41 – Correio de Leopoldina

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O Trem de História traz hoje um periódico do qual se encontrou apenas a edição de lançamento, em dezembro de 1894, e uma de 03.01.1895, ambas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional. Poucos exemplares de um periódico importante pelo que divulgou e pelas pessoas que o conduziram.

Registre-se que a primeira edição não traz a data completa, mas o jornal O Pharol de Juiz de Fora, edição de 11 de dezembro de 1894, página 1, anuncia que acabara de receber o primeiro exemplar do Correio de Leopoldina.

É bom registrar também que, embora a última edição encontrada tenha sido de 1895, Xavier da Veiga em A Imprensa em Minas Gerais [Revista do Arquivo Público Mineiro, 1898, pag. 235]  inclui o Correio da Leopoldina na relação dos que circulavam em 1898.

Este Correio de Leopoldina tinha Henrique Cancio como redator e Antonio Luis Deslandes como gerente da Empresa Editora Mineira, responsável pela publicação e distribuição do periódico.

De Henrique Cancio sabemos tratar-se de um jornalista e literato mencionado em vários jornais de Minas e do Rio, ora como autor de poemas e contos, ora de matéria jornalística. Segundo consta, trabalhou no Correio de Leopoldina e teria sido também redator do Correio Fluminense de Niterói (1891); do Estado de Minas do Sul, jornal separatista (1892); de O Globo, do Rio de Janeiro (1899); do Assobio, periódico publicado no Rio de Janeiro (1902); da Pátria, da mesma cidade (1896); do jornal Cidade do Rio (1901) e, correspondente d’O Pharol de Juiz de Fora (1901-1906).

N’O Pharol, edições de 20 e 21 de março de 1892, página 1, Henrique Cancio é apontado como mau aluno em Ouro Preto que participou de baderna em Três Corações e Rio Verde, no movimento armado que pretendia formar o Estado de Minas do Sul. No jornal O Estado de Minas Geraes, página 2 da edição de 19 de março de 1892, matéria Presos Políticos, informa-se que “Henrique Cancio, um dos redatores do jornal oficial do novo estado” estava preso.

Em 15 de agosto de 1893, na cidade de Conceição do Turvo (Minas), foi orador oficial de homenagem a um padre, conforme notícia da página 4, edição de 17 de setembro de 1893 do jornal O Apóstolo, do Rio. Neste mesmo jornal, edição de 24 de setembro de 1893 publica um poema em homenagem ao mesmo padre.

Na lista de colaboradores em dezembro de 1894, o Correio de Leopoldina trazia alguns nomes bem conhecidos no meio jornalístico da época. Dentre eles: José Monteiro Ribeiro Junqueira, Ernesto de La Cerda e José James Zig Zag, de Leopoldina; e, Gustavo Santiago, Arthur Itabirano, Jacobino Freire (que colaborou também com o periódico A Leopoldina e com diversos jornais mineiros). Além destes, colaborava também José Maia, radicado na Capital Federal.

Indicando a linha editorial a que se propunha, em sua apresentação, no editorial da primeira página, ele sugeria que se plantasse o café e também cereais, que uma fábrica de tecidos era necessária, assim como emancipar-se do estrangeiro, ou seja, do trabalhador imigrante. Na página seguinte desta mesma edição, trazia a mensagem de Prudente de Moraes ao tomar posse da Presidência da República no dia 15 de novembro de 1894.  Diferentemente dos demais jornais de Leopoldina, o Correio já se apresentou com oito páginas que na primeira edição traziam notas locais e nacionais, dois textos literários, os objetivos da Empresa criada para publicar o periódico, o plano do almanaque planejado para 1895 e anúncios classificados.

O Trem de História de hoje chega à estação. Na gare, matérias de outros periódicos aguardam o momento do embarque. E no primeiro lugar da fila de espera está a Gazeta de Leopoldina que embarcará no próximo Trem. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2016

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