Arquivos da categoria: Colônia Constança

Referência à Colônia Agrícola da Constança, criada em Leopoldina em abril de 1910, esta categoria destina-se a postagens sobre imigrantes, sejam colonos ou não.

Caminho do Imigrante

No último dia 1 de novembro tivemos a grata surpresa de saber que foi aprovado o projeto de Lei que sugerimos em 2008.

Para recordar

Em 15 de maio de 2008, sob o título “Caminho dos Imigrantes”, publicanos no jornal Leopoldinense o texto em que apresentamos um desenho do local e “sugerindo respeitosamente à Câmara de Vereadores que transforme em Lei uma justa homenagem aos imigrantes, num projeto preferencialmente assinado por todos os Vereadores, concedendo o nome de CAMINHO DOS IMIGRANTES a esta via ainda sem denominação e, solicitando ao Prefeito Municipal as providências necessárias à revitalização do local.”

Imagem publicada no jornal Leopoldinense, no artigo Caminho dos Imigrantes, em 15 de maio de 2008.

Imagem publicada no jornal Leopoldinense, no artigo Caminho dos Imigrantes, em 15 de maio de 2008.

Leia a matéria completa.

No ano seguinte, mais precisamente no dia 30 de março de 2009, em nosso artigo no jornal Leopoldinense intitulado “Convite aos descendentes de Imigrantes”, reiteramos a sugestão de “uma lei dando o nome de ‘Caminho dos Imigrantes’ à pista lateral da BR-116 no trecho entre a Igrejinha de Santo Antonio à entrada da Boa Sorte”.

Leia o texto completo aqui.

Em 2010 o assunto voltou a ser mencionado no Resumo Histórico publicado pelo jornal Leopoldinense em abril, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina

Centenário da Colônia Agrícola da Constança

 

Ainda em 2010, lançamos a edição virtual do livro “Imigração em Leopoldina : história da Colônia Agrícola da Constança”, em cuja página 132 inserimos nossa sugestão de criação do Caminho dos Imigrantes.

IMIGRAÇÃO EM LEOPOLDINA : HISTÓRIA DA COLÔNIA AGRÍCOLA DA CONSTANÇA

 

O assunto continuou a ser lembrado nos anos seguintes e em 2015 foi mencionado em dois de nossos textos. Em fevereiro, para marcar o “Dia do Imigrante Italiano”, lembramos a sugestão que havíamos encaminhado para a Câmara dos Vereadores em 2008.

Leia aqui.

E no dia 16 de abril, voltamos ao assunto no texto que marcou a passagem de mais um aniversário de fundação da Colônia Agrícola da Constança.

Veja o texto aqui.

Portanto, a notícia de que finalmente temos o Caminho do Imigrante, foi recebida com muito entusiasmo. Esperamos que seja o primeiro passo para revitalizar a área da antiga Colônia Agrícola da Constança.

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Maria das Dores Neto: 150 anos

No dia 13 de novembro de 1867 nasceu Maria das Dores Neto, filha de Maria Luiza ou Bernarda da Silva e de Pedro Machado Neto, neta paterna de Joaquim Machado Neto e Ana Tereza de Jesus.

Seu pai era proprietário de lote nas proximidades de onde mais tarde foi construída a Capela de Santo Antonio de Pádua, ou Capela da Onça, sede da Colônia Agrícola da Constança.

Aos 15 anos Maria das Dores casou-se com José Gonçalves da Fonseca, filho de Severo José Galdino da Fonseca e Ana Custódia Tereza de Jesus, sendo neto paterno de Bernardo José da Fonseca, o povoador que formou a Fazenda da Grama, ao sopé do Morro do Cruzeiro. Pela avó paterna Ana de Souza da Guarda, José Gonçalves era bisneto de Ana e Alvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda, ancestrais de muitos leopoldinenses.

Embora tenha sido encontrado um batismo de filho de Maria das Dores e José Gonçalves, ao que tudo indica o menino de nome Estêvão, nascido em setembro de 1883, faleceu antes de setembro de 1887 quando Maria das Dores casou-se pela segunda vez. Seu marido, Julius Dietz, nascido em Petrópolis em dezembro de 1860, era filho dos alemães Philipp Dietz e Philippina Katharina Deubert, proprietários de um sítio cortado pelo então caminho que levava ao distrito de Tebas, onde Philipp tinha uma oficina de ferreiro. Julius faleceu nove anos depois, sem deixar geração.

Por volta de 1898, Maria das Dores casou-se pela terceira vez, com Lino Gonçalves, nascido em 1873 em El Rozal, Pontevedra, Espanha, filho de Francisco Gonçalves e Maria Tereza Alvarez.  Residiram numa divisão da Fazenda Purys que, segundo a escritura de venda feita em 1924, foi a herança que Maria das Dores recebeu do segundo marido, Julius Dietz. Deste terceiro casamento também não houve geração.

Após vender as terras que a esposa herdara, Lino estabeleceu-se no Alto da Ventania, onde ajudou muitos imigrantes que passavam por dificuldades. Com o arruamento surgido em sua propriedade, o local passou a ser conhecido como Bairro Lino Gonçalves, mais tarde pertencente ao Bairro Praça da Bandeira. A Lei Municipal nr 948, de 17/10/1973, dá o nome de Lino Gonçalves à uma rua que liga a Rua Marechal Deodoro da Fonseca à Rua Antonio de Almeida Ramos, no Bairro Praça da Bandeira.

 

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74 – Pelo aniversário da Imigração Italiana em Leopoldina

            Neste artigo que pretende marcar a comemoração dos 137 anos da Imigração Italiana em Leopoldina e os 107 anos da Colônia Agrícola da Constança, o Trem de História fugirá um pouco da linha sem deixar a composição descarrilar, para contar um pouco da história da sua própria história.

Desde 2010, quando comemoramos festivamente o Centenário da Colônia Agrícola da Constança, criada aos 12 de abril de 1910, a primeira quinzena de abril passou a ser, para nós, a época em que todo ano homenageamos as famílias que deixaram sua terra natal e vieram contribuir para o desenvolvimento da nossa Leopoldina.

Naquele evento nós comemoramos, também, os 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, considerando que foi no ano de 1880 que se produziram as mais antigas fontes documentando a presença deles em nosso município. Foi nesse ano que começou a se formar o núcleo estrangeiro mais numeroso por aqui, do qual descende grande número dos atuais leopoldinenses.

Quando iniciamos nossas pesquisas, lá se vão mais de vinte anos, o assunto era desconhecido da grande maioria.Muitos se surpreendiam com nossas informações. Pareciam não acreditar no que viam e descobriam sobre seus antepassados. Porque pouco se sabia sobre a Colônia e menos ainda sobre a imigração italiana em Leopoldina.

Aliás, o primeiro trabalho de peso que divulgou a existência de uma colônia de imigrantes em Leopoldina foi produzido como tese de doutoramento por Norma de Góes Monteiro em 1973 e só atingiu o grande público vinte anos depois, em 1994, quando foi publicado em livro.

E como o conhecimento do passado não existe sem pesquisa, foi preciso um longo trabalho de levantamento de dados até que pudéssemos reuni-los inicialmente numa série de artigos publicados em jornal local de 1999 a 2001, ampliados para nova série publicada entre 2006 e 2010 quando então foram compilados num e-book.

Desde então, muitas pessoas nos procuram para pedir informações ou para colaborar com a ampliação do conhecimento sobre o assunto, gerando novas buscas de fontes probatórias e, consequentemente, a descoberta de novos dados. Assim é que, hoje, a lista de sobrenomes estrangeiros em Leopoldina é consideravelmente maior do que a divulgada há sete anos. E poderá aumentar se novas buscas forem realizadas.

Mas agora queremos reiterar informações já conhecidas, de modo a homenagear todos os imigrantes através de representantes daqueles primeiros tempos.

Conforme dissemos acima, as mais antigas referências à presença de italianos em Leopoldina são de 1880. Uma delas é o casamento de Nicola Pagano com Maria Giovanna Appratti. No ano anterior, no então distrito de Recreio, haviam se casado Giovanni Tambasco e Maria Amélia Guimarães, sendo ele irmão de Sebastiano Tambasco que morava em Leopoldina. Através de relações de compadrio ou comerciais destes personagens, sabemos que aqui também já viviam Filomena Brando, Francesco Conte, Nicola Eboli, Francesco e Giuseppe Biaggio Pagano, Nicola Sabino, e, provavelmente, o casal Vincenzo Appratti e Antonia Pagano.

Sem contar com outros estrangeiros que já viviam por aqui, mas cujos dados não conseguimos apurar, a década de 1880 veio ampliar consideravelmente a presença de italianos, assim como a chegada de portugueses continentais e das ilhas atlânticas, além de espanhóis. De tal sorte que em todos os distritos são encontradas referências a imigrantes trabalhando em fazendas ou em profissões autônomas nos povoados. Até que, na última década daquele século, organizou-se uma colônia municipal onde muitos deles se estabeleceram.

E em 1910, com a criação da Colônia Agrícola da Constança, em terras que fizeram parte das antigas fazendas Boa Sorte, Constança e Dona Antonia, foram demarcados lotes a serem vendidos aos imigrantes. A organização do núcleo colonial fora iniciada no ano anterior, quando os primeiros 10 lotes foram ocupados. O total de unidades ultrapassou 60 lotes, cada um deles com uma casa de morada e, tendo em média 5 alqueires de terra. Estes lotes eram financiados com o pagamento através de prestações anuais representativas de 20% da arrecadação da colheita agrícola de cada colono proprietário. A partir da aquisição do lote, com muito trabalho de parte de todos da família, aos poucos os colonos foram adquirindo carros de bois, carroças, arados, grade rústica puxada por animais e outros implementos, com o auxílio da administração da Colônia o que melhorava a produção e a qualidade de vida da família.

Vale registrar que o Estado administrou esta Colônia fornecendo máquinas, equipamentos e sementes até sua emancipação em 1921. Mas os imigrantes italianos da Colônia Agrícola da Constança, e os do comércio e atividades em geral, continuaram na luta diária, produzindo e contribuindo para o desenvolvimento dos seus e da cidade de Leopoldina. Fazendo-se  respeitados  e merecedores dos aplausos de todos.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Chegou a hora de preparar a carga para a próxima viagem que virá para as comemorações do aniversário da cidade. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 329 no jornal Leopoldinense de 16 de abril  de 2017

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Família Marinato II

O segundo grupo de sobrenome Marinato, que chegou pelo vapor Washington no dia 30 de outubro de 1888, era chefiado por Giordano Marco Marinato. A família recebeu o número 153 na lista da Hospedaria Horta Barbosa, de onde saiu no dia 4 de novembro com destino a Leopoldina.

Giordano era neto paterno de Lorenzo Marinato e de Pasqua Marchiro, cujos sobrenomes aparecem desde o período napoleônico na região que outrora fizera parte do Graticolato Romano, ou seja, uma extensa área plana dividida pelos romanos em quadrados com 710 metros de lado, destinados à agricultura. Conforme temos comentado em todos os posts sobre os passageiros do vapor Washington, muitos deles viviam na divisa entre as províncias de Venezia e Padova. Sendo assim, os comuni de Mirano, Pianiga, Dolo e Vigonza são as principais referências para pesquisar o grupo. E como ser verá no relatório genealógico a seguir, os sobrenomes daqueles passageiros se misturaram ao chegarem a Leopoldina e alguns já vinham com ancestrais aparentados.

Embora nem todos tenham vivido na Colônia Agrícola da Constança, os vínculos familiares fizeram com que a maioria a frequentasse, ainda que esporadicamente. Uma das pessoas que nos procuraram interessadas em conhecer a história dos Marinatos fez um relato característico. Disse que seus avós levavam filhos e netos para a festa de Santo Antônio de Pádua, na Capela da Colônia, onde foram iniciados alguns namoros.

 

 

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Família Marinato I

O vapor Washington, na viagem que chegou ao Rio dia 30 de outubro de 1888, trouxe dois grupos de sobrenome Marinato. Há indicações de que ambos procediam do casal Lorenzo Marinato e Pasqua Marchiro, que viveu em Pianiga, província de Venezia. Entretanto, ainda não encontramos o vínculo de Giovanni Marinato com o casal Pasqua e Lorenzo.

O primeiro grupo, número 152, era composto por Pasqua Bernardi viúva, e seus filhos Otaviano e Lugia. Pasqua fora casada com Giovanni Marinato, com quem teve uma outra filha: Catterina Felicità, que se casou em Pianiga, em 1878, com Giacinto Giuseppe Marcatto. Este casal também veio para Leopoldina mas chegou ao Brasil apenas em 1896. Antes da viagem, receberam um crédito transferido por Otaviano Marinato, que então trabalhava na Fazenda Paraíso.

Pasqua, Otaviano e Luigia saíram da hospedaria no dia 4 de novembro com destino a Leopoldina, onde Otaviano e Luigia se casaram no dia 4 de maio de 1890. Ele se casou com Giudetta Scantamburlo que também chegou pelo vapor Washington. Conforme mencionado no texto sobre a Família Calzavara, publicado em 10 de abril, Giudetta foi listada na hospedaria com o nome de Regina e com saída em 4 de janeiro para Juiz de Fora.

Luigia Marinato se casou com Giuseppe Modesto Meneghetti, filho de Giulio Meneghetti e Giudetta Costa. Não sabemos quando a família do noivo chegou ao Brasil. No vapor Washington viajou uma família Meneghetti mas não conseguimos estabelecer vínculos entre eles.

Através da colaboração de descendentes, soubemos que Giuseppe e Luigia viveram numa colônia em Leopoldina, migraram para o interior de São Paulo e depois se radicaram no Paraná. Mas como a migração teria ocorrido antes de 1910, eles não podem ter vivido na Colônia Agrícola da Constança que ainda não tinha sido criada.

Embora não tenhamos encontrado os vínculos diretos, sabemos que as pessoas aqui mencionadas viviam na mesma região de outros passageiros do Washington já citados nesta revisão: entre Dolo e Pianiga, província de Venezia, e Vigonza, província de Padova. Esta conclusão foi possível pela análise de registros de casamentos, nascimentos e óbitos disponíveis no site Family Search, bem como no Portal Antenati, que reúne documentação de diversos arquivos públicos italianos.

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Família Gottardo

No prosseguimento da atualização de informações sobre os passageiros do vapor Washington, que aportou no Rio no dia 30 de outubro de 1888, hoje abordaremos o grupo chefiado por Antonio Gottardo que passou pouco tempo no Brasil, voltou para a Italia e depois veio de forma definitiva. O que chama a atenção, neste caso, é que desembarcaram apenas o pai e as filhas Maria e Regina, e uma filha desta de nome Angelina, no retorno em 1896,

Segundo o casamento de Angelina, ela teria nascido em Leopoldina em março de 1894, o que remete a viagem de parte da família Gottardo para a Italia a partir desta data. Regina tinha outra filha, de nome Petrina Antonieta, nascida e batizada em Leopoldina em 1891, que não desembarcou com a mãe em 1896. E pelo casamento de Angelina, soubemos que o pai dela, Achille Meneghetti, teria falecido em São Paulo.

Considerando que Antonio, as filhas Maria e Regina, a neta Angelina e talvez o genro Achille tenham ficado na Italia entre meados de 1894 e fevereiro de 1896, realizamos buscas na localidade onde o grupo teria vivido no período: Dolo, província de Venezia, bem próximo de Vigonza, onde Antonio Gottardo vivia antes da primeira viagem ao Brasil. Esclareça-se, a propósito, que o pai de Antonio chamava-se Domenico Gottardo e é provavelmente aquele que faleceu em 1877 em Dolo, sendo natural de Arino di Dolo e residente em Cazzago di Pianiga, localidades entre Dolo e Vigonza. Por conta desta informação, estendemos as buscas por estes lugares. Infelizmente, nada encontramos.

Em março de 1896, Antonio Gottardo desembarcou novamente no porto do Rio e foi encaminhado para a Hospedaria Horta Barbosa, de onde saiu no dia 17, com destino a Ubá. Pouco tempo depois já estava novamente em Leopoldina, onde a filha Regina se casou pela segunda vez, com Aquilino Castagna, em fevereiro de 1898. Em Leopoldina também se casaram outros filhos: Maria em 1901, Michele e Giovanni Battista em 1904, e Domenico se casou duas vezes, a primeira em 1914.

Em 1910, Giovanni Battista Gottardo adquiriu o lote 26 da Colônia Agrícola da Constança. Em 1912, faleceu Antonio Gottardo. Pouco depois a filha Regina mudou-se para Belo Horizonte com o segundo marido e os filhos deste casamento. Em meados da década de 1930 foi a vez do filho Michele transferir-se para o estado do Rio. Domenico, Giobatta e Maria permaneceram em Leopoldina. Não temos notícias dos filhos mais novos: Giuseppe e Antonia. A descendência conhecida de Antonio Gottardo já está na sétima geração.

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Família Fasolato

Os Fasolato que chegaram pelo vapor Washington, em outubro de 1888, saíram da Hospedaria Horta Barbosa no dia 5 de novembro com destino a Leopoldina. Poucas referências encontramos sobre eles no município. A última é de 1909, quando nasceu a neta Olívia.

Fontes orais indicam que algum membro da família teria vivido como agregado em lote da Colônia Agrícola da Constança. Considerando que Maria Fasolato se casou com um Meneghetti, investimos em buscas neste sentido mas nada foi encontrado. Parece que a família do marido de Maria migrou para o interior de São Paulo por volta de 1920.

No casamento de Sante Fasolato, consta que era natural de Campolongo Maggiore. Entretanto, não encontramos referências à família naquele comune.

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Família Cosini

No dia 30 de outubro de 1888, o vapor Washington atracou no Porto do Rio, trazendo imigrantes italianos que foram encaminhados para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora. No registro daquela instituição, a família de número 34 era composta por Agostino Battista Cosini, sua esposa Amalia Luigia Gobbi e os filhos Maria Augusta, Carlo e Francesco. No dia 3 de novembro eles saíram da hospedaria com destino a São José do Paraíba. Alguns anos depois, parte da família vivia em Leopoldina, nas proximidades da Colônia Agrícola da Constança.

Como se pode observar, esta família provinha de lugar diferente de outros passageiros que foram para a região de Leopoldina. No caso, eram da Lombardia, mais especificamente de Acquanegra sul Chiese, em Mantova.

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Família Ceoldo

Embora o sobrenome Ceoldo não apareça entre os proprietários de lotes da Colônia Agrícola da Constança, membros da família ali viveram em função de vínculos com os colonos. E são aqui rememorados porque o núcleo inicial também passou ao Brasil pelo vapor Washington, na viagem que os trouxe para o Rio, onde chegaram no dia 30 de outubro de 1888. Os passageiros foram encaminhados para a Hospedaria Horta Barbosa, onde foram registrados no dia seguinte.

O grupo de número 121 era composto por Camillo Ceoldo, sua esposa Maria e oito filhos. Deixaram a Hospedaria no dia 4 de novembro, com destino a Leopoldina. Ao estudarmos a trajetória deles, encontramos algumas inconsistências nas informações registradas na hospedaria, bem como nos registros encontrados em Leopoldina. Após consultas ao Archivio di Stato de Padova, pudemos confrontar as diversas informações e estabelecer, com mais segurança, a composição da família. Ainda assim, não consideramos como definitiva a atualização abaixo, que se publica em complemento ao primeiro estudo datado de janeiro de 2001.

Conforme se verifica no relatório acima, em Leopoldina os Ceoldo se vincularam a diversos outros sobrenomes de origem italiana como Estopazzale, Righetto, Farinazzo, Saggioro, Marcatto, Marinato, Meneghetti, Formenton, Sangalli, Sangirolami, Carraro, Stefani, Fofano, Gallito e Baldan.

Este último, além de ser o sobrenome da esposa de Camillo Ceoldo, era também de uma passageira do Washington listada como viajante individual, de nome Catterina Baldan que ali foi indicada como solteira, com 24 anos, e que saiu da Hospedaria no dia 4 de novembro para se estabelecer no próprio município de Juiz de Fora. Mas parece tratar-se da irmã de outra Maria Baldan que era casada com Pasquale Righetto, família que também viajou pelo Washington. Catterina casou-se em Leopoldina, aos 13 de julho de 1889, com Giuseppe Carrara (ou Carraro).

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Os primeiros Carraro em Leopoldina

Entre os passageiros do vapor Washington que deram entrada na Hospedaria Horta Barbosa no dia 31 de outubro de 1888, constam três grupos do sobrenome Carraro.

O primeiro, que recebeu o número 82, era chefiado por Emílio Carraro, indicado como solteiro, com 16 anos, sua mãe Santa Bordin com 40 anos, e os irmão Vittorio com 15 anos e Massimiliano com 13 anos.  Saíram da Hospedaria no dia 4 de novembro com destino a São João Nepomuceno.

Descobrimos que o pai deles e marido de Santa Bordin foi Francesco Carraro, falecido em Pianiga no dia 4 de setembro de 1878. Massimiliano Angelo nasceu aos 9 de novembro de 1875 também em Pianiga. De Emilio e Vittorio não encontramos nascimento. Mas além destes filhos, localizamos uma filha de Santa e Francesco de nome Fortunata Marcolina, nascida por volta de 1877 e falecida no dia 11 de dezembro de 1878 em Pianiga.

Vittorio Carraro se casou com Elisabetta Carraro, de família que passou ao Brasil seis anos depois. Em 25 de novembro de 1911 o casal tomou posse do lote número 7 da Colônia Agrícola da Constança. Casados em Leopoldina no dia 30 de julho de 1898, tiveram os seguintes filhos : Elizia (1899-1899), Angelina (19800-1968), Maximiano (1903-906), Emilia (906), Maria (1908-967), Amelia (1912) e Rosa (1914-1973)

O segundo grupo, cujo número deveria ser 83 mas foi escrito 23, era chefiado por Eugenio Carraro, viúvo, 33 anos, com 4 filhas: Eleonora de 5 anos, Maria de 4 anos, Luigia de 2 anos e Angela com 1 ano. Saíram da Hospedaria no mesmo dia e para a mesma cidade.  Entretanto, assim como a família anterior, pouco tempo depois estavam vivendo em Leopoldina.

Eleonora Carraro, também referida como Honorina, casou-se em Leopoldina com Fiorindo Bedin, também referido como Olimpio, no dia 7 de setembro de 1901.  Ele nasceu dia 15 de janeiro de 1880 em Castegnero, Vicenza, filho de Domenico Bedin e Anna Todaro.  Eleonora/Honorina faleceu no dia 22 de junho de 1907, deixando, pelo menos, dois filhos: José, nascido em 1904 e Natal, nascido em 1906. Fiorindo casou-se pela segunda vez com a cunhada Maria, no dia 23 de junho de 1908. Deste casamento teve os filhos Amélia (1908), Celeste (1911), Welsina (1903), João (1915) e Cynira (1920). Fiorindo/Olimpio casou-se pela terceira vez,  no dia 31 de outubro de 1927, com Filomena Fernandes, nascida em Leopoldina em 1895, filha de Domingos Antonio Fernandes e Margarida do Nascimento.

O terceiro grupo de Carraros era composto por Federico, de 28 anos e sua esposa Rosa Giovanna Calzavara, com quem havia se casado no dia 27 de setembro em Pianiga. Ou seja, o casamento foi realizado poucos dias antes do embarque para o Brasil.

A esposa de Federico era filha de Gregorio Calzavara e Antonia Benfatto mas seus pais não teriam deixado a Italia. Os pais de Federico foram Andrea Carraro e Antonia Masuolo, ambos já falecidos quando o filho se casou. Federico e Rosa saíram da Hospedaria com destino a Leopoldina, no mesmo dia 5 de novembro em que outro grupo de passageiros do Washington , com o mesmo sobrenome de sua esposa, também foi para Leopoldina. Sob o número 143 eram Giuseppe Angelo  Calzavara, de 32 anos, a esposa Anna Maria Scantamburlo e os filhos Regina (6 anos), Pietro (2 anos) e um bebê de 2 meses que pode ser Amalia Calzavara, que em Leopoldina se casou com Otavio de Angelis. Giuseppe Angelo e Ana Maria foram pais, também, de Pedro Angelo e Genoveffa, nascidos em Leopoldina, onde ela se casou com Ermenegildo Meneghetti, que também veio na mesma viagem do Washington.

Ainda não foi possível estabelecer o parentesco entre Andrea Carraro, pai de Federico, com Angelo Carraro, pai de Eugenio e Francesco Carraro.

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