77 – Hamilton Vasconcelos , o fotógrafo.

O trem de história segue hoje para uma nova viagem. No seu contínuo embarque e desembarque de personagens que fizeram a história da cidade, prepara-se para falar de um destacado fotógrafo leopoldinense. Mas antes de recepcioná-lo no vagão, percorre um pouco os caminhos trilhados pela fotografia no Brasil.

O primeiro percurso desta viagem lembra que as primeiras imagens fotográficas no país datadas de 1832, foram tomadas por Hércules Florence[1], considerado por isto o pioneiro da fotografia no Brasil. Aliás, o país é um dos pioneiros em fotografia, graças principalmente ao imperador D. Pedro II, um grande apreciador da arte desde jovem, que em 1840 adquiriu em Paris um daguerreótipo[2] e fez muitas imagens. Outros fotógrafos ficaram famosos no Brasil como Buvelot, Prat, e Victor Frond [3] e o mais destacado, Marc Ferrez[4], foi o profissional que retratou muitas paisagens brasileiras e nos deixou uma obra de inestimável valor.

Sobre Ferrez é justo lembrar que, nascido no Rio de Janeiro, abandonou os estudos em Paris e voltou ao Rio onde trabalhou como gravador e litógrafo. Participou de uma expedição científica da Comissão Geológica do Império do Brasil, quando fotografou pela primeira vez, em plena selva, os índios botocudos (1875). Sua obra se destacou pelo registro da natureza do país e da transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX.

E foi na época retratada por Ferrez que nasceu[5], no dia 26 de janeiro de 1902, em Piacatuba, município de Leopoldina, filho de Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes o personagem desta viagem: Hamilton Vasconcelos. Sua trajetória na arte fotográfica não ficou restrita ao município de Leopoldina, tendo trabalhado também em municípios vizinhos.

Em 1925, Hamilton já exercia a profissão que abraçara. Segundo informações de seu filho Joaquim Barbosa Vasconcelos, Hamilton “foi um autodidata, interessando-se e aprimorando cada vez mais a arte que abraçou. Entre seus clientes estavam muitos italianos”.

Joaquim recorda que na época

“em Leopoldina havia apenas dois fotógrafos, mas meu pai, pela qualidade de seu trabalho, era sem dúvida o mais requisitado. Até 1962 ele exerceu sua profissão, sendo interrompido apenas durante a segunda guerra mundial, porque todo o material fotográfico era importado da Alemanha. Na maioria de suas fotos ele assinava ‘Foto Hamilton’. Desenvolveu uma técnica impressionante para retocar os negativos, do qual tirava todos os defeitos, como se fosse um Photoshop[6] hoje”.

É ainda do filho Joaquim a informação de que a família teria se transferido para Leopoldina em 1941, para que o fotógrafo pudesse dispor de um espaço melhor e mais adequado para instalar o seu laboratório.

Hamilton Vasconcelos teve grande importância e valor na sua cidade natal e na região. Entre as imagens que nos legou encontram-se as que enfeitam a imaginária “plataforma” desta parada.


Notas:

[1] O francês Antoine Hercules Romuald Florence chegou ao Brasil em 1824 e estabeleceu-se em Campinas (SP) onde realizou uma série de invenções e experimentos. Era pintor e naturalista. Em 1833 fotografou, através de câmera escura, com uma chapa de vidro sobre papel sensibilizado para a impressão por contato.

[2] É um processo de reprodução de imagem criado pelo francês Louis-Jacques~Mandé Daguerre em 1839. Um processo que utilizava uma camada de prata, aplicada sobre uma placa de cobre e sensibilizada em vapor de iodo. Foi empregado no Brasil até por volta de 1870.

[3] LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia. Fotografia do Século XIX. Rio de Janeiro: Capivara Editora, 2008. p.30.

[4] Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843 e faleceu na mesma cidade em 1923. Trabalhou como gravador e litógrafo. Aprendeu fotografia e tornou-se um fotógrafo com obras premiadas no exterior. Recebeu do Imperador o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa. Registrou a transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro no início do século XX. Um álbum de fotografias 1906-1907 sobre a arquitetura da avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, é sua obra mais conhecida.

[5] Cartório de Registro Civil de Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 6 cas fls 7.

[6] Photoshop é o nome comercial de um software desenvolvido pela Adobe Systems Incorporated para edição de imagens.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 331 no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2017

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