista da emigração italiana da época, referência ao sonho de fare l’america que povoava a imaginação de muitos italianos que chegavam ao Brasil. Mas o autor ressalta que a saída de Salerno vinha diminuindo, se comparada com a década anterior.

Outro quadro interessante indica as profissões dos emigrados de Salerno: 1301 camponeses, 78 comerciantes, 473 artesãos, 31 proprietários rurais, 38 marinheiros e 93 profissionais diversos. Quanto ao destino, pouco mais de uma centena dirigiu-se para a América, em 1871, sendo apenas 40 para o Brasil. Já no ano de 1872, para um total de 4.499 emigrantes de Salerno, 4.081 dirigiram-se para o continente americano. E no ano de 1873, dos 4.947 emigrantes daquela província, 4.814 vieram para as Américas.

Nos relatórios consulares incluídos no volume dois da obra de Carpi, uma análise sobre os emigrantes italianos que viviam no Brasil entre os anos de 1869 e 1872 indica que a maioria era pobre, sem instrução nem capacidade para o exercício de funções que pudessem lhes proporcionar um bom rendimento. Assim despreparados, se obrigavam a aceitar qualquer trabalho ou a viver da caridade alheia. Mas, acrescenta o autor do relatório, no Brasil vivia um grande número de artistas de teatro e músicos italianos; em quase todas as cidades do Império existia um restaurante italiano; e, as atividades mais comuns para os demais era o comércio ambulante, a construção de estradas, funilaria e trabalho de garçom.

 

Zuleika Alvim (2) aborda a expectativa otimista que sustentava a decisão dos europeus pobres de emigrarem para um país chamado Brasil. Segundo ela, pregadores poloneses divulgavam a imagem de um país onde não faltavam alimentos; italianos cantavam que iriam para a terra da prosperidade, deixando o trabalho com a enxada para seus ricos senhores; a cantiga alemã ressaltava que partiriam com toda a família para a terra prometida, onde “se encontra ouro como areia”. Esta era, segundo a autora, a imagem que faziam do Brasil os imigrantes que começaram a chegar a partir de 1870. Que não foi, ressalta Alvim, imagem criada pelos agenciadores de mão-de-obra, mas introduzida na Europa pelos relatos de viajantes desde o século XVI.

Assim como outros analistas do processo, também Alvim se refere à passagem do sistema feudal para o de produção capitalista, com a concentração da terra nas mãos de poucos e os altos impostos transformando os pequenos proprietários em mão-de-obra para a nascente indústria. Em alguns países, a industrialização tardia não teve como absorver o excedente de trabalhadores que, além disso, paulatinamente tiveram algumas de suas tarefas absorvidas por máquinas.

A fome e a miséria tornaram-se ameaça constante, preocupando os dirigentes que temiam revoltas populares incontroláveis. Emigrar foi, portanto, a solução encontrada do lado de lá do Atlântico e, do lado de cá, países em desenvolvimento como Brasil e Argentina começaram a atrair imigrantes para ocupar suas terras. Segundo Alvim, “mais de 50 milhões de europeus deixaram o continente entre 1830 e 1930”, sendo que 22% deles vieram para a América Latina e os italianos eram 38% dos imigrantes que se fizeram ao mar. Na Itália, lembra a mesma autora, “o verbo buscar ganhou destaque. Buscou-se trabalho primeiramente nas cidades, e em seguida nos países vizinhos, estabelecendo-se uma migração sazonal”.

Sobre esta imigração ainda será o artigo que ocupará este espaço na próxima edição do Jornal. Aguardem.


Fontes Consultadas:

1 – CARPI, Leone. Delle Colonie e dell’Emigrazione d’Italiani all’Estero sotto l’Aspetto dell’Industria, Commercio ed Agricoltura e com Trattazione d’Importanti Questioni Sociali. Milano: Lombarda, 1874. v.1

2 – ALVIM, Zuleika. Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo. In: SEVCENKO, Nicolau (org.) História da vida privada. v.3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 342 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2017

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88 – Savino # Sabino – Imigrantes Italianos em Leopoldina

Esta viagem do Trem de História toma novo ramal para encontrar o autor de “O Grande Mentecapto”, o escritor Fernando Sabino. E a viagem necessariamente passará pela imigração italiana em Leopoldina para contar que, a partir de 1998, foram escritos diversos artigos com o objetivo de prestar uma justa homenagem aos imigrantes italianos que se instalaram no município a partir de 1880, aos que viveram na Colônia Agrícola da Constança e a todo oriundi que ajudou a transformar a economia da cidade, abalada pelo fim da escravidão.

De início vale recordar que o interesse inicial pelo assunto surgiu no decorrer de um estudo sobre as antigas famílias leopoldinenses quando se observou, nos livros das paróquias, uma grande incidência de sobrenomes não portugueses entre noivos, pais e padrinhos de crianças batizadas. Constatou-se que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes e, destes, 9% eram italianos e os demais, portugueses, espanhóis, sírios, açorianos, franceses, egípcios e nativos das Ilhas Canárias.

Percebeu-se, então, que um contingente significativo de habitantes estava carente de um estudo melhor sobre suas vidas e importância para o município, estatisticamente com forte presença de descendentes daqueles que, chegados ao Brasil no último quartel do século XIX, aqui se estabeleceram e muito contribuíram para o desenvolvimento econômico e social, sem que se tivesse notícia de qualquer movimento permanente no sentido de manter viva a memória daqueles conterrâneos por adoção.

Na verdade constatou-se que há poucas fontes de consulta para a época em que chegaram os personagens que serão abordados. Ainda não haviam sido implantadas as hospedarias e nem todos os manifestos de vapores foram preservados.

Assim, algumas pistas vieram de intérpretes daquele momento, incluindo a informação de que os italianos procedentes do vêneto eram mais afeitos à agricultura e que os toscanos e os meridionais procuravam as cidades para se estabelecerem com atividade comercial.

Este artigo tratará de um grupo procedente da Campania, mais especificamente da província de Salerno. Mas antes de detalhar suas características, é importante ressaltar que seria impossível compreendê-lo analisando-o de forma isolada, ainda que seus componentes pertencessem a diferentes famílias nucleares, tivessem idade diversa e possivelmente habilidades produtivas também variadas.

É importante, também, relembrar algumas informações sobre a Itália.

Como se sabe, antes da unificação a Campania pertencia ao Reino das Duas Sicílias e estava dividida em quatro províncias: Napoli, Terra di Lavoro (Caserta), Principato Citeriore (Salerno) e Principato Ulteriore (Avellino). Cada província era dividida em distritos e no Principato Citeriore os distritos eram Salerno, Sala, Campagna e Vallo.

Capa do livro Provincia di Principato Citeriore, publicado em 1843. Fonte: https://www.maremagnum.com/stampe/provincia-di-principato-citeriore/130340733

É preciso, também, ressaltar que a unificação foi um processo paulatino e que as trocas comerciais não se modificaram abruptamente com a proclamação do Reino da Itália. Por consequência, o trânsito interdistrital permaneceu e seria contraproducente definir o local de origem do grupo pelos estritos limites geográficos, porque sabe-se que as divisas são artificiais e nem sempre se preocupam com a personalidade histórica ou as práticas dos habitantes de uma localidade.

Com estas considerações, partiu-se para a busca de referências aos sobrenomes Appratto, Cazzolino, Eboli, Pagano, Polito, Petrola, Savino e Tambasco, grupo da Campania identificado em Leopoldina, cujos nomes muitas vezes estão grafados de forma diferente nas fontes paroquiais e civis aqui no Brasil.

Foram encontrados diversos vínculos entre alguns deles na documentação do Tribunal de Sala Consilina, disponíveis em microfilme da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E o comune de Ispani surgiu como provável centro de difusão das famílias pesquisadas. Mas não havia microfilmes dos lugares mencionados naquela documentação e consultas epistolares não trouxeram o retorno esperado. Somente alguns anos depois começaram a surgir outras fontes, como alistamento militar e registros civis, publicadas em sites de arquivos provinciais, permitindo coletar mais informações.

Enquanto isso, a busca por fontes aqui no Brasil continuava. Até que no último ano, com a colaboração de Stanley Savoretti, foi possível fechar o estudo de uma das famílias. Antes, porém, é interessante refletir um pouco sobre o movimento de saída dos imigrantes de sua terra natal. Mas isto será assunto para o artigo da próxima quinzena. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 341 no jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2017

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86 – Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda: descendentes do segundo casamento – Parte II

Para encerrar a família de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, o Trem de História se ocupa hoje dos quatro filhos restantes.

f) HELIODORA PINHEIRO CORRÊA DE LACERDA nasceu a 07.01.1858 em Leopoldina. Algumas publicações informam erradamente que Heliodora seria filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, irmão de seu pai que faleceu cerca de dezesseis anos antes do nascimento da sobrinha. Pesquisa no livro de batismo, no entanto, deixa clara a paternidade de Heliodora, ao informar que era filha do casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com Maria de Nazareth Pereira.

Heliodora se casou com Felix Martins Ferreira, que dá nome à praça principal de Leopoldina, filho de Joaquim Martins Ferreira e Maria Esméria de Carvalho Leite, nascido por volta de 1852 em Providência, Leopoldina e falecido em data próxima a fevereiro 1901, em Conselheiro Lafaiete (MG). Félix Martins foi proprietário da fazenda Araribá, na divisa de Leopoldina com Angustura, delegado de polícia, vereador na cidade e acionista do Banco de Leopoldina. Eles tiveram seis filhos: Rafael Felix, Jorge Martins, Maria Magdalena Martins, Georgina Martins, Joaquim Martins e Lafayette Martins.

Sobre esta família o Trem de História trouxe informações quando, em sete artigos publicados no Leopoldinense entre dezembro de 2016 e março de 2017, falou sobre o escritor modernista leopoldinense, Francisco MARTINS DE ALMEIDA, um dos netos de Heliodora e Félix Martins.

g) SOFIA CÂNDIDA DE LACERDA nasceu a 09.05.1860 em Leopoldina. Casou-se com João Caetano Almeida Gama, filho de Joaquim Antonio de Almeida e Gama e Maria Josefina Cândida de Jesus. Eles tiveram oito filhos: Américo de Lacerda Gama (1877); Otávio (1878); Adalgisa (1880); Raul (1883 – 1903); Vasco da Gama (1884 – 1885); Maria (1886 – 1887); Vasco (1888); João (1889 – 1891). Esta família foi abordada em artigo do Trem de História publicado em 16 de junho de 2016.

h) LUIZ ANTONIO CORRÊA DE LACERDA nasceu a 12.04.1863 em Leopoldina, onde era eleitor em 1892 e fundou o Centro Espírita Beneficiente em 1904. Assim como seus irmãos, Luiz Antonio também estudou no Colégio Caraça. Foi professor de português e latim do Ginásio Leopoldinense. Em 1886 foi citado entre os proprietários rurais e de escravos em Leopoldina. Casou-se com Isabel Maria de Lacerda Werneck, filha de Luiz Boaventura Peixoto de Lacerda Werneck e Isabel Augusta de Lacerda Werneck, sendo neta paterna do Barão do Pati de Alferes Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. Isabel nasceu na Suíça, na época em que seu pai era Consul Brasileiro naquele país. Luiz Antonio e Isabel tiveram nove filhos nascidos em Leopoldina: Izabel (1885 – 1887); Maria Francisca (1887); Mario Vito (1889); Pedro das Chagas (1891); Paulo (1894); Luis Pio (1897); Romão (1900); Maria Nazareth (1902 – 1909); e, Maria da Glória Werneck (1904 – 1909).

O sétimo filho do casal chamou-se Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda em homenagem ao avô paterno. Casou-se com Maria José de Lacerda Werneck, filha de José Ignacio de Lacerda Werneck e Sophia Selma Güenter. José Ignacio era natural de Pati do Alferes e se casou em Leopoldina em 1893. Em 1896 ele inaugurou “à rua do Tiradentes um novo estabelecimento de fazendas, armarinho roupas feitas e calçados”, conforme noticiou o jornal O Mediador de 6 de setembro daquele ano.

Romão Neto e Maria José tiveram, pelo menos, quatro filhos: Selma Izabel, José Luiz, Maria Aparecida e Paulo Antônio Werneck de Lacerda.

Conclui-se, aqui, o relato sobre filhos e netos de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda que, conforme registrado no texto nr 82 que iniciou esta série, era filho de Ana e Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda. Sua mãe faleceu antes de fevereiro de 1797, quando seu pai se casou pela segunda vez com Ângela Maria do Livramento. Mas Álvaro morreu pouco mais de cinco anos depois e, ao que tudo indica, Ângela ficou como tutora de todos os filhos dele, transferindo-se para o Feijão Cru por volta de 1931, na companhia de Romão.

A próxima viagem do Trem de História abordará esta transferência, cuja origem está no “Registro Civil do Feijão Cru”, em dois documentos emitidos há 200 anos, nos dias 13 e 14 de outubro, a favor de dois tios paternos de Romão: Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda.

Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 340 no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2017

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85 – Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda: descendentes do segundo casamento – Parte I

Como ficou dito em artigo anterior, Romão ficou viúvo em 1846, com pouco mais de cinquenta anos e com o seu único filho ainda pequeno. Natural, então, que procurasse uma nova companheira. Assim, provavelmente no ano de 1847, ele se casa com Maria de Nazareth Pereira. E com esta segunda esposa teve, pelo menos, sete filhos.

Vale registrar que Maria de Nazareth, a segunda esposa de Romão, faleceu antes de 1872, quando ele próprio faleceu.

Sobre os filhos de Romão e Maria de Nazareth sabe-se que:

b) JOSÉ ROMÃO CORRÊA DE LACERDA nasceu a 03.12.1848 e faleceu a 03.04.1934. Foi lavrador, proprietário de escravos, fez parte da Irmandadade do Santíssimo Sacramento e era eleitor. Casou-se com Luiza Augusta Tavares, nascida em Valença (RJ) e teve com ela 14 filhos:

1) Guiomar de Lacerda (1879 – 1976), que se casou com Lindolfo Augusto Tavares Pinheiro, filho de Floriano Pinheiro de Souza Moraes e Presceliana Pinheiro de Lacerda Werneck. Lindolfo nasceu a 15.03.1873 em Valença (RJ) e faleceu a 10.08.1957 em Leopoldina. Era carinhosamente conhecido por Lolote. Guiomar e Lolote tiveram 14 filhos: a) José, b) Antonio, c) David, d) Dário, e) Arlindo, f) Maria Salomé, g) Alcides, h) Ilda, i) Iracema (1908), j) Iracema (1909), k) Adail Lacerda Pinheiro c.c. Manoel Joaquim Botelho, o professor Botelho que durante muito tempo trabalhou no Ginásio e participou da vida esportiva e social da cidade, l) Cléa, m) Lindolfo e, n) Altair.

2) Adélia (1880).

3) Olívia (1881 – 1882).

4) Amélia (1882).

5) Maria José Lacerda – Zezeca (1884), segunda esposa de Paulino Augusto Rodrigues, fazendeiro e capitalista. O casal teve dois filhos: Maria Aparecida (1920) e Geraldo (1925). A filha mais velha casou-se com Gilson Barroso de Castro, filho de Colatino Barbosa de Castro e Sebastiana Barroso. Gilson Faleceu a 13 Nov 1985. Eles tiveram três filhos: Aloísio Sérgio c/c Irma Ávila, pais de Wladimir e Wladinise; Colatino c/c Vera Lúcia Santana, pais de Fernanda e Rodrigo; e, Maria Luiza c/c Eraldo Concentino dos Santos

6) João (1886).

7) Luiza (1887).

8) Waldemar Tavares Lacerda (1889 – 1977) que empresta seu nome a uma rua de Leopoldina, exerceu a profissão de barbeiro e durante algum tempo foi funcionário público federal lotado na Residência do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, em Leopoldina. Casou-se com Jovenila Lisboa, filha de Sebastião da Silva Lisboa e Maria do Carmo. Jovenila nasceu a 21 nov 1888 e faleceu a 07 mai 1967 em Leopoldina, MG. O casal foi pai de Sebastião Lisboa de Lacerda,  nascido em 1914, médico, também conhecido como Dr. Bazinho. Colaborou com o estudo do seu grupo familiar. Foi casado com Lidia Teixeira, filha de Antonio Alves Teixeira. Waldemar e Jovenila foram pais, também, de Violeta e Juracy.

9) Sofia Lacerda (1893 – 1974).

10) Orgão (1894).

11) Julieta Lacerda (1895 – 1970).

12) Osmar Tavares de Lacerda (1898).

13) Romão Lacerda (1901 – 1913).

14) Olga Lacerda, casada com Sebastião Batista Paula Filho, filho de Sebastião Batista de Paula e Maria Amélia Simplício da Cunha. Sebastião era natural de Recreio, onde nasceu em 1889 e faleceu em 1968. Olga e Sebastião tiveram, pelo menos, dois filhos nascidos em Reccreio: Floriana (1926) e Reynaldo (1928).

c) LUCAS TAVARES DE LACERDA, o segundo filho de Romão e Maria de Nazaré, usava o título de Major, era negociante e homem de confiança do fazendeiro e Coronel, Marco Aurélio Monteiro de Barros. Empresta seu nome a uma rua do Bairro Seminário, em Leopoldina. Estudou no Colégio Caraça entre 1860 e 1862. Em 1883 foi indicado como candidato na Eleição Provincial. Teve um filho homônimo que se formou Professor na Escola Normal do Ginásio Leopoldinense em 1909.

d) MARIA DA GLÓRIA LACERDA casou-se com Fernando Pinheiro de Souza Tavares, filho de José Tavares Pinheiro e Maria José de Souza Werneck. Eles tiveram dez filhos: José (1870 – 1951); Luiz (1877); Anália (1878); Albertina (1881); Arnaldo (1882); Abel (1884); Noeme (1885); Maria (1887); e, Odete Lacerda Tavares (1891 – 1963). O marido de Maria da Glória era natural de Valença e foi nomeado Promotor Público de Leopoldina em 1891, onde já residia desde a década de 1870. Na próxima série dos Personagens Leopoldinenses, esta família voltará a ser abordada.

e) ROMÃO AUGUSTO CORRÊA DE LACERDA nasceu provavelmente em 1853. Foi eleitor, negociante em Leopoldina e em 1897 candidatou-se ao cargo de Juiz de Paz, não sendo eleito.

Do segundo casamento de Romão restam outros três filhos. Mas em razão do espaço e da necessidade de se fazer uma pausa, eles serão abordados na próxima viagem do Trem de História.  Aguardem.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 339 no jornal Leopoldinense de 16 de setembro de 2017

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84 –Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda – Netos e bisnetos pelo primeiro casamento

1 – Adelaide da Gama de Castro Lacerda, a filha mais velha de Américo e Filomena, nasceu a 30 jun 1867 em Leopoldina, onde foi batizada no dia 30 de dezembro do mesmo ano. Casou-se com Américo Moretzshon Monteiro de Oliveira Castro, filho de Américo de Oliveira Monteiro de Barros e Joaquina Candida Moretzshon, a 29 jul 1888 em Leopoldina, MG. O marido de Adelaide nasceu em Cantagalo, RJ e era neto paterno de Luiz Antonio de Souza Oliveira, irmão de Ana Severina de Oliveira Castro, avó paterna de Adelaide. Em 1894, Américo Moretzshon Monteiro de Oliveira Castro foi listado entre os maiores contribuintes de impostos do município de Leopoldina. Residia no então distrito de Recreio. Em 1896, era farmacêutico em Leopoldina e co-proprietário da Fazenda Memória que, conforme mencionado, foi formada pelo avô paterno de sua esposa. Foram localizados os seguintes filhos de Adelaide e Americo: Maria, nascida e batizada em Leopoldina em 1890; Américo, nascido e batizado em Recreio em 1893, casou-se em 1915 com Adelaide de Oliveira Rocha; Dinah nascida e batizada em Recreio em 1894, casou-se em 1927 em Muqui-ES com Olegario Ribeiro de Barros; Hugo, nascido e batizado em Leopoldina em 1895; Jurema, nascida em Muriaé em 1899; e, Alberto.

2 – Alberto Gama de Castro Lacerda, o segundo filho de Américo, nasceu a 09 jan 1869 em Leopoldina, onde foi batizado no dia 11 de março. Em 1885 foi matriculado no Colégio Caraça. Foi eleitor em Leopoldina onde era comerciante em 1892. Em 1897 foi nomeado Tenente da 1ª Cia do 70º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, sediado em Leopoldina. Casou-se com Natalina Teixeira Cortes, filha de Francisco Teixeira de Figueiredo Cortes e Virginia Siqueira Domingues, com quem teve, pelo menos, os seguintes filhos: Romão nascido e batizado em Leopoldina em 1901; Virginia, nascida em Leopoldina em 1903; Maria da Conceição, nascida e falecida em Leopoldina em 1904; Haydée, nascida em Leopoldina em 1906; Mirtes, nascida em Leopoldina em 1910. Em 1913 a família vivia no distrito de Providência.

3 – Américo de Castro Lacerda foi o terceiro filho de Américo e Filomena. Nasceu a 06 nov 1870 e faleceu a 15 jan 1936 em Leopoldina. Era conhecido por Major Mequinho. Foi matriculado no Colégio Caraça em 1885. Em 1897 era negociante em Leopoldina, atividade que em 1930 era exercida em Armazém na rua Tiradentes, esquina com a Praça Gama Cerqueira. Foi nomeado Alferes do 27° Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, sediado em Leopoldina, em 1893. Américo casou-se em Leopoldina com sua prima Nair da Gama a 30 jul 1909. Ela era filha dos primos João Evangelista de Castro Gama e Rosa Cândida da Gama, tendo nascido em Leopoldina em 1886. Faleceu e foi sepultada em Leopoldina em 1952. Em 1913 João Evangelista residia em Vista Alegre, distrito de Cataguases, mas faleceu e foi sepultado em Leopoldina em 1920. Américo e Nair foram pais de: a) Maria da Conceição Gama Lacerda, nascida e batizada em 1910 em Leopoldina, onde se casou em 1929 com seu parente Mário da Gama Cerqueira, filho de Álvaro da Gama Cerqueira e Carolina da Gama. Maria da Conceição e Mário tiveram uma filha homônima da mãe nascida em Leopoldina em 1930, a qual se casou em Belo Horizonte, em 1956, com Mauro Celso Siqueira Reis; b) Nair, nascida em Leopoldina em 1911; c) Americo nascido em 1912 em Leopoldina; d) Filomena nascida em Leopoldina em 1915; e, e) Dulce nascida em 1919 em Leopoldina.

4 – Alzira Gama de Castro Lacerda nasceu a 30 set 1879 em Leopoldina, onde faleceu a 23 jun 1970.

5 – América de Castro Lacerda nasceu a 3 mai 1881 em Leopoldina, onde se casou em 1912 com José Alfredo Carneiro de Fontoura Júnior, filho de José Alfredo Carneiro de Fontoura e Amelia Celestina Bastos. José Alfredo era natural de Natividade, RJ, onde o casal se estabeleceu.

6 – Lucas de Castro Lacerda nasceu a 18 out 1882 em Leopoldina onde faleceu a 14 nov 1965. Era conhecido como Parente. Casou-se com sua prima Rita de Cassia da Gama, filha de João Evangelista de Castro Gama e Rosa Cândida da Gama. Rita nasceu a 30 nov 1887 em Leopoldina. Lucas também foi negociante em Leopoldina e era referido como Major Lucas mas não foi encontrada a origem deste título militar. Em 1913, vivia em Vista Alegre, distrito de Cataguases. Provavelmente os filhos do casal nasceram e foram registrados naquela localidade.

7 – Eduardo da Gama de Castro Lacerda nasceu a 22 nov 1884 em Leopoldina, MG. Casou-se em Leopoldina, em 1910, com Aurelia Monteiro de Barros, filha de Aurélio de Souza Monteiro de Barros e Francisca Carolina Domingues. Eduardo e Aurélia tiveram, pelo menos, a filha Izar, nascida em Leopoldina em 1911. Em 1913 a família residia no distrito de Providência.

8 – Joaquim Gama de Castro Lacerda nasceu a 26 nov 1886 em Leopoldina, onde faleceu a 17 nov 1920, Casou-se também em Leopoldina, em 1911, com Maria da Conceição Monteiro de Barros, filha de Aurélio de Souza Monteiro de Barros e Francisca Carolina Domingues. Joaquim e Maria da Conceição tiveram, pelo menos, dois filhos nascidos em Leopoldina: Maria da Conceição nascida em 1912 e Joaquim nascido em 1914.

9 – Maria Josefina da Gama Lacerda casou-se em Leopoldina, em 1891, com Júlio César Baldoíno da Silva, filho de Pedro Baldoíno da Silva e Francisca de Paula Reis. Júlia era natural de Leopoldina, onde nasceu em 1859. Seu pai foi proprietário de um sítio nas proximidades da Fazenda Boa Sorte. Maria Josefina e Júlio tiveram, pelo menos, os seguintes filhos nascidos em Leopoldina: Valfrido (1895), Marfisa (1905) e Afonso (1906).

10 – Sofia Gama de Castro Lacerda casou-se em Leopoldina, em 1895, com Everaldo de Bastos Freire, filho de Secundino de Matos Freire e Ana Bastos. Ele era natural de Sergipe e em Leopoldina foi comerciante. Sofia e Everaldo tiveram os seguintes filhos em Leopoldina: Americo (1897), Maria (1898), Everaldo (1899), Edgard (1910) e Osvaldo José (1912).

Completo o rol dos netos e bisnetos do primeiro casamento resta, para encerrar o artigo de hoje, dizer que em 1847 Romão estava casado pela segunda vez, como se verá no próximo artigo. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 338 no jornal Leopoldinense de 1 de setembro de 2017

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