Arquivo do autor:cantoni

Documentário ‘Imigrantes Italianos – a trajetória dos colonos que viveram em Leopoldina’.

SINOPSE: O historiador e genealogista José Luiz Machado Rodrigues (Luja), fala sobre os resultados dos estudos realizados em conjunto com Nilza Cantoni, explicando detalhes sobre a chegada dos imigrantes no Brasil e no município de Leopoldina, onde foi formada a Colônia Agrícola da Constança. Nestes primeiros episódios, o entrevistado relata como ocorreu a imigração, demonstrando a trajetória que os colonos tiveram até chegar em Leopoldina. Também são esclarecidos detalhes de locais onde funcionaram instituições, fazendas, colônias, lotes, entre outros.

FICHA TÉCNICA:

Produção: Jornal Leopoldinense

Pesquisa: Nilza Cantoni e José Luiz Machado Rodrigues

Diretor: Luiz Otávio Meneghite

Filmagem e edição: João Gabriel Baía Meneghite

Revisão: Luciano Baía Meneghite

Publicidade: Sérgio Barbosa França

PATROCÍNIO:

Energisa

ACIL – Associação Comercial de Leopoldina

Hotel Minas Tower

Semar Assessoria Contábil

Colégio Equipe

Fonte Supermercados

APOIO CULTURAL:

Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina

www.cantoni.pro.br

AGRADECIMENTOS:

Nilza Cantoni

José Luiz Machado Rodrigues

Júlio Antonio Carraro Mendonça

José Lindionor Rocha

Pedro Augusto Machado Monteiro

Victor Guilherme Pereira Fernandes

Eduardo Mantovani

Luciana Monteiro

Rodrigo Ramos

Luciano Baía Meneghite

Sérgio Barbosa França

Té Bonin

Geraldo Guedes Couto

Alberto Ramos de Oliveira

Jairo Seoldo

Amanda Almeida

Cristiano Fófano

Jeverson Carelli

Welington Bonin Caetano

Aparecida Tigre

Luzia Tigre

Odilon Rodrigues Machado

REPRODUÇÃO DE IMAGENS

BFI – Film Forever

cantoni.pro.br

Museu da Imigração

Memorial do Imigrante

Arquivo Público Mineiro

Instituto Agrônomico de Campinas

Editora Unesp

Coleção Leopoldino Brasil

Jornal Minas Geraes

Jornal O Leopoldinense

Acervo IMS

Acervo Família Levy

Estadão.

Livro “Immigrants on the land”

Instituto Nacional do Cinema Educativo

TRILHAS SONORAS

‘Mérica, Mérica’, de Angelo Giusti Interprete: Jeverson Carelli Bateria: Diego Spilmann Baixo: Giovani Fistarol Violão: Sandro Pedroni Acordeon: Nelcir Carelli

Audio Library do Youtube

Trieste

St Francis

Spanish Rose

Fresh Fallen Snow

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118 – Manoel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos.

Segue a viagem do Trem de História. Agora, com Manoel Funchal Garcia, o renomado pintor e escritor Funchal Garcia, lembrado nesta série de artigos sobre ele e sua família.

Funchal Garcia nasceu[1] em Leopoldina no dia 03.02.1889 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 30 de junho de 1979.[2] Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.

Por volta de 1912 casou-se[3] com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia

Foi professor, renomado pintor paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.

No dizer dele próprio,[4] conheceu “o Brasil de norte a sul, de este a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.

Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense[5] e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos. Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.

Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés… a fronte, nas estrelas…)”. Já no dizer de Gastão Penalva[6]:

“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.

Na década de 1940, era funcionário[7] da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria[8]:

“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. […] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. […] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. […] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”

Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe[9].

Funchal Garcia pertenceu[10] à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado[11] em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais[12], como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono[13] da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.

Por uma questão de espaço o Trem de História de hoje precisa parar por aqui. No próximo número ele ainda trará mais um vagão com as obras deste grande pintor e escritor leopoldinense, passageiro destas últimas viagens. Até lá.


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 3 bt fls 80

2 – GARCIA, Maria José Ladeira. Saga de um Sonhador. Disponível em <http://almanaquearrebol.blogspot.com/2015/07/funchal.html>. Acesso em 20 set. 2016

3 – Cálculo feito a partir da dedicatória da p. 11 do seu livro Do Litoral ao Sertão.

4 – FUNCHAL GARCIA, Manoel. Do Litoral ao Sertão. Rio de Janeiro, RJ: Bibliex, 1965. p. 16.

5 – O Paiz. Rio de Janeiro, 28.04.15, ed 11160, p. 7 col. 1, Notícia de Carangola. FUNCHAL GARCIA, Manoel. Retalhos da Minha Vida. Belo Horizonte, MG: do autor, 1969. p.63

6 – PENALVA, Gastão. O bandeirante da pintura. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 17 set 1941, ed 219, p. 5, col. 1-2

7 – O Jornal. Rio de Janeiro: 07 ago. 1943 ed. 7410 p. 10 col. 7;  A Manhã. Rio de Janeiro: 22 fev. 1945 ed 7613 p. 5 col.3

8 – VICTORIA, Luiz A. P. A Arte e o Artista. Diário da Noite: Rio de Janeiro, 16.09.43, ed 3879 p. 3 col.1

9 – FUNCHAL GARCIA, Manoel. Do Litoral ao Sertão. Rio de Janeiro, RJ: Bibliex, 1965. p. 57

10 – A Noite, Rio de Janeiro, 13.12.45, ed 12134, p. 24 col. 1; 4 maio 1943 ed 11215 p. 5 col.6; 17 jan. 1944, ed 11470, p. 2 col.1-2; 04 maio 1943, ed 11215, p. 5 col.6.

11 – Ofício de Elizabeth Santos Cupello, ex-Presidente da AVL, em julho 2018.

12 – TOGEIRO, Angela. Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, comunicação eletrônica  <amulmig@gmail.com> em 11 de agosto de 2018.

13 – Academia Leopoldinense de Letras e Artes, Posse do Acadêmico Antônio Márcio Junqueira Lisboa.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 371 no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019

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Festa do Imigrante Italiano

Em homenagem a centenas de imigrantes italianos que residiram em Leopoldina entre o final do século XIX e início do XX, os festejos do Dia Nacional do Imigrante Italiano se estenderão do dia 21 a 24 de fevereiro de 2019.

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117 – João Funchal Garcia, o irmão jornalista.

Conforme ficou dito na quinzena passada, o Trem de História de hoje se ocupará com a vida e obra do filho caçula de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, o oitavo deles, João Funchal Garcia, nascido[1] no dia 11 de agosto de 1895 em Leopoldina.

E começa informando que em 1920 ele trabalhava[2] no Posto de Profilaxia de Além Paraíba, onde era colega de seu conterrâneo e amigo Luiz Rousseau Botelho, a quem conhecera na infância na rua Tiradentes.

João se casou com Zilca Macedo com quem teve, pelo menos, os filhos Carlos Alberto e Maria José, esta nascida[3] aos 14 de maio de 1925 em Leopoldina.

Iniciou sua carreira jornalística em 1927 quando escreveu para o jornal da terra natal a matéria intitulada[4] “A “Santa” existe?”, falando da aparição na Serra dos Andrés. O artigo descreve uma excursão que fez à localidade situada em território da atual cidade de Recreio (MG), bem ao estilo de um repórter em busca da notícia.

Naquele ano, João havia sido nomeado escrevente do Cartório do 3º Ofício de Palmyra, atual Santos Dumont (MG), onde também foi secretário[5] do jornal A Notícia. No ano seguinte, foi nomeado[6] Ajudante de Procurador da República na mesma cidade.

Em 1930, já no Rio de Janeiro, era[7] repórter de polícia do jornal A Pátria e em 1939 trabalhava como jornalista[8] no Diário Carioca onde conheceu Alberto Romero, que sobre ele escreveu[9]:

“No Rio pouca gente sabe hoje que o repórter Funchal Garcia optou pela rendosa profissão de mendigo para contar tudo mais tarde numa série de reportagens no DC. Funchal me disse que viveu não sei quantos meses do produto das esmolas. O salário do jornal era entregue à mulher dele, que ignorava a natureza da sua missão jornalística. O mais impressionante é que o velho Funchal chegou a tomar tanto gosto pela mendicância (ele próprio me confessou) que até pensou em abandonar o jornalismo, e certamente não faria mau negócio.”

Anos depois um jornal carioca[10] registrava que João Funchal Garcia era um dos jornalistas que assinaram telegrama ao presidente Eurico Gaspar Dutra em apoio ao ato que extinguiu o jogo no Brasil. Vale lembrar que a proibição dos chamados jogos de azar, considerados uma prática degradante para a sociedade, ocorreu com a publicação do Decreto nº 9215, de 30.04.46, do presidente Dutra.

Em 1947[11], o então funcionário João Funchal Garcia foi transferido da Agência Nacional para o Departamento de Segurança. Mas o jornalista continuava ativo e mesmo residindo no Rio de Janeiro, em 1949 enviou matéria[12] especial pelo Dia do Aviador para jornal de Santos Dumont, com o título “Santos-Dumont e o dever patriótico de Palmira”.

Em 1958 recebeu[13] Medalha Comemorativa do II Congresso de Polícia pela cobertura jornalística do evento. Aposentou-se[14] em agosto de 1960 mas continuou sendo procurado pelos colegas do meio e em 1965 foi chamado a opinar sobre o livro[15] ‘O Assunto é Jornal’, publicando uma crítica no mesmo Diário Carioca onde trabalhou.

O jornalista João Funchal Garcia faleceu no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 1967.

Por hoje a história fica por aqui. No próximo Jornal o Trem de História trará a carga relativa à vida e obra do pintor e escritor (Manoel) Funchal Garcia. Aguardem!


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 06 bat fls 18 termo 586.

2 – BOTELHO, Luiz Rousseau, Dos 8 aos 80. Vega: Belo Horizonte, 1979 p. 293.

3 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 22 bat fls 9 termo 109.

4 – Gazeta de Leopoldina. 19 fev 1927 ed 224 p. 4 coluna 3.

5 – Jornal de Queluz. Conselheiro Lafaiete, MG, 24 nov 1928 ed 141 p. 1 coluna 5

6 – Correio da Manhã. Rio de Janeiro, RJ, 8 out. 1929 ed 10667 p. 7 coluna 9.

7 – Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, RJ, 24 e 25 julho 1949 ed 172 2ª seção p. 2 coluna 4

8 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez 1939 ed 3522 p. 11.

9 – idem, 2 ago 1965 ed 11460 p. 8.

10 – A Manhã. Rio de Janeiro, RJ, 01 maio 1946, ed 1449, p. 2 coluna 8

11 – A Noite. Rio de Janeiro, RJ, 05 ago 47, ed 12635, p. 4, coluna 3

12 – O Sol. Santos Dumont, MG, 23 out 49, ed 1125, p. 3

13 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 27 maio 1958 ed 9161 p. 10 coluna 7.

14 – idem, 11 ago 1960 ed 9853 p. 6 coluna 5.

15 – idem, 2 ago 1965 ed 11460 p. 8.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 369 no jornal Leopoldinense de 16 de dezembro de 2018

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Imigrantes Italianos em Leopoldina

Documentário sobre imigrantes italianos será exibido no dia 22 de fevereiro.

A entrada é franca, no entanto, os interessados devem buscar o seu ingresso na ACIL, instituição que organiza a Festa do Imigrante Italiano.

No dia 22 de fevereiro, serão exibidos no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira os primeiros episódios do documentário sobre a trajetória dos imigrantes italianos que viveram em Leopoldina.

Trata-se de um série documental que será lançada pelo Jornal Leopoldinense, baseada nas pesquisas de Nilza Cantoni e José Luiz Machado Rodrigues, colunistas do periódico onde são publicados artigos sobre o tema há mais de 15 anos.

Devido a capacidade limitada de 80 pessoas por sessão, o filme será exibido em dois horários: às 20:00 e 21:00 horas. A entrada é franca, no entanto, os interessados devem buscar o seu ingresso na Associação Comercial de Leopoldina, instituição que organiza a Festa do Imigrante Italiano.

Sinópse

O historiador e genealogista José Luiz Machado Rodrigues (Luja), fala sobre os resultados dos estudos realizados em conjunto com Nilza Cantoni, explicando detalhes sobre a chegada dos imigrantes no Brasil e no município de Leopoldina, onde foi formada a Colônia Agrícola da Constança.

Nestes primeiros episódios, o entrevistado relata como ocorreu a imigração, demonstrando a trajetória que os colonos tiveram até chegar em Leopoldina. Também são esclarecidos detalhes de locais onde funcionaram instituições, fazendas, colônias, lotes, entre outros.

Mais episódios poderão serão produzidos

O objetivo é produzir mais episódios sobre o tema, devido a extensão da pesquisa. Segundo João Gabriel Baía Meneghite, produtor do documentário, existe um vasto referencial bibliográfico de autoria dos pesquisadores Nilza e José Luiz, que poderão ser transformados em novos episódios.

“Além disso, estamos mantendo contato com algumas famílias para ouvi-las e registrar as histórias de seus antepassados. Num primeiro momento, percebi que grande parte desconhece essas histórias e curiosidades dos seus avós e bisavós. Outros, porém, guardam na memória casos e costumes que podem enriquecer os próximos episódios do documentário. A Festa do Imigrante Italiano vai nos possibilitar estreitar contatos para as próximas entrevistas”, explicou.

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Convite: Festa do Imigrante Italiano

No dia 22 de fevereiro de 2019, como parte das comemorações pela passagem do Dia Nacional do Imigrante Italiano, o jornal Leopoldinense lançará o vídeo A Trajetória dos Colonos que viveram em Leopoldina, baseado no trabalho de pesquisa de Luja Machado e Nilza Cantoni.

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Há 100 anos

Em fevereiro de 2019, nasceram em Leopoldina

Dia 10

Maria Aparecida Rezende Oliveira


Dia 13

Leonira Ribeiro

Dia 19

Milton Vargas Neto

Dia 27

Dulce Lacerda

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116 – Alfredo Funchal Garcia, o irmão engenheiro

Até aqui não se sabia que o terceiro filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, nascido[1] em Leopoldina no dia 02 de janeiro de 1885, tinha trabalhado[2] nas instalações telefônicas de Paranaguá e Rio Negro, no Paraná. Hoje se conhece isto e um pouco mais.

Alfredo era Engenheiro eletricista, em 1912 foi contratado pela Fernandes & Co, de propriedade de Paulino Fernandes, Aurélia Tanneg e Ignacio D. de Carvalho, para dirigir os trabalhos de instalação do serviço telefônico em Cataguases, Muriaé e Palma, em Minas Gerais, assim como em Santo Antônio de Pádua, no Estado do Rio.

Em 1922 era chefe[3] da secção de eletricidade da Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, cargo que o levou a constantes viagens dentro do estado e também para o Rio de Janeiro.

É de se destacar, ainda, um relato[4] publicado em jornal de Conselheiro Lafaiete que se transcreve com a ortografia da época:

“De há muito que se tornou assumpto obrigatório em rodas de inteligentes a discussão sobre a radiographia e a radiophonia. Entretanto, até há poucos dias, o assumpto não era de nosso pleno conhecimento, pois, se bem que já houvéssemos lido muito e muito escutado sobre o assumpto, não nos tinha sido proporcionada a ocasião de ver um desses aparelhos e ver o seu funcionamento, se bem que já houvéssemos tido ocasião de ouvir, por uma gentileza dos Srs. João Hallais de Oliveira e Brandimarte do Valle, algo cantado no Rio, por intermédio do aparelho que o primeiro desses senhores tem funcionando em Buarque[5], mas pela linha da Comp. Telephonica de Queluz, cuja ligação nos permitiu amavelmente o segundo. Só há bem pouco, no ‘Meridional-Hotel’, conseguimos ver um desses apparelhos funcionar, quando ali se encontrava hospedado o Sr. Alfredo Funchal Garcia, residente no Rio à rua Maris e Barros n. 294, atencioso representante da Red-Corporation, com sede no Rio de Janeiro, e da General Eletric, também com sede no Rio, á Avenida Rio Branco ns. 60 a 64.

[…]Agora, porém, o nosso Municipio já possue diversos aparelhos radiophonicos. Tem o do Sr. João de Oliveira, em Buarque. Outro existe na Comp Santa Mathilde, o qual, segundo nos asseveraram, ainda não conseguiu funcionar perfeitamente.

Em Congonhas do Campo formou-se uma sociedade, que adquiriu um desses modernos aparelhos, que, nos informam com segurança, está funcionando perfeitamente. O Dr. Victorino dos Santos Ribeiro, ainda é informação que temos, vae colocar um desses aparelhos em sua residência. Para o Meridional-Hotel, o Sr. Leonidio Dias também já adquiriu um magnifico aparelho, dos mais modernos e potentes, o qual está funcionando regularmente.”

Como se vê, o leopoldinense Alfredo Funchal Garcia participou da difusão de um meio de comunicação que representou, para a época, o equivalente ao que a rede mundial de computadores passou a representar nos últimos vinte anos. E não foi só isso. Em 1926, Alfredo estudava[6] a implantação de uma usina hidroelétrica em Conselheiro Lafaiete (MG), para fornecer força e luz ao distrito de Morro do Chapéu daquele município.

Em 1938, era professor[7] do Gymnasio de Porto Novo do Cunha, da cidade de Além Paraíba, onde se tornou sócio fundador[8] do Aero-Clube local, em junho de 1943, fazendo parte da primeira diretoria com o cargo de diretor de material.

A história de Alfredo fica por aqui. Mas a dos irmãos Funchal Garcia continuará na próxima edição, quando o Trem de História trará o caçula, João Funchal Garcia, que se destacou noutra atividade. Até lá.


Fontes consultadas e nota:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 128 termo 1214.

2 – A Imprensa. Rio de Janeiro, 27 jun. 1912, ed 1638, p. 7, coluna 1

3 – Diário da Manhã. Vitória, ES, 23 mar. 1922 ed 183 p. 3 coluna 2.

4 – Correio da Semana. Queluz de Minas, MG, 26 de março de 1925 ed 517 p. 4 colunas 2/3.

5 – Buarque é a forma simplificada de Buarque de Macedo, distrito de Conselheiro Lafaiete (MG).

6 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 14 nov. 1926 ed 2433 p. 10 coluna 8.

7 – Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, RJ, 17 jul. 1938 ed 167 p. 8 coluna 5.

8 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 29 ju.1943 ed 7373 p. 2 coluna 2.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 368 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2018

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115 – Os irmãos do pintor Funchal Garcia

A viagem do Trem de História segue pela família de Manoel Funchal Garcia, trazendo um pouco sobre os filhos do casal Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.

Maria Amélia nasceu em 28 de outubro de 1880 e foi batizada no dia 07 de novembro do mesmo ano, tendo por padrinhos Antonio Francisco Alves Neto e Rosa Martins Funchal, esposa de José Joaquim, tio materno da batizanda. Maria Amélia se casou com o português Antonio Alves de Freitas com quem teve, pelo menos, quatro filhos: Adelia, Altilia, Irene e José, este ultimo advogado[1] em Carangola em 1939. Maria Amélia faleceu no Rio de Janeiro aos 24 de setembro de 1924.

O segundo filho de Alfredo e Mariana foi Silvandino Funchal Garcia. Nascido[2] em novembro de 1882. Por volta de 1910 Silvandino assumiu a padaria da família. Dele, vale ressaltar que numa demonstração de boa percepção dos avanços da época, em fevereiro de 1913 adquiriu[3] amassadeira mecânica e outros aparelhos acionados por energia elétrica para modernizar as instalações ainda bem precárias da padaria e aproveitar a eletricidade que havia chegado a Leopoldina pouco mais de 4 anos antes.

Silvandino casou-se com Esmenia Ferreira, nascida em Leopoldina aos 29 de novembro de 1884, filha de João Batista Ferreira e Leopoldina Esméria de Almeida, com quem teve sete filhos, dentre eles Paulo Ferreira Garcia que ocupou a cadeira nº 16 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes e, José Ferreira Garcia, nascido em Leopoldina aos 16 de junho de 1913, pai de Maria José Ladeira Garcia que ocupa a cadeira nº 13 da mesma Academia.

Alfredo Funchal Garcia foi o terceiro filho do casal e será abordado em artigo especial.

O quarto filho de Alfredo e Mariana foi Antônio Funchal Garcia Nascido por volta de 1887, faleceu[4] em Leopoldina aos 04 de setembro de 1963. Segundo Mário de Freitas[5], só veio a falar de maneira inteligível após a morte da mãe. Figura popular nas ruas de Leopoldina, eventualmente era vítima de brincadeiras desagradáveis da garotada.

O pintor Manoel Funchal Garcia, foi o quinto filho e é o personagem leopoldinense que se homenageia com esta série de artigos que pretendem marcar os 130 anos do seu nascimento.

O sexto filho do casal foi Aurora, nascida[6] aos 23 de janeiro de 1891, de quem nada se conseguiu apurar.

José Funchal Garcia, o sétimo filho, nasceu[7] a 28 de fevereiro de 1893 e faleceu[8] a 27 de setembro de 1966 em Leopoldina. Vivia no Rio de Janeiro na década de 1930. Morou[9] na Rua da Candelária nº 93. Em 1933 era funcionário[10] da Companhia de Armazéns Geraes Mineiros, sediada na então Capital da República.

João, o oitavo filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, terá sua trajetória comentada em artigo à parte.

Completada a família, encerra-se aqui a viagem de hoje. No próximo encontro, o Trem de História trará a história do filho Alfredo Funchal Garcia que se destacou como engenheiro eletricista e foi figura importante na implantação da telefonia em diversas cidades dos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Aguardem!


Fontes consultadas:

1 – O Radical. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez. 1939 ed 2343 p. 2 coluna 7

2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 83 termo 755.

3 – O Paiz. Rio de Janeiro, RJ, 12 de fevereiro de 1913 ed 10355 p. 4 coluna 2

4 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 6 nº 251 plano 2 sep 125.

5 – FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: 1985. p.39

6 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 03 bat fls 186v termo 95.

7 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 04 bat fls 117v termo ordem 1140.

8 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 30 nr 256 plano 2 sep 703.

9 – Crítica. Rio de Janeiro, RJ, 24 jun 1930 ed 507 p. 8 coluna 2.

10 – A Noite. Rio de Janeiro, RJ, 10 jan 1933 ed 7590 p. 8 coluna 3.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 367 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2018

 

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114 – A formação da família Funchal Garcia

O Trem de História segue por sua linha principal cujo objetivo é trazer para os dias de atuais os personagens leopoldinenses que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.

A partir de hoje, numa sequência de vagões, pretende trazer a vida e obra de um renomado pintor e professor leopoldinense. Do autor do mural do conjunto da concha acústica da Praça Félix Martins que retrata a lenda do Feijão Cru. Do conterrâneo que empresta seu nome a uma avenida do bairro São Cristóvão. E, do também jornalista e escritor, patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, (Manoel) Funchal Garcia, nascido[1] a 03.02.1889 em Leopoldina e falecido no Rio de Janeiro (RJ) em 1979.

E começa trazendo um pouco sobre a sua família, iniciada em 31 de janeiro de 1880, em Leopoldina, com o casamento[2] dos portugueses Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.

Alfredo, filho de Francisco Garcia Monteiro e Ana Ribeiro Borges, segundo descendentes, procedia de Midões, em Portugal. Importante registrar que esta informação sobre o local de origem de Alfredo não foi, ainda, devidamente documentada. Sabe-se que Midões é designação geográfica que remete o pesquisador a três diferentes locais: o primeiro deles, pertencente à freguesia de Sazes do Lorvão, Concelho de Coimbra; o segundo, à freguesia de Tábua, também no Concelho de Coimbra; e, o terceiro, a uma freguesia do Concelho de Barcelos, extinta em 2013. Daí não se saber o exato local do nascimento de Alfredo.

Alfredo Garcia Ribeiro faleceu por volta de 1900, possivelmente em Leopoldina. Foi sócio[3] da empresa Araújo & Ribeiro até janeiro de 1882 quando desfez a sociedade e assumiu todo o negócio. Segundo notícia de jornal da época, a empresa funcionava na Rua do Rosário nº 49. Ao que tudo indica, o mesmo endereço[4] da Casa de Pensão que em 1896 funcionava na já então nomeada Rua Tiradentes nº 30. Endereço de moradia da família e onde funcionava a padaria[5] de Alfredo, que após sua morte ficou sob administração da esposa e, mais tarde, do filho mais velho.

Mariana, filha de José Antonio Funchal e Francisca Inácia Mendes, tem como origem provável a cidade de Funchal, capital da Região Autônoma da Madeira, uma das ilhas atlânticas de Portugal.

Sobre Mariana, conta-se que no dia 11 de outubro de 1933 ela foi atropelada[6], na rua Tiradentes, pelo automóvel dirigido por José Vilela. Segundo algumas fontes, a partir daí passou por sucessivos problemas de saúde até 1939 quando, bastante doente, os filhos a levaram para o Rio de Janeiro, onde faleceu[7] no dia 30 de novembro daquele ano.

Registre-se, por fim que, segundo Luiz Rousseau Botelho[8], Dona Mariana participava do mais antigo Centro Espírita de Leopoldina[9].

A carga de hoje termina aqui. Mas no próximo Jornal tem mais Funchal Garcia. Aguardem.


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 3 bt fls 80 termo s.nº

2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 1 cas fls 31 termo 79.

3 – O Leopoldinense. Leopoldina, MG,. 22 jan. 1882, ed. 7, p. 3.

4 – O Mediador. Leopoldina, MG,. 28 jan. 1896, ed. 21, p. 3

5 – idem, 1 nov. 1896, ed 50, p. 1

6 – Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, MG, 14 out 1933 ed 143 p. 2 coluna 2.

7 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez 1939 ed 3522 p. 11.

8 – BOTELHO, Luiz Rousseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p. 44.

9 – Almanack do Arrebol. Leopoldina-MG, 1984-1985, ano 2, nº 6, p. 6.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 366 no jornal Leopoldinense de 30 de outubro de 2018

 

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