Arquivos da categoria: Angustura

Madre de Deus do Angu é distrito de Além Paraíba mas já pertenceu a Leopoldina

Sesquicentenário de Nascimento de Sergio Dutra

Sergio Teixeira Dutra, filho de José Tomaz Dutra e Maria do Carmo Teixeira Marinho, nasceu em Leopoldina no dia 9 de setembro de 1867. Neto paterno de Antonio José Dutra e Mariana Teresa Duarte, por esta era bisneto de Antonio Pereira da Cunha e Teresa Maria Duarte.

Mariana Teresa, também citada como Mariana Luiza Pereira Duarte, sobreviveu ao marido Antonio e foi responsável pela direção da então denominada Fazenda Recreio, que muitos julgam ser a origem do atual município. Entretanto, pelo que pudemos apurar nos Registros de Terras de 1856, a fazenda formada por Mariana e Antonio localizava-se em território que hoje pertence ao distrito de Ribeiro Junqueira. Era uma das grandes propriedades da época, com mais de quatrocentos alqueires mineiros.

A avó materna de Sérgio foi Maria Teresa Duarte, provavelmente irmã de Mariana Teresa Duarte acima citada. O avô materno foi João Teixeira Marinho que residia em território que mais tarde veio a formar o distrito de Providência.

Sergio é citado em fontes orais como tendo sido administrador das terras herdadas de seus pais. Foi casado duas vezes. A primeira com Georgina Teixeira Cortes com quem teve nove filhos nascidos entre 1896 e 1920, alguns batizados em Leopoldina e outros em Angustura. Casou-se pela segunda vez com Dulce de Castro Montes, filha de Maria das Dores de Castro e Lino Rodrigues Montes, professor e “desenhista de retratos” como se identificava, na época, o artista que pintava rostos e paisagens. Lino era neto paterno de Bernardo José Gonçalves Montes, provavelmente o mais antigo ocupante de terras do Feijão Cru, já que recebeu do sogro as duas sesmarias que ele, Antonio Francisco Teixeira Coelho, tinha ganho em 1818.

Dulce, nascida em 1898, casara-se aos 17 anos com Manoel Mendes de Oliveira, filho de Francisco Mendes de Oliveira e Ana Antonia Celestina de Jesus com quem teve, pelo menos, a filha Maria José de Oliveira Vale. Do casamento de Sérgio com Dulce foram gerados seis filhos. Portanto, além de administrar grande extensão de terras, Sérgio Teixeira Dutra formou também uma grande família com 15 filhos.

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73 – Martins de Almeida – Seus antepassados – III

Como ficou registrado na coluna anterior, os Martins Ferreira construíram grande patrimônio na nossa região. Mas em virtude das subdivisões efetivadas em mais de um século e meio, desde que os Martins Ferreira por aqui se estabeleceram, a exata localização de suas terras nem sempre é facilmente identificada.

Uma das pistas para facilitar a compreensão é de 1869, quando Joaquim Martins Ferreira e sua mulher Maria Esméria de Carvalho arrendaram[1] uma casa, rancho e pasto, no Sítio Retiro à margem da estrada de Leopoldina para Porto Novo do Cunha, em terras que pertenciam à Fazenda Degredo. Diz o registro desse contrato de arrendamento que a propriedade fazia divisa com Manoel Domingues, sesmaria dos Rochas, José de Rezende Monteiro, José Maria Manso da Costa Reis, José Cesário Monteiro de Miranda Ribeiro, Romualdo Batista Monteiro Nogueira da Gama, Francisco de Assis Manso da Costa Reis, Manoel Vidal Leite Ribeiro e Felicidade Perpétua do Sacramento Leite.

Pelo que se pode apurar na comparação com as propriedades destes vizinhos, a região marcava a divisa do distrito de Angustura com o território que mais tarde viria a constituir o distrito de Providência. Na época, toda esta área era território de Leopoldina.

Quase vinte anos depois, quando Angustura foi transferida para Além Paraíba (MG), as terras dos Martins Ferreira ficaram na divisa entre Leopoldina e aquele município, sendo que em 28 de agosto de 1888 a Fazenda Araribá foi confirmada[2] como pertencente a Leopoldina (MG), conforme indicam os mapas publicados em 1926 e 1927 nos quais são indicadas as fazendas da família que destacamos na imagem.

Félix Martins [neto] foi eleito vereador em Leopoldina em 1876 e em 1881. Foi casado com Heliodora Pinheiro Corrêa de Lacerda, citada em alguns locais como filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, embora o nome do irmão deste, Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, seja o que aparece no assento paroquial como pai da menina Heliodora, nascida[3] 07.01.1858 e batizada no dia 20 de março do mesmo ano.

Heliodora e Félix tiveram, pelo menos, 6 filhos: Rafael, nascido por volta de 1870 e falecido[4] em Leopoldina no dia 06 de março de 1904; Jorge, nascido[5] 18.02.1880; Maria Magdalena, falecida[6] no Rio de Janeiro em dezembro de 1980; Georgina, a mãe de Francisco Martins de Almeida, Joaquim Martins Ferreira, homônimo do avô paterno e, Lafayette Martins Ferreira.

Félix expandiu seus negócios para fora do município de Leopoldina e em 1889[7] foi incorporador de um banco de auxílios na Capital mineira com uma caixa filial em Leopoldina. Em 1891 foi um dos acionistas[8] do Banco de Leopoldina. Suas atividades agrícolas levaram-no a participar das discussões sobre contratação de imigrantes como, por exemplo, quando ocorreu uma reunião[9] para decidir sobre imigração chinesa e japonesa para Minas Gerais em 1893. No ano seguinte[10] requisitou imigrantes italianos para sua fazenda em Leopoldina e em 1895 propôs vender terras ao Estado[11] para a fundação do Instituto Agronômico criado em Leopoldina.

Félix Martins Ferreira [neto] faleceu em fevereiro de 1901, em Conselheiro Lafaiete, MG, conforme nota do jornal O Paiz[12].

O Trem de História encerra aqui a série de artigos sobre Martins de Almeida, embora reconheça que ele merece trabalho mais acurado. Mas as viagens continuarão. No próximo Jornal lembrando os italianos da Colônia Agrícola da Constança. Aguardem.


Fontes Consultadas:

[1] 4º Livro do Cartório de Notas de Madre de Deus do Angu 1866-1870, fls 136.

[2] Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro, Lei 3587.

[3] Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv1  bat fls 31 reg. 162.

[4] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 1904-1920 fls 1 reg 41 sep 1073.

[5] Arquivo da Diocese de Leopoldina,  lv 2 bat fls 22verso termo 198.

[6] Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 18 dez 1980, ed. 254, 1º caderno, p.24.

[7] Diário de Minas, Outro Preto, MG, 1 out 1889,  ed 453 p.2.

[8] O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, MG, 11 abr 1891 ed 145 p.4.

[9] O Pharol, Juiz de Fora, MG), 11 jan 1893 ed 9 p. 2.

[10] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 1 nov 1894 ed 295 p. 2.

[11] Minas Geraes, Ouro Preto, MG), 30 abr 1895 ed 114 p. 1.

[12] O Paiz, Rio de Janeiro, RJ), 9 fev 1901, p. 5.

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 328 no jornal Leopoldinense de 1 de abril  de 2017

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72 – Martins de Almeida: seus antepassados – II

A viagem segue recordando que Martins de Almeida era neto, pelo lado materno, de Félix Martins Ferreira e de Heliodora Pinheiro Correa de Lacerda. E pela linha paterna, neto de Francisco José de Almeida e Maria Cândida, moradores do Lamim, então distrito de Conselheiro Lafaiete (MG), que por volta de 1924 tiveram seus bens partilhados, possivelmente por falecimento de ambos.

Sobre Félix Martins Ferreira[1], consta que foi o doador do terreno onde está a praça Félix Martins, no centro da Cidade, conforme  escritura de doação arquivada no Cartório do 2º ofício Judicial de Leopoldina, fato que merece um comentário.

Surgiram algumas dúvidas, quando iniciamos as pesquisas sobre os primeiros moradores do Feijão Cru, tornando-se imperioso buscar informações adicionais para entender o que ocorrera no início da ocupação. Uma destas dúvidas se refere exatamente à doação feita por Félix Martins porque a Lei de Uso do Solo da época previa cessão de terreno para construção de moradia pela municipalidade, sem contudo haver cessão do direito de propriedade. Sendo assim, conclui-se que não se deveria dizer que Félix Martins Ferreira doou o terreno para o parque (Praça Félix Martins), mas que ele devolveu à municipalidade uma parte do terreno que lhe fora cedido, o que não lhe tira o mérito de ter contribuído para que a cidade tivesse um belo espaço para convívio social.

Mas este é um assunto ainda inconcluso porque depende de mais consultas aos documentos que constituem o arquivo permanente da cidade e que estão em poder do Registro de Imóveis, o que não foi possível até o momento.

Mas é fato que Félix Martins Ferreira era fazendeiro em Angustura, vivendo na fazenda Araribá, onde nascera[2] em 1852, filho de Joaquim Martins Ferreira, nascido a 15.12.1806, em São João del Rei e falecido no Rio de Janeiro aos 29 de setembro de 1880[3] e, de Maria Esméria de Carvalho Leite. O nosso Félix Martins Ferreira era neto paterno de outro do mesmo nome, natural de Cassiterita (MG), onde nasceu aos 2 de setembro de 1762 e faleceu aos 13 de outubro de 1808, sendo filho do português André Martins Ferreira que deixou larga descendência na Comarca do Rio das Mortes, antiga divisão administrativa de Minas Gerais que tinha São João del Rei como sede.

Segundo cópias de documentos gentilmente fornecidas pelo bisneto Humberto Luiz Martins Ferreira, Joaquim fez partilha de seus bens provavelmente antes de se transferir para o Rio de Janeiro. Para o filho homônimo deixou a fazenda do Macuco, para Félix, a fazenda do Araribá, para Lindolfo, Gabriel e Francisco deixou a fazenda do Degredo. Francisca, Ernestina e Carlos receberam suas partes em dinheiro. As fazendas Macuco e Araribá, juntas, constituíam uma sesmaria de 333 alqueires de terra. A fazenda do Degredo equivalia a outra sesmaria.

Ressalte-se, a propósito, que as propriedades acima citadas já estavam sob administração dos filhos indicados desde, pelo menos, a década de 1880.

Ainda segundo informes de Humberto, Joaquim Martins Ferreira era analfabeto. Transferiu-se para a zona da mata para “abrir valas” ou divisas, por uma pataca (400 réis) a braça. Desenvolveu, no entanto, diversas atividades que lhe permitiram ampliar os negócios e deixar um bom patrimônio para os filhos. Foi acionista da Leopoldina Railway, de cuja diretoria fazia parte seu filho Carlos, advogado e Comendador da Ordem da Rosa.

A mãe de Félix Martins Ferreira (neto), Maria Esméria, nasceu na fazenda das Pedras, em Quatis, Barra Mansa, RJ, segundo nos informou Humberto Martins Ferreira. A família formada por Joaquim e Maria Esméria teve papel de destaque não só em Angustura como em Leopoldina. Os filhos do casal atuaram de forma decisiva no processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalhador livre, através do Club da Lavoura, fundado em 1884.

A carga sobre os antepassados de Martins de Almeida não se esgotou. Mas o Trem de História faz uma pausa. Voltará na próxima edição para continuar a viagem. Até lá.


Fontes Consultadas:

[1] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: particular, 2004. p. 77.

[2] Igreja Madre de Deus do Angu, Angustura, Além Paraíba, MG. Livro 1 de batismos, fls 66.

[3] Informações colhidas no inventário do pai, fornecidas por Humberto Martins Ferreira.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 327 no jornal Leopoldinense de 16 de março  de 2017

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Antigas fazendas de Leopoldina

Notícia do dia 2 de janeiro de 1868, no jornal Diário de Minas, informa que os proprietários das fazendas Morro Alto e Bom Destino pediram que ambas passassem a subordinar-se à paróquia de Leopoldina. A primeira pertencia a José Maria Manso da Costa Reis e a segunda a Maria do Carmo Nogueira da Gama.

As duas propriedades ficavam em território até então subordinado à paróquia de Madre de Deus do Angu, distrito de Angustura, que em 1884 foi transferido de Leopoldina para Além Paraíba. O distrito de Providência, em cujo território se inserem atualmente as duas fazendas, só foi criado em 1890. Na imagem abaixo estão destacados os nomes das duas propriedades e da Estação Providência, conforme cartografia de 1939.

Localização de antigas fazendas de Leopoldina

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O Feijão Cru em 1853

No momento em que nasceu a Vila Leopoldina, conheciam-se os seguintes dados a respeito do até então distrito do Feijão Cru:

Além dos distritos acima mencionados, a Vila passou a administrar, também, os distritos de Santa Rita da Meia Pataca, Capivara, São José do Paraíba, Angú e Santo Antônio do Aventureiro. Os dois primeiros, conforme o mesmo relatório, compunham a Freguesia de Santa Rita da Meia Pataca, Município de São Januário do Ubá, Comarca do Pomba. Os outros três formavam a Freguesia de São José da Paraíba, Município de Mar de Espanha, Comarca do Pomba.

Utilizando-se das informações do mencionado Relatório de 1 de maio de 1854, temos que o Município de Leopoldina, em seus primeiros anos de emancipação, contava com 1.488 votantes, ou seja, 1.488 homens aptos a participar das decisões políticas, sendo 948 deles estabelecidos na sede e nos distritos da Piedade, da Boa Vista e do Rio Pardo, atuais Piacatuba, Recreio e Argirita. Nos distritos de Meia Pataca (atual Cataguases) e Capivara (atual Palma), encontravam-se 341 votantes. Os demais 199 votantes estavam em São José do Paraíba (Além Paraíba), Angu (Angustura) e Santo Antônio do Aventureiro.

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Distrito de Madre de Deus do Angu

Há 173 anos, no dia 27 de março, o Curato de Nossa Senhora de Madre de Deus do Angu foi elevado à categoria de Distrito de Paz através da Lei Mineira número 198.

Em 1854 o distrito de Angustura passou a compor a Vila Leopoldina e 30 anos depois voltou a ser subordinado a São José do Paraíba

Curato de Madre de Deus do Angu é elevado a Distrito

A lei que criou o Distrito do Angu é a mais antiga referência ao Distrito do Feijão Cru em documentos oficiais, já que não foi encontrado o documento que o criou. Em seu Artigo 5, a Lei nr 198  determina que o Ribeirão do Rio Pardo marque a divisa entre os distritos do Feijão Cru e do Senhor Bom Jesus (atual Argirita).

Autoridades do distrito de Madre de Deus do Angu empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina.

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Efemérides Leopoldinenses: Agosto

Memorial Diário da História de Leopoldina, com acontecimentos do mês de agosto.

1 de agosto

1882

O Relatório da Presidência da Província informa que, no ano de 1881, foram contratados 9 (nove) imigrantes europeus para trabalhar na fazenda do Socorro, município de Leopoldina. [1]


2 de agosto

1866

Joaquim Martins Ferreira Júnior, irmão de Félix Martins Ferreira que dá nome à praça principal de Leopoldina, é nomeado Inspetor Paroquial da Freguesia de Madre de Deus do Angu, então subordinada à Vila Leopoldina. [2]

1882

No alistamento eleitoral de 1881, Leopoldina aparecia com 734 eleitores. O Decreto nr 3122, de 7 de outubro de 1882, alterou alguns dispositivos da Lei nr 3029 de 9 de janeiro de 1881, principalmente no que diz respeito a renda e idade dos candidatos a eleitores. A idade mínima passou de 25 para 21 anos. Foi uma revisão e o número de eleitores em Leopoldina passou a ser de 754.

Libertação de Escravos

No ano de 1882 foram libertados 24 escravos em Leopoldina, por conta da 3ª cota do Fundo de Emancipação distribuída por 70 municípios mineiros.  O município foi também contemplado na 4ª cota, distribuída em 1882. [3]


8 de agosto

1882

Professor Firmino Machado de Moraes é nomeado para a Escola de Conceição da Boa Vista. [4]


9 de agosto

1883

Entre as decisões da Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa Provincial consta a alteração das divisas entre os distritos de Tebas e Rio Pardo (hoje Argirita), com transferência de diversas fazendas para Tebas. [5]


12 de agosto

1882

Moradores de Angustura encaminham Petição à Assembleia Legislativa Provincial para que a Freguesia seja desmembrada de Leopoldina e anexada a São José do Paraíba. [6]


14 de agosto

1895

Mais uma Escola Pública Feminina é inaugurada em Leopoldina. Veja.


16 de agosto

1889

– Elevação do Curato da Piedade a Freguesia, no município de Leopoldina.

Lei Mineira nº 3798, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

– Aprovação de artigos aditivos às Posturas da Câmara Municipal de Leopoldina e a Tabela de Impostos estabelecida pela mesma Câmara.

Resolução 3809, 3813 e 3828


19 de agosto

1866

José Batista Duarte Castro é ferido em batalha da Guerra do Paraguai.

Notícia da Guerra do Paraguai


22 de agosto

1882

Professor Angelo de Souza Nogueira é nomeado para a 2ª cadeira de Leopoldina. [7]


28 de agosto

1881

Escolas no distrito leopoldinense de Bom Jesus do Rio Pardo, hoje município de Argirita. Veja.


29 de agosto

1864

O Curato de Santana do Pirapetinga, pertencente à Vila Leopoldina é desmembrado de Conceição da Boa Vista e elevado a Distrito.

Lei Mineira nº 1240, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


Referências:

[1] Fala de Theophilo Ottoni, 1 de agosto de 1882, pag. 66

[2] Portaria da vice-presidência da Província de Minas Gerais, 16 de agosto de 1866, publicada no Diário de Minas, 28 de agosto de 1866, edição 65, pag.1

[3] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, páginas 64 e 66.

[4] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, pag. AD15.

[5] Jornal Liberal Mineiro de 23 de agosto de 1883, edição 88, página 1

[6] Jornal Liberal Mineiro, 4 de setembro de 1882, edição 100, pag. 4

[7] Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, pag. AD15

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São José do Paraíba

No início, o Feijão Cru era subordinado ao distrito de São José do Paraíba. Em 1854, quando foi emancipado com o nome de Vila Leopoldina, foi a vez do São José do Paraíba lhe ser subordinado. Mais tarde o território do atual município de Além Paraíba foi transferido para Mar de Espanha até emancipar-se.

Leopoldina, Angustura e São José do Paraíba

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Angustura

O antigo distrito de Madre de Deus do Angu foi subordinado à Vila Leopoldina.

Leopoldina, Angustura e São José do Paraíba

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Contagem Populacional: recenseamentos realizados em Leopoldina

O recenseamento realizado no Brasil em 1872, por ordem de Dom Pedro II, encontrou 3.184.099 habitantes na província de Minas Gerais.

O levantamento foi realizado de acordo com o Lei nr 1829, de 9 de setembro de 1870, que estabeleceu, em seu Art. 1º:

“De dez em dez annos proceder-se-ha ao recenseamento da população do Imperio”.

Em Minas Gerais, conforme se observa no recorte abaixo, a contagem só foi iniciada em 1 de agosto de 1873.

Recorte do Diário de Minas sobre o Recenseamento de 1872

Em Leopoldina, a organização dos serviços esteve a cargo do Vigário José Francisco dos Santos Durães e de Francisco José de Freitas Lima que, conforme se verifica na nota abaixo, substituíram os primeiros nomeados por não residirem na Paróquia.

Nomeação de responsáveis pelo Recenseamento de 1872

No Relatório apresentado pelo vice-presidente da província à Assembleia Legislativa em 1874, foram informados os seguintes dados de Leopoldina:

Resultado obtido no Recenseamento de 1872 em Leopoldina

No quadro acima estão incluídos todos os distritos que então pertenciam a Leopoldina, quais sejam: Angustura (hoje pertencente a Além Paraíba); Meia Pataca (hoje o município de Cataguases); Laranjal (hoje município); Pirapetinga (hoje município); Conceição da Boa Vista (atualmente distrito de Recreio); e, Bom Jesus do Rio Pardo (atual município de Argirita).

 

Na Paróquia de São Sebastião da Leopoldina o resultado foi o seguinte:

 

LIVRES

BRANCOS

%

CABOCLOS

%

OUTROS

%

4.835

2.747

56,8

68

1,4

2.020

41,8

O quadro caboclos refere-se a índios, independente de serem filhos de índios com brancos ou só de índios.

LIVRES

BRASILEIROS

%

ESTRANGEIROS

%

4.835

4.636

95,8

199

4,2

Entre os estrangeiros, destacamos:

8 alemães, sendo 2 homens casados, 3 homens solteiros, 1 mulher casada, 1 mulher solteira e 1 mulher viúva;

6 espanhóis, sendo 1 homem casado, 4 homens solteiros e 1 homem viúvo;

26 italianos, sendo 14 homens casados, 10 homens solteiros, 1 homem viúvo, 1 mulher casada.

Os demais 159 estrangeiros são de outras nacionalidades, especialmente portugueses.

LIVRES

HOMENS

%

MULHERES

%

4.835

2.587

53,5

2.248

46,5

ANALFABETOS

HOMENS

%

MULHERES

%

3.386

1.724

50,9

1.662

49,1

ESTUDANTES

HOMENS

%

MULHERES

%

160

97

60,6

63

39,4

Entre a população livre, foram encontrados:

5 homens e 3 mulheres cegas, 2 homens e 1 mulher surdos-mudos, 15 homens e 9 mulheres aleijados, 2 homens e 1 mulher demente e 1 homem alienado, o que representa 0,8% do total de pessoas livres.

ESCRAVOS

BRASILEIROS

ESTRANGEIROS

HOMENS

MULHERES

3.100

2.864

236

1.649

1.451

Todos os escravos se declararam analfabetos. E entre eles foram encontrados:

2 homens e 1 mulher cega, e 1 mulher surda-muda, 7 homens e 3 mulheres aleijados, 2 homens dementes e 1 homem alienado, representando 0,5% do total de escravos.

À exceção dos estrangeiros de origem germânica, todos os demais se declararam católicos.

Foram encontradas 481 casas, sendo 477 habitadas e 4 desabitadas.


CENSO REALIZADO EM 31.12.1890

Distribuição Populacional:

HABITANTES

ESTRANGEIROS

Homens

Mulheres

BRASIL

14.333.915

231.731

119.581

MINAS GERAIS

3.184.099

31.135

15.652

LOCAL

HABITANTES

ESTRANGEIROS

ANALFABETOS

H

M T

São Sebastião de Leopoldina

13.942

285 146 431

11.356

Nossa Senhora da Piedade

4.344

4

3

7

3.385

Santo Antônio de Tebas

2.226

61

42

103

1.824

N.S.Conceição da Boa Vista

10.178

223

53

276

8.580

Bom Jesus do Rio Pardo

4.841

45

28

73

4.157

TOTAL DE LEOPOLDINA

35.531

618

272

890

29.302

ANALFABETISMO

SABEM LER E ESCREVER

BRASILEIROS

ESTRANGEIROS

HOMENS

MULHERES

TOTAL

HOMENS

MULHERES

TOTAL

BRASIL

1.237.494

684.482

1.921.976

148.360

50.223

198.583

MINAS

220.975

100.428

321.403

8.619

1.382

10.001

S.SEBASTIÃO

1.485

835

2.320

223

43

266

N.S.PIEDADE

610

336

946

* 12

* 1

* 13

S.A.TEBAS

244

153

397

5

0

5

BOA VISTA

1.070

417

1.487

103

8

111

RIO PARDO

430

200

630

50

4

54

Total Município

3.839

1.941

5.780

393

56

449

* Há um erro flagrante, pois a população estrangeira no distrito era de 4 homens e 3 mulheres, conforme quadro anterior.

NÃO SABEM LER E ESCREVER

BRASILEIROS E ESTRANGEIROS

POPULAÇÃO

HOMENS

MULHERES

TOTAL

TOTAL

% ANALFABETOS

BRASIL

5.852.078

6.361.278

12.213.356

14.333.915

85,2

MINAS

1.397.867

1.454.828

2.852.695

3.184.099

89,6

S.SEBASTIÃO

5.779

5.577

11.356

13.942

81,5

N.S.PIEDADE

1.718

1.667

3.385

4.344

77,9

S.A.TEBAS

912

912

1.824

2.226

81,9

BOA VISTA

4.408

4.172

8.580

10.178

84,3

RIO PARDO

2.135

2.022

4.157

4.841

85,8

Total Município

14.952

14.350

29.302

35.531

82,5

ANALFABETISMO ENTRE OS ESTRANGEIROS

LOCAL

POPULAÇÃO

ALFABETIZADOS

ANALFABETOS

H

M T H M T H M T %

S.Sebastião

285

146

431

223

43

266

62

103

165

38,2

N. S.Piedade *

4

3

7

12

1

13

8

2

10

142,8

S. A.Tebas

61

42

103

5

0

5

56

42

98

95,1

N.S.C.Boa Vista

223

53

276

103

8

111

120

45

165

59,8

B.J.Rio Pardo

45

28

73

50

4

54

5

24

29

39,7

LEOPOLDINA

618

272

890

225

216

441

49,5

* Conforme dito acima, há um erro flagrante no mapa do IBGE quanto ao número de estrangeiros alfabetizados.

FILIAÇÃO

LEGÍTIMOS

ILEGÍTIMOS

LEGITIMADOS

EXPOSTOS

TOTAIS

BRASIL

11.656.431

2.603.489

61.730

12.265

14.333.915

MINAS

2.703.227

470.817

7.907

2.148

3.184.099

S.SEBASTIÃO

10.835

3.033

54

20

13.942

N.S.PIEDADE

3.696

646

2

0

4.344

S.A.TEBAS

1.761

463

2

0

2.226

BOA VISTA

7.722

2.437

17

2

10.178

RIO PARDO

3.490

1.333

11

7

4.841

Total Município

27.504

7.912

86

29

35.531

CULTO

BRASIL

MINAS

LEOPOLDINA

CATÓLICOS

ROMANOS

14.179.615

3.180.526

35.471

ORTODOXOS

1.673

88

0

PROTESTANTES

EVANGÉLICOS

19.957

368

0

PRESBITERIANOS

1.317

92

0

OUTROS

122.469

2.705

49

ISLAMITAS

300

5

0

POSITIVISTAS

1.327

105

10

SEM CULTO

7.257

210

1

TOTAIS

14.333.915

3.184.099

35.531

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