Arquivos da categoria: Personagens Leopoldinenses

Série de textos extraídos de pesquisa de Luja Machado e Nilza Cantoni sobre personagens da história de Leopoldina.

82 – Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda: um pioneiro esquecido.

Ao pesquisar a história de Leopoldina, vez por outra se esbarra em nomes que ficaram esquecidos nas gavetas do passado. É o caso de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda que será estudado a partir deste artigo.

Romão nasceu(1) a 28.02.1795, filho de Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda e Ana de Lacerda. Casou-se com Ana Severina de Oliveira Castro com quem teve apenas um filho: Américo Antonio de Castro Lacerda. Em segundas núpcias, com Maria de Nazareth Pereira teve nove filhos que serão identificados mais tarde.

Em 1826, segundo Celso Falabella(2), ele morava e era procurador da Câmara de Valença (RJ). No Mapa de Habitantes(3) de São José do Paraíba, de 1831, aparece entre os moradores do Feijão Cru como solteiro e possuidor de 4 escravos. Esta informação se confirma no Mapa de 1835 do então Curato de São Sebastião do Feijão Cru(4).

Eleitor do 5º quarteirão do Feijão Cru(5), lavrador, era juiz de paz em janeiro de 1851. Tomou posse como vereador suplente(6) em Leopoldina, a 24.04.1855.

No Registro de Terras(7) de 1856, assinado na Fazenda da Memória por ele e pelo Vigário José Maria Solleiro, consta que era “Senhor e possuidor de uma sesmaria em terras de cultura na Fazenda denominada Memoria no Districto d’essa Villa que houve por compra do Major Manoel Gomes de Oliveira”. O registro informa, ainda, que estas terras faziam divisa com José Augusto Monteiro de Barros; Antonio Prudente d’Almeida; D. Maria Vidal e seus herdeiros; e, com Joaquim Antonio de Almeida e Gamma.

Em 1875 foi citado como um dos fazendeiros de café em Leopoldina(8). E sobre ele disse Ferreira de Rezende(9):

“eu ainda aqui alcancei como um dos fazendeiros mais ricos destes lugares e que embora por ser homem muito retraído, muito pouco figurasse na vida pública, veio entretanto a fundar pela sua descendência e pelos parentes que atraiu, uma das melhores famílias desta freguesia.”

Segundo o registro de sepultamento(10), seu óbito ocorreu no dia 14.03.1872. Portanto, com o traslado de seus restos mortais ele é o mais antigo povoador da cidade sepultado no atual Cemitério de Nossa Senhora do Carmo.

A primeira esposa de Romão, Ana Severina de Oliveira Castro nasceu(11) por volta de 1801 e faleceu(12) em Leopoldina a 02 de janeiro de 1846. Era filha de Mateus Alberto de Souza Oliveira e Castro e Feliciana Candida Esméria da Fonseca.

Américo, o único filho de Romão e Ana Severina, nasceu(13) em Leopoldina no ano de 1839. Casou-se com Filomena Josefina Cândida da Gama, filha de Joaquim Antonio de Almeida e Gama e Maria Josefina Cândida de Jesus, de quem já se falou no Trem de História nº 51, publicado na edição nº 307, de 01.07.16, do Jornal O Leopoldinense.

Filomena nasceu a 28 de dezembro de 1847 e faleceu a 04 de janeiro de 1916 em Leopoldina(14). Ela também aparece como Prudenciana Josefina da Gama Lacerda no batismo da filha Alzira. Américo e Filomena tiveram dez filhos: I) Adelaide da Gama de Castro Lacerda; II) Alberto Gama de Castro Lacerda; III) Américo de Castro Lacerda; IV) Alzira Gama de Castro Lacerda; V) América de Castro Lacerda; VI) Lucas de Castro Lacerda; VII) Eduardo da Gama de Castro Lacerda; VIII) Joaquim Gama de Castro Lacerda; IX) Maria Josefina da Gama Lacerda; e, X) Sofia Gama de Castro Lacerda.

Em janeiro de 1877, Américo colaborou(15) com a Comissão de Socorro às vítimas das inundações ocorridas naquele ano. Segundo o Almanaque da Província(16) ele foi juiz de paz(17) eleito em 1875 e em 1887. Foi vereador conforme o livro de Juramento e Posse de autoridades diversas do período 1877-1894. Foi acionista(18) intalador do Banco de Leopoldina em 1891. Foi nomeado(19) Tenente da 1ª Cia do 70º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional em 1897.

Nas próximas edições do Jornal a história deste pioneiro esquecido, Tenente Romão Lacerda, continuará. Para corrigir o rumo do que dele se conhece, colocar em lugar de destaque este personagem leopoldinense, falar da numerosa e atuante descendência que deixou e, lembrar os 200 anos das primeiras sesmarias concedidas nas terras por onde corre o Feijão Cru. Aguardem!

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Fontes consultadas:

1) Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, data na lápide no túmulo. Arquivo Público Mineiro CX 07 DOC 07, Mapa da População de Além Paraíba – 1831, fam 117 e CX 03 DOC 06, 1835-38 e CX 03 DOC 04, 1843, Mapa da População do Feijão Cru, 1835 fam 131 fls 21; 1843 fam 156.

2) CASTRO, Celso Falabella de Figueiredo. Os Sertões de Leste: Achegas para a história da Zona da Mata. Belo Horizonte:  Imprensa Oficial, 1987. fls 69.

3) Arquivo Público Mineiro CX 07 DOC 07, Mapa da População de Além Paraíba – 1831, fam 117.

4) Arquivo Público Mineiro CX 03 DOC 06, 1835-38 e CX 03 DOC 04, 1843, Mapa da População do Feijão Cru, 1835 fam 131 fls 21; 1843 fam 156.

5) Arquivo Público Mineiro PP1 Cx 44 Pacote 30, Qualificação de eleitores do Feijão Cru em janeiro de 1851 nr 263.

6) Livro de Juramento e Posse de Vereadores em Leopoldina – 1º livro, fls 3-verso.

7) Arquivo Público Mineiro TP 114 Registro de Terras de Leopoldina 1856, nr 9

8) MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais. Ouro Preto: s.n., 1864-1875. 1875 – fls 452.

9) REZENDE, Francisco de Paula Ferreira. Minhas Recordações. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. p. 369.

10) Cemitério Público de Leopoldina (1880-1887) fls 13 sep 393.

11) MATHIAS, Herculano Gomes. Um Recenseamento na Capitania de Minas Gerais: Vila Rica – 1804. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1969. p. 108.

12) Arquivo do Fórum de Mar de Espanha, ano 1846, inventário de Ana Severina de Oliveira Castro, caixa 1

13) Arquivo Público Mineiro CX 03 DOC 04 Mapa da População do Feijão Cru, 1843 fam 156.

14) Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lápide do túmulo.

15) O Globo – jornal do século XIX Rio de Janeiro, 1877 5 jan, ed 5, p. 3 e 1877 8 jan, ed 8 p. 4.

16) Almanaque da Província de Minas Gerais. Ouro Preto: s.n., 1864-1875, 1875 – fls 451.

17) MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais. Ouro Preto: s.n., 1864-1875, 1875 – fls 451.

18) O Estado de Minas Geraes Ouro Preto, MG. 1891 11 abril ed 145 p 4.

19) Diário Oficial da União, 1897 10 dez seção 1 p. 4.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 336 no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2017

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 81 – Maria da Glória, filha de Antonio Teodoro de Souza Carneiro

Como ficou dito no artigo anterior, o Trem de História segue viagem pela família de Antonio Teodoro de Souza Carneiro e Amanda Malvina de Andrade. Hoje trazendo a sua filha Maria da Glória Carneiro, nascida na Freguesia de São José do Rio Preto.

Maria da Glória casou-se[1] com o viúvo Achilles Hercules de Miranda, em 14 de outubro 1886 em Leopoldina (MG) e desta união foram testemunhas o Dr. Francisco de Paula Ramos Horta Júnior e Valério Ribeiro de Rezende.

Ele nasceu em Nova Friburgo (RJ) e casou-se em primeiras núpcias com Adelaide Amélia Meira.

As fontes consultadas indicam que em 1877 foi convocado[2] para exame preparatório ao Imperial Colégio Pedro II. Dez anos depois ele aparece como professor do Atheneo Leopoldinense[3] fato que pode indicar ter vivido naquela cidade antes de chegar a Leopoldina.

Mas dúvidas ainda persistem relativamente a este período de sua vida. E uma delas é saber de onde ele teria vindo para Leopoldina.

Há informação de que lecionou no Instituto Lafaiete, no Rio de Janeiro e o Almanak Laemmert[4] registra ter sido ele proprietário do Colégio São Sebastião, em Leopoldina, na década de 1920. Entretanto, sobre esta instituição não se foram encontradas outras referências além do fato de ter existido uma de mesmo nome em um distrito de Palma.

Mas se os fatos não esclarecem as dúvidas, certamente podem indicar ter começado com Achilles a longa ligação de descendentes seus com as áreas da educação e cultura da região, como se verá adiante.

Maria da Gloria Carneiro e Achilles Hercules de Miranda tiveram, em Leopoldina (MG), os filhos:

– Nelson, nascido[5] em 1887, que teve como padrinhos de batismo os avós maternos Antonio Teodoro de Souza Carneiro e Amanda Malvina de Andrade Carneiro;

– Maria, nascida[6] em 1888, cujos padrinhos foram José de Andrade Carneiro e Lucia Amanda Carneiro, sua tia materna;

– Ruy de Miranda, nascido[7] em 1889, tendo como padrinhos João Luiz Guilherme Gaëde e Francisca das Chagas Andrade. João Luiz era irmão de Eugênio do Rosário Gaëde que batizou Achilles, irmão de Ruy. Segundo informação de familiares, Ruy se casou em Cataguases por volta de 1912 com Maria Passeado de Miranda e com ela teve os filhos: Ruymar, Namur, Ruyter e Ruth. Ruymar, que adotou o sobrenome do marido, nasceu em 1913. Era professora e escritora com nome incluído no Dicionário crítico de escritoras brasileiras de Nelly Novaes, publicado pela Academia Mineira de Letras. Casou-se com Joaquim Branco Ribeiro e teve com ele os filhos: Joaquim, Pedro e Aquiles. Os filhos Joaquim e Pedro, também são escritores. Ruy foi escrivão do cartório do crime em Cataguases;

– Achilles, nascido[8] no dia 1901, teve como padrinhos de batismo Eugênio Gaëde e Sophia Georgina Gaëde. Tudo indica que o nome correto do padrinho seria Eugênio do Rosário Gaëde e o da madrinha, provavelmente, Clara Sophia Adolphina Gaëde de Carvalho, uma professora pública em Cataguases que foi transferida[9] para Leopoldina em 1882. O último sobrenome da madrinha seria o de sua própria família e o Gaëde adotado do marido Eugênio; e,

– Dinah, nascida[10] no dia 19.07.1906, teve como padrinhos Martinho Campos Guimarães e Catarina Augusta da Cruz.

Segundo seu neto Joaquim Branco Ribeiro Filho, Achilles Hercules teria deixado outros filhos do primeiro casamento que residiam possivelmente no estado do Rio de Janeiro.

Sabemos, ainda, que Achilles Hercules de Miranda foi alistado como eleitor em Juiz de Fora[11] em 1896 e que em fevereiro de 1900 foi nomeado[12] Diretor Comercial e de Disciplina do Colégio Santa Cruz, ex-Andrés, também em Juiz de Fora. No mesmo ano ele atuou[13] como examinador dos alunos da escola pública do professor Marçal Benigno, em Piau, cidade da qual se retirou em dezembro de 1900 para estabelecer[14] colégio em Leopoldina. Não conseguimos descobrir que colégio teria sido este. Em março de 1902 foi nomeado[15] pelo governo estadual para o cargo de Partidor-Distribuidor da Comarca de Leopoldina.

E o Trem de História faz nova parada. Agora, para reunir carga e trazer um novo personagem leopoldinense que aguarda a vez para sair da gaveta do esquecimento.

Aguardem.


Fontes Consultadas:

1 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 1 cas fls 160 termo 120

2 – Jornal da Tarde, Rio de Janeiro, 11.09.1877, edição 158 p. 2

3 – Cidade de Cataguazes (Cataguases), 31 março 1887,  ed 20 p. 3.

4 – LAEMMERT, Eduardo e Henrique. Almanak Laemmert. Rio de Janeiro: 1916 p. 3147

5 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 2 bat fls 192 termo 1785.

6 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 3 bat fls 42 termo s.nº.

7 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 3 bat fls 135

8 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 9 bat fls 58 termo 9

9 – Relatório de Antônio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, p. 24

10 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 11 bat fls 40v termo 215

11 – Correio de Minas (Juiz de Fora ), 12 julho 1896, ed 49 p. 3.

12 – O Pharol (Juiz de Fora,), 27 fev 1900, ed 203 p. 2.

13 – idem, 30 nov 1900, ed 68 p. 2

14 – idem 30 dez 1900, ed 85 p. 2

15 – Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), 11 de março 1902, ed 70 p. 2.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 335 no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2017

 

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80 – Juvenal Carneiro, o filho mais conhecido de Antonio Teodoro.

O Trem de História está de volta. E como foi prometido no artigo anterior, trazendo Juvenal Lúcio de Andrade Carneiro ou, simplesmente Juvenal Carneiro, o nome mais conhecido e referenciado dentre os filhos de Antonio Teodoro de Souza Carneiro e Amanda Malvina de Andrade

Segundo Luiz Eugênio Botelho[1], Juvenal era mineiro nascido em São José do Rio Preto em 1871, mesma informação constante do livro Do Lombo de Burro ao Computador, publicado por seu filho Erymá.

Por volta de 1890, foi para o Rio de Janeiro onde fez o curso de guarda-livros no Liceu de Artes e Ofícios. Por esta época, final do século XIX, sua família já estava em Leopoldina para onde ele se transferiu ao terminar o curso.
Em 1896 casou-se[2] em Leopoldina com Honorina Antunes Vieira, filha de Honório Antunes Pereira (1854 – 1936), o criador da Sauvicida Agapeama e, Maria Balbina Vieira de Rezende (1860 – 1932)[3].

Em 1926, Honório Antunes Vieira demonstrou a ação do Sauvicida Agapeama na Quinta da Boa Vista, com a presença do Vice-Presidente da República. Nesta época, a empresa que produzia este defensivo agrícola tinha como sócios, além do inventor do produto, Augusto Ferreira Ramos, Juvenal Carneiro, Carlos Pacheco Filho, Zilda Pires Carneiro e Alvaro Alberto Margarido Pires. [4]

Juvenal é frequentemente lembrado por ter dado aos filhos nomes de forma a que as iniciais homenageassem a província de MINAS GERAES, na grafia da época. Mas a intenção não se concretizou, ficando faltando a última letra S.

São filhos do casal: Moacyr; Ierecê; Nahumá (duas do mesmo nome); Aracy; Suikire; Guaraci; Erymá; Rudá; Apalaís; e, Erundy (as duas últimas, gêmeas).

Sobre estes filhos, Oswaldo de Rezende, em Genealogia dos Resendes informa que Moacyr c.c. Zilda Margarida Pires; Ierecê Carneiro de Almeida c.c. Manoel José da Silva Almeida; Nahumá  c.c. Jeová Batista de Sousa (médico); Araci Antunes Carneiro c.c. Jaci Soares (advogado) natural de Rio Pomba; Suiquire Carneiro (médico) c.c. Neréa Costa; Guaraci c.c. Guaraci Medeiros; Erymá  (advogado) c.c. Diva Mascarenhas (cas.1) e Rose Espíndola (cas.2); Rudá c.c. Ernani Paturi Monteiro; Apalaís; e, Erundi c.c. Ademar Vaz de Carvalho.

Através de outras fontes, sabe-se que o filho Moacyr, nascido[6] em 1896, foi bancário e autor dos livros Octagenário e A Bondade do Meu Avô; Ierecê[7], nascida em 1898, segundo o livro do irmão Erymá foi a primeira moça da pequena burguesia local a trabalhar no comércio, como escriturária do Banco Ribeiro Junqueira; Erymá formou-se em advocacia e contabilidade e foi professor universitário, ex-diretor de Contabilidade do Estado de Minas Gerais, consultor do Sindicato de Contabilistas do Rio de Janeiro, fundador e ex-presidente do Instituto de Organização e Revisão de Contabilidade, conforme Joaquim Custódio Guimarães em seu trabalho sobre os Escritores Leopoldinenses; e, Suikire, médico que exerceu a chefia do ambulatório de crianças do Hospital São João Batista da Lagoa e chefe da enfermaria de crianças do Hospital da Cruz Vermelha. Publicou os livros Roteiro das Mães e, O Cristianismo do Cristo.

Luiz Eugênio Botelho, já citado, declarou que o professor Juvenal Carneiro se tornara figura de destaque nos meios sociais leopoldinenses pela sua honradez, capacidade de trabalho e pelo seu espírito de iniciativa. Foi professor de geografia e de contabilidade comercial no Ginásio Leopoldinense.

Ainda segundo Erymá, Juvenal foi proprietário de duas escolas: Curso Comercial Afonso Vizeu para os rapazes e Curso Comercial Rodolfo de Abreu, para as moças, ambos na Rua Cotegipe, em Leopoldina, quase em frente à residência da família.

Escreveu as seguintes obras: Geografia; Aritmética Comercial e Tratado Prático de Máquinas de Escrever e Calcular, publicado em 1920; O Guarda-Livros Prático; e, Tratado de Contabilidade, em 6 volumes, sendo 4 publicados em vida e 2 póstumos. E, em parceria com o filho Erymá Carneiro, escreveu Do Lombo de Burro ao Computador, e, Contabilidade Bancária.

Foi tenente do 4º Esquadrão do 5º Regimento da Guarda Nacional de Leopoldina[8]. Durante quinze anos trabalhou como contador da Casa Bancária Ribeiro Junqueira, Irmão & Botelho (depois Banco Ribeiro Junqueira)[9] e como guarda-livros da Casa de Caridade Leopoldinense.

Ao transferir-se para o Rio de Janeiro, lecionou no Instituto Lafayete[9] e participou ativamente dos assuntos de interesse dos contabilistas cariocas.

Faleceu, no Rio de Janeiro (RJ) em 1931, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.

Hoje, Juvenal Carneiro empresta seu nome a uma via pública de Leopoldina que, partindo da Rua Vinte e Sete de Abril, em frente ao prédio da antiga fábrica de tecidos, segue na direção do Córrego do Feijão Cru e Rua Manoel Lobato.

Por hora a carga está de bom tamanho. O Trem de História faz mais uma parada para reabastecimento, mas promete seguir viagem e trazer uma filha de Antonio Teodoro de Souza Carneiro, Maria da Glória, na próxima edição. Até lá!


Fontes Consultadas:

1 – BOTELHO, Luiz Eugênio. Leopoldina de Hoje… e de Ontem. 1 ed. Leopoldina: do autor, 1967.  p. 134

2 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 2 cas fls 135v termo 20.

3 – REZENDE, Oswaldo. Genealogia das Tradicionais Famílias de Minas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1969. p. 80 nº 10.

4 – O Paiz (Rio de Janeiro), 10 set 1926, ed 15301 p. 4 e Jornal do Commercio (Rio de Janeiro) 12 dez 1926, ed 355, p. 14

5 – CARNEIRO, Erymá. Do Lombo de Burro ao Computador. Rio de Janeiro, 1976 p.15

6 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 06 bat fls 181v termo 677

7 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 08 bat fls 51v termo 90.

8 – Diário Oficial da União, 1897 10 dez seção 1 p. 4

9 – CARNEIRO, Erymá. Do Lombo de Burro ao Computador. Rio de Janeiro, 1976, p.18 e 56

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 334 no jornal Leopoldinense de 1 de julho de 2017

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79 – Antonio Teodoro de Souza Carneiro

O Trem de História de hoje traz mais um personagem pouco lembrado na cidade: Antonio Teodoro de Souza Carneiro. Resgatar a sua história e de parte da sua família é o objetivo.

Embora o livro do neto Erymá[1] não contenha menção à sua passagem pela cidade, pois cita apenas que a viúva Amanda foi proprietária de uma pequena loja de armarinho  em Leopoldina, é certo que Antonio Teodoro era negociante[2] em Leopoldina em 1885. A confirmar tem-se a informação de que por volta de 1880 era proprietário[3] do Hotel Carneiro, situado na Rua Primeiro de Março, em Leopoldina. Conforme dissemos em nosso livro Nossas Ruas, Nossa Gente, a rua Primeiro de Março chamou-se anteriormente rua Direita e compreendia as atuais Gabriel Magalhães e Lucas Augusto.

É sabido, também, que em agosto de 1878 foi eleito[4] vereador e em 08.03.1881 era 1º suplente[5] em Leopoldina. Entre 1885 e 1887 tinha negócios em Itapiruçu, atualmente município de Palma (MG), na época ainda distrito de Leopoldina. Informação que se confirma com o instrumento público de 24 de setembro de 1887, onde ele nomeia procurador[6] para solucionar pendência no Rio de Janeiro.

O que ainda não se tem documentado é de onde teria vindo. Embora tudo leve a crer na possibilidade de ter aqui chegado procedente do interior do estado do Rio de Janeiro ou mesmo da “Corte”, como era conhecida a atual capital daquele estado.

Sabe-se que Antonio Teodoro casou-se a primeira vez com Maria Madalena Coimbra e dessa união teve dois filhos que teriam nascido em Santo Antônio de Pádua. Em segundas núpcias uniu-se a Amanda Malvina de Andrade, com quem teve filhos nascidos em Leopoldina a partir de 1877, sendo que os três mais velhos haviam nascido na Freguesia de São José do Rio Preto. Ainda não foi esclarecida qual seria esta Freguesia de São José, já que as informações são conflitantes, ora remetendo para São José das Três Ilhas que também se chamou São José do Rio Preto, ora para o atual município de Rio Preto (MG) ou cidades vizinhas, na bacia do Rio do Peixe. O neto Erymá informa que o pai dele, Juvenal Carneiro, teria nascido no Turvo que é a atual cidade de Andrelândia (MG), próxima a Rio Preto (MG).

Dentre os nascidos em São José do Rio Preto estaria Maria da Glória Carneiro, segunda esposa de Achilles Hercules de Miranda, casal que se abordará adiante. E Juvenal Carneiro, que se casou com Honorina Antunes Vieira e durante muitos anos viveu e trabalhou em Leopoldina, de quem também se ocupará oportunamente.

Antonio Teodoro e Maria Madalena Coimbra tiveram os filhos: José de Andrade Carneiro nascido por volta de 1866; e, Clara Clarinda Carneiro nascida em Santo Antonio de Pádua (RJ) e falecida antes de 1894 c.c. Luiz Henrique Delfim e Silva[8] em 1879. Luiz Henrique nasceu em 1858 em Leopoldina e faleceu[9] em 1930 no distrito de Ribeiro Junqueira. Era filho de Henrique Delfim Silva e Floriana Inocência de Souza Werneck, sendo neto materno de Ignacio de Souza Werneck e Albina Joaquina de Lacerda, formadores da fazenda Benevolência, nas proximidades da antiga estrada para Cataguases.

Do segundo casamento com Amanda Malvina, Antonio Teodoro teve os filhos: Juvenal Lúcio de Andrade Carneiro, nascido[1] em 1871; Maria da Glória Carneiro; Alice Carneiro; Antonio nascido por volta de 1877 e falecido[10] em 1882, em Leopoldina como os seus irmãos mais novos; Teolinda nascida[11] em 1880; Flausina nascida em 1881 e falecida[12] em.1882; Gabriel nascido em 1882 e falecido[13] em 1883; Ubaldina nascida[14] em 1884; Maria das Mercês nascida[15] em 1886; e, Lúcia Amanda nascida[16] em 1887.

Antonio Teodoro faleceu[17] em Angaturama, município de Recreio (MG).

Por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo Jornal ele continuará com a família do Antonio Teodoro. Trará a história e a família de Juvenal Carneiro.

Aguardem!


Fontes consultadas:

1 – CARNEIRO, Erymá. Do Lombo de Burro ao Computador. Rio de Janeiro, 1976 p.10

2 – Almanaque de Leopoldina, (Leopoldina: s.n., 1886), fls 88

3- RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: particular, 2004. fls 130

4 – A Actualidade (Ouro Preto) 02.10.1878, Ed. 101, p. 1

5 – Livro de Juramento e Posse de autoridades diversas – 1877-1894, fls 10verso

6 – Cartório de Notas de Itapiruçu – 01 a 10/1887, fls 42

7 – Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, Alistamento Eleitoral de Leopoldina século XIX.

8 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 1 cas fls 23 termo 56

9 – Cemitério de Ribeiro Junqueira, Leopoldina, MG, datas de nascimento e óbito na lápide do túmulo.

10 – Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887) (Livro 1880-1887), folhas 10 sepultura 241

11 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 20 termo 177

12 – Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887) (Livro 1880-1887), fls 7 sep 185. E O Leopoldinense (Leopoldina, MG, 1879 – ?), 1882, ed 3, 8 de janeiro, p. 3

13 – Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887) (Livro 1880-1887), fls 12 sep 379

14 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 112 termo 1057

15 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 148v termo 1422

16 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 03 bat fls 12v termo ordem 102

17 – Gazeta de Leopoldina, 13 fev 1893, ed 43, , p. 3, proclama de casamento do filho indica o local

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 333 no jornal Leopoldinense de 16 de junho de 2017

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78 – A família de Hamilton Vasconcelos

Como na música Encontros e Despedidas do genial Milton Nascimento, “São só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida….” O Trem de História segue hoje a mesma viagem com o mesmo Hamilton Vasconcelos da viagem anterior.

Em pesquisas realizadas no Cartório de Piacatuba, chegou-se ao registro e ao processo de casamento de Hamilton com Arlete Barbosa. Verificou-se que em 1943 ele atuou como Escrevente Juramentado e Autorizado do Registro Civil, sendo substituído no dia 13 de agosto daquele ano pelo Escrivão Fabio Tavares Rocha.

Sua esposa, Arlete, era filha de Eduardo Pires Barbosa e Francisca Barbosa de Moraes, nascida no dia 05 julho de 1905. E eles se casaram no dia 02 de maio de 1925.

Hamilton faleceu no dia 20 de agosto de 1964, em Leopoldina, onde foi sepultado.

Quanto aos seus antepassados, sabe-se que seu pai, Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos, era filho de Guilherme Alberto de Vasconcelos e Engracia Adelaide Lopes. O casal que teve pelo menos mais um filho, além de Francisco Alberto, de nome Emílio, o qual se casou com Maria Lacerda de Castro no dia 19 de maio de 1923 em Leopoldina, MG[1]. Ela, filha de Inácio de Lacerda Leal e Honorina de Castro Lacerda.

Vale lembrar que Maria Lacerda era viúva de Teodolindo Rodrigues, filho de Paulino Augusto Rodrigues e Umbelina Cândida de Gouvêa. Segundo informações orais ainda não confirmadas, Maria e Emilio Vasconcelos residiram na Laginha, no distrito de Piacatuba, possivelmente em terras da Fazenda do Banco que pertenceu a Paulino Rodrigues.

Segundo anotações que serviriam de base para o registro civil de um de seus filhos, Francisco Alberto casou-se em Rio Claro, RJ, com Ana Francisca Nunes, filha de José Nunes Muniz e Laurinda Ferreira.

Francisco Alberto foi Escrivão em Piacatuba e as mais antigas referências sobre ele datam de 1897. Segundo os livros de registro do Cartório, diferentemente das informações orais que se obteve, Francisco Alberto não foi o primeiro oficial daquele tabelionato, instalado em 15 de dezembro de 1888. Na verdade o primeiro a ocupar o cargo foi Apolinário José de Carvalho e pelo menos mais duas pessoas antecederam a Francisco Alberto. Em 1896 o Escrivão era Emílio Guimarães e no ano seguinte era Adolpho Hufnagel. E o primeiro lançamento assinado por Francisco Alberto é de 05 de setembro de 1897.

Quanto aos seus descendentes, sabe-se apenas que Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes tiveram os seguintes filhos nascidos em Piacatuba: Oscar, nascido[2] em 1899; Hamilton, nascido[3] em 1902; Otacilio, nascido[4] em 1903; Tacito, nascido[5] em 1904; e, Cícero, nascido[6] em 1908. Além destes, teriam sido pais de Engracia, falecida[7] em Ribeiro Junqueira em 1897.

O trem de história fica por aqui. No próximo Jornal tem mais. Aguardem.


Fontes:

[1] Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 4 cas fls 328 termo 30.

[2] idem, lv supl bat Piacatuba fls 142v termo 1093.

[3] Cartório de Registro Civil de Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 6 cas, folhas 7.

[4] Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv supl bat Piacatuba fls 164 termo 1191.

[5] idem fls 182 termo 1381.

[6] Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 03 bat fls 16.

[7] Cartório de Registro Civil de Ribeiro Junqueira, Leopoldina, MG, lv 2 óbitos fls 44.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 332 no jornal Leopoldinense de 1 de junho de 2017

 

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77 – Hamilton Vasconcelos , o fotógrafo.

O trem de história segue hoje para uma nova viagem. No seu contínuo embarque e desembarque de personagens que fizeram a história da cidade, prepara-se para falar de um destacado fotógrafo leopoldinense. Mas antes de recepcioná-lo no vagão, percorre um pouco os caminhos trilhados pela fotografia no Brasil.

O primeiro percurso desta viagem lembra que as primeiras imagens fotográficas no país datadas de 1832, foram tomadas por Hércules Florence[1], considerado por isto o pioneiro da fotografia no Brasil. Aliás, o país é um dos pioneiros em fotografia, graças principalmente ao imperador D. Pedro II, um grande apreciador da arte desde jovem, que em 1840 adquiriu em Paris um daguerreótipo[2] e fez muitas imagens. Outros fotógrafos ficaram famosos no Brasil como Buvelot, Prat, e Victor Frond [3] e o mais destacado, Marc Ferrez[4], foi o profissional que retratou muitas paisagens brasileiras e nos deixou uma obra de inestimável valor.

Sobre Ferrez é justo lembrar que, nascido no Rio de Janeiro, abandonou os estudos em Paris e voltou ao Rio onde trabalhou como gravador e litógrafo. Participou de uma expedição científica da Comissão Geológica do Império do Brasil, quando fotografou pela primeira vez, em plena selva, os índios botocudos (1875). Sua obra se destacou pelo registro da natureza do país e da transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX.

E foi na época retratada por Ferrez que nasceu[5], no dia 26 de janeiro de 1902, em Piacatuba, município de Leopoldina, filho de Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes o personagem desta viagem: Hamilton Vasconcelos. Sua trajetória na arte fotográfica não ficou restrita ao município de Leopoldina, tendo trabalhado também em municípios vizinhos.

Em 1925, Hamilton já exercia a profissão que abraçara. Segundo informações de seu filho Joaquim Barbosa Vasconcelos, Hamilton “foi um autodidata, interessando-se e aprimorando cada vez mais a arte que abraçou. Entre seus clientes estavam muitos italianos”.

Joaquim recorda que na época

“em Leopoldina havia apenas dois fotógrafos, mas meu pai, pela qualidade de seu trabalho, era sem dúvida o mais requisitado. Até 1962 ele exerceu sua profissão, sendo interrompido apenas durante a segunda guerra mundial, porque todo o material fotográfico era importado da Alemanha. Na maioria de suas fotos ele assinava ‘Foto Hamilton’. Desenvolveu uma técnica impressionante para retocar os negativos, do qual tirava todos os defeitos, como se fosse um Photoshop[6] hoje”.

É ainda do filho Joaquim a informação de que a família teria se transferido para Leopoldina em 1941, para que o fotógrafo pudesse dispor de um espaço melhor e mais adequado para instalar o seu laboratório.

Hamilton Vasconcelos teve grande importância e valor na sua cidade natal e na região. Entre as imagens que nos legou encontram-se as que enfeitam a imaginária “plataforma” desta parada.


Notas:

[1] O francês Antoine Hercules Romuald Florence chegou ao Brasil em 1824 e estabeleceu-se em Campinas (SP) onde realizou uma série de invenções e experimentos. Era pintor e naturalista. Em 1833 fotografou, através de câmera escura, com uma chapa de vidro sobre papel sensibilizado para a impressão por contato.

[2] É um processo de reprodução de imagem criado pelo francês Louis-Jacques~Mandé Daguerre em 1839. Um processo que utilizava uma camada de prata, aplicada sobre uma placa de cobre e sensibilizada em vapor de iodo. Foi empregado no Brasil até por volta de 1870.

[3] LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia. Fotografia do Século XIX. Rio de Janeiro: Capivara Editora, 2008. p.30.

[4] Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843 e faleceu na mesma cidade em 1923. Trabalhou como gravador e litógrafo. Aprendeu fotografia e tornou-se um fotógrafo com obras premiadas no exterior. Recebeu do Imperador o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa. Registrou a transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX. Um álbum de fotografias 1906-1907 sobre a arquitetura da avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, é sua obra mais conhecida.

[5] Cartório de Registro Civil de Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 6 cas fls 7.

[6] Photoshop é o nome comercial de um software desenvolvido pela Adobe Systems Incorporated para edição de imagens.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 331 no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2017

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150 anos de um leopoldinense ‘açoriano’

No mês em que se comemora o sesquicentenário de nascimento de Manoel Botelho Falcão V, seu terceiro neto Caio Botelho Falcão localizou mais uma informação para ampliar o conhecimento da família. Trata-se do registro de nascimento de Francisco Botelho Falcão Sobrinho, o açoriano que chegou a Leopoldina na segunda metade no século XIX, deixando enorme descendência no município. Francisco, o pai de Manoel V, nasceu em 1825.

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73 – Martins de Almeida – Seus antepassados – III

Como ficou registrado na coluna anterior, os Martins Ferreira construíram grande patrimônio na nossa região. Mas em virtude das subdivisões efetivadas em mais de um século e meio, desde que os Martins Ferreira por aqui se estabeleceram, a exata localização de suas terras nem sempre é facilmente identificada.

Uma das pistas para facilitar a compreensão é de 1869, quando Joaquim Martins Ferreira e sua mulher Maria Esméria de Carvalho arrendaram[1] uma casa, rancho e pasto, no Sítio Retiro à margem da estrada de Leopoldina para Porto Novo do Cunha, em terras que pertenciam à Fazenda Degredo. Diz o registro desse contrato de arrendamento que a propriedade fazia divisa com Manoel Domingues, sesmaria dos Rochas, José de Rezende Monteiro, José Maria Manso da Costa Reis, José Cesário Monteiro de Miranda Ribeiro, Romualdo Batista Monteiro Nogueira da Gama, Francisco de Assis Manso da Costa Reis, Manoel Vidal Leite Ribeiro e Felicidade Perpétua do Sacramento Leite.

Pelo que se pode apurar na comparação com as propriedades destes vizinhos, a região marcava a divisa do distrito de Angustura com o território que mais tarde viria a constituir o distrito de Providência. Na época, toda esta área era território de Leopoldina.

Quase vinte anos depois, quando Angustura foi transferida para Além Paraíba (MG), as terras dos Martins Ferreira ficaram na divisa entre Leopoldina e aquele município, sendo que em 28 de agosto de 1888 a Fazenda Araribá foi confirmada[2] como pertencente a Leopoldina (MG), conforme indicam os mapas publicados em 1926 e 1927 nos quais são indicadas as fazendas da família que destacamos na imagem.

Félix Martins [neto] foi eleito vereador em Leopoldina em 1876 e em 1881. Foi casado com Heliodora Pinheiro Corrêa de Lacerda, citada em alguns locais como filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, embora o nome do irmão deste, Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, seja o que aparece no assento paroquial como pai da menina Heliodora, nascida[3] 07.01.1858 e batizada no dia 20 de março do mesmo ano.

Heliodora e Félix tiveram, pelo menos, 6 filhos: Rafael, nascido por volta de 1870 e falecido[4] em Leopoldina no dia 06 de março de 1904; Jorge, nascido[5] 18.02.1880; Maria Magdalena, falecida[6] no Rio de Janeiro em dezembro de 1980; Georgina, a mãe de Francisco Martins de Almeida, Joaquim Martins Ferreira, homônimo do avô paterno e, Lafayette Martins Ferreira.

Félix expandiu seus negócios para fora do município de Leopoldina e em 1889[7] foi incorporador de um banco de auxílios na Capital mineira com uma caixa filial em Leopoldina. Em 1891 foi um dos acionistas[8] do Banco de Leopoldina. Suas atividades agrícolas levaram-no a participar das discussões sobre contratação de imigrantes como, por exemplo, quando ocorreu uma reunião[9] para decidir sobre imigração chinesa e japonesa para Minas Gerais em 1893. No ano seguinte[10] requisitou imigrantes italianos para sua fazenda em Leopoldina e em 1895 propôs vender terras ao Estado[11] para a fundação do Instituto Agronômico criado em Leopoldina.

Félix Martins Ferreira [neto] faleceu em fevereiro de 1901, em Conselheiro Lafaiete, MG, conforme nota do jornal O Paiz[12].

O Trem de História encerra aqui a série de artigos sobre Martins de Almeida, embora reconheça que ele merece trabalho mais acurado. Mas as viagens continuarão. No próximo Jornal lembrando os italianos da Colônia Agrícola da Constança. Aguardem.


Fontes Consultadas:

[1] 4º Livro do Cartório de Notas de Madre de Deus do Angu 1866-1870, fls 136.

[2] Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro, Lei 3587.

[3] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv1  bat fls 31 reg. 162.

[4] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 1904-1920 fls 1 reg 41 sep 1073.

[5] Arquivo da Diocese de Leopoldina,  lv 2 bat fls 22verso termo 198.

[6] Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 18 dez 1980, ed. 254, 1º caderno, p.24.

[7] Diário de Minas, Outro Preto, MG, 1 out 1889,  ed 453 p.2.

[8] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 11 abr 1891 ed 145 p.4.

[9] O Pharol, Juiz de Fora, MG), 11 jan 1893 ed 9 p. 2.

[10] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 1 nov 1894 ed 295 p. 2.

[11] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 30 abr 1895 ed 114 p. 1.

[12] O Paiz, Rio de Janeiro, RJ), 9 fev 1901, p. 5.

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 328 no jornal Leopoldinense de 1 de abril  de 2017

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72 – Martins de Almeida: seus antepassados – II

A viagem segue recordando que Martins de Almeida era neto, pelo lado materno, de Félix Martins Ferreira e de Heliodora Pinheiro Correa de Lacerda. E pela linha paterna, neto de Francisco José de Almeida e Maria Cândida, moradores do Lamim, então distrito de Conselheiro Lafaiete (MG), que por volta de 1924 tiveram seus bens partilhados, possivelmente por falecimento de ambos.

Sobre Félix Martins Ferreira[1], consta que foi o doador do terreno onde está a praça Félix Martins, no centro da Cidade, conforme  escritura de doação arquivada no Cartório do 2º ofício Judicial de Leopoldina, fato que merece um comentário.

Surgiram algumas dúvidas, quando iniciamos as pesquisas sobre os primeiros moradores do Feijão Cru, tornando-se imperioso buscar informações adicionais para entender o que ocorrera no início da ocupação. Uma destas dúvidas se refere exatamente à doação feita por Félix Martins porque a Lei de Uso do Solo da época previa cessão de terreno para construção de moradia pela municipalidade, sem contudo haver cessão do direito de propriedade. Sendo assim, conclui-se que não se deveria dizer que Félix Martins Ferreira doou o terreno para o parque (Praça Félix Martins), mas que ele devolveu à municipalidade uma parte do terreno que lhe fora cedido, o que não lhe tira o mérito de ter contribuído para que a cidade tivesse um belo espaço para convívio social.

Mas este é um assunto ainda inconcluso porque depende de mais consultas aos documentos que constituem o arquivo permanente da cidade e que estão em poder do Registro de Imóveis, o que não foi possível até o momento.

Mas é fato que Félix Martins Ferreira era fazendeiro em Angustura, vivendo na fazenda Araribá, onde nascera[2] em 1852, filho de Joaquim Martins Ferreira, nascido a 15.12.1806, em São João del Rei e falecido no Rio de Janeiro aos 29 de setembro de 1880[3] e, de Maria Esméria de Carvalho Leite. O nosso Félix Martins Ferreira era neto paterno de outro do mesmo nome, natural de Cassiterita (MG), onde nasceu aos 2 de setembro de 1762 e faleceu aos 13 de outubro de 1808, sendo filho do português André Martins Ferreira que deixou larga descendência na Comarca do Rio das Mortes, antiga divisão administrativa de Minas Gerais que tinha São João del Rei como sede.

Segundo cópias de documentos gentilmente fornecidas pelo bisneto Humberto Luiz Martins Ferreira, Joaquim fez partilha de seus bens provavelmente antes de se transferir para o Rio de Janeiro. Para o filho homônimo deixou a fazenda do Macuco, para Félix, a fazenda do Araribá, para Lindolfo, Gabriel e Francisco deixou a fazenda do Degredo. Francisca, Ernestina e Carlos receberam suas partes em dinheiro. As fazendas Macuco e Araribá, juntas, constituíam uma sesmaria de 333 alqueires de terra. A fazenda do Degredo equivalia a outra sesmaria.

Ressalte-se, a propósito, que as propriedades acima citadas já estavam sob administração dos filhos indicados desde, pelo menos, a década de 1880.

Ainda segundo informes de Humberto, Joaquim Martins Ferreira era analfabeto. Transferiu-se para a zona da mata para “abrir valas” ou divisas, por uma pataca (400 réis) a braça. Desenvolveu, no entanto, diversas atividades que lhe permitiram ampliar os negócios e deixar um bom patrimônio para os filhos. Foi acionista da Leopoldina Railway, de cuja diretoria fazia parte seu filho Carlos, advogado e Comendador da Ordem da Rosa.

A mãe de Félix Martins Ferreira (neto), Maria Esméria, nasceu na fazenda das Pedras, em Quatis, Barra Mansa, RJ, segundo nos informou Humberto Martins Ferreira. A família formada por Joaquim e Maria Esméria teve papel de destaque não só em Angustura como em Leopoldina. Os filhos do casal atuaram de forma decisiva no processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalhador livre, através do Club da Lavoura, fundado em 1884.

A carga sobre os antepassados de Martins de Almeida não se esgotou. Mas o Trem de História faz uma pausa. Voltará na próxima edição para continuar a viagem. Até lá.


Fontes Consultadas:

[1] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: particular, 2004. p. 77.

[2] Igreja Madre de Deus do Angu, Angustura, Além Paraíba, MG. Livro 1 de batismos, fls 66.

[3] Informações colhidas no inventário do pai, fornecidas por Humberto Martins Ferreira.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 327 no jornal Leopoldinense de 16 de março  de 2017

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71 – Martins de Almeida – Seus antepassados – I

Como prometido no artigo anterior, a viagem continua pela família de Martins de Almeida. Hoje, para lembrar os seus antepassados.

Conforme já foi dito anteriormente, Francisco Martins de Almeida era filho do magistrado Dr. Antonio Francisco de Almeida e de Georgina Martins de Almeida, e nasceu em Leopoldina em 07 de janeiro de 1903. A partir do convite para o seu sepultamento[1] no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 30 de julho de 1983, é de se supor que tenha falecido na condição de solteiro. E considerando que a missa de 7º dia foi celebrada na Matriz de N. S. de Copacabana, provavelmente continuava morando na Rua Hilário de Gouvêa, endereço citado nas atas da Comasa – Construtora Martins de Almeida, empresa de engenharia da qual participava com irmãos e outros familiares.

Embora não se tenha encontrado o registro de casamento dos pais de Martins de Almeida – Georgina e Antonio Francisco, uma notícia publicada[2] em 1899 faz crer que o noivado do casal teria sido breve e o casamento se realizara em fevereiro daquele ano. Dois anos depois, o nome do marido aparece ao lado do nome do pai de Georgina na lista de acionistas do Banco de Leopoldina.

Mas a homonímia não nos permite afirmar que Antonio Francisco tenha sido o jovem que recebeu o grau[3] de bacharel em ciências jurídicas e sociais em 1894 e que no ano seguinte foi nomeado[4] promotor de justiça da comarca de Ouro Preto. Entretanto esta informação respalda a notícia do noivado dando conta de que ele era Secretário de Polícia em 1898 e posteriormente foi nomeado para substituir o promotor Francisco de Castro Rodrigues Campos que esteve lotado em Leopoldina até por volta de 1900 sem ter assumido efetivamente o cargo.

O fato é que Georgina Martins Ferreira e Antônio Francisco de Almeida passaram a residir na Fazenda Araribá onde nasceram, pelo menos, dois de seus filhos: Félix Martins de Almeida em 20 de fevereiro de 1902 e Francisco Martins de Almeida em 07 de janeiro de 1903, ambos registrados no Cartório de Providência. E é possível que um filho mais velho, homônimo do pai, também tenha nascido em Providência, da mesma forma que outros quatro: José (1904), Maria Eugênia (1905), Heloisa (1906) e Elza (1907). Poderíamos acrescentar, ainda, Liana Martins de Almeida que aparece em convites fúnebres da família, publicados em jornais do Rio de Janeiro na década de 1980.

Registre-se que o problema para a identificação correta desse grupo familiar advém das diversas mudanças de localização da família. Se na primeira década dos novecentos encontramos referências no Registro Civil do distrito de Providência, em Leopoldina, na década seguinte um dos filhos, Félix, estudava[5] em Barbacena, MG, mas não sabemos se toda a família ali residia. Já nos anos de 1920, a filha Elza estudava[6] no Colégio Granbery, em Juiz de Fora, e em 1924 o endereço[7] da família era Muzambinho, MG.

Depois da passagem por Belo Horizonte, fomos encontrar Francisco Martins de Almeida no Rio de Janeiro, como advogado e sócio fundador da COMASA – Construtora Martins de Almeida, constituída[8] em 25 de fevereiro de 1946 pelos irmãos, com a participação de cunhados e alguns outros parentes.

Esta viagem se tornou exaustiva em razão destas seguidas mudanças, o que obriga o Trem de História a fazer mais uma parada. Mas, fique tranquilo o leitor. Na próxima edição ela prosseguirá com a família Martins de Almeida. Até lá!


Fontes Consultadas:

[1] Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 30 jul 1983, ed 113 p.14.

[2] Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, MG, 14 fev 1899 p.3

[3] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 15 jul 1894 ed 403, p.1.

[4] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 6 mar 1896 ed 426 p.3.

[5] O Pharol, Juiz de Fora, MG, 28 abr 1914 ed 98 p.2.

[6] O Pharol, Juiz de Fora, MG, 11 nov 1925 ed 1064, página 4.

[7] Correio da Semana, Queluz [Conselheiro Lafaiete], MG, 25 set 1924 ed 492 p.3.

[8] Correio da Manhã, Rio de Janeiro, RJ, 29 mar 1946 ed. 15767 p.6.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 326 no jornal Leopoldinense de 1 de março  de 2017

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