Arquivos da categoria: História do Brasil

Postagens que abordam aspectos da História do Brasil.

A América do Sul no mapa mural de Willem Blaeu de 1608: contribuições para a construção do continente

Artigo de Andréa Doré, publicado no Revista Domínios da Imagem, volume 9, número 17, 2015

Resumo

A idade de ouro da cartográfica holandesa que se desenvolveu no final do século XVI e ao longo do século XVII foi a mais rica e criativa na produção de mapas murais, feitos para decorar as paredes de palácios, salas de famílias nobres, bibliotecas de homens de estado ou de ricos comerciantes. Este artigo apresenta alguns aspectos relativos à América do Sul contidos no mapa mural de Willem Jansz Blaeu, de 1608, intitulado America quarta pars orbis, considerado um dos mais influentes mapas da América. Interessa especialmente destacar as fontes e as escolhas feitas pelos autores – cartógrafo e gravador – concernentes às representações de homens e mulheres, habitantes naturais da terra, e as cidades já existentes ou inauguradas pelos europeus.

A autora observa que as representações da América demonstram “um desejo de ‘domesticar’ o Novo Mundo” para que se tornasse adequado à visão europeia. Como consequência, ocorreu uma espécie de apagamento da heterogeneidade aqui existente e a ideia de que o continente foi “uma invenção ou construção” dos europeus.

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História da cartografia brasileira e mapoteconomia segundo Jaime Cortesão

Artigo de Francisco Roque de Oliveira publicado na revista Terra Brasilis (Nova Série) [Online], 4, 2015, no qual chama a atenção para o fato de Cortesão estar “consciente do desafio que representava realizar um curso de história da cartografia do Brasil quando estava por fazer um inventário completo dos mapas existentes”.

Resumo:

“Entre 1944 e 1950, o polígrafo português Jaime Cortesão leccionou no Ministério das Relações Exteriores do Brasil uma série de cursos sobre história da cartografia, o processo de formação territorial brasileira e mapoteconomia cursos vocacionados, simultaneamente, para a preparação dos candidatos à carreira diplomática e a formação em cartografia e catalogação do pessoal da Mapoteca do Itamaraty. Estes cursos constituíram uma parcela central da actividade científica e cultural que Cortesão realizou no Brasil, tendo estado na génese de algumas das principais obras que escreveu durante os anos em que viveu exilado neste país (1940-1957). Este artigo centra-se na descrição dos conteúdos e do enquadramento científico, institucional e político do primeiro programa de estudos preparado por Cortesão para os seus alunos do Itamaraty, em 1944. Será dada particular atenção aos sucessivos projectos de programa preparados por Cortesão para o curso desse ano e que antecederam a versão final transmitida nas aulas.”

 Leia a íntegra:

História da cartografia brasileira e mapoteconomia segundo Jaime Cortesão.

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Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira

Artigo de Enali De Biaggi publicado na revista Terra Brasilis (Nova Série), 4, 2015

Resumo:

“No momento da independência, os documentos cartográficos reunidos no Brasil são mobilizados para reforçar o argumento tradicional “uti possedetis” de posse, para lidar com os vários litígios de fronteiras típicos das novas nações sul americanas. A indefinição de limites do país permanece ao longo de todo o século XIX, mas a diplomacia brasileira consegue progressivamente justificar a ocupação real das terras, fazendo um uso hábil dos mapas disponíveis. Os mapas do Império buscam dar uma imagem positiva do país, mostrando o caráter “civilizado” da nova nação. Realizados por civis e militares formados nas novas escolas brasileiras, estrangeiros e brasileiros se sucedem nas novas instituições responsáveis pela cartografia nacional. Sem meios de realizar um levantamento sistemático total do país, os novos mapas são frutos de extensas compilações e não fornecem detalhes sobre a distribuição e a gestão interna do imenso território brasileiro.”

Leia a íntegra:

Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira.

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O estrangeiro na obra de Plínio Salgado

“Plínio foi muito influenciado pelos debates daquele momento [década de 1920], particularmente, pelo movimento modernista, questão nacionalista e proposta da eugenia paulista, era o solo fértil de que o autor necessitava para se aprimorar intelectualmente, apropriando-se destas matrizes que foram acrescidas às de sua formação, em São Bento do Sapucaí.”

Artigo de Maria Izilda Santos de Matos e Leandro Pereira Gonçalves publicado na Revista Patrimônio e Memória, São Paulo, Unesp, v. 10, n. 1, p. 157-182, janeiro-junho, 2014

Resumo

Plínio Salgado é conhecido como líder e mentor do movimento integralista, todavia, a sua atuação literária teve grande destaque no cenário cultural brasileiro e português. Na sua ampla produção, merece menção o romance O estrangeiro (1926), no qual destaca a figura do imigrante no desenvolvimento da nação e aprofunda a crítica à sociedade de então, refletindo sobre o modelo nacionalista a ser empregado no Brasil. Esta pesquisa buscará analisar esta obra em interface com as propostas dos eugenistas paulistas sobre a questão da imigração.

Leia o artigo neste endereço.

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A história militar como a história do brasil: identidade nacional e usos do passado em Gustavo Barroso

“Gustavo Barroso (1888-1959), intelectual cearense, é comumente lembrado como estudioso do patrimônio histórico – devido a sua atuação no Museu Histórico Nacional por aproximadamente trinta e cinco anos – e partícipe da Ação Integralista Brasileira – considerado o principal expoente do antissemitismo no Brasil.”

Assim começa o artigo de Erika Morais Cerqueira publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 5, N.1, Janeiro-Julho de 2014, sob o seguinte resumo:

 Este artigo analisa algumas das ideias do intelectual Gustavo Barroso referentes à historiografia e aos historiadores do Brasil. A fonte principal é o livro A História Militar do Brasil (1938), e a abordagem focaliza a tensão — presente em seus textos e em sua época — entre a busca da imparcialidade científica e as exigências de posicionamento intelectual em defesa da nação. O objetivo é compreender a questão proposta por Barroso acerca da formação do Brasil, considerando o vínculo entre história militar e usos do passado.

Leia o artigo na íntegra neste endereço.

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O uso político da Conjuração Mineira

“Um dos ideais apresentados n’O Arauto de Minas era que os inconfidentes tinham lutado com afinco pela independência do Brasil, e mesmo tendo falhado, o germe de suas aspirações à liberdade tinha permanecido latente entre seus contemporâneos.”

Declaração de Augusto Henrique Assis Resende no artigo publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 4, N.2, Agosto-Dezembro de 2013.

Resumo: Esta pesquisa propõe analisar a maneira como políticos conservadores e republicanos do último quartel do século XIX utilizaram a imagem dos conjurados mineiros para legitimar seus ideais. Monarquistas e republicanos buscariam em um passado pouco conhecido de fato, a Conjuração Mineira, um alento e uma inspiração, respectivamente a seus projetos. Do lado monarquista, um jornal de São João del-Rei – O Arauto de Minas – ligado ao partido Conservador assume a tarefa de difundir entre seus leitores e correligionários a ideia da conectividade entre o elemento simbólico da Inconfidência Mineira e o Império Brasileiro. Tal associação era baseada nos difundidos pressupostos dos conjurados: independência e liberdade; e que foram concretizados em 1822. Relativo à República, A Patria Mineira, jornal da mesma cidade defende a suposta orientação republicana dos inconfidentes. Daí surge a vindoura associação entre os inconfidentes e o novo regime, que surgiria em 1889 e que faria destes um de seus mais importantes sustentáculos. Há ainda a utilização de um terceiro jornal desta cidade mineira, O Tribunal, que é utilizado para um contraponto das ideias apresentadas nos dois primeiros.

Leia aqui a íntegra do artigo.

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15 – Irradiação – parte II

logo da coluna Trem de História

Como ficou dito no artigo anterior, o Trem de História segue a mesma toada tratando ainda da bagagem do jornal Irradiação, o mais claramente político dos periódicos de Leopoldina do final do século XIX.

E para prender um vagão ao outro, recomeça a história contando que a divulgação das ideias republicanas chega a uma incidência um pouco maior em algumas das edições analisadas, como ocorreu na de número 62, datada de 21 de abril de 1889. Nela, além de noticiar o lançamento de novos órgãos do Partido Republicano em São João del Rei, Ubá e no estado do Pará, de rechaçar notícias falsas sobre o Club Republicano do Pará e comentar a eleição de um vereador republicano em Rio Novo, foi noticiado em cores fortes o atentado contra o republicano Nilo Peçanha em Lage do Muriaé e foi publicada uma forte reclamação contra o delegado de Conceição da Boa Vista por ter soltado os manifestantes que provocaram distúrbios em fevereiro daquele ano, com o objetivo de impedir a conferência republicana. O mesmo acontece na edição de 26 de junho de 1889, quase toda ela preenchida com notícias políticas. Na de número 71, um editorial transcrito do jornal O Movimento comparou a República do Haiti com a Monarquia do Brasil, afirmando que enquanto os partidários do

“velho sistema monárquico […] continuam a devorar a melhor seiva deste povo por demais explorado; enquanto forem apontando e dilapidando os cofres públicos, iremos apontando as nossas desgraças e mostrando a felicidade e riqueza das nações irmãs pelo continente”. E mais adiante informa que “a população do Império do Brasil sendo 15 vezes maior do que a do Haiti, para que os dois países estivessem em igualdade de circunstâncias seria preciso que todos os dados estatísticos relativos ao Brasil fossem 15 vezes maiores do que os do Haiti”.

Aqui vale uma explicação pertinente, à moda de uma nota de rodapé: Pensar nesta comparação hoje, século XXI, 125 anos depois de ter sido escrita, poderá gerar incredulidade e espanto naqueles que desconhecem os meandros da história e apenas sabem que o Haiti atualmente se encontra em situação política e econômica muito delicada. Entretanto, a matéria faz alusão aos benefícios que a República, sistema político vigente na ilha caribenha naquela época, trazia para a população e que, na opinião do articulista, não era prática da nossa monarquia.

Voltando ao trilho da história, é bom que se diga que o jornal muitas vezes divulgava, também, matérias sobre os Clubes da Lavoura, instituições que começaram a surgir na região de Leopoldina no início da década de 1880 e que tinham por objetivo substituir a mão de obra escrava pelo trabalhador livre. E, também, matérias sobre temas recorrentes como a imigração.

Uma destas matérias, que também merece uma nota de rodapé para lembrar o leitor sobre a época em que foi escrita, diz:

“Na opinião desses […] o chinês é a jaça, que desmerecerá o valor moral, intelectual, físico e… nem sabemos mais qual outro, das populações que o Brasil tem de atrair para seus extensos vales e férteis montanhas”. E prossegue: “vícios, trazem-nos europeus e asiáticos; virtudes trazem-nas também ambos, a menos que nos provem, coisa simplesmente impossível, que ao lado das mais peregrinas virtudes, que podem exaltar os povos, não rastejam por toda parte, formando embaixo relevo das misérias humanas, o vício em todas as suas formas de tendências, hábitos e ações”.  Mais adiante declara que “o ponto que nos deve interessar na questão [é] saber se as aptidões do chinês como trabalhador podem corresponder às condições do nosso país e satisfazer convenientemente a necessidade que nos assoberba”.

Interessante observar que o redator do Irradiação, Theophilo Alves Ribeiro, procedia do Ceará, primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. O que torna ainda mais difícil compreender a leitura de matéria publicada na edição de número 60, de abril de 1889, a respeito do serviço doméstico. Escreveu o redator:

“O serviço doméstico, por exemplo, de que se não cogitou ou se cogitou mal, foi abandonado como qualquer outro, reinando no interior das casas a mesma confusão que perturba e aniquila a atividade industrial. […] Se a parte pobre da população fugia do serviço doméstico; se as imigrações estrangeiras fugiam do país, explicavam uma e outra anomalia pela existência da instituição escrava; entretanto, esta desapareceu e com ela desapareceram também todos ou a maior parte dos que se empregavam no serviço doméstico e o estrangeiro só entra no país a custo de enormes sacrifícios da receita e de promessas…”.

E que não pense o leitor em censura porque o motivo para encerrar este artigo agora é bem outro. Acaba de chegar, pelo telégrafo da ferrovia, a mensagem:

– ENCERRAR HISTÓRIA IRRADIAÇÃO vg LEITOR QUER NOVIDADE pt TREM DE HISTÓRIA FALARÁ SOBRE GAZETA DE LESTE pt RECOLHER MATERIAL PRÓXIMO VAGÃO pt SAUDAÇÕES

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2015

Parte XI de A Imprensa em Leopodina (MG) entre 1879 e 1899

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Apogeu, crise e fim da colonização portuguesa na América

Este é o subtítulo da primeira aula do Curso de História do Brasil Colonial, da USP, em que são abordadas

as relações internacionais no final do século 17 e começo do 18, quando teve início a extração sistemática de ouro nas colônias portuguesas da América. Nessa época, o ouro passou a ser uma espécie de padrão regulador da economia e da riqueza mundial, influenciando fortemente a competição entre os países da Europa, que se expandia para outras partes do mundo.

 

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História do Brasil Colonial: Economia e sociedade do açúcar

A ementa informa que nesta segunda parte da aula, “o professor João Paulo Garrido Pimenta fala sobre a economia do açúcar no Recôncavo baiano. Destaque para o impacto da mineração na tendência de aumento do preço do açúcar branco nos engenhos da Bahia, responsável também pela diminuição nos intervalos entre as altas e baixas no valor de mercado do produto”.
Texto indicado:
SCHWARTZ, Stuart. Capítulo I: A grande lavoura açucareira: do Velho ao Novo Mundo. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835. São Paulo, Companhia das Letras, 1988.

Na primeira parte desta aula o professor dissera:

“A concepção cíclica da economia colonial enseja uma concepção equivocada de sucessão de gêneros coloniais, como se a ascensão de um correspondesse ao declínio de outro. […] A ideia de sucessão de ciclos não faz sentido. É uma simplificação excessiva da realidade”

Agora, declarou:

“Não há economia agroexportadora sem uma economia de abastecimento. Uma simplificação excessiva de alguns modelos historiográficos […] uma leitura excessivamente esquemática de obras [clássicas da economia colonial] nos leva à errônea conclusão de que a colônia vendia tudo o que produzia e comprava tudo o que ela precisava”.

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Os holandeses na América e a competição mundial do século XVII

Segunda parte de aula de História do Brasil Colonial do professor João Paulo Garrido Pimenta, da USP, na qual são projetadas “imagens das obras de pintores holandeses do século XVII como Rembrandt, Vermeer, Albert Eckhout, Frans Post” que ensejam análise das “paisagens e a representação pictórica de personagens, nativos e europeus, durante o período marcado pela presença dos colonizadores holandeses no Brasil, tais como eram imaginados”.

Texto básico para esta aula, conforme indicado na ementa do vídeo:

MELLO, Evaldo Cabral de. Capítulo I: A empresa da terra e a vitória do mar; Capítulo II: Produção, comércio e navegação (1630-1636). Olinda Restaurada. Guerra e Açúcar no Nordeste, 1630-1654. Rio de Janeiro. Forense Universitária/Edusp, 1975.

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