Arquivos da categoria: Imigração

Assuntos relacionados aos imigrantes, especialmente os que passaram ao Brasil na segunda metade do século XIX e se estabeleceram na região de Leopoldina.

Festa do Imigrante Italiano em Leopoldina

Festa do Imigrante Italiano em Leopoldina1
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Festa do Imigrante Italiano em Leopoldina

 

Entre os dias 21 e 25 de fevereiro de 2018, a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Leopoldina – ACIL, com o apio da Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina, promoverá a Festa do Imigrante Italiano.

Iniciando no Dia Nacional do Imigrante Italiano, a festa se estenderá com diversas atividades, incluindo palestra de José Luiz Machado Rodrigues sobre a Imigração Italiana e a Colônia Agrícola da Constança, que recebeu grande parte deles em seus lotes.

No domingo haverá uma caminhada pelo trajeto que os imigrantes faziam entre a Colônia e o centro da cidade.

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90 – Savino # Sabino – De Ispani para o Brasil – Parte II

Conforme prometido no artigo anterior, a imigração de Ispani para o Brasil continua para falar um pouco mais sobre alguns imigrantes que vieram para Leopoldina.

Na consulta aos informativos do Centro Internazionale Studi Emigrazione Italiana para o período objeto deste estudo e observou-se que entre 1878 e 1882 a Campania aparecia com o maior número de expatriados, numa avaliação das províncias do sul e das ilhas italianas.

Considerando que as poucas informações de fonte oral obtidas indicam origem rural do grupo de interesse para este trabalho, foram procurados indicadores das atividades econômicas e condições de moradia da região de origem.

Segundo Fondi(1) e Taruffi et all(2), o tipo de habitação rural na Campania era uma espécie de cabana circular de paredes construídas com pedras e tijolos de argila e esterco, cobertas de palha. O telhado era sustentado por pedra calcária. Em geral, as casas eram divididas em dois ambientes: num deles dormia a família inteira e no outro, os porcos e galinhas.  As paredes eram escuras, mal rebocadas e sujas. O chão era de terra batida. Raros móveis e algumas caixas de madeira compunham o ambiente.

Quanto à dieta, Alvim(3) informa que era composta de pão de farinha de cevada ou centeio com verduras ou cebolas cruas. E neste quadro de penúria eles valorizavam, fundamentalmente, a posse da terra, ainda que exercessem profissões pouco especializadas nos núcleos urbanos mais próximos da moradia no campo.

Diante do quadro, não é difícil compreender o fascínio que lhes despertou a hipótese de se tornarem proprietários de uma gleba num país distante onde não faltava alimento, teto e religião. Mesmo aqueles que já se haviam proletarizado nas periferias dos centros urbanos, como operários de fábricas, sonhavam retomar seu modo de vida rural, dentro da estrutura familiar a que estavam habituados.

Os italianos que chegaram ao Brasil entre o final da década de 1870 e o início da seguinte aportaram num país que não tinha políticas de imigração bem delineadas e a introdução podia ser feita por conta do governo federal, dos governos provinciais ou mesmo de particulares.

Em Minas Gerais a administração central não tinha recursos.  Os primeiros tempos foram repletos de problemas de toda ordem.  A maioria não pensava em se fixar aqui, mas em conseguir algum dinheiro e voltar ao seu país. Esta ansiedade se reflete na trajetória de grupos que não paravam em fazenda alguma, sempre em busca de melhores salários.

Por outro lado, aos fazendeiros não interessava arcar com as despesas de transporte dos imigrantes para sua propriedade sem garantir que lá permaneceriam. Donde surgiram procedimentos que visavam cercear a liberdade dos colonos e que, muitas vezes encontrou forte reação entre eles. O mais comum era o imigrante abandonar a fazenda e pegar a estrada sem destino bem definido. Com a ampliação da malha ferroviária pela zona da mata sul, contam-se inúmeros casos de famílias que passavam poucos meses na fazenda e logo estavam de volta à estação, buscando embarque para outro destino.

Segundo Trento(4), Minas Gerais era a terceira área em ordem de importância dentre as atingidas pela emigração peninsular. Entretanto, somente em 1887 o governo mineiro começou a incentivar a imigração. Até 1893, os viajantes tinham que reembolsar 2/3 da passagem.

Trento lembra que a ocupação dos imigrantes que se dirigiram para a Corte e a província fluminense era diferente da ocorrida em Minas Gerais. Segundo ele, para o Rio de Janeiro vieram meridionais, principalmente das províncias de Cosenza, Potenza e Salerno, e, em número menor, de Nápoles, Caserta e Reggio Calábria.

A proximidade de Leopoldina com a província fluminense permite suspeitar que alguns imigrantes destinados ao Rio de Janeiro atravessaram o Paraíba do Sul e se estabeleceram no município que, na época, destacava-se no cenário regional. Seria o caso dos Eboli, Pagano, Savino e Tambasco, cuja entrada no país ainda não está completamente esclarecida.

É de Angelo Trento a afirmação de que a maior parte dos italianos meridionais dedicava-se ao comércio ambulante das mais variadas mercadorias, incluindo itens de vestuário, alimentação e ferramentas. E informa que em 1874 o comércio ambulante aparecia como a principal atividade dos italianos, seguida das função de engraxate, amolador, sapateiro, jardineiro, marceneiro e barbeiro.

A próxima viagem do Trem de História trará um dos italianos do grupo acima citado. Até lá!


Fontes Consultadas:

1 – FONDI, Mario. La Casa Rurale nella Campania. v.23 s.l.: L.S.Olschki, 1964.

2 – TARUFFI, Dino; NOBILI, Leonello de; VILLARI, Pasquale. La questione agraria e l’emigrazione in Calabria. Firenze: G. Barbèra, 1908.

3 – ALVIM, Zuleika. Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo. In: SEVCENKO, Nicolau (org.) História da vida privada. v.3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

4 – TRENTO, Angelo. Do outro lado do Atlântico – um século de imigração italiana no Brasil. São Paulo: Nobel, 1988.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 343 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2017

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89 – Savino # Sabino – De Ispani para o Brasil – Parte I

Seguindo a viagem em busca dos antepassados do escritor Fernando Sabino, o Trem de História de hoje começa com a informação estatística divulgada por Carpi (1) indicando que no ano de 1871 a população italiana totalizava 25.985.421 habitantes, dos quais 101.815 requereram passaporte para saírem do país, sendo que destes, 2.014 viviam na província de Salerno, aí não computados outros 113 que emigraram clandestinamente.

Segundo este mesmo autor, os moradores de Salerno que se dirigiam ao exterior em 1871 tinham como principal objetivo fazer fortuna como seus conterrâneos que haviam retornado ao país pouco antes, ou aqueles que enviavam grandes somas em dinheiro para os parentes que haviam permanecido na localidade de origem.

Percebe-se, nas palavras deste analista da emigração italiana da época, referência ao sonho de fare l’america que povoava a imaginação de muitos italianos que chegavam ao Brasil. Mas o autor ressalta que a saída de Salerno vinha diminuindo, se comparada com a década anterior.

Outro quadro interessante indica as profissões dos emigrados de Salerno: 1301 camponeses, 78 comerciantes, 473 artesãos, 31 proprietários rurais, 38 marinheiros e 93 profissionais diversos. Quanto ao destino, pouco mais de uma centena dirigiu-se para a América, em 1871, sendo apenas 40 para o Brasil. Já no ano de 1872, para um total de 4.499 emigrantes de Salerno, 4.081 dirigiram-se para o continente americano. E no ano de 1873, dos 4.947 emigrantes daquela província, 4.814 vieram para as Américas.

Nos relatórios consulares incluídos no volume dois da obra de Carpi, uma análise sobre os emigrantes italianos que viviam no Brasil entre os anos de 1869 e 1872 indica que a maioria era pobre, sem instrução nem capacidade para o exercício de funções que pudessem lhes proporcionar um bom rendimento. Assim despreparados, se obrigavam a aceitar qualquer trabalho ou a viver da caridade alheia. Mas, acrescenta o autor do relatório, no Brasil vivia um grande número de artistas de teatro e músicos italianos; em quase todas as cidades do Império existia um restaurante italiano; e, as atividades mais comuns para os demais era o comércio ambulante, a construção de estradas, funilaria e trabalho de garçom.

 

Zuleika Alvim (2) aborda a expectativa otimista que sustentava a decisão dos europeus pobres de emigrarem para um país chamado Brasil. Segundo ela, pregadores poloneses divulgavam a imagem de um país onde não faltavam alimentos; italianos cantavam que iriam para a terra da prosperidade, deixando o trabalho com a enxada para seus ricos senhores; a cantiga alemã ressaltava que partiriam com toda a família para a terra prometida, onde “se encontra ouro como areia”. Esta era, segundo a autora, a imagem que faziam do Brasil os imigrantes que começaram a chegar a partir de 1870. Que não foi, ressalta Alvim, imagem criada pelos agenciadores de mão-de-obra, mas introduzida na Europa pelos relatos de viajantes desde o século XVI.

Assim como outros analistas do processo, também Alvim se refere à passagem do sistema feudal para o de produção capitalista, com a concentração da terra nas mãos de poucos e os altos impostos transformando os pequenos proprietários em mão-de-obra para a nascente indústria. Em alguns países, a industrialização tardia não teve como absorver o excedente de trabalhadores que, além disso, paulatinamente tiveram algumas de suas tarefas absorvidas por máquinas.

A fome e a miséria tornaram-se ameaça constante, preocupando os dirigentes que temiam revoltas populares incontroláveis. Emigrar foi, portanto, a solução encontrada do lado de lá do Atlântico e, do lado de cá, países em desenvolvimento como Brasil e Argentina começaram a atrair imigrantes para ocupar suas terras. Segundo Alvim, “mais de 50 milhões de europeus deixaram o continente entre 1830 e 1930”, sendo que 22% deles vieram para a América Latina e os italianos eram 38% dos imigrantes que se fizeram ao mar. Na Itália, lembra a mesma autora, “o verbo buscar ganhou destaque. Buscou-se trabalho primeiramente nas cidades, e em seguida nos países vizinhos, estabelecendo-se uma migração sazonal”.

Sobre esta imigração ainda será o artigo que ocupará este espaço na próxima edição do Jornal. Aguardem.


Fontes Consultadas:

1 – CARPI, Leone. Delle Colonie e dell’Emigrazione d’Italiani all’Estero sotto l’Aspetto dell’Industria, Commercio ed Agricoltura e com Trattazione d’Importanti Questioni Sociali. Milano: Lombarda, 1874. v.1

2 – ALVIM, Zuleika. Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo. In: SEVCENKO, Nicolau (org.) História da vida privada. v.3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 342 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2017

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Filhos e netos de Biase Lammoglia e Filomena Schettino

Atualizamos o quadro de descendentes de Biase Lammoglia e Filomena Schettino, para atender consulta de visitante do site.

Há vários homônimos de Biase e do filho Antonio e não foi possível distinguir quais informações se referem a cada grupo. É possível que membros da família tenham se instalado inicialmente no estado do Rio de Janeiro e mais tarde se transferido para a zona da mata mineira.

No estado de Minas há referências a Astolfo Dutra, Carangola e Leopoldina. No estado do Rio as indicações são Carmo e Sapucaia.

Além de casamentos com descendentes de imigrantes como Lorenzetto, os descendentes se uniram também a tradicionais famílias de Leopoldina como Fajardo, Ferreira e Lacerda França.

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Descendentes de Sante Pengo

A pedido de visitante do site, apresentamos um quadro de descendentes dos italianos Sante Pengo e Felicità Antonia Spizzolatta, com as datas e locais de nascimento que encontramos.

O casal pode ter passado ao Brasil por volta de 1888 e vivido em Leopoldina, segundo indicam os batismos dos quatro primeiros filhos. Após o batismo de Sebastiana, em março de 1897, a família teria ido para a Itália e logo depois retornado, conforme se depreende de um registro na Hospedaria Horta Barbosa de setembro de 1897. Este procedimento aconteceu com várias famílias. Entretanto, o que nos surpreende é o pequeno intervalo de tempo entre o batismo da criança, a viagem para a Itália e o retorno.

No registro da entrada no Brasil em 1897, consta que saíram da Hospedaria no dia 24 de setembro com destino a Ponte Nova, MG. Algum tempo depois, estavam de volta a Leopoldina, onde nasceu e foi batizado o filho caçula, em 1903.

O estudo sobre a família é bastante difícil pelas profundas alterações sofridas nos nomes dos componentes e por não contarmos com pistas que permitam ampliar as buscas.

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Maria das Dores Neto: 150 anos

No dia 13 de novembro de 1867 nasceu Maria das Dores Neto, filha de Maria Luiza ou Bernarda da Silva e de Pedro Machado Neto, neta paterna de Joaquim Machado Neto e Ana Tereza de Jesus.

Seu pai era proprietário de lote nas proximidades de onde mais tarde foi construída a Capela de Santo Antonio de Pádua, ou Capela da Onça, sede da Colônia Agrícola da Constança.

Aos 15 anos Maria das Dores casou-se com José Gonçalves da Fonseca, filho de Severo José Galdino da Fonseca e Ana Custódia Tereza de Jesus, sendo neto paterno de Bernardo José da Fonseca, o povoador que formou a Fazenda da Grama, ao sopé do Morro do Cruzeiro. Pela avó paterna Ana de Souza da Guarda, José Gonçalves era bisneto de Ana e Alvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda, ancestrais de muitos leopoldinenses.

Embora tenha sido encontrado um batismo de filho de Maria das Dores e José Gonçalves, ao que tudo indica o menino de nome Estêvão, nascido em setembro de 1883, faleceu antes de setembro de 1887 quando Maria das Dores casou-se pela segunda vez. Seu marido, Julius Dietz, nascido em Petrópolis em dezembro de 1860, era filho dos alemães Philipp Dietz e Philippina Katharina Deubert, proprietários de um sítio cortado pelo então caminho que levava ao distrito de Tebas, onde Philipp tinha uma oficina de ferreiro. Julius faleceu nove anos depois, sem deixar geração.

Por volta de 1898, Maria das Dores casou-se pela terceira vez, com Lino Gonçalves, nascido em 1873 em El Rozal, Pontevedra, Espanha, filho de Francisco Gonçalves e Maria Tereza Alvarez.  Residiram numa divisão da Fazenda Purys que, segundo a escritura de venda feita em 1924, foi a herança que Maria das Dores recebeu do segundo marido, Julius Dietz. Deste terceiro casamento também não houve geração.

Após vender as terras que a esposa herdara, Lino estabeleceu-se no Alto da Ventania, onde ajudou muitos imigrantes que passavam por dificuldades. Com o arruamento surgido em sua propriedade, o local passou a ser conhecido como Bairro Lino Gonçalves, mais tarde pertencente ao Bairro Praça da Bandeira. A Lei Municipal nr 948, de 17/10/1973, dá o nome de Lino Gonçalves à uma rua que liga a Rua Marechal Deodoro da Fonseca à Rua Antonio de Almeida Ramos, no Bairro Praça da Bandeira.

 

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Descendentes de Federico Carraro

1-Federico Carraro, filho de Andrea Carraro e Antonia Masuolo, nasceu cerca de 1861 em Mirano, Venezia, Veneto, Italia.

  • Chegou ao Brasil pelo Vapor Washington em Out 1888.
  • Saiu da Hospedaria Horta Barbosa com destino a Leopoldina a 5 Nov 1888.

Federico casou com Rosa Giovanna Calzavara, filha de Gregorio Calzavara e Antonia Benfatto,  a 27 Set 1888 em Pianiga, Venezia. Rosa nasceu cerca de 1867 em Pianiga. Eles tiveram dez filhos: Raimundo Brizol, José Luiz, Maria, Virginia Rosa, Jacobina, Maximino, Amalia, Maria, Ricardo e Sebastião Vitório.

1.1-Raimundo Brizol Carraro nasceu a 27 Jan 1890 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 23 Mar 1890 em Leopoldina, MG.


1.2-José Luiz Carraro nasceu a 14 Set 1891 em Leopoldina, MG, e faleceu a 13 Mar 1917 em Leopoldina, MG com 25 anos de idade.

Padrinhos de batismo: Luigi Cagliari e Maria Zampieri. Foi baptizado a 3 Out 1891 em Leopoldina, MG.


1.3-Maria Carraro nasceu a 19 Mar 1893 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Zampier José e Avutão Virginia. Foi baptizada a 20 Abr 1893 em Leopoldina, MG.


1.4-Virginia Rosa Carraro nasceu cerca de 1894.

Virginia casou com Alfredo Bartoli, filho de Pasquale Bartoli e Adele Gismondi,  a 22 Nov 1913 em Leopoldina, MG. Alfredo nasceu a 11 Mar 1891 em Chiaravalle, Ancona, Marche, Italia. Eles tiveram quatro filhos: Antonio, Rosa, Avelina e José.

1.4.1-Antonio Bartoli nasceu a 24 Jun 1915 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 22 Ago 1915 em Leopoldina, MG.

1.4.2-Rosa Bartoli nasceu a 29 Jan 1917 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Belizario Carrara e Joanina Carrara. Foi baptizada a 14 Abr 1917 em Leopoldina, MG.

1.4.3-Avelina Bartoli nasceu a 2 Abr 1919 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Santo Lorenzeto e Ercilia Carrara. Foi baptizada a 31 Mai 1919 em Leopoldina, MG.

1.4.4-José Bartoli nasceu a 14 Mar 1920 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 21 Abr 1921 em Leopoldina, MG.


1.5-Jacobina Carraro nasceu a 19 Mar 1897 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Emilio Marrano e Jacobina Fazolata. Foi baptizada a 20 Abr 1897 em Leopoldina, MG.


1.6-Maximino Carraro nasceu a 8 Out 1898 em Leopoldina, MG.

Foi baptizado a 29 Dez 1898 em Leopoldina, MG.


1.7-Amalia Carraro nasceu entre 14 Abr 1902 e 1903 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Outro nome para Amalia é Amelia Carraro.

Padrinhos de batismo: José e Amália Cassavara. Foi baptizada a 3 Mai 1903 em Piacatuba, Leopoldina, MG.

Amalia casou com José Giuliani, filho de Candido Giuliani e Maria Casella,  a 14 Mai 1921 em Leopoldina, MG. José nasceu a 8 Out 1896 em Leopoldina, MG.

Ele foi baptizado a 28 Nov 1896 em Leopoldina, MG.


1.8-Maria Carraro nasceu a 13 Jul 1905 em Leopoldina, MG; Fazenda Paraíso.

Foi baptizada a 15 Ago 1905 em Leopoldina, MG; Fazenda Paraíso.


1.9-Ricardo Carraro nasceu a 21 Mai 1907 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Octaviano Marinati e Ana Scantamboule. Foi baptizado a 23 Jun 1907 em Leopoldina, MG.


1.10-Sebastião Vitório Carraro nasceu a 20 Jan 1909 em Leopoldina, MG.

Padrinhos de batismo: Victorio Brunazzo e Maria Toscana. Foi baptizado a 14 Mar 1909 em Leopoldina, MG.

 

 

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Minelli: atualização do estudo sobre esta família italiana

Segundo notícia do Jornal do Commercio de 27 de agosto, edição número 237 página 6, às 20 horas do dia 26 de agosto de 1897 chegou à Ilha Grande (Rio de Janeiro) o paquete italiano Attività, procedente de Genova e escalas, com 788 italianos na 3ª classe. Com 27 dias de duração, a viagem trouxe imigrantes que se destinavam a Minas Gerais, os quais não passaram pela Hospedaria da Ilha das Flores, conforme se verifica no respectivo livro número 89. No dia 27, foram registrados na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora e quatro dias depois começaram a sair com destino a diversas cidades da zona da mata mineira. Para o município de Leopoldina vieram 270 pessoas dos seguintes sobrenomes:

Bardino, Beccari, Borghi, Casu, Conti, Facchini, Faedela, Ferretti, Gigli, Guidotti, Laffi, Lenzi, Lipparini, Loi, Lolli, Manca, Manella, Marchi, Marongiu, Mazotti, Mazzanti, Minelli, Mocci, Orati, Pazzaglia, Pedrini, Porcu, Rosa, Rubini, Sabbi, Scala, Soldati, Tassi, Tibaldi, Tonello, Tonioni, Toro, Vecchi, Ventura, Zannini, Zappoti, Zecchini, Zoncheddu e Zucca.

A maioria era proveniente da Emilia Romagna. Os demais eram da Sardegna. Nem todos ficaram em Leopoldina. Há relatos de fuga por tratamento inadequado em fazendas. Alguns ficaram pouco tempo trabalhando para o primeiro contratante e se transferiram para outros municípios. Da mesma forma, imigrantes destinados a localidades vizinhas vieram a se estabelecer definitivamente em Leopoldina alguns anos depois.

Entre os passageiros desta viagem do Attività, estavam os Minelli. O genearca do grupo foi Giacomo Emilio Minelli, nascido por volta de 1855 em Malfolle, localidade do comune de Marzabotto, província de Bologna. Era filho de Angelo Minelli e Maria Angela Caroli. Pelo que nos foi possível apurar, Giacomo teve pelo menos quatro irmãos: Saturno, Giuseppe, Gaetano e Federico, alguns nascidos em Malfolle e outros em Montasico, também Marzabotto. Na década de 1880, todos viviam em Marzabotto e eram colonos agricultores, ou seja, trabalhavam sob contrato com proprietários de terras.

Aos 24 de novembro de 1884, Giacomo Minelli casou-se com Albina Bruni, com quem teve a filha Clelia Adalgisa Maria Minelli, nascida no dia 15 de janeiro daquele ano. Albina estava com 22 anos, era natural de Grizzana Morandi, também na Bologna, sendo filha de Carlo Bruni e Catterina Mondassi.

O segundo filho do casal foi Antonio Alfonso Giuseppe Minelli, nascido no dia 22 de outubro de 1886 em San Martino. Dois anos depois, aos 19 de dezembro de 1888, nasceu o terceiro filho: Arnoldo Ponziano Alessandro Minelli.

Os leitores poderão estranhar os nomes porque em Leopoldina passaram a ser conhecidos como Adalgisa, Antonino e Ernesto. Os outros filhos do casal foram registrados com nome único:

– Giulio Minelli, nascido no dia 23 de novembro de 1891 em Montasico;

– Alfonso Minelli, nascido aos 28 de abril de 1894, também em Montasico.

Deste último não tivemos outras notícias após a saída da Hospedaria, no dia 31 de agosto de 1897. Por outro lado, encontramos o casamento de uma filha do casal nascida no Brasil, como se verá adiante.

1 – Clelia Adalgisa Maria Minelli, conhecida como Adalgisa, casou-se em Leopoldina no dia 30 de abril de 1910 com Alipio Ribeiro Macieira Filho, filho de Alipio Ribeiro Macieira e Angela da Costa. Adalgisa e Alipio tiveram, pelo menos, seis filhos nascidos no município de Leopoldina: Augusto, Angela, Carmen, Leonira, Marina e Omar Macieira. Alipio morreu em maio de 1935 e Adalgisa em janeiro de 1979.

2 – Antonio Alfonso Giuseppe Minelli, conhecido como Antonino, casou-se em Leopoldina aos 16 de janeiro de 1909 com Marina Fontanella, nascida no Piemonte, Italia, aos 22 de julho de 1889. Ela era filha de Francesco Fontanella e Verginia Gronda que passaram ao Brasil em 1899 com cinco filhos pequenos. Foram contratados para trabalhar em fazenda no mesmo distrito de Abaíba onde os Minelli viviam há um ano e meio.

Segundo informações de familiares, Antonino e Marina tiveram 8 filhos nascidos em Leopoldina. Entretanto, só encontramos nascimento de cinco e uma das filhas era desconhecida dos parentes. Até o momento temos os seguintes nomes: Maria, Acirema, Maria Francisca, Emilia, Helena, José, Ida, Nair e Geraldo Minelli.

3 – Arnoldo Ponziano Alessandro Minelli, conhecido como Ernesto, casou-se em Leopoldina no dia 10 de julho de 1916, com Djanira Ismenia de Jesus, filha de Ismeria Ignacia de Jesus. Não localizamos nascimentos de filhos do casal. Ernesto faleceu aos 12 de junho de 1963 em Leopoldina.

4 – Giulio Minelli, conhecido como Julio, casou-se em Leopoldina no dia 8 de dezembro de 1917, com Maria da Conceição Lopes de Barros. Ela era natural de Leopoldina, filha de Manoel Lopes de Barros e Alice da Costa Ribeiro que era filha de Alipio Ribeiro Macieira e Angela da Costa. Ou seja, a esposa de Julio Minelli era irmã do marido de Adalgisa Minelli. Embora tenhamos encontrado nascimento de apenas três filhos, segundo familiares o casal Julio e Maria da Conceição gerou nove filhos: Antonio, Alice, Lourenço, Moacir, Alcidio, Elia, Maria, Helida e Zelia. Julio faleceu em Leopoldina no dia 1 de junho de 1981.

5 – Alfonso Minelli pode ter falecido na infância e, conforme já dissemos, dele não encontramos referências.

6 – Angelina Minelli foi a filha brasileira de Giacomo e Albina. Segundo o registro de seu casamento, teria nascido em março de 1901 em Cachoeira Alegre que, na época, fazia parte do município de Muriaé mas logo depois se tornou distrito de Palma. Com a criação do município de Barão de Monte Alto em 1962, Cachoeira Alegre lhe foi incorporada.

Caso se confirme o nascimento de Angelina em Cachoeira Alegre, Giacomo Minelli teria ficado menos de quatro anos em Abaíba, repetindo trajetória de outros imigrantes que chegaram pelo vapor Attività em 1897 e foram contratados para trabalhar naquele distrito de Leopoldina. Informações orais dão conta de que três famílias que vieram pelo Attività e foram para Abaíba, antes de 1900 estavam em Morro Alto, hoje Barão de Monte Alto. Duas outras saíram de Abaíba na mesma época e se estabeleceram em Astolfo Dutra.

Angelina Minelli se casou em Leopoldina, no dia 27 de abril de 1918, com José da Cruz Cabral, natural de Ubá, filho de Manoel da Cruz Cabral Júnior e Luiza de Aguiar Cabral.

Manoel da Cruz Cabral Júnior era natural de Diamantina, filho de Manoel da Cruz Silva e de Ana Inocência da Cruz. Casou-se em Leopoldina aos 6 de outubro de 1895 com Luiza de Aguiar Cabral, natural de Leopoldina, filha de Antonio Tomaz de Aquino Cabral e Rosa Vitalina. Antonio Tomaz era filho de José Tomaz de Aquino Cabral, fazendeiro de café em Ribeiro Junqueira.

Angelina e José foram pais Leonidio, Maria das Neves e Amelia que se casou com Walter Fontanella, sobrinho da Marina Fontanella esposa de Antonino Minelli.

Esta atualização tem por objetivo corrigir informações divergentes prestadas por colaboradores sobre a primeira geração descendente de Giacomo Minelli e Albina Bruni. Posteriormente poderão ser feitas novas buscas com vistas a confirmar ou corrigir dados da segunda geração, razão pela qual não a incluímos neste estudo.

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74 – Pelo aniversário da Imigração Italiana em Leopoldina

            Neste artigo que pretende marcar a comemoração dos 137 anos da Imigração Italiana em Leopoldina e os 107 anos da Colônia Agrícola da Constança, o Trem de História fugirá um pouco da linha sem deixar a composição descarrilar, para contar um pouco da história da sua própria história.

Desde 2010, quando comemoramos festivamente o Centenário da Colônia Agrícola da Constança, criada aos 12 de abril de 1910, a primeira quinzena de abril passou a ser, para nós, a época em que todo ano homenageamos as famílias que deixaram sua terra natal e vieram contribuir para o desenvolvimento da nossa Leopoldina.

Naquele evento nós comemoramos, também, os 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, considerando que foi no ano de 1880 que se produziram as mais antigas fontes documentando a presença deles em nosso município. Foi nesse ano que começou a se formar o núcleo estrangeiro mais numeroso por aqui, do qual descende grande número dos atuais leopoldinenses.

Quando iniciamos nossas pesquisas, lá se vão mais de vinte anos, o assunto era desconhecido da grande maioria.Muitos se surpreendiam com nossas informações. Pareciam não acreditar no que viam e descobriam sobre seus antepassados. Porque pouco se sabia sobre a Colônia e menos ainda sobre a imigração italiana em Leopoldina.

Aliás, o primeiro trabalho de peso que divulgou a existência de uma colônia de imigrantes em Leopoldina foi produzido como tese de doutoramento por Norma de Góes Monteiro em 1973 e só atingiu o grande público vinte anos depois, em 1994, quando foi publicado em livro.

E como o conhecimento do passado não existe sem pesquisa, foi preciso um longo trabalho de levantamento de dados até que pudéssemos reuni-los inicialmente numa série de artigos publicados em jornal local de 1999 a 2001, ampliados para nova série publicada entre 2006 e 2010 quando então foram compilados num e-book.

Desde então, muitas pessoas nos procuram para pedir informações ou para colaborar com a ampliação do conhecimento sobre o assunto, gerando novas buscas de fontes probatórias e, consequentemente, a descoberta de novos dados. Assim é que, hoje, a lista de sobrenomes estrangeiros em Leopoldina é consideravelmente maior do que a divulgada há sete anos. E poderá aumentar se novas buscas forem realizadas.

Mas agora queremos reiterar informações já conhecidas, de modo a homenagear todos os imigrantes através de representantes daqueles primeiros tempos.

Conforme dissemos acima, as mais antigas referências à presença de italianos em Leopoldina são de 1880. Uma delas é o casamento de Nicola Pagano com Maria Giovanna Appratti. No ano anterior, no então distrito de Recreio, haviam se casado Giovanni Tambasco e Maria Amélia Guimarães, sendo ele irmão de Sebastiano Tambasco que morava em Leopoldina. Através de relações de compadrio ou comerciais destes personagens, sabemos que aqui também já viviam Filomena Brando, Francesco Conte, Nicola Eboli, Francesco e Giuseppe Biaggio Pagano, Nicola Sabino, e, provavelmente, o casal Vincenzo Appratti e Antonia Pagano.

Sem contar com outros estrangeiros que já viviam por aqui, mas cujos dados não conseguimos apurar, a década de 1880 veio ampliar consideravelmente a presença de italianos, assim como a chegada de portugueses continentais e das ilhas atlânticas, além de espanhóis. De tal sorte que em todos os distritos são encontradas referências a imigrantes trabalhando em fazendas ou em profissões autônomas nos povoados. Até que, na última década daquele século, organizou-se uma colônia municipal onde muitos deles se estabeleceram.

E em 1910, com a criação da Colônia Agrícola da Constança, em terras que fizeram parte das antigas fazendas Boa Sorte, Constança e Dona Antonia, foram demarcados lotes a serem vendidos aos imigrantes. A organização do núcleo colonial fora iniciada no ano anterior, quando os primeiros 10 lotes foram ocupados. O total de unidades ultrapassou 60 lotes, cada um deles com uma casa de morada e, tendo em média 5 alqueires de terra. Estes lotes eram financiados com o pagamento através de prestações anuais representativas de 20% da arrecadação da colheita agrícola de cada colono proprietário. A partir da aquisição do lote, com muito trabalho de parte de todos da família, aos poucos os colonos foram adquirindo carros de bois, carroças, arados, grade rústica puxada por animais e outros implementos, com o auxílio da administração da Colônia o que melhorava a produção e a qualidade de vida da família.

Vale registrar que o Estado administrou esta Colônia fornecendo máquinas, equipamentos e sementes até sua emancipação em 1921. Mas os imigrantes italianos da Colônia Agrícola da Constança, e os do comércio e atividades em geral, continuaram na luta diária, produzindo e contribuindo para o desenvolvimento dos seus e da cidade de Leopoldina. Fazendo-se  respeitados  e merecedores dos aplausos de todos.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Chegou a hora de preparar a carga para a próxima viagem que virá para as comemorações do aniversário da cidade. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 329 no jornal Leopoldinense de 16 de abril  de 2017

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