Arquivos da categoria: Angustura

Madre de Deus do Angu é distrito de Além Paraíba mas já pertenceu a Leopoldina

73 – Martins de Almeida – Seus antepassados – III

Como ficou registrado na coluna anterior, os Martins Ferreira construíram grande patrimônio na nossa região. Mas em virtude das subdivisões efetivadas em mais de um século e meio, desde que os Martins Ferreira por aqui se estabeleceram, a exata localização de suas terras nem sempre é facilmente identificada.

Uma das pistas para facilitar a compreensão é de 1869, quando Joaquim Martins Ferreira e sua mulher Maria Esméria de Carvalho arrendaram[1] uma casa, rancho e pasto, no Sítio Retiro à margem da estrada de Leopoldina para Porto Novo do Cunha, em terras que pertenciam à Fazenda Degredo. Diz o registro desse contrato de arrendamento que a propriedade fazia divisa com Manoel Domingues, sesmaria dos Rochas, José de Rezende Monteiro, José Maria Manso da Costa Reis, José Cesário Monteiro de Miranda Ribeiro, Romualdo Batista Monteiro Nogueira da Gama, Francisco de Assis Manso da Costa Reis, Manoel Vidal Leite Ribeiro e Felicidade Perpétua do Sacramento Leite.

Pelo que se pode apurar na comparação com as propriedades destes vizinhos, a região marcava a divisa do distrito de Angustura com o território que mais tarde viria a constituir o distrito de Providência. Na época, toda esta área era território de Leopoldina.

Quase vinte anos depois, quando Angustura foi transferida para Além Paraíba (MG), as terras dos Martins Ferreira ficaram na divisa entre Leopoldina e aquele município, sendo que em 28 de agosto de 1888 a Fazenda Araribá foi confirmada[2] como pertencente a Leopoldina (MG), conforme indicam os mapas publicados em 1926 e 1927 nos quais são indicadas as fazendas da família que destacamos na imagem.

Félix Martins [neto] foi eleito vereador em Leopoldina em 1876 e em 1881. Foi casado com Heliodora Pinheiro Corrêa de Lacerda, citada em alguns locais como filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, embora o nome do irmão deste, Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, seja o que aparece no assento paroquial como pai da menina Heliodora, nascida[3] 07.01.1858 e batizada no dia 20 de março do mesmo ano.

Heliodora e Félix tiveram, pelo menos, 6 filhos: Rafael, nascido por volta de 1870 e falecido[4] em Leopoldina no dia 06 de março de 1904; Jorge, nascido[5] 18.02.1880; Maria Magdalena, falecida[6] no Rio de Janeiro em dezembro de 1980; Georgina, a mãe de Francisco Martins de Almeida, Joaquim Martins Ferreira, homônimo do avô paterno e, Lafayette Martins Ferreira.

Félix expandiu seus negócios para fora do município de Leopoldina e em 1889[7] foi incorporador de um banco de auxílios na Capital mineira com uma caixa filial em Leopoldina. Em 1891 foi um dos acionistas[8] do Banco de Leopoldina. Suas atividades agrícolas levaram-no a participar das discussões sobre contratação de imigrantes como, por exemplo, quando ocorreu uma reunião[9] para decidir sobre imigração chinesa e japonesa para Minas Gerais em 1893. No ano seguinte[10] requisitou imigrantes italianos para sua fazenda em Leopoldina e em 1895 propôs vender terras ao Estado[11] para a fundação do Instituto Agronômico criado em Leopoldina.

Félix Martins Ferreira [neto] faleceu em fevereiro de 1901, em Conselheiro Lafaiete, MG, conforme nota do jornal O Paiz[12].

O Trem de História encerra aqui a série de artigos sobre Martins de Almeida, embora reconheça que ele merece trabalho mais acurado. Mas as viagens continuarão. No próximo Jornal lembrando os italianos da Colônia Agrícola da Constança. Aguardem.


Fontes Consultadas:

[1] 4º Livro do Cartório de Notas de Madre de Deus do Angu 1866-1870, fls 136.

[2] Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro, Lei 3587.

[3] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv1  bat fls 31 reg. 162.

[4] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 1904-1920 fls 1 reg 41 sep 1073.

[5] Arquivo da Diocese de Leopoldina,  lv 2 bat fls 22verso termo 198.

[6] Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 18 dez 1980, ed. 254, 1º caderno, p.24.

[7] Diário de Minas, Outro Preto, MG, 1 out 1889,  ed 453 p.2.

[8] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 11 abr 1891 ed 145 p.4.

[9] O Pharol, Juiz de Fora, MG), 11 jan 1893 ed 9 p. 2.

[10] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 1 nov 1894 ed 295 p. 2.

[11] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 30 abr 1895 ed 114 p. 1.

[12] O Paiz, Rio de Janeiro, RJ), 9 fev 1901, p. 5.

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 328 no jornal Leopoldinense de 1 de abril  de 2017

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72 – Martins de Almeida: seus antepassados – II

A viagem segue recordando que Martins de Almeida era neto, pelo lado materno, de Félix Martins Ferreira e de Heliodora Pinheiro Correa de Lacerda. E pela linha paterna, neto de Francisco José de Almeida e Maria Cândida, moradores do Lamim, então distrito de Conselheiro Lafaiete (MG), que por volta de 1924 tiveram seus bens partilhados, possivelmente por falecimento de ambos.

Sobre Félix Martins Ferreira[1], consta que foi o doador do terreno onde está a praça Félix Martins, no centro da Cidade, conforme  escritura de doação arquivada no Cartório do 2º ofício Judicial de Leopoldina, fato que merece um comentário.

Surgiram algumas dúvidas, quando iniciamos as pesquisas sobre os primeiros moradores do Feijão Cru, tornando-se imperioso buscar informações adicionais para entender o que ocorrera no início da ocupação. Uma destas dúvidas se refere exatamente à doação feita por Félix Martins porque a Lei de Uso do Solo da época previa cessão de terreno para construção de moradia pela municipalidade, sem contudo haver cessão do direito de propriedade. Sendo assim, conclui-se que não se deveria dizer que Félix Martins Ferreira doou o terreno para o parque (Praça Félix Martins), mas que ele devolveu à municipalidade uma parte do terreno que lhe fora cedido, o que não lhe tira o mérito de ter contribuído para que a cidade tivesse um belo espaço para convívio social.

Mas este é um assunto ainda inconcluso porque depende de mais consultas aos documentos que constituem o arquivo permanente da cidade e que estão em poder do Registro de Imóveis, o que não foi possível até o momento.

Mas é fato que Félix Martins Ferreira era fazendeiro em Angustura, vivendo na fazenda Araribá, onde nascera[2] em 1852, filho de Joaquim Martins Ferreira, nascido a 15.12.1806, em São João del Rei e falecido no Rio de Janeiro aos 29 de setembro de 1880[3] e, de Maria Esméria de Carvalho Leite. O nosso Félix Martins Ferreira era neto paterno de outro do mesmo nome, natural de Cassiterita (MG), onde nasceu aos 2 de setembro de 1762 e faleceu aos 13 de outubro de 1808, sendo filho do português André Martins Ferreira que deixou larga descendência na Comarca do Rio das Mortes, antiga divisão administrativa de Minas Gerais que tinha São João del Rei como sede.

Segundo cópias de documentos gentilmente fornecidas pelo bisneto Humberto Luiz Martins Ferreira, Joaquim fez partilha de seus bens provavelmente antes de se transferir para o Rio de Janeiro. Para o filho homônimo deixou a fazenda do Macuco, para Félix, a fazenda do Araribá, para Lindolfo, Gabriel e Francisco deixou a fazenda do Degredo. Francisca, Ernestina e Carlos receberam suas partes em dinheiro. As fazendas Macuco e Araribá, juntas, constituíam uma sesmaria de 333 alqueires de terra. A fazenda do Degredo equivalia a outra sesmaria.

Ressalte-se, a propósito, que as propriedades acima citadas já estavam sob administração dos filhos indicados desde, pelo menos, a década de 1880.

Ainda segundo informes de Humberto, Joaquim Martins Ferreira era analfabeto. Transferiu-se para a zona da mata para “abrir valas” ou divisas, por uma pataca (400 réis) a braça. Desenvolveu, no entanto, diversas atividades que lhe permitiram ampliar os negócios e deixar um bom patrimônio para os filhos. Foi acionista da Leopoldina Railway, de cuja diretoria fazia parte seu filho Carlos, advogado e Comendador da Ordem da Rosa.

A mãe de Félix Martins Ferreira (neto), Maria Esméria, nasceu na fazenda das Pedras, em Quatis, Barra Mansa, RJ, segundo nos informou Humberto Martins Ferreira. A família formada por Joaquim e Maria Esméria teve papel de destaque não só em Angustura como em Leopoldina. Os filhos do casal atuaram de forma decisiva no processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalhador livre, através do Club da Lavoura, fundado em 1884.

A carga sobre os antepassados de Martins de Almeida não se esgotou. Mas o Trem de História faz uma pausa. Voltará na próxima edição para continuar a viagem. Até lá.


Fontes Consultadas:

[1] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: particular, 2004. p. 77.

[2] Igreja Madre de Deus do Angu, Angustura, Além Paraíba, MG. Livro 1 de batismos, fls 66.

[3] Informações colhidas no inventário do pai, fornecidas por Humberto Martins Ferreira.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 327 no jornal Leopoldinense de 16 de março  de 2017

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Antigas fazendas de Leopoldina

Notícia do dia 2 de janeiro de 1868, no jornal Diário de Minas, informa que os proprietários das fazendas Morro Alto e Bom Destino pediram que ambas passassem a subordinar-se à paróquia de Leopoldina. A primeira pertencia a José Maria Manso da Costa Reis e a segunda a Maria do Carmo Nogueira da Gama.

As duas propriedades ficavam em território até então subordinado à paróquia de Madre de Deus do Angu, distrito de Angustura, que em 1884 foi transferido de Leopoldina para Além Paraíba. O distrito de Providência, em cujo território se inserem atualmente as duas fazendas, só foi criado em 1890. Na imagem abaixo estão destacados os nomes das duas propriedades e da Estação Providência, conforme cartografia de 1939.

Localização de antigas fazendas de Leopoldina

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O Feijão Cru em 1853

No momento em que nasceu a Vila Leopoldina, conheciam-se os seguintes dados a respeito do até então distrito do Feijão Cru:

Além dos distritos acima mencionados, a Vila passou a administrar, também, os distritos de Santa Rita da Meia Pataca, Capivara, São José do Paraíba, Angú e Santo Antônio do Aventureiro. Os dois primeiros, conforme o mesmo relatório, compunham a Freguesia de Santa Rita da Meia Pataca, Município de São Januário do Ubá, Comarca do Pomba. Os outros três formavam a Freguesia de São José da Paraíba, Município de Mar de Espanha, Comarca do Pomba.

Utilizando-se das informações do mencionado Relatório de 1 de maio de 1854, temos que o Município de Leopoldina, em seus primeiros anos de emancipação, contava com 1.488 votantes, ou seja, 1.488 homens aptos a participar das decisões políticas, sendo 948 deles estabelecidos na sede e nos distritos da Piedade, da Boa Vista e do Rio Pardo, atuais Piacatuba, Recreio e Argirita. Nos distritos de Meia Pataca (atual Cataguases) e Capivara (atual Palma), encontravam-se 341 votantes. Os demais 199 votantes estavam em São José do Paraíba (Além Paraíba), Angu (Angustura) e Santo Antônio do Aventureiro.

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Distrito de Madre de Deus do Angu

Há 173 anos, no dia 27 de março, o Curato de Nossa Senhora de Madre de Deus do Angu foi elevado à categoria de Distrito de Paz através da Lei Mineira número 198.

Em 1854 o distrito de Angustura passou a compor a Vila Leopoldina e 30 anos depois voltou a ser subordinado a São José do Paraíba

Curato de Madre de Deus do Angu é elevado a Distrito

A lei que criou o Distrito do Angu é a mais antiga referência ao Distrito do Feijão Cru em documentos oficiais, já que não foi encontrado o documento que o criou. Em seu Artigo 5, a Lei nr 198  determina que o Ribeirão do Rio Pardo marque a divisa entre os distritos do Feijão Cru e do Senhor Bom Jesus (atual Argirita).

Autoridades do distrito de Madre de Deus do Angu empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina.

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Efemérides Leopoldinenses: Agosto

Memorial Diário da História de Leopoldina, com acontecimentos do mês de agosto.

1 de agosto

1882

O Relatório da Presidência da Província informa que, no ano de 1881, foram contratados 9 (nove) imigrantes europeus para trabalhar na fazenda do Socorro, município de Leopoldina. [1]


2 de agosto

1866

Joaquim Martins Ferreira Júnior, irmão de Félix Martins Ferreira que dá nome à praça principal de Leopoldina, é nomeado Inspetor Paroquial da Freguesia de Madre de Deus do Angu, então subordinada à Vila Leopoldina. [2]

1882

No alistamento eleitoral de 1881, Leopoldina aparecia com 734 eleitores. O Decreto nr 3122, de 7 de outubro de 1882, alterou alguns dispositivos da Lei nr 3029 de 9 de janeiro de 1881, principalmente no que diz respeito a renda e idade dos candidatos a eleitores. A idade mínima passou de 25 para 21 anos. Foi uma revisão e o número de eleitores em Leopoldina passou a ser de 754.

Libertação de Escravos

No ano de 1882 foram libertados 24 escravos em Leopoldina, por conta da 3ª cota do Fundo de Emancipação distribuída por 70 municípios mineiros.  O município foi também contemplado na 4ª cota, distribuída em 1882. [3]


8 de agosto

1882

Professor Firmino Machado de Moraes é nomeado para a Escola de Conceição da Boa Vista. [4]


9 de agosto

1883

Entre as decisões da Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa Provincial consta a alteração das divisas entre os distritos de Tebas e Rio Pardo (hoje Argirita), com transferência de diversas fazendas para Tebas. [5]


12 de agosto

1882

Moradores de Angustura encaminham Petição à Assembleia Legislativa Provincial para que a Freguesia seja desmembrada de Leopoldina e anexada a São José do Paraíba. [6]


14 de agosto

1895

Mais uma Escola Pública Feminina é inaugurada em Leopoldina. Veja.


16 de agosto

1889

– Elevação do Curato da Piedade a Freguesia, no município de Leopoldina.

Lei Mineira nº 3798, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

– Aprovação de artigos aditivos às Posturas da Câmara Municipal de Leopoldina e a Tabela de Impostos estabelecida pela mesma Câmara.

Resolução 3809, 3813 e 3828


19 de agosto

1866

José Batista Duarte Castro é ferido em batalha da Guerra do Paraguai.

Notícia da Guerra do Paraguai


22 de agosto

1882

Professor Angelo de Souza Nogueira é nomeado para a 2ª cadeira de Leopoldina. [7]


28 de agosto

1881

Escolas no distrito leopoldinense de Bom Jesus do Rio Pardo, hoje município de Argirita. Veja.


29 de agosto

1864

O Curato de Santana do Pirapetinga, pertencente à Vila Leopoldina é desmembrado de Conceição da Boa Vista e elevado a Distrito.

Lei Mineira nº 1240, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


Referências:

[1] Fala de Theophilo Ottoni, 1 de agosto de 1882, pag. 66

[2] Portaria da vice-presidência da Província de Minas Gerais, 16 de agosto de 1866, publicada no Diário de Minas, 28 de agosto de 1866, edição 65, pag.1

[3] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, páginas 64 e 66.

[4] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, pag. AD15.

[5] Jornal Liberal Mineiro de 23 de agosto de 1883, edição 88, página 1

[6] Jornal Liberal Mineiro, 4 de setembro de 1882, edição 100, pag. 4

[7] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, pag. AD15

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São José do Paraíba

No início, o Feijão Cru era subordinado ao distrito de São José do Paraíba. Em 1854, quando foi emancipado com o nome de Vila Leopoldina, foi a vez do São José do Paraíba lhe ser subordinado. Mais tarde o território do atual município de Além Paraíba foi transferido para Mar de Espanha até emancipar-se.

Leopoldina, Angustura e São José do Paraíba

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Angustura

O antigo distrito de Madre de Deus do Angu foi subordinado à Vila Leopoldina.

Leopoldina, Angustura e São José do Paraíba

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Contagem Populacional: recenseamentos realizados em Leopoldina

O recenseamento realizado no Brasil em 1872, por ordem de Dom Pedro II, encontrou 3.184.099 habitantes na província de Minas Gerais.

O levantamento foi realizado de acordo com o Lei nr 1829, de 9 de setembro de 1870, que estabeleceu, em seu Art. 1º:

“De dez em dez annos proceder-se-ha ao recenseamento da população do Imperio”.

Em Minas Gerais, conforme se observa no recorte abaixo, a contagem só foi iniciada em 1 de agosto de 1873.

Recorte do Diário de Minas sobre o Recenseamento de 1872

Em Leopoldina, a organização dos serviços esteve a cargo do Vigário José Francisco dos Santos Durães e de Francisco José de Freitas Lima que, conforme se verifica na nota abaixo, substituíram os primeiros nomeados por não residirem na Paróquia.

Nomeação de responsáveis pelo Recenseamento de 1872

No Relatório apresentado pelo vice-presidente da província à Assembleia Legislativa em 1874, foram informados os seguintes dados de Leopoldina:

Resultado obtido no Recenseamento de 1872 em Leopoldina

No quadro acima estão incluídos todos os distritos que então pertenciam a Leopoldina, quais sejam: Angustura (hoje pertencente a Além Paraíba); Meia Pataca (hoje o município de Cataguases); Laranjal (hoje município); Pirapetinga (hoje município); Conceição da Boa Vista (atualmente distrito de Recreio); e, Bom Jesus do Rio Pardo (atual município de Argirita).

 

Na Paróquia de São Sebastião da Leopoldina o resultado foi o seguinte:

 

LIVRES

BRANCOS

%

CABOCLOS

%

OUTROS

%

4.835

2.747

56,8

68

1,4

2.020

41,8

O quadro caboclos refere-se a índios, independente de serem filhos de índios com brancos ou só de índios.

LIVRES

BRASILEIROS

%

ESTRANGEIROS

%

4.835

4.636

95,8

199

4,2

Entre os estrangeiros, destacamos:

8 alemães, sendo 2 homens casados, 3 homens solteiros, 1 mulher casada, 1 mulher solteira e 1 mulher viúva;

6 espanhóis, sendo 1 homem casado, 4 homens solteiros e 1 homem viúvo;

26 italianos, sendo 14 homens casados, 10 homens solteiros, 1 homem viúvo, 1 mulher casada.

Os demais 159 estrangeiros são de outras nacionalidades, especialmente portugueses.

LIVRES

HOMENS

%

MULHERES

%

4.835

2.587

53,5

2.248

46,5

ANALFABETOS

HOMENS

%

MULHERES

%

3.386

1.724

50,9

1.662

49,1

ESTUDANTES

HOMENS

%

MULHERES

%

160

97

60,6

63

39,4

Entre a população livre, foram encontrados:

5 homens e 3 mulheres cegas, 2 homens e 1 mulher surdos-mudos, 15 homens e 9 mulheres aleijados, 2 homens e 1 mulher demente e 1 homem alienado, o que representa 0,8% do total de pessoas livres.

ESCRAVOS

BRASILEIROS

ESTRANGEIROS

HOMENS

MULHERES

3.100

2.864

236

1.649

1.451

Todos os escravos se declararam analfabetos. E entre eles foram encontrados:

2 homens e 1 mulher cega, e 1 mulher surda-muda, 7 homens e 3 mulheres aleijados, 2 homens dementes e 1 homem alienado, representando 0,5% do total de escravos.

À exceção dos estrangeiros de origem germânica, todos os demais se declararam católicos.

Foram encontradas 481 casas, sendo 477 habitadas e 4 desabitadas.


CENSO REALIZADO EM 31.12.1890

Distribuição Populacional:

HABITANTES

ESTRANGEIROS

Homens

Mulheres

BRASIL

14.333.915

231.731

119.581

MINAS GERAIS

3.184.099

31.135

15.652

LOCAL

HABITANTES

ESTRANGEIROS

ANALFABETOS

H

M T

São Sebastião de Leopoldina

13.942

285 146 431

11.356

Nossa Senhora da Piedade

4.344

4

3

7

3.385

Santo Antônio de Tebas

2.226

61

42

103

1.824

N.S.Conceição da Boa Vista

10.178

223

53

276

8.580

Bom Jesus do Rio Pardo

4.841

45

28

73

4.157

TOTAL DE LEOPOLDINA

35.531

618

272

890

29.302

ANALFABETISMO

SABEM LER E ESCREVER

BRASILEIROS

ESTRANGEIROS

HOMENS

MULHERES

TOTAL

HOMENS

MULHERES

TOTAL

BRASIL

1.237.494

684.482

1.921.976

148.360

50.223

198.583

MINAS

220.975

100.428

321.403

8.619

1.382

10.001

S.SEBASTIÃO

1.485

835

2.320

223

43

266

N.S.PIEDADE

610

336

946

* 12

* 1

* 13

S.A.TEBAS

244

153

397

5

0

5

BOA VISTA

1.070

417

1.487

103

8

111

RIO PARDO

430

200

630

50

4

54

Total Município

3.839

1.941

5.780

393

56

449

* Há um erro flagrante, pois a população estrangeira no distrito era de 4 homens e 3 mulheres, conforme quadro anterior.

NÃO SABEM LER E ESCREVER

BRASILEIROS E ESTRANGEIROS

POPULAÇÃO

HOMENS

MULHERES

TOTAL

TOTAL

% ANALFABETOS

BRASIL

5.852.078

6.361.278

12.213.356

14.333.915

85,2

MINAS

1.397.867

1.454.828

2.852.695

3.184.099

89,6

S.SEBASTIÃO

5.779

5.577

11.356

13.942

81,5

N.S.PIEDADE

1.718

1.667

3.385

4.344

77,9

S.A.TEBAS

912

912

1.824

2.226

81,9

BOA VISTA

4.408

4.172

8.580

10.178

84,3

RIO PARDO

2.135

2.022

4.157

4.841

85,8

Total Município

14.952

14.350

29.302

35.531

82,5

ANALFABETISMO ENTRE OS ESTRANGEIROS

LOCAL

POPULAÇÃO

ALFABETIZADOS

ANALFABETOS

H

M T H M T H M T %

S.Sebastião

285

146

431

223

43

266

62

103

165

38,2

N. S.Piedade *

4

3

7

12

1

13

8

2

10

142,8

S. A.Tebas

61

42

103

5

0

5

56

42

98

95,1

N.S.C.Boa Vista

223

53

276

103

8

111

120

45

165

59,8

B.J.Rio Pardo

45

28

73

50

4

54

5

24

29

39,7

LEOPOLDINA

618

272

890

225

216

441

49,5

* Conforme dito acima, há um erro flagrante no mapa do IBGE quanto ao número de estrangeiros alfabetizados.

FILIAÇÃO

LEGÍTIMOS

ILEGÍTIMOS

LEGITIMADOS

EXPOSTOS

TOTAIS

BRASIL

11.656.431

2.603.489

61.730

12.265

14.333.915

MINAS

2.703.227

470.817

7.907

2.148

3.184.099

S.SEBASTIÃO

10.835

3.033

54

20

13.942

N.S.PIEDADE

3.696

646

2

0

4.344

S.A.TEBAS

1.761

463

2

0

2.226

BOA VISTA

7.722

2.437

17

2

10.178

RIO PARDO

3.490

1.333

11

7

4.841

Total Município

27.504

7.912

86

29

35.531

CULTO

BRASIL

MINAS

LEOPOLDINA

CATÓLICOS

ROMANOS

14.179.615

3.180.526

35.471

ORTODOXOS

1.673

88

0

PROTESTANTES

EVANGÉLICOS

19.957

368

0

PRESBITERIANOS

1.317

92

0

OUTROS

122.469

2.705

49

ISLAMITAS

300

5

0

POSITIVISTAS

1.327

105

10

SEM CULTO

7.257

210

1

TOTAIS

14.333.915

3.184.099

35.531

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Associações de Moradores

Quando não havia ainda a separação entre Estado e Igreja, as associações de moradores registravam seus estatutos e atas em livros paroquiais a este fim destinados.

Além deles, os livros dos Cartórios de Notas esclarecem um pouco sobre as atividades destes grupos de moradores que se encarregavam dos procedimentos necessários ao franco desenrolar da vida civil.

Em nossos estudos tivemos oportunidade de analisar os atos da Comissão encarregada pela construção do Cemitério Público em Conceição da Boa Vista, cujos membros faziam parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Conceição da Boa Vista, em 1884 dirigida pelo procurador Antônio Caetano de Almeida [Gama?]. Naquele ano, a Irmandade tinha a receber o aporte financeiro de 3 contos 953 mil réis, legado testamentário do capitão Jacintho Manoel Monteiro de Castro para a Igreja e o Cemitério da Paróquia da Conceição da Boa Vista. Para atuar como interveniente credor no inventário, a Irmandade nomeou o advogado Theophilo Domingos Alves Ribeiro, conforme procuração datada de 23 de julho de 1884, registrada no livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista.

Lembramos que as Irmandades surgiram na Idade Média, na Europa. Compunham-se de leigos que, além da difusão religiosa, encarregavam-se também da assitência econômica de seus integrantes e tomavam as providências necessárias por ocasião da morte. Vale dizer: missa de corpo presente, acompanhamento do enterro, sepultamento em local digno e demais rituais. Segundo o Dicionário do Brasil Colonial, organizado por Ronaldo Vainfas, em Minas “as irmandades revelaram-se de especial importância para dinamizar a vida religiosa”, especialmente por conta da “precária implantação da rede de paróquias” e porque não foram autorizadas as ordens regulares.


Club da Lavoura

As associações assim denominadas reuniam os lavradores dos distritos com o objetivo de promover a agricultura e o comércio, seguindo orientações do Club Central da Lavoura e Commercio do Rio de Janeiro. Tratava-se, portanto, de um órgão regulador das atividades de produção e escoamento, exercendo certo poder de pressão sobre o poder público. Foram os Clubes da Lavoura que organizaram, por exemplo, o processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo braço imigrante.

No ano de 1884 o Club da Lavoura de Conceição da Boa Vista era presidido pelo Barão de Avelar Rezende, tendo como secretário o Padre Modesto Theophilo Alves Ribeiro e sendo membros da Comissão Permanente os fazendeiros Manoel Barbosa da Fonseca, Francisco Ferreira [Brito] Netto, Manoel Lobato Galvão de São Martinho, Lucas Matheus Monteiro de Castro, João Evangelista Teixeira de Barros e Valeriano Coelho dos Santos Monteiro.

Em geral um Club da Lavoura distrital nomeava um procurador para representá-lo nas reuniões do Club Central. Neste cargo surge, então, um outro nome que faz parte da história de Conceição da Boa Vista: Domingos de Andrade Filgueira representou o distrito na reunião do ano de 1884.  Morador da Corte, acreditamos que enviava suas comunicações através da Mala Postal da Estrada de Ferro da Leopoldina.

Atividade do Club da Lavoura

Apresentamos, a seguir, a transcrição de uma ata de reunião dos lavradores de Angustura, no ano de 1887, que bem exemplifica os objetivos e interesses da associação.


Emigração

Ata dos lavradores da freguesia d’Angustura

Aos 28 de Dezembro de 1887, à 1 da tarde, nesta freguesia d’Angustura, reunidos os lavradores: – Barão de S. Geraldo, Militão José de Souza Amêno, Francisco Martins Ferreira, Casimiro Vilela de Andrade, Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, membros da comissão permanente do “Club da lavoura desta freguesia”. Não comparecendo por doente, como oficiou o membro Lucas Soares de Gouvêa, e mais: Gustavo Teófilo Alves Ribeiro, Cipriano Gomes Figueira, Francisco Gomes Figueira, Carlos Gomes Figueira, José Pinto de Andrade Junior, Manoel José de Medeiros, José Cesário de Figueiredo Côrtes, Dr. Francisco Cesário de Figueiredo Côrtes, José Augusto de Figueiredo Côrtes, Manoel Gonçalves de Figueiredo Côrtes, João Cesário de Figueiredo Côrtes, Ricardo Antonio da Silva, José Alexandrino Vilas Boas Côrtes, Antonio Antunes de Siqueira, Gabriel Martins Ferreira, Antonio Manoel Domingues, Domingos Vilela de Andrade, José Vilela de Andrade, José Joaquim de Cerqueira, Manoel Joaquim de Cerqueira, Joaquim Antonio de Cerqueira, José Claudino de Cerqueira Leite, Francisco José de Paula Moutinho, Francisco de Assis Teixeira, João Baptista Celestino Ferreira, Joaquim Garcia de Oliveira Mattos, Manoel Nunes de Moraes Dutra, coronel Joaquim Martins Ferreira, Manoel José Pires de Carvalho, Manoel Rodrigues Pessoa Araújo, Valeriano Manso Monteiro da Costa Reis, Dr. Francisco Rodrigues Seixas, Teófilo Rodrigues Pessoa, Carlos Rodrigues Pessoa, Carlos José Ferreira, Francisco Teixeira Marinho, Romualdo Martins do Couto, Francisco Augusto Teixeira, José Venâncio Godoy Junior, Aureliano Xavier Arruda, Celestino Gonçalves da Silva, Fortunato Alves Vieira, Antonio Teixeira Rezende Junior, Francisco Faria Salgado, Leonardo Teixeira Marinho, José Candido Vilela Andrade, Dias Ferraz, Martins Ferreira & Irmão, Teixeira Leite & Irmãos e Manoel Pereira da Costa & Filho, foi lida pelo presidente da comissão permanente, Barão de S. Geraldo, a exposição do teor seguinte:

EXPOSIÇÃO FEITA PELA COMMISSÃO PERMANENTE DO CLUB DA LAVOURA DA FREGUEZIA D’ANGUSTURA, TERMO DE S. JOSÉ D’ALÉM PARAHYBA, PROVINCIA DE MINAS, NA REUNIÃO DOS LAVRADORES EM 28 DE DEZEMBRO DE 1887.

Introdução

Em 4 de Junho de 1884, reunidos aqui 70 lavradores, formaram um “club ou liga paroquial” e nomearam uma comissão permanente composta dos abaixo assinados.

Foram aprovados os respectivos estatutos.

Então, o principal intuito era formal oposição à projetada reforma da lei de 28 de Setembro de 1871; e, neste sentido, representou-se ao parlamento.

Depois, veio a lei de 28 de Setembro de 1885, reformando e ampliando aquela.

Hoje, aos nossos estatutos teremos um artigo a acrescentar:

Art. 7º O Club da Lavoura, atendendo à urgente necessidade que há de introduzir emigrantes neste freguesia, toma a si todo o empenho em desde já iniciá-la e dar-lhe o máximo desenvolvimento.

É, pois, o principal fim deste reunião tratar-se de tão importante assunto: e, para isso vos convocou a comissão permanente.

Antes de tudo, a comissão entendeu que devia marcar os Salários dos libertos que existissem na freguesia; e para aqueles que o fossem por quaisquer títulos.

É obvia a necessidade de uniformizar esses salários, que a mercê da vontade de cada um poderia dar lugar a uma verdadeira anarquia.

Uniformizados e generalizados, é possível que se possa organizar os serviços dos libertos, rodeando-os dos cuidados que merecem e se deve à gente que não sabe dirigir-se.

Comissão o fez em sua sessão de 26 de Novembro próximo passado pela seguinte forma:

De 16 a 45 anos De 45 a 55 anos De 55 a 63 anos
Homens 100$ anuais 60$ anuais 35$ anuais
Mulheres 80$ anuais 40$ anuais 24$ anuais

com obrigação de alimentá-los, vesti-los, dar-lhes casas para morar e tratamento em suas moléstias, não se descontando até quinze dias de faltas (nesse caso de moléstia).

Exposição do Conselheiro Paulino

A comissão não pode deixar de chamar a vossa atenção para a exposição feita pelo Exmo. Sr. conselheiro Paulino José Soares de Souza, no palácio da presidência do Rio de Janeiro, em reunião solene com o presidente e deputados provinciais, e cujo transunto vem publicado no Jornal do Commercio de 10 do corrente mês.

Essa exposição, sensata como seu autor, deve ser lida; e é uma prova que a província do Rio de Janeiro, com muitos pontos de semelhança à nossa zona cafeeira, pelos terrenos e climas, tem no dito conselheiro, que já subiu às mais elevadas posições que pode aspirar um homem político, um companheiro leal.

Sistema de colonização

O tempo urge.

E esta freguesia tem sempre dado provas do maior tino, pelo trabalho e economia de seus habitantes, tanto que é considerada a mais importante desta província deve hoje, abstraindo-se das fórmulas, adotar um sistema – um modus vivendi em relação à emigração; e uma vez adotado, caprichar por executá-lo à risca.

Da união nasce a força.

E devemos sobretudo ter em vista que se caminharmos sem norte, e a nosso bel prazer, chegaremos a um fim desastrado.

Quando é certo que, se marcharmos todos unidos, com a probidade que sempre caracterizou os habitantes desta freguesia, seremos bem sucedidos; podendo as demais freguesias da província imitar-nos com vantagem.

Desde que tratamos da introdução de emigrantes, em que tantos lavradores tem naufragado, devemos começar todos juntos; e, começando todos juntos, aquilo que um fizer ao emigrante, todos devem fazê-lo, nem mais e nem menos.

Aproveitando os favores da lei geral e os transportes gratuitos da estrada de ferro Leopoldina, podemos ter o emigrante nas Estações, nossas freguesas, sem dispêndio algum.

O Sr. Angelo Fiorita, agente de algumas companhias de navegações, encarrega-se de mandar vir os emigrantes e colocá-los nas estações por nós designadas, sem dispêndio algum.

Para este fim teremos de entregar-lhe uma petição dirigida ao governo imperial, por nós assinada, requerendo e designando o número de famílias que desejamos, e uma procuração para solicitar os favores da lei.

Para isto existem modelos impressos, que pomos à vossa disposição.

Nos parece este o meio mais econômico e prático.

Devemos adotar o Sistema seguinte:

1º fazer ao colono o fornecimento no primeiro ano, por meio de uma caderneta, do que ele precisar para sua manutenção e de sua família, para ser pago no ano seguinte;

2º dar a cada família de colono 6.000 pés de café (novos) no mínimo para ela tratar;

3º fornecer uma casa, com 40 palmos sobre 20, coberta de telhas, com 12 palmos de pé direito e 7 de ponto, com duas portas de 4 ½ palmos de largura sobre 4 ½ de altura, conforme a planta que vos oferecemos.

Essas casas deverão ser barreadas, ficando os revestimentos de cal adiados para ocasião mais oportuna.

Quanto ao sistema de trabalho, abstraindo-nos de citar opiniões de economistas, e só atendendo à prática, temos (quanto à cultura de café),

Sistema de parceria

Em que o colono tem metade do café colhido, entregando-o, depois de seco, ao proprietário que lhe dá o último benefício nos terreiros e em suas máquinas, remete-o para o consignatário, entregando, depois ao colono, metade do líquido produto da conta de venda, que lhe deve ser apresentada, deduzidas as despesas do benefício do terreiro, máquinas e transportes.

O Sr. Antonio Van Erven, na sua colônia de Santa Clara, cobra por este serviço 600 rs. Por cada arroba de café, que devemos adotar: e assim também, 600 rs. Por cada saco de café em coco (quando ele assim é vendido) pelos benefícios do terreiro, ventilação e transportes.

Nesta colônia, composta em sua quase totalidade de “Madeirenses”o sistema seguido é o da parceria e é estilo dar-se a cada família de colono:

  • · uma casa tosca, apenas barreada, de 20 palmos sobre 40, coberta de telhas, junto à lavoura, e 6.000 pés de café novos;

  • · permissão para plantar os cereais, para sua alimentação, no meio dos cafesais (dos 6.000 pés);

  • · para um estreito cercado para ter os porcos do consumo (não passam de dois a três);

  • · para a criação de aves domésticas, não sendo permitido ter gado vacum ou de qualquer outra espécie;

  • · sendo feitos os transportes dos produtos dos colonos para as máquinas ou mercados consumidores nos veículos do proprietário.

Sistema de empreitada

Em S. Paulo, e sobretudo no oeste, é geralmente adotado o seguinte sistema, que denominaremos de empreitada.

A cada família de colono é distribuída uma partida de café, que lá chamam talhão com 10.000 pés.

Tratam dessa partida de café, dando 4 e 5 capinas anuais no mínimo, recebendo por cada 50 litros de café, que colhem e entregam na mesa do carro do proprietário 300 réis.

Além disto, tem casa para morar, com terrenos marcados na frente e nos fundos para hortas, jardins e estábulos; um pasto em comum para ter um animal muar e outro vacum, e terrenos para plantar os cereais que precisam para sua alimentação, e que lhes são designados previamente.

Empreitada mista

Também alguns usam ali o sistema – que denominaremos – empreitada mista, e é o seguinte: pagam ao colono 10$ por cada 1.000 pés de café que capinarem, e por cada 50 litros de café que colherem e entregarem pela mesma forma na mesa do casso 300 réis.

O mais é mesmo que no sistema de empreitada.

Salário

Na colônia “Nova Louzã” do Sr. Monte-Negro, também no oeste de S. Paulo, era usado antigamente sistema de salário.

Pagavam ali 1$ diários aos trabalhadores que eram apontados como geralmente se faz com

homens livres, e trabalhavam em turmas, tendo a alimentação.

Era a única colônia que seguia este sistema, que, hoje não podemos afirmar se sofreu modificações.

Colonos a introduzir

Atualmente só podemos apelar para os da ilha da Madeira ou Italianos, que, pelas condições especiais em que se acham em seus países, desejam emigrar; e, como que há mesmo uma corrente emigratória.

Para os da ilha da Madeira, devemos adotar o sistema da “parceria”, do qual eles não querem afastar-se; e deverá nos servir de tipo – a colônia de Santa Clara – do Sr. Antonio Van Erven.

Para os italianos (devemos exclusivamente preferir os do norte – lombardos em primeiro lugar) os sistemas por eles preferidos, e que devemos adotar, como se faz em S. Paulo, são os da empreitada e empreitada mista.

As casas dever ser construídas, como lá, juntas, ou com pouco espaço, formando viletas.

Na empreitada mista nós não podemos pagar pelas capinas de 1.000 pés de cafés – 10$000 – como em S. Paulo, onde o cafezal é alinhado 6, 20, 22 palmos quadrados quando o nosso aqui o é a 10, 12 e 14 no máximo.

Nos parece que deve regular – metade – ou 5$000 por 1.000 pés.

Colonos nacionais

Não devemos perder de vista que é preciso utilizar os braços nacionais; e, que, portanto devemos fazer aos nossos patrícios o que fazemos aos estrangeiros.

EMPREITADAS PARA PLANTAÇÕES DE CAFÉ

Sistema seguido na colônia Santa Clara

Dá-se o mato para derrubar, plantar de café, desfrutar por 5 anos, pagando-se depois 100 rs. por cada pé de café.

Sistema seguido em S. Paulo

O empreiteiro derruba, planta e cuida do arbusto do café, até completar quatro anos; e então recebe entre 400 e 500 rs. por cada pé de café.

Sistema que deve ser seguido

Nos parece que devemos adotar o sistema seguido na colônia Santa Clara, que está mais em relação com os nossos terrenos.

Cultura de cana

Não parece fora de propósito, desde que temos essa cultura na freguesia e Engenhos Centrais, e quea estrada de ferro Leopoldina, por módicos preços, se presta aos transportes de cana, de qualquer ponto de sua linha, estabelecer algumas bases para os colonos que quiserem empregar-se nessa lavoura.

Sistema seguido na colônia Santa Clara

Meação completa em açúcar e aguardente. Fabrico pelo colono. Transportes de cana pelo proprietário.

Sistema seguido no Engenho Central Pureza

Esse engenho, que possui muitas terras, dá-las ao colono – em matas – ou não para plantar cana, e, para 4$ por cada tonelada de cana que recebe nos vagões de sua linha férrea.

E, como para o plantador de cana em terras do engenho, o preço da cana – é de 6$ por tonelada, segue-se que o colono tem dois terços do preço da cana por tonelada.

É permitido ao colono plantar cereais para seu consumo – no meio dos canaviais – ou fora, em terrenos designados previamente, sem ônus algum.

Quanto às casas – o engenho ajuda a fazê-las, dando a madeira e telhas; mas, não indeniza ao colono cousa alguma quando ele se retira, ficando a casa sua propriedade.

Também há ali indivíduos que tomam maior espaço de terreno, e plantam a cana com trabalhadores assalariados a 20$ e 25$ mensais, alimentado-os.

Conclusão

A comissão permanente julgou de seu dever fazer a presente convocação e exposição, e espera que tomeis a resolução que mais convier aos vossos interesses.

Mas, vos dirá.

Urge, e urge quanto antes, tratar da imigração nesta freguesia.

Angustura, 28 de Dezembro de 1887.

Barão de S. Geraldo, presidente

Militão José de Souza Amêno, vice-presidente

Francisco Martins Ferreira, secretário

Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, tesoureiro

Custódio Pereira da Costa

Casimiro Vilela de Andrade.

Posta em discussão a exposição: pelo Sr. coronel Joaquim Martins Ferreira foi dito, que concordava com as idéias expostas pela comissão permanente e que, quanto aos sistemas de parceria, empreitada – e empreitada mista para a cultura de café – que mais nos interessava devem ser adotados – com a seguinte modificação.

No sistema de empreitada em vez de 500 rs. por cada 50 litros de café, 600 rs. e na empreitada mista em vez de 10$ por 1.000 pés – como em S. Paulo, ou 5$ como propunha a comissão – se dê ao colono 8$ por 1.000 pés – e, que em quaisquer dos três sistemas a que estivesse sujeito o colono – ele deveria dar três capinas anuais nos cafesais – que eram muito suficientes – e replantar os cafesais.

Diz mais que acha bons os tipos das casas – propostos pela comissão, e constantes da planta, – e que se dê ao colono – só cafesais novos – como se propõe (6.000 pés a cada família).

Quanto às casas já mandou fazer algumas casas para seis famílias de Italianos Lombardos que mandou vir: mas elas têm 35 palmos sobre 25 sem divisão alguma, pouco diferindo, ou no fundo nada diferindo do tipo adotado pela comissão.

Em seguida o Sr. Barão de S. Geraldo diz que devem ser adotadas as modificações propostas pelo Sr. Martins Ferreira e por isso propunha que se adotassem para a cultura do café, nos três sistemas: parceria, empreitada e empreitada mista, com as modificações propostas pelo mesmo senhor, ficando entendido que em quaisquer dos sistemas só se daria ao colono cafesais novos (6.000 pés, no mínimo, a cada família) e as casas, do tipo, e planta apresentados pela comissão, e mais que cada lavrador ficava obrigado a fornecer ao colono, por meio de uma caderneta, o que lhe fosse preciso para sua manutenção, e de sua família, para ser pago no ano seguinte ao de sua instalação.

O que foi aprovado unânimente.

Foi dito mais pelo Sr. Barão de S. Geraldo, que, quanto ao sistema dos salários, a comissão limitou-se a expor o que era usado em S. Paulo; mas, em um sistema que pode variar tanto, não quis logo propor cois aalguma de definitivo.

Sabe que nesta freguesia o agricultor Pacheco tem trabalhadores portugueses em sua situação para a cultura de café, a 20$ e 25$ mensais, sujeitando-os ao regime de trabalho geralmente usado em nossas fazendas com os trabalhadores servis, dando alimentação.

Na visinha freguesia de Pirapetinga, o Dr. Júlio Barbosa em sua fazenda e, também, para a cultura de café, tem uma turma de trabalhadores italianos a 1$ diários, a qual dá alimentação.

Foi resolvido mais que se consignasse nesta ata – que os colonos que se encaminhassem para esta freguesia não deviam contar com pastos para criação de gado de qualquer espécie – visto como os há em muito pequena escala – e só para os misteres das lavouras.

Foi aprovada a tabela dos salários dos libertos.

Nada mais havendo a tratar-se, pelo Sr. Barão de S. Geraldo foram convidados os lavradores a assinar os pedidos das famílias de colonos que precisassem para as suas lavouras – e, assim mais os requerimentos ao governo; -e que devíamos ter em vista pedir as famílias – as quais pudéssemos dar as casas correspondentes (conforme a planta) em suas chegadas à freguesia, que devia regular de três a quatro meses.

O Sr. Eugênnio P. Sigaud, oficiou não poder comparecer por doente, e declarou precisar de seis famílias.

Foram logo assinados pedidos para 78 famílias, sendo 1 alemã, 5 da Ilha de S. Miguel e 72 da Ilha da Madeira.

E, como muitos lavradores não compareceram, ficou a lista dos pedidos na freguesia para as respectivas assinaturas.

E como nada mais havia a tratar, levantou-se a sessão às 4 horas da tarde. Eu Francisco Martins Ferreira, secretário, lavrei esta ata, que assino com os membros da comissão permanente.

Barão de S. Geraldo – Militão José de Souza Ameno – Francisco Martins Ferreira – Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis – Casimiro Vilela de Andrade – Custódio Pereira da Costa.

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