Arquivos da categoria: Sugestão de Leitura

Categoria das postagens relativas à indicação de leituras, especialmente de material disponível na internet.

Entre definições e deflações

Artigo de André Reyes e David Palacios, publicado na Terra Brasilis, Revista da Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica, 4, 2015, publicado online no dia 13 Fevereiro 2015.

Os autores destacam que

“Não é de hoje o reconhecimento da necessidade de uma aproximação entre história da cartografia e história das ciências (Harley, 1988) e muito tem se discutido sobre a quebra de dicotomias como realidade/representação, sujeito/objeto, corpo/espaço, território/mapa na prática de pesquisa da cartografia (Del Casino e Hanna, 2006). No entanto, buscamos aqui, apenas evidenciar como um autor de fora do campo da história da cartografia e da cartografia histórica pode oferecer caminhos e ferramentas para se pensar as trocas e a circulação de conhecimento cartográfico para além das dicotomias e relativismos generalizantes.”

Leia a íntegra: Entre definições e deflações.

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Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Na revista ArtCultura de jul.-dez. 2012, foi publicado um artigo da professora Lucia Maria Paschoal Guimarães sob o título O periódico de uma société savante: a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839-1889). Autora de Debaixo da imediata proteção imperial: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889), cuja segunda edição saiu pela Editora Annablume em 2011, a professora Lúcia Guimarães é citada sempre que o assunto é a Revista do IHGB.

Apesar de bem estudada por especialistas, e de estar disponível pela internet, a publicação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ainda carece de uma boa indexação que facilite os pesquisadores iniciantes. Principalmente porque, conforme lembrou Lúcia Guimarães no artigo, Machado de Assis declarou, em 1864, que “(…) A coleção das revistas do Instituto é uma fonte preciosa para as letras e para a ciência, uma obra séria e útil”. Especialmente para quem se inicia em estudos sobre o Brasil Império, a afirmação do Bruxo do Cosme Velho continua válida.

Leia o artigo da professora na íntegra.

Resumo

A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838, se inscreve ambiência cultural euro-americana das primeiras décadas do século XIX, no movimento das sociétés savants, corporações formadas por homens de notório saber e talento, que se reuniam para discutir aspectos da literatura, da história, das ciências e das artes. Seu periódico, publicado a partir de 1839, constitui a expressão de uma société savante, que desfrutava do patrocínio do imperador d. Pedro II. O artigo examina a publicação da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no período compreendido entre 1839 e 1889, que corresponde ao mecenato de d. Pedro II. A organização do periódico retrata as práticas científicas e os padrões político-culturais de uma época, bem como as tensões que permearam o processo de disciplinarização do saber no século XIX.

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Cultura, culturas, manifestações culturais

No momento em que a administração municipal de Leopoldina movimenta-se para criar um Centro Cultural, conforme notícia veiculada no jornal Leopoldinense on line, parece oportuno refletir sobre o assunto à luz do artigo Cultura, história, cultura histórica, de Estêvão de Rezende Martins, publicado na Revista ArtCultura jul-dez 2012. Isto porque alguns interlocutores mencionaram  conceitos restritivos, enxergando a nova instituição como destinada tão somente à denominada cultura histórica.

Aproximemo-nos, então, de alguns postulados comentados por Martins. Segundo ele,

“o conceito de cultura firmou-se como o de uma forma de vida originária, evolutiva, em permanente aperfeiçoamento e superação, própria a qualquer nação, povo ou sociedade. Esse conceito ergológico, social e historicizado é o que se transmitiu, desde o século 18, até nossos dias.”

Citando Ernest Cassirer, Estêvão Martins lembra que a “autoria racional da cultura, que se transforma em uma lente refletora e reflexiva da natureza, emerge da experiência vivida direta do homem em seu mundo.”

Ou seja, a produção cultural é obra humana e resulta de sua vivência. Por outro lado, as práticas culturais nascidas em determinada sociedade são compartilhadas tão somente quando capazes de estimular o olhar do outro, a percepção do outro. As transformações destas práticas culturais são operadas de acordo com os grupos sociais nas quais se inserem e sofrem adaptações que dão origem a outras práticas, não se justificado o estabelecimento de uma escala de valores.

Não se pretende, aqui, uma visão completa do assunto. A escolha deste texto de Martins teve por objetivo fazer alguns destaques que possam suscitar uma discussão entre as pessoas que serão chamadas a atuar na instituição prestes a ser inaugurada. Sabe-se que as pequenas cidades nem sempre contam com os especialistas necessários ao exercício de cada função e que, por outro lado, o sistema regular de ensino nem sempre oferece oportunidade de uma formação multidisciplinar aos jovens. Muitos estudantes poderão ser chamados a exercer atividades cotidianas no Centro Cultural. É importante que compreendam seu significado.

Há algum tempo, quando surgiu a possibilidade do prédio do antigo fórum de Leopoldina ser transformado num equipamento de divulgação cultural, observamos que alguns interlocutores focaram diretamente a cultura histórica, talvez pelo fato do prédio ser um exemplo de patrimônio histórico da cidade. Por esta razão, destacamos mais um trecho do artigo escolhido. Ao se referir à cultura histórica, o autor se baseia em  Jörn Rüsen, para quem “a consciência histórica é a base de todo aprendizado histórico. O primeiro aprendizado histórico possível é, no âmbito da cultura histórica disponível, a transformação reflexiva da experiência em história”.

Para compreender melhor, é preciso ler na íntegra o artigo, disponível neste endereço.

Resumo

A partir da noção clássica de cultura, examina-se a substantivação e a historicidade da cultura. Recorrendo à contribuição de E. Cassirer e de J. Rüsen delimita-se o âmbito da relação entre história e cultura pela proposta de uma concepção de cultura histórica e de diversos tipos de consciência história do agente racional humano. Recorre-se à análise da corrente dos estudos culturais e da abordagem antropológica da cultura para estipular o sentido e o alcance próprios da cultura histórica. Palavras-chave: Cultura histórica; estudos culturais; antropologia cultural.

 

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Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda

Em outubro de 2014 foi postado, aqui neste blog, um link para uma das palestras do seminário com este título, realizado em 2011.

Richard Graham: a eleição como um drama

Rever aqueles vídeos fazia parte da releitura de Sérgio Buarque de Holanda iniciada no final de 2013. Além dos clássicos já conhecidos, foram lidos também o Vale do Paraíba: velhas fazendas e Capítulos de História do Império, ainda não conhecidos. E como uma coisa puxa outra, foram relidos também alguns volumes da História Geral da Civilização Brasileira porque o objetivo era relembrar a obra deste importante autor.

Completando o programa, mas sem considerá-lo ainda finalizado, aqui vai um convite para artigo de mesmo título, de Jurandir Malerba, publicado na Revista ArtCultura de 2012.

Escreveu o Professor Malerba,

“ainda nos anos 1980, pela época de minha graduação, partia de boa porção de meus professores uma espécie de interdição velada àquele historiador. […] Compensava-se a bibliografia com fartura de […] toda estirpe de nossos melhores – e piores – historiadores marxistas de diferentes épocas”

E prosseguiu declarando que a retomada de Sérgio Buarque de Holanda resultou na:

“[…] chegada, sempre tardia, de algumas perspectivas e alguns tópicos de pesquisa ao Brasil, de procedência indisfarçavelmente francesa (mas também inglesa) – como mentalidades, privacidade, quotidiano, a perspectiva dos “debaixo”, da história das pessoas comuns–, abriu campo para o resgate da obra de Sérgio, que, de resto, nunca fora totalmente ofuscada.”

Leia todo o artigo neste endereço.

Resumo:

Aula magna proferida na inauguração da Cátedra Sérgio Buarque de Holanda de Estudos Brasileiros, Lateinamerika Institut, Berlim, trata da presença de Sérgio Buarque de Holanda na historiografia brasileira, com ênfase na observação de seu estilo de escrita.

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Sedução e desafios da biografia na História

Artigo dos doutorandos Priscila Musquim Alcântara de Oliveira e Alexandre Luís de Oliveira publicado no primeiro número da nova revista científica Faces de Clio, da Universidade Federal de Juiz de Fora, traz uma abordagem interessante sobre o tema. Lembram que

“A opção por manter-se fiel a cronologia da vida do biografado na escrita de uma biografia histórica pode levar o pesquisador a uma concepção que trata o indivíduo como sendo dotado de uma personalidade coerente, responsável por ações pontuais e isentas de incertezas.”

Leiam a íntegra do trabalho neste endereço.

Resumo: Este trabalho se propõe a discutir alguns problemas que perpassam a escrita biográfica e a análise de trajetórias individuais no campo da história, buscando trazer à discussão o leque de alternativas metodológicas que são possíveis ao historiador ao investigar um problema a partir do estudo de uma vida, bem como os desafios a serem transpostos ao longo deste percurso.

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Italianos no noroeste fluminense

Indicação de Maria da Conceição Vargas, a tese de Rosane Aparecida Bartholazzi de Carvalho será de grande ajuda para os que estudam a imigração italiana.

Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de História, 2009.

RESUMO

“A tese privilegia o estudo da imigração italiana no quadro da expansão cafeicultora, no noroeste fluminense, particularmente, no município de Itaperuna, onde inúmeras famílias italianas, originárias de diferentes regiões, fixaram-se como colonas em grandes propriedades rurais, sobretudo na fazenda Bela Vista, nos anos de 1897 e 1898. Através dos registros privados e cartorários, verificou-se que muitas destas famílias, eram oriundas da região do Lazio, Província de Roma, o que imprime ao presente trabalho expressiva particularidade no que diz respeito à origem dos imigrantes italianos que afluíram para a região sudeste do Brasil, no último quartel do século XIX. Neste sentido, optou-se por acompanhar a trajetória dos imigrantes, que deixaram aquela região da Itália, sobretudo os municípios de Proceno e Graffignano, buscando compreender, através da análise da documentação dos arquivos italianos, o contexto econômico, social e político vivido no país de origem e colocando em discussão a questão da miserabilidade do imigrante frente às remessas originadas dos municípios. Na região de acolhida, este estudo buscou analisar a mobilidade social dos imigrantes, que utilizaram diversas estratégias para conquistarem a posse da terra, transformando-se de colonos e parceiros em proprietários rurais e ou comerciantes. Para o estudo da inserção e ocupação do espaço pelas famílias imigradas, o universo de pesquisa ampliou-se. Além dos grupos oriundos do Lazio, foram incluídos, também, as famílias emigradas de outras partes da Itália, considerando que chegaram no mesmo período, trabalharam juntas na mesma fazenda e participaram da rede de solidariedade estabelecida entre eles para demarcarem seu espaço e ascenderem socialmente. Por último, estudou-se a herança da terra, bem como as formas adotadas na transmissão dos negócios, fundamentais para que a maior parte das propriedades continuasse, ainda hoje, nas mãos dos descendentes.”

Leia a íntegra neste endereço.

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Paul Ricoeur e a narrativa histórica: limites no campo conceptual

Procurando artigos que tratassem de certos conceitos importantes para o fazer histórico, foi encontrado este artigo disponível aqui no endereço.

De Hélio Rebello Cardoso Júnior, foi publicado na Revista Semina, de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Estadual de Londrina.

Resumo

O tema da narrativa história tem recebido muita atenção ultimamente. Várias correntes teóricas contemporâneas se defrontam a fim de fornecer sua contribuição ao aprofundamento do tema. Aqui, procura-se apresentar o posicionamento de Paul Ricoeur, no debate da narrativa histórica, como herdeiro do pensamento fenomenológico, e, com isso, identificar as várias frentes teóricas nas quais concentram-se seus esforços.

Entre os aspectos destacados pelo autor está a distância que se observa entre o conhecimento histórico e a competência de se contar uma história que pode ocorrer em três níveis: dos procedimentos explicativos, do objeto e do tempo histórico. Cardoso Júnior comenta, então, que estes níveis de “ruptura tornam manifesta a necessidade de reatar conhecimento histórico e narrativa”.

Entendemos que isto é o que faziam, sem compromissos acadêmicos, os chamados historiadores diletantes do século XX. Através deles, muitos de nós aprendemos história regional numa época em que a escola só se ocupava da história dos grandes feitos e dos grandes heróis, mantendo-se distanciada da realidade circunvizinha.

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Os Processos de Habilitação

Com o subtítulo Fontes para a história social do século XVIII luso-brasileiro, Aldair Carlos Rodrigues publicou no primeiro número da Revista de Fontes, do Departamento de História da Unifesp um artigo em que

“busca evidenciar as potencialidades dos processos de habilitação enquanto fontes para a história social do século XVIII luso-brasileiro. Serão enfocadas três tipologias: habilitações para ordens sacras, habilitações do Santo Ofício e habilitações da Ordem de Cristo. Num primeiro momento, o trabalho apresenta a estrutura geral de cada uma delas, descrevendo as suas etapas e os requisitos que apuravam. Em seguida, procura compreender suas funções e seus significados na ordem social do Antigo Regime. Por fim, aponta os cuidados metodológicos que devem ser tomados na recolha, tratamento e análise das informações contidas na documentação.”

O autor trata de um assunto nem sempre muito bem compreendido pelos pesquisadores leigos. Entre outras passagens interessantes, destacamos:

“Em síntese, além da limpeza de sangue, outros dois requisitos difíceis de ser transpostos eram cobrados nas provanças para alguém se tornar cavaleiro da Ordem de Cristo. Um deles era que os candidatos tivessem prestado serviços à Coroa, a qual, como recompensa/remuneração, concedia a mercê do hábito de Cristo.

Depois de concedido o hábito e tendo a mercê sido registrada no Registro Geral de Mercês, para serem armados Cavaleiros, os súditos deveriam passar pela habilitação da Mesa de Consciência e Ordens. Os candidatos precisavam provar que não possuíam “defeito de mecânica”, ou seja, que não tinham vivido do trabalho de suas próprias mãos, exigência esta estendida também aos pais e avós dos candidatos.”

Leia o artigo na íntegra neste endereço.

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Teoria e história na sociologia brasileira: a crítica de Maria Sylvia de Carvalho Franco

Analisando Homens livres na ordem escravocrata, de Maria Sylvia de Carvalho Franco, André Botelho declara que a autora não teve intenção de caracterizar ou qualificar a “associação moral que ligava homens livres pobres e fazendeiros como marca de uma sociedade tradicional, ou atrasada, ou ainda incompatível com os processos de mudança social e o dinamismo que o capitalismo ia assumindo também entre nós”. Para ele, “toda argumentação do livro visa, ao contrário, desmontar essa visão sobre a sociedade brasileira”.

Resumo:

Inserido em pesquisa mais ampla sobre as sequências da sociologia política no Brasil, o trabalho destaca a obra sociológica de Maria Sylvia de Carvalho Franco. Assimilada à produção da cadeira de Sociologia I da USP, pelo seu pertencimento institucional, a obra desta autora, porém, antes problematiza que corrobora alguns dos pressupostos da teoria do desenvolvimento associados aos trabalhos de Florestan Fernandes e seu grupo. A análise de suas teses de doutorado (1964) e de livre-docência (1970), entre outros textos, indica uma visão crítica, e uma proposição alternativa, sobre a contraposição entre “tradição” e “modernidade” na análise da sociedade brasileira em virtude da gênese essencialmente moderna dessa experiência social.

Palavras-chave: Sociologia Brasileira; Teoria Social Comparada; Teoria e História; Tradição e Modernidade.

Texto completo disponível neste endereço.

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O trabalho da representação da Memória Social

Uma visão do que a constituição de patrimônios pode representar na memória de uma sociedade, entre outros aspectos, é o que propõe este artigo de Moysés M. de Siqueira Neto, Mestrando em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), publicado na revista Veredas da História, Ano V, Edição 1, 2012, pp. 198-207.

RESUMO:

Este artigo objetiva analisar os bens culturais não tombados, através dos conceitos da memória social e ideias do patrimônio cultural, como silêncios das classes subalternas pela história oficial dominante no Brasil para construção de identidades.

Leia aqui o artigo na íntegra.

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