Arquivos da categoria: Trem de História

Coluna publicada no jornal Leopoldinense, da cidade de Leopoldina, por Luja Machado e Nilza Cantoni.

111 – As esposas e os filhos de Paulino Rodrigues

 

O Trem de História segue a viagem para reunir esposas e filhos do Paulino Augusto Rodrigues. E começa registrando que ele se casou a primeira vez aos 21.02.1891, com sua prima pelo lado materno, Umbelina Cândida Gouvêa, nascida em 11.11.1871 e falecida em 06.07.1919, com quem teve 14 filhos. Umbelina era a filha mais velha de Luiz José Gonzaga de Gouvêa e de Maria Carolina de Moraes, sendo por esta linha neta de José Vital de Moraes e Umbelina Cassiano do Carmo, avós maternos de Paulino.

Como curiosidade, vale lembrar que com este casamento Paulino tornou-se a um só tempo, genro e sobrinho de Maria Carolina, pois que a mãe de Umbelina era irmã de Mariana, mãe de Paulino.

 Além disso, o cunhado José, irmão de Umbelina e conhecido como Zeca Gouvêa, casou-se com Mariana, filha de Anna Venância da Silva, a segunda irmã mais velha do Paulino, tornando-se também sobrinho de Paulino.

Com a morte da primeira esposa e com filhos ainda pequenos, Paulino contraiu segundas núpcias em 20.11.1919, com Maria José Lacerda (Zezéca), nascida em 01.10.1884 em Providência, distrito de Leopoldina, filha de José Romão Tavares de Lacerda e Luiza Augusta de Lacerda, neta, portanto, de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, um dos pioneiros do Feijão Cru.

Esta segunda união de Paulino permaneceu até o seu falecimento em 20 de setembro de 1947.  Zezéca faleceu em 1980, em Leopoldina.

Ressalte-se que parte destes filhos de fazendeiro, nascidos e/ou criados na zona rural, naturalmente se dedicou na vida adulta a alguma atividade ligada à lavoura e à pecuária. Alguns deles, inclusive, em terras herdadas do pai.

Novamente, por questão de espaço no Jornal, o Trem de História precisa parar por aqui. Mas fica acertado que ele continuará com o mesmo personagem no próximo encontro. Aguardem.


Fontes de Referência;

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 122v termo 1160 e  lv 4 cas fls 166 termo 94.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG,.lv 2 fls 93 plano 1 sep 199 e lv de sepultamentos de 1947, termo 196

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 363 no jornal Leopoldinense de 16 de setembro de 2018

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110 – Os irmãos de Paulino Augusto Rodrigues

 

Nas viagens anteriores, o Trem de História falou um pouco sobre o ambiente onde nasceu Paulino Rodrigues e trouxe para os dias atuais os seus antepassados que estavam esquecidos pela história da cidade. A viagem de hoje traz seus irmãos como passageiros.

Folha da caderneta de Paulino Rodrigues

Mas antes de falar deles é bom lembrar que, em parte pela situação econômica mais cômoda e muito por ser uma característica marcante em diversos parentes, Paulino foi sempre apoio e elo catalisador da família. Traço bem nítido quando se tem conhecimento da existência, entre seus guardados, de caderneta onde anotava nomes de afilhados e datas de nascimento, batismos e casamentos dos parentes que não eram poucos.

A irmã mais velha de Paulino recebeu o nome de Maria, nasceu aos 16 de abril de 1859 e foi batizada dez dias depois, tendo por padrinhos Luiz Ignacio de Moraes e a avó paterna, Ana Bernardina de Almeida. Talvez esta filha tenha falecido na infância, já que não foram encontradas referências sobre ela na idade adulta.

A segunda filha de João Rodrigues da Silva e Mariana Custódia de Moraes foi Ana Venância da Silva, a “Mãe Sinhana”, que ajudou a criar os irmãos. Nascida a 02 de março e batizada a 29 de abril de 1861, sendo seus padrinhos o casal Francisco de Vargas Corrêa Filho e Venância Esméria de Jesus, Ana Venância se casou aos 25 de agosto de 1880 com seu primo João José Machado, filho de Maria Antonia de Jesus e Severino José Machado que era irmão de Ana Bernardina de Almeida, avó paterna da noiva.

João Ignacio da Silva foi o terceiro filho. Ele nasceu a 25 de novembro de 1862 e foi batizado no mês seguinte, sendo padrinhos o avô paterno, Manoel Rodrigues da Silva, e Maria Augusta de Jesus. João Ignacio se casou dia 25 de abril de 1883, em Conceição da Boa Vista, com Maria Clara de Jesus, filha de José Maria Machado Neto e Ana Martinha de Jesus. Faleceu em Leopoldina aos 07 de março de 1907.

Firmino Augusto Rodrigues, o quarto filho, nasceu aos 23 de março de 1867 e foi batizado em maio. Seus padrinhos foram José Maria de Menezes e Ana Paula de Almeida. Casou-se dia 05 de março de 1889 com Francisca de Assis Pires, filha de Joaquim Garcia de Matos e Emerenciana Maria de Jesus.

A seguir, Maria Custódia de Moraes nascida aos 03 e batizada aos 28 de março de 1869, tendo por padrinhos seu tio paterno Ignacio Rodrigues da Silva e sua irmã Ana Venância da Conceição. Casou-se com seu tio materno Germano Rodrigues da Silva.

O sexto filho foi Paulino e, o sétimo, Manoel Ignacio Rodrigues, “Neca”, que se casou com Vitalina Rodrigues de Gouvêa, nascida aos 11 de dezembro de 1875 em Piacatuba, filha de Luiz José Gonzaga de Gouvêa e de Maria Carolina de Moraes. Vitalina era irmã da primeira esposa de Paulino.

Ignacia Virginia da Conceição veio a seguir. Ela se casou dia 29 de fevereiro de 1892 com Manoel de Andrade Neto, filho de Manoel Andrade Oliveira e Rita Tereza de Jesus.

O nono filho foi Antonio Augusto Rodrigues, “Totônio”, nascido a 30 de agosto e batizado a 25 de setembro de 1881, tendo por padrinhos José Ignacio Carvalho de Rezende e Maria Custódia da Silva. Antônio se casou dia 26 de julho de 1905 com Maria Antonia de Oliveira, “Mariquinha”, filha de Antonio Justino de Oliveira e Ignacia Carolina de Almeida. Faleceu aos 08 de julho de 1941.

O penúltimo filho de João e Mariana foi Martiniano Rodrigues Moraes que se casou com Maria Zeferina Rodrigues.

E a última, Emilia Maria da Conceição, nasceu dia 02 de março e foi batizada dia 12 de abril de 1884, tendo por padrinhos Emigdio Sales Pereira e Balbina Justina de Jesus. Emilia se casou aos 09 de julho de 1901 com Antônio Rodrigues Ferreira, filho de Antônio Vicente Ferreira e Ana José Rodrigues. Ela faleceu em Angaturama no dia 17 de maio de 1922.

A história de Paulino não terminou. Na próxima viagem o Trem de História trará as esposas e os seus filhos. Aguarde.


Fontes de Referência:

Arquivo da Diocese de Leopoldina: lv 01 bat fls 45 termo 237, fls 73 termo 384,  fls 92 termo 499, fls 223 termos 1068 e 1069; lv 1 cas fls 40 termo 110, fls 337 termo ordem 1301 e  lv 2 cas fls 54 termo 276.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 15 plano 3 sep 398.

Igreja N. S. Conceição da Boa Vista, Recreio, MG, lv 1 cas fls 199 termo 599.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 362 no jornal Leopoldinense de 1 de setembro de 2018

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109 – Informações sobre alguns antepassados de Paulino Rodrigues

No artigo anterior o Trem de História trouxe a ascendência paterna de Paulino. A viagem de hoje segue pelos mesmos trilhos e caminhos para trazer um pouco mais sobre estes antepassados que ocuparam as terras das fazendas Purys e da Onça, algumas delas entrelaçadas por uniões matrimoniais que gravitaram pelo entorno destas duas fazendas e da Bela Aurora, mais tarde adquirida pelo Paulino Rodrigues.

A Fazenda Purys, cuja sede ficava às margens do Córrego da Água Espalhada, no atual leito da BR 116, Rio-Bahia, no km 771, nas proximidades da ponte ali existente, pertenceu a Manoel Rodrigues da Silva e Ana Bernardina de Almeida, avós de Paulino.

Recorde-se que Ana era filha de Bernardino José Machado e Maria Rosa de Almeida, proprietários da vizinha fazenda da Onça, que em 1856 contava com cento e cinquenta alqueires de terras[3] que  deram origem ao bairro de mesmo nome.

É bom recordar, também, que o casamento de Ana e Manoel foi realizado[1] na Matriz de Santa Rita de Ibitipoca aos 08 de janeiro de 1828 e que em 1843 eles já residiam em terras do então  Feijão Cru.

Nestas duas fazendas, por algum tempo viveram ou transitaram os filhos de Bernardino e Maria Rosa [2] listados a seguir:

1) José Bernardino Machado c/c Maria Antonia do Nascimento; 2) Maria Bernardina de Almeida c/c Manoel Lopes da Rocha; 3) Francisco Bernardino Machado c/c/ Maria Candida Souza; 4) Ana Bernardina de Almeida c/c Manoel Rodrigues da Silva; 5) Joaquina Rosa ou, Bernardina c/c José Lopes da Rocha; 6) Rita Bernardina de Almeida c/c Joaquim Garcia de Oliveira; 7) Antonio Bernardino Machado c/c Joaquina Ferreira Brito; 8) Manoel Bernardino Machado; 9) Felicidade Bernardina Machado;  10) Severino José Machado c/c Maria Antonia de Jesus/ 11) Joaquim José Machado c/c Maria da Glória Pereira; e, 12) João Bernardino Machado.

Destes filhos do casal destaque-se Severino José Machado, pai de João José Machado que se casou com Anna Venância da Silva, Mãe Sinhana, irmã de Paulino Augusto Rodrigues, que durante algum tempo residiu em terras da fazenda Purys. Além do filho Severino pelo menos dois outros genros merecem ser lembrados pelos fatos seguintes.

Segundo o Registro de Terras de 1856, quando Bernardino José já havia falecido, a propriedade[3] dele foi registrada por seus genros Manoel Lopes da Rocha e José Lopes da Rocha, que para lá haviam se transferido no final de 1847.

Interessante observar que nesse ano de 1847 a família Lopes da Rocha vendeu[4] a propriedade onde moravam, na região de Piacatuba, para os irmãos Feliciano e José Joaquim Barbosa. Feliciano vem a ser o pai de Feliciano José Barbosa, que se casou com Nelsina Rodrigues, a filha mais velha de Paulino Augusto Rodrigues. E José Joaquim foi pai de Antônio Maurício Barbosa, proprietário das terras onde foi erguida a Usina Maurício, em Piacatuba, geradora da energia elétrica consumida em Leopoldina.

Ainda sobre estes mesmos genros de Bernardino é importante registrar que a primeira esposa de Manoel Lopes da Rocha, Maria Bernardina de Almeida, faleceu antes de 1847, visto que neste ano Manoel Rocha aparece ao lado de sua segunda esposa, Ana Rita de Almeida, filha de Manoel Rodrigues da Silva e Ana Bernardina de Almeida, sobrinha portanto da sua primeira mulher. E deste mesmo Manoel ainda merece registro o fato de que na década de 1870, segundo Fernando Destefani, pesquisador capixaba que descende dos Lopes da Rocha, ele se transferiu com a família para a atual Conceição do Castelo (ES).

José Lopes da Rocha, irmão de Manoel, também no ano de 1847 era casado com Joaquina Euqueria de Jesus, referida em alguns trabalhos como Joaquina Rosa ou Joaquina Bernardina, outra filha de Bernardino José Machado. Joaquina esta que já havia falecido em 1867, quando José Rocha era casado com Maria Candida de Jesus[5].

O Trem de História faz aqui mais uma parada na viagem sobre Paulino Augusto Rodrigues. Mas no próximo Jornal ela continuará. Trará ao conhecimento dos leitores da coluna os irmãos dele que espalharam o sobrenome Rodrigues pela cidade. Até lá.


Fontes de Referência:

[1] Igreja de Santa Rita de Ibitipoca, lv cas 1828-1849 fls 3

[2] FONSECA, Raymundo da. A Saga de Machados e Fonsecas. Valença-RJ: do autor, 2000. p. 49

[3] Registro de Terras de Leopoldina, termo 52

[4] Cartório de Notas de Bom Jesus do Rio Pardo. Lv de compra e venda de Bens de Raiz 1841-1854, folhas 85

[5] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 2 cas fls 84v termo 34, casamento do filho homônimo.

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 361 no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2018

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108 – Ascendentes paternos de Paulino Augusto Rodrigues

O vagão do Trem de História de hoje carrega os antepassados de Paulino pelo lado de seu pai, João Rodrigues da Silva, que foi casado com Mariana Custódia de Moraes.

Por este ramo, Paulino era neto de Manoel Rodrigues da Silva e Ana Bernardina de Almeida, casal que teve ao menos seis filhos: 1) Ana Rita de Almeida c/c Manoel Lopes da Rocha; 2) João Rodrigues da Silva c/c Mariana Custódia de Moraes; 3) Antonio Rodrigues da Silva c/c Rita Ignacia de Moraes; 4) José Rodrigues da Silva Neto c/c Joaquina Maia de Jesus; 5) Inácio Rodrigues da Silva c/c Maria Custódia de Jesus e, em segundas núpcias, com Zeferina Jerônima do Carmo; e, 6) Eduardo Rodrigues da Silva c/c Augusta Tereza da Anunciação.

Registre-se que o casamento de João Rodrigues da Silva e Mariana Custódia de Moraes foi um dos ocorridos entre descendentes de Manoel Rodrigues da Silva e João Ignacio de Moraes, outro morador da Serra da Ibitipoca que teve filhos migrados para Leopoldina e personagem que será abordado em artigo posterior.

De Manoel Rodrigues da Silva pouco ainda se conseguiu apurar além do fato de ter sido o proprietário da Fazenda Purys[1], que fazia divisa com as terras da fazenda da Onça, pertencentes a seu sogro, Bernardino José Machado casado com Maria Rosa (ou, Ribeiro) de Almeida, pais da esposa de Manoel, Ana Bernardina.

De Bernardino José Machado sabe-se que nasceu[2] por volta de 1786 em Santa Rita de Ibitipoca (MG) e que em 1843 já residia[3] no Feijão Cru. Era filho de Antonio José Machado, nascido por volta de 1730 na freguesia de São Pedro de Serva, arcebispado de Braga, Portugal e de Izabel Correa de Moraes, natural da Vila de São José del Rei, hoje Tiradentes. Neto paterno dos portugueses Martinho Jorge e Serafina Gaspar. E neto materno do português Domingos Lopes Chaves, natural de São Tiago, arcebispado de Braga e da mineira Anna Correia de Moraes.

Sua esposa, Maria Rosa, nasceu em Santa Rita de Ibitipoca (MG) onde foi batizada[4] aos 15 de agosto de 1786. Era filha de Francisco Gonçalves Pereira e Ana Teodora de Almeida, sendo sobrinha do lendário Manoel Antonio de Almeida, um dos povoadores do Feijão Cru.

Antes de se transferir para o Feijão Cru, Bernardino, Maria Rosa, filhos e genro foram recenseados[5], em 1831, na paróquia de Santo Antônio que mais tarde deu origem ao município de Juiz de Fora.

O quadro a seguir resume os antepassados de Paulino pelo ramo familiar de seu pai.

Sobre a ascendência do Paulino Augusto Rodrigues ainda se falará um pouco mais no próximo Jornal. Mas uma pausa se faz necessária para melhor organizar as informações para a próxima viagem do Trem de História. Aguardem!


Fontes de Referência:

[1] Registro de Terras de Leopoldina, termo 54

[2] Igreja de N. S. Piedade de Barbacena, lv bat 1740-1816, transcrição na folha 73

[3] Mapa da População do Feijão Cru, 1843, fam 26

[4] Igreja de N. S. Piedade de Barbacena, lv bat 1782-1788, fls 267/268 e lv bat 1740-1816, transcrição na folha 73

[5] Mapa da População de Santo Antônio, 1831, fam 16

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 360  no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2018

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107 – Os ascendentes maternos de Paulino Rodrigues

Conforme anunciado no artigo anterior, hoje o Trem de História é dedicado a Mariana Custódia de Moraes, a mãe do personagem principal desta viagem.

Mas, antes, vale um esclarecimento. Na época em que os pais de Paulino se casaram, a Paróquia de São Sebastião da Leopoldina ainda pertencia ao Bispado do Rio de Janeiro. Com isto, muitas fontes eclesiásticas eram para lá encaminhadas e, por razões burocráticas, se encontram indisponíveis para consulta desde o final da década de 1990, como é o caso do processo matrimonial do casal que, ao que se sabe, dependeu de autorização episcopal em virtude de parentesco consanguíneo e de afinidade.

Mariana era filha de José Vital de Moraes, também referido em algumas fontes como Vital Ignacio de Moraes, nascido em Conceição de Ibitipoca por volta de 1822, filho de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina de Jesus.

Os pais de Anastácia, Vital Antônio de Oliveira e Maria Narciza de Jesus, casaram-se(1) em Santana do Garambéu no dia 08 de março de 1796. Vital era natural de Conceição de Ibitipoca e Maria Narciza nasceu em Santana do Garambéu, onde seu pai, Bernardo da Costa Mendonça, era proprietário na localidade de Ribeirão dos Cavalos, atualmente pertencente ao município de Ibertioga. Bernardo faleceu(2) em 1811 e é ancestral de vários antigos moradores de Leopoldina, já que foi sogro do “comendador” Manoel Antônio de Almeida.

A mãe de Mariana Custódia de Moraes, Umbelina Cassiano do Carmo, também era natural de Conceição de Ibitipoca, filha de Tereza Maria de Jesus e José Carlos de Oliveira, sendo neta paterna do casal Vital Antonio de Oliveira e Maria Narciza de Jesus acima citado. Portanto, a avó paterna de Mariana, Anastácia Felisbina, era irmã de seu avô materno, José Carlos de Oliveira, dois dos filhos de Vital Antonio, como se verá no quadro genealógico a seguir.

Os avós paternos de Mariana, João Ignacio de Moraes e Anastácia Feslisbina de Jesus foram pais de: 1- Mariana Carolina de Oliveira cc Justino Marques de Oliveira; 2- José Vital de Moraes cc Umbelina Cassiano do Carmo; 3- Joaquim Ignacio de Moura ou de Moraes cc Eufrasia Raimunda de Jesus; 4- Joaquim Candido da Silva cc Rita Carolina de Oliveira; 5- Ana Olina Bibiana cc Antonio Paulino de Faria; 6- Joaquina Flausina de Jesus cc Antonio José Machado; 7- Antonio Romualdo de Oliveira cc Francisca Carolina de Oliveira; 8- Delfina Honoria de Jesus cc José Alexandre da Costa; 9- José Ignacio de Oliveira cc Maria Messias de Almeida; 10- João Gustavo de Oliveira cc Ana Umbelina do Sacramento; 11- Manoel Ignacio de Oliveira cc Rita Carolina de Jesus; 12- Maria Luiza de Jesus cc Antonio Joaquim Vilas Boas e segunda vez com Joaquim Antonio de Almeida Ramos; 13- Rita Ignacia de Moraes cc Antonio Rodrigues da Silva.

Sabe-se que os filhos de nrs 5, 6 e 10 não migraram para Leopoldina, tendo vivido e falecido em Bias Fortes.

Os avós maternos, José Carlos de Oliveira e Tereza Maria de Jesus, foram pais de: 1- Maria Tereza; 2- Justino; 3- Ana; 4- Umbelina Cassiano do Carmo cc José Vital de Moraes; 5- Rita Tereza de Jesus cc Cassiano José do Carmo; 6- Francisca; 7- Mariana Ignacia de Oliveira cc Antônio José de Almeida Ramos; 8- Domingos Marques de Oliveira cc Ana Antonia de Jesus; 9- Victal; 10- Antonio; e, 11- José Carlos de Oliveira Pires cc Ignacia Carolina de Almeida.

A viagem de hoje termina aqui. Na próxima edição o Trem de História trará o ramo paterno de Paulino Augusto Rodrigues. Aguarde!


Fontes de Referência:

1 – Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena, livro de casamentos de Conceição de Ibitipoca 1751-1801, pesquisa de Paulo Ribeiro da Luz.

2 – Museu Regional de São João del Rei, inventário caixa 287.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 359  no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2018

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106 – Paulino Augusto Rodrigues: O início

Esta nova viagem do Trem de História será capitaneada por Paulino Augusto Rodrigues, personagem representativo de uma família que chegou ao Feijão Cru em sua primeira década de existência como povoado.

Seus pais, Mariana Custódia de Moraes e João Rodrigues da Silva, viviam na Fazenda dos Purys, formada por seu avô paterno, Manoel Rodrigues da Silva, nas imediações da Fazenda da Onça, que pertenceu a Bernardino José Machado, bisavô paterno de Paulino.

Para melhor compreensão de como tudo se passou, antes de chegar ao ano de 1870 em que Paulino nasceu, é importante recolher a bagagem relativa a alguns fatos e passageiros que lhe antecederam.

No ano de 1831, quando começava a se formar o povoado do Feijão Cru, a Vila de Barbacena abrangia diversos outros distritos também em formação, alguns deles criados em território que antes pertencia a Santa Rita de Ibitipoca. Num daqueles distritos, então identificado apenas como Santo Antônio, morava a família de Bernardino José Machado e Maria Rosa de Almeida (algumas vezes referida como Maria Ribeiro), ambos naturais de Santa Rita de Ibitipoca. Ele, filho(1) de Antonio José Machado e Izabel Corrêa de Moraes. Ela, filha(2) de Francisco Gonçalves Pereira e Ana Teodora de Almeida.

Sabe-se, hoje, que o distrito de Santo Antônio é a origem do atual município de Juiz de Fora e que a família de Bernardino Machado vivia em território entre os atuais distritos de Rosário de Minas e Paula Lima; que ele era identificado como lavrador e proprietário de 13 escravos e que morava com a esposa, 13 filhos e o genro Manoel Rodrigues da Silva.

Pouco tempo depois, Bernardino José Machado transferiu-se para o Feijão Cru, para onde vieram também parentes seus e de sua mulher. Aqui formou a Fazenda da Onça e seu genro Manoel Rodrigues da Silva, a Fazenda Purys(3).

Segundo o Registro de Terras, as duas propriedades ficavam entre a Fazenda do Feijão Cru Pequeno, de Manoel Antônio de Almeida; a Fazenda Paraíso, então pertencente a Antônio José Monteiro de Barros; a Fazenda Floresta, de Joaquim Antonio de Almeida Gama; e, a Fazenda do Desengano, de Maria do Carmo Monteiro de Barros.

Por hoje acrescenta-se apenas que a Leopoldina que viu nascer Paulino Augusto Rodrigues estava envolvida em mudanças econômico-sociais que seriam determinantes na trajetória deste personagem.

Seis anos antes dele nascer, o município contava(4) com 25.009 habitantes sendo que 2.120 deles habilitados a votar. Em 1862, o município era composto pela sede municipal e pelos distritos da Piedade (Piacatuba), Rio Pardo (Argirita), N.S. das Dores do Monte Alegre (Taruaçu), Madre de Deus do Angu (Angustura), São José do Parahyba e Porto Novo do Cunha (Além Paraíba), Conceição da Boa Vista, Conceição do Parahyba e Santana do Pirapetinga (Pirapetinga), Santa Cruz e Dores do Rio Pomba (Itapiruçu), Santa Rita do Meia Pataca (Cataguases), Santo Antônio do Muriaé (Miraí), São Francisco de Assis da Capivara (Palma) e Nossa Senhora da Conceição do Laranjal (Laranjal). Na sede havia duas escolas públicas equivalentes ao atual Ensino Fundamental I, uma para cada sexo, e doze estabelecimentos comerciais. O café se tornou a principal atividade econômica na década de 1860.

Em função do desenvolvimento do município, foi criado um comando(5) da Guarda Nacional, em Leopoldina e a segurança pública era exercida por um Destacamento Policial(6) que, em 1873, contava com 1 oficial, 1 adjunto e 10 soldados. No Censo de 1872, na Paróquia de São Sebastião da Leopoldina, ou seja, na sede do município, foram computados 7.899 moradores(7).

Na primeira infância de Paulino, foi criada a Estrada de Ferro Leopoldina que recebeu este nome por ter sua origem na inversão de capitais dos fazendeiros de café do município.

No próximo trecho desta viagem, o Trem de História trará a família materna de Paulino. Até lá!


Fontes de Referência

1- Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena, lv bat 1740-1816, fls 73

2 – Idem, lv bat 1782-1788, fls 267[268] e lv bat 1740-1816, fls 73

3 – Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras da Villa Leopoldina.

4 – MARTINS, Antonio de Assis. Almanak Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais. 1864 p.311-313; 1865 p.78; 1874 p.451

5 – Diário de Minas, 1873, ed 92 p.1

6 – Diário de Minas, 1873, ed 656, p.2

7 – BRAZIL – Diretoria Geral de Estatística. Recenseamento Geral do Império do Brasil em 1872, p.745

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 358 no jornal Leopoldinense de 1 de julho de 2018

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105 – Átila Lacerda da Cruz Machado – A família do sogro Raphael Domingues

O Trem de História segue hoje os caminhos da família da esposa de Átila Lacerda da Cruz Machado, senhora Herondina (Gomes) Domingues da Cruz Machado, para chegar ao seu pai e irmãos.

Herondina era filha de Raphael Domingues e Idalina Narcisa Gomes Domingues. E, segundo o saudoso Luiz Raphael Domingues Rosa, neto do casal, o avô teria nascido em 21.01.1863 na Vila de Gondar, distrito de Caminha, Minho, Portugal, filho de Domingos José Domingues e Josefa Rosa.

Registros outros dão conta de que Raphael Domingues era comerciante destacado e respeitado na cidade. Seu estabelecimento comercial funcionava na Praça General Osório, esquina com Rua Plóbio Cortes de Paula, no centro. Hoje ele tem seu nome perpetuado numa rua do Bairro de Fátima, via de ligação entre as ruas Farmacêutico Durval Bastos e Gentil Pacheco de Melo [5].

Idalina Gomes nasceu em Machambomba, atual Nova Iguaçu (RJ), em 09.11.1883 e faleceu em Leopoldina em 30.01.1967. Era filha de José Gonçalves Gomes e de Ambrozina Narcisa Teixeira. Ela, também, empresta seu nome à via pública da cidade que partindo da Rua Geraldo Campanha passa pelo Estádio Municipal Guanayro Fraga Mota e encontra a confluência das ruas Coronel Olivier Fajardo e José Peres, conforme redação da lei nº 614, de 23.03.67 complementada em 20.12.88, pela lei nº 2044.

Raphael e Idalina se casaram em Leopoldina[4] no dia 12.05.1900 e tiveram os filhos a seguir, nascidos nesta mesma cidade:

Os dois primeiros, Nemésio nascido[6] em 24.04.1901 e 02) Raphael Domingues Júnior, nascido em novembro de 1903, faleceram antes de completarem o primeiro ano de vida. O primeiro faleceu [7] em 26.01.1902 e o outro, em setembro de 1904.

O terceiro filho foi José Gomes Domingues nascido[9] a 10.08.06 e falecido em Belo Horizonte em 01.07.77, tendo sido sepultado em Leopoldina[10]. Foi, dentre os irmãos o mais conhecido. Casou-se[11] em Aparecida do Norte aos 10.12.31 com a leopoldinense Maria do Carmo Barroso Guimarães, filha de Arsênio Tambasco Guimarães e Dinorah Barroso. Neta paterna do italiano Giovanni Tambasco e de Maria Amélia Guimarães e, pelo lado materno, neta de Silvio Barroso e Matildes Smith. José Domingues e Maria do Carmo Barroso tiveram quatro filhos: Marcelo (ex-diretor do Colégio Estadual Prof. Botelho Reis), José Maria, Marco Aurélio e Márcio.

José Domingues, como ficou mais conhecido, na juventude foi destacado jogador de futebol. Na fase adulta exerceu os cargos de juiz de paz e delegado de polícia. Ingressou na vida pública elegendo-se com facilidade para o cargo de deputado estadual em 1966. Foi escolhido secretário de administração do estado de Minas Gerais no governo de Rondon Pacheco.  Empresta seu nome a uma rua do Bairro São Cristóvão.

O quarto filho do casal Raphael e Idalina é Moisés, nascido[12] dia 11.06.08. Ele se casou[13] dia 26.02.30 com Regina Rezende Soares, natural de Cataguases, filha de José de Rezende Vieira e Ercilia Soares.

Arminda Domingues, a quinta filha do casal nasceu em 1909 e se casou[14] em 09.09.26 com Otto Lacerda França, filho de Manoel Bruno Viana França e Maria Augusta Rodrigues de Lacerda, com quem teve os filhos: Sérgio (ex-professor), Elcio, Nice, Helena e Marly;

Do sexto filho, Odilon Gomes Domingues, nascido[15] aos 24.08.13, sabe-se que se casou com Leise Guimarães, mas não se obteve notícias sobre possíveis descendentes.

Herondina, nascida em 07.09.16 casou-se com Átila Lacerda da Cruz Machado. Casal do qual já se falou em artigo anterior.

Maria de Lourdes Domingues, nasceu por volta de 1919 e faleceu em 01.07.90. Era casada com Geraldo Alves Rosa, com quem teve os filhos Luiz Raphael (*1945 – + 2007), organizador e diretor do Espaço dos Anjos; o médico Maurício Domingues Rosa e as professoras Ângela Maria e de Maria Beatriz.

Quanto a este Geraldo, é bom consignar que embora não se tenha descoberto nestas pesquisas qualquer registro de parentesco direto entre os dois nomes, é curioso observar que o sobrenome Rosa aparece na família com Josefa Rosa, mãe de Raphael Domingues e, reaparece com o genro, Geraldo Alves Rosa.

A nona e a décima filhas do casal, como as duas primeiras, faleceram ainda criança. Nice nasceu em maio de 1921 e faleceu[16] em 09.03.22. Marisa, nascida em 06.01.23, faleceu em 04.02.26, conforme informações de Luiz Raphael Domingues Rosa;

Antonio Gomes Domingues (Ninico), foi o décimo primeiro filho de Raphael Domingues. Era casado com Ítala, com quem teve uma filha; e, Manoel, o décimo segundo, foram colocados no final desta relação como sendo os caçulas por não sido possível localizar informações e documentos com suas datas de nascimento.

A viagem de hoje chega ao final. No próximo número do Jornal, outro personagem leopoldinense embarcará no nosso Trem de História. Até lá!


Fontes de Referência:

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 09 bat fls 24 termo 165, lv 11 bat fls 44 termo 250, lv 12 bat fls 8v termo 171, lv 14 bat fls 95 termo 480; lv 3 cas fls 44 termo 16, lv 6 cas termo 14 fls 102 e termo 53 fls 44v, lv 7 cas fls 16 termo 64

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 1 1896-1903 fls 35 reg 11470 sep 594 2º plano; lv 2 1904-1920 fls 4 plano 2 sep 1173 e Registro Sintético de Sepultamentos 1963-1983 fls 93.

Gazeta de Leopoldina, 9 mar 1922, ed 230 pag 1.

RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: do autor, 2004.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 357 no jornal Leopoldinense de 16 de junho de 2018

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103 – Átila Lacerda da Cruz Machado – Antepassados

O Trem de História traz do passado mais um personagem que se destacou em Leopoldina: Átila Lacerda da Cruz Machado.

E neste primeiro vagão de uma composição de três carros, pretende falar sobre este cidadão que nascido em Barbacena (MG) a 22.12.1911, durante quase cinquenta anos viveu, criou a sua família e prestou relevantes serviços à comunidade leopoldinense. Um cidadão que, no dizer de Mário de Freitas, destacava-se

“pela distinção das maneiras e nobreza de espírito. Nobre sim, porque a verdadeira nobreza é ter-se um bom coração e um caráter íntegro – qualidades essas que lhe não faltavam. Era um cidadão de bondade ampla, sem afetação. Sendo modesto, aparentava aristocrática maneira e sóbria elegância, grangeando na sociedade local um conceito que muito o recomendava. Outra virtude sua era, quando requisitado, espargir nos corações a luz da concórdia e do amor, mormente aos deserdados da sorte. Como verdadeiro rotariano, outra cousa não fez na vida senão servir, o que foi uma constante aqui na terra. A essas pessoas, meus amigos, é que se dá, lá em cima, a incumbência de acender as estrelas.”

Átila Lacerda da Cruz Machado era filho de Clariêta (de Araújo) Lacerda da Cruz Machado e de Átila Brandão da Cruz Machado. Pelo lado paterno, era neto de Arthur Carneiro da Cruz Machado, um dos filhos de Antonio Cândido da Cruz Machado, o Visconde de Serro Frio.

Clariêta de Araújo Lacerda era filha de Modesto de Araújo Lacerda (1859 – 1916) e Maria Amélia Dias de Toledo. Neta paterna de Manuel Francisco de Araújo e Maria Inocência de Lacerda. Segundo o mesmo Freitas, era uma educadora de méritos invulgares e pedagoga respeitada.

Átila Brandão, um barbacenense nascido em 1888, faleceu em 1921, aos 33 anos incompletos, na sua cidade natal, vítima de um surto da gripe espanhola. Era Filho do médico, Dr. Artur Carneiro da Cruz Machado nascido no Serro (MG) em 1853 e falecido em Barbacena em 1925 e de Maria Amélia da Silva Brandão, nascida em Itaguaí (RJ) em 1860 e falecida em Barbacena em 1925.

Era cirurgião-dentista formado pela Escola Americana d’O Granbery, em Juiz de Fora (MG) e foi preparador das cadeiras de Física, Química e Ciências Naturais no Colégio Militar da sua Barbacena (MG).

Átila Brandão e Clariêta Lacerda tiveram cinco filhos, todos nascidos em Barbacena (MG): 1) Moacyr Lacerda da Cruz Machado (*1909 – +2000), que foi juiz de direito no Rio Grande do Sul; – 2) Jayr Lacerda Cruz Machado (1910), pai do genealogista e Coronel Médico, Attila Augusto Cruz Machado; 3) Átila Lacerda da Cruz Machado, personagem central deste trabalho; 4) Oswaldo Lacerda Cruz Machado (*1914 – +1992), que serviu ao Exército Brasileiro, na então aviação militar, como cabo telegrafista de vôo e, com a criação do Ministério da Aeronáutica, migrou para a Força Aérea no posto de 3º sargento telegrafista; e, 5) Carlos Mário Lacerda Cruz Machado (*1915 – +2000), major-farmacêutico da Aeronáutica, professor e oficial categorizado da Escola Preparatória de Cadetes do Ar em Barbacena (MG), professor da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro e do Colégio Leopoldinense, atual Colégio Estadual Professor Botelho Reis.

Ajustando o foco para o personagem leopoldinense que se pretende estudar neste trabalho, registra-se que em 27.02.1935 ele se casou com Herondina Domingues da Cruz Machado, com quem teve cinco filhos: Helenice, Lincoln, Maria, Raphael e Míriam.

Herondina, nascida em 07.09.1916, era filha de Idalina Narcisa Gomes Domingues e Raphael Domingues, um destacado comerciante português estabelecido na esquina da Rua Plóbio Cortes de Paula com a Praça General Osório. Sobre a família de Herondina se ocupará um artigo futuro.

Mas obedecendo ao sinal de aproximação do limite do espaço do Jornal, o Trem de História faz uma parada para imaginário reabastecimento, prometendo seguir a viagem na próxima edição do Leopoldinense, contando um pouco sobre a vida e obra de Átila Lacerda da Cruz Machado. É só aguardar um pouquinho.


Fontes Consultadas:

Colégio Brasileiro de Genealogia, Áttila A. Cruz Machado, Carta Mensal 109, ago-set/2012, p. 05 a 07.

Leopoldinense – GLN Grupo Leopoldinense de Notícias. Leopoldina, MG: 2003, ano 1 nr 15 pag 3.

MACHADO, Áttila A. Cruz, Revista Aeronáutica nº 254, jan-fev/2006, p. 17. Disponível em <http://www.caer.org.br/portal/phocadownload/userupload/revistas/revista254/revcaer254.pdf>. Acesso em 09 out. 2016

RODRIGUES, José do Carmo. Átila Lacerda da Cruz Machado. Disponível em <josedocarmo.blogspot.com/2010/02/atila-lacerda-da-cruz-machado.html>. Acesso em 31 out. 2016.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 355 no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2018

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Pelos 108 anos da Colônia Agrícola da Constança

O interesse inicial pela pesquisa sobre a imigração em Leopoldina surgiu no decorrer de estudo sobre antigas famílias leopoldinenses, quando foi observada, nos livros das paróquias, uma grande incidência de sobrenomes não portugueses entre os noivos, os pais e os padrinhos das crianças. Constatou-se que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes e, destes, 9% eram italianos. O 1% restante era composto de portugueses, espanhóis, sírios, açorianos, franceses, egípcios e nativos das Ilhas Canárias.

Observou-se que um contingente significativo de habitantes de Leopoldina carecia de um estudo melhor sobre suas vidas e importância para o município. E não se tinha notícia de qualquer movimento permanente no sentido de manter viva a memória daqueles conterrâneos por adoção.

Descobriu-se que os próprios descendentes haviam perdido a lembrança de muitos detalhes sobre a trajetória de seus antepassados, o que demandou um cuidadoso levantamento de fontes que pudessem comprovar ou corrigir o que era senso comum.

Assim, as primeiras informações foram organizadas em 1994 e começaram a ser publicadas cinco anos depois, após documentadas em outras fontes.

E desde então, contar a história do indivíduo para se chegar à da cidade passou a ser o carro de primeira classe deste imaginário Trem de História. Desde o começo das primeiras viagens. Desde o início da pesquisa sobre a imigração em Leopoldina, quando se observou que o esquecimento da história da cidade era favorecido pela falta de elementos que alimentassem a memória coletiva.

Conforme ensina Le Goff, “o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado”, mas os “materiais de memória”, ou seja, os monumentos e os documentos. Para o autor francês, “monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado” e o interesse da memória coletiva que se desloca da história dos grandes homens e dos acontecimentos de impacto geral para aquilo que diz respeito mais de perto à coletividade.

Apreendidos estes ensinamentos, para alimentar a memória dos leopoldinenses, trazendo-lhes de volta a trajetória dos conterrâneos que aqui viveram na época analisada, entendeu-se necessário oferecer-lhes instrumentos adequados. Razão pela qual foi encaminhada em 2008, para a Câmara Municipal de Leopoldina, uma sugestão para nomear como “Caminho do Imigrante” parte do trajeto que eles faziam quando, de seus lotes na Colônia Agrícola da Constança demandavam a Igrejinha de Santo Antônio e a Casa Timbiras. Uma forma simples e de pequeno custo para perpetuar a gratidão a estes bravos. O que finalmente, no dia 10 de outubro de 2017, mereceu aprovação pela Câmara Municipal. Desta forma, mais um Monumento de Memória veio se juntar ao que foi construído a partir de 23.10.99, quando os autores da pesquisa começaram a publicar, na Gazeta de Leopoldina, uma série de artigos sobre a Colônia Agrícola da Constança.

Na verdade a ideia destes artigos havia tomado forma um ano antes, na edição de nov/dez 1998 do jornal Equipe, a primeira tentativa de levar ao conhecimento dos leitores um pouco da história da Colônia Agrícola da Constança e da sua parte que forma hoje o Bairro Boa Sorte. O objetivo era relembrar a importância dos imigrantes italianos para Leopoldina e o grande exemplo deixado por esta iniciativa de distribuição de terras. A partir daí, foram publicados 13 artigos na Gazeta e 79 no Jornal Leopoldinense, formando um grande conjunto de informações sobre os imigrantes que viviam em Leopoldina entre 1880 e 1930.

Da mesma forma, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, em abril de 2010, falou-se na inclusão, no calendário comemorativo da cidade, do dia 21 de fevereiro, Dia Nacional do Imigrante Italiano, criado pela Lei Federal nº 11.687, de 02.05.2008. Ideia que, ao que parece, não sensibilizou os administradores municipais. Mas este ano foi adotada pela ACIL, com uma bela festa em fevereiro.

Com a inauguração do Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, em julho de 2016, mais um Monumento se concretizou através de coleção de fotografias, obtidas no decorrer da pesquisa, que foram entregues para a Superintendente de Cultura, professora Amanda Almeida, e foram reproduzidas em sala daquele importante equipamento cultural leopoldinense.

Agora, com o sentido de aprimorar o conhecimento adquirido, a pesquisa sobre os imigrantes continua em outro patamar. E para alegria dos autores, n’alguns pontos da cidade notam-se embrionários movimentos familiares e sociais no sentido de se valorizar o tema “imigração italiana”, dando a devida importância aos descendentes e preservando o pouco da lembrança que ainda resta dos primeiros que chegaram ao município.

E é muito bom que seja assim, para que mais adiante se possa continuar a contar a história deles e, por via de consequência a de Leopoldina que, entende-se melhor agora, não é apenas a lenda do caldeirão de Feijão Cru.

No mais, parabéns descendentes dos Imigrantes que ajudam a construir uma Leopoldina cada vez melhor para todos.


Referência bibliográfica:

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 5 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003. p.525-541

RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Leopoldina: 2010. Disponível em <http://cantoni.pro.br/blog/2010/04/imigracao-em-leopoldina/>

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 353 no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2018

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99 – Costa Cruz – Raimundo, Armando e Antônio Martins da Costa Cruz

Para encerrar a apresentação da família de Joaquim José da Costa Cruz e Ana Joaquina Martins da Costa, o Trem de História aborda os dois últimos filhos do casal.

Raimundo Martins da Costa Cruz é o nono filho do casal Joaquim José e Ana Joaquina. Nasceu[1] em Leopoldina em 1864. Casou-se com Tereza de Souza Lima, filha de João José de Souza Lima e Carlota Raquel de Souza Barroso, em 09.05.1885, em Cataguarino, Cataguases[2].

Em novembro de 1888 Raimundo aparece como proprietário do Engenho Central Raymundo Cruz & Comp. em Leopoldina[3]. Com as pesquisas realizadas até agora não foi possível apurar se tal empresa seria uma das fornecedoras do Engenho Central Aracaty, cujos sócios majoritários eram seu irmão Custódio José e seu cunhado Teófilo Ribeiro.

Raimundo era eleitor em Leopoldina em 1892 e na ata de qualificação é mencionado como lavrador. Em 1897 foi nomeado[4] Capitão da 2ª Cia do 70º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.

Segundo o pesquisador Luiz Hisse, Raimundo Martins da Costa Cruz teve uma filha de nome Maria Delfim Cruz que foi a segunda esposa de Fernando de Freitas Pacheco, filho de Honório de Freitas Pacheco e Candida Josefina de Avila Meireles. Do casamento de Maria Delfim com Fernando de Freitas Pacheco são os filhos: Jaime, Vicente, Cândida, Teresinha e Eugênia da Cruz Pacheco.

 Em nossas buscas foram encontrados os seguintes filhos de Raimundo Martins da Costa Cruz e Tereza de Souza Lima, todos eles nascidos em Leopoldina: 1 – Guiomar (n.1886)[5], casou-se com seu primo Artur Martins da Costa Cruz. Segundo Joana Capella, o Cel. Arthur era proprietário da fazenda Retiro, em Cataguarino. Arthur era filho de Antonio Martins da Costa Cruz (irmão de Raymundo) e Barbara Rodrigues, filha de Manoel Affonso Rodrigues Junior. Manoel Affonso era de Leopoldina e foi para Cataguarino com o pai e irmãos. Foi dono da fazenda Cachoeira do Funil; 2 – José (n.1888)[6]. Casou-se com Augusta de Souza Pinto. O casal teve pelo menos a filha Josefina, nascida[7] em 1925, em Leopoldina; 3 – Maria José (n.1892)[8]; 4 – Silvio (n.1894) [9[; e, 5 – Custódio (n.1896)[10].

Armando Martins da Costa Cruz é o décimo filho do casal Joaquim José e Ana Joaquina. Nasceu em Leopoldina em janeiro de 1865. Dele não se tem mais notícias.

Antônio Martins da Costa Cruz é o filho caçula do casal Joaquim José e Ana Joaquina. Casou-se com Rita e, em segundas núpcias, com Carlota Rodrigues com quem teve os filhos: 1 – Cornélia, nascida em Cataguases, casou-se [11] com seu primo Joaquim Martins Guerra, filho de João Batista Martins Guerra e Teresa Martins da Costa Cruz, já citados nesta série; 2 – Manoel Olímpio casou-se com Laudelina Martins Guerra, irmã de seu cunhado João Batista. Tiveram dois filhos: Eduardo e Joaquim Martins da Costa Cruz, este nascido em 1898, casado com Lúcia Santos e, conforme Pedro Maciel Vidigal foi prefeito de Cataguases; e, 3 – Artur, casado com sua prima Guiomar de Lima da Costa Cruz, primeira das filhas de seus tios Raimundo Martins da Costa Cruz e Tereza de Souza Lima, citados anteriormente.

Registre-se que no livro de matrículas do Colégio Caraça de 1900 consta um Joaquim Martins da Costa Cruz, filho de Antonio Martins da Costa Cruz, matriculado no dia 09 de fevereiro sob nº 3163, que poderia ser, então, o quarto filho do casal Antonio e Rita. Mas surge uma dúvida porque tal aluno residiria na Estação Dona Euzébia e, segundo o pesquisador Luiz Hisse, já citado noutro ponto deste trabalho sobre a família Costa Cruz, teria existido um outro Arthur Martins da Costa Cruz. Este, filho de Dino Costa Cruz, proprietário da fazenda Retiro, na serra da Onça, localizada entre Dona Euzébia e Guidoval, MG.

Diante disto torna-se necessário o aprofundamento das pesquisas para que se esclareça em definitivo a verdadeira paternidade do aluno do Colégio Caraça. Mas esta missão de deslindar o “mistério” ficará para outra oportunidade ou, para outro pesquisador. Porque, com este artigo, o Trem de História encerrará a série sobre a família Costa Cruz.

Em Leopoldina, a família foi iniciada com Joaquim José da Costa Cruz, nascido por volta de 1816 e falecido em 24.06.1881, em Leopoldina. Casado com Ana Joaquina Martins da Costa, filha de Manoel Martins da Costa Neto e Teresa Maria de Jesus. Neta paterna de Manoel Martins da Costa Filho e Maria do Carmo Ferreira Cabral.

A família Costa Cruz deu origem ao notável jornalista, escritor e poeta brilhante, Dilermando Martins da Costa Cruz, nascido em Leopoldina em 1879 e falecido em Juiz de Fora em 1935. Dilermando foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras e é patrono da cadeira nº 15 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, hoje ocupada por Natania Nogueira.

No próximo Jornal outro assunto ou personagem será içado do passado para os dias atuais. Até lá!


Fontes Consultadas:

[1] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 01 bat fls 118 termo 628.

[2] Pesquisa de Joana Capella nos livros paroquiais da Igreja de Santa Rita, Cataguases.

[3] Irradiação (Leopoldina, MG, 14 nov 1888, ed 39 p 4.

[4] Diário Oficial da União, 10 dez 1897 seção 1 p 4.

[5] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 157v termo 1501.

[6] idem, lv 03 bat fls 58 termo ordem 555.

[7] idem, lv 21 bat fls 71v termo 278

[8] idem, lv 04 bat fls 79v termo 938

[9] idem, lv 05 bat fls 43 termo 106

[10] idem, lv 06 bat fls 100 termo 37

[11] Gazeta de Leopoldina, 6 nov 1898 ed 60 p 1

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 352 no jornal Leopoldinense de 01 de abril de 2018

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