Julho de 1918

Nascimentos em Leopoldina:

4 Jul 1918,

Antonio Marinato

pais: Paschoal Celeste Marinato e Eugenia Nogueira dos Anjos


5 Jul 1918,

Izaura Rodrigues Vargas

pais: Antonio Vargas Ferreira e Olivia Rodrigues da Silva

cônjuge: Eolo Froes


6 Jul 1918,

Antonio Antunes

pais: João Francisco Antunes filho e Ignacia Maria Vargas


8 Jul 1918,

Maria Aparecida

pais: Luiz Augusto da Silva e Zulmira Bittencourt Rodrigues


9 Jul 1918,

Maria Mercedes Samuel

pais: João Samuel e Henriqueta de Oliveira


15 Jul 1918,

Maria das Dores Barbosa

pais: Feliciano José Barbosa e Nelsina Augusto Rodrigues

cônjuge: Antonio Pires de Oliveira


20 Jul 1918,

José Canton

pais: Luigi Antonio Dal Canton e Luigia Ranieri


21 Jul 1918,

Antonio Dalto

pais: Nicolao Dalto e Edwiges de Souza Reis


23 Jul 1918,

João Conti

pais: Giuseppe Conti e Aristea Regina Meneghelli


i27 Jul 1918,

Luzia Samorè

pais: Paolo Samorè e Carolina Honória de Jesus

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104 – Vida e obra de Átila Lacerda da Cruz Machado

Como ficou dito no artigo anterior o Trem de História de hoje prossegue com Átila Lacerda da Cruz Machado que fez seus primeiros estudos em Barbacena e concluiu o curso técnico de Radiotelegrafia no Departamento de Correios e Telégrafos do Distrito Federal, na época, na cidade do Rio de Janeiro – RJ[1]. Em 1931, transferiu-se para Leopoldina onde montou a Estação Radiotelegráfica do Estado de Minas Gerais e nela exerceu sua profissão até aposentar-se.

Quatro anos depois, em 27.02.1935, casou-se[2] com Herondina Domingues da Cruz Machado com quem teve cinco filhos: Helenice, Lincoln, Maria, Raphael e Míriam.

Segundo Mário de Freitas[3], conterrâneo de Átila Lacerda, a mãe dele, Dona Clarieta, era uma educadora de méritos invulgares. Seu irmão, Carlos Mário, professor e oficial categorizado da Escola Preparatória de Cadetes do Ar lecionou, também, no Colégio Leopoldinense.

Átila Lacerda foi funcionário público, professor, idealista, espírita convicto e atuante. Segundo José do Carmo, ajudou na reestruturação do Centro Espírita “Amor ao Próximo”, elaborando seus novos Estatutos, a partir de 05.09.1937. Participou da administração do Centro como secretário, vice-presidente e presidente nos períodos[4] 1947 a 1949, 1958 a 1960 e 1964 – 1973.

Durante sua administração, criou naquela Casa a Escola de Evangelização “Bezerra de Menezes”, para crianças e, a Mocidade Espírita “Dias da Cruz”, para jovens. Fundou, com outros abnegados irmãos de crença, o Albergue Noturno “Major Zeferino”, notável obra social que se localiza na Rua Santa Filomena, em Leopoldina.

Elizabeth Montenari[5] declarou que “por muitos anos o Sr. Atila, inspirado poeta e possuidor de vasta cultura filosófica e religiosa, presidiu o Amor ao Próximo” e foi “um dos baluartes da Casa.” Durante 49 anos dedicou-se à causa do Espiritismo com Jesus, levando a todos a palavra esclarecedora e o conselho amigo, no seu dia-a-dia ou, nas tribunas espíritas para exposições da Doutrina, em Leopoldina ou em cidades vizinhas.

Átila Lacerda da Cruz Machado ajudou a fundar o Rotary Clube de Leopoldina e, rotariano entusiasta, realizou, durante 27 anos, várias conferências rotárias, nacionais e internacionais, no próprio Clube e em diversos outros. Recebeu o título de “Sócio Honorário de Rotary”.

Oriundo da Loja Maçônica “Regeneração Barbacenense”, fundou a Loja Maçônica “27 de Abril” de Leopoldina, na qual foi Venerável durante os três primeiros anos e ocupou, mais tarde, outros postos. Recebeu do Grande Oriente do Brasil o título de “Maçon Emérito”.

Em 1958, eleito vereador e líder da Câmara Municipal de Leopoldina, na administração do Dr. Jairo Salgado Gama teve oportunidade de prestar vários serviços à cidade.

Em 1977, foi-lhe outorgado o título de “Cidadão Leopoldinense”. E desde 23.04.92, de acordo com a Lei nº 2397, empresta seu nome à praça existente, ao lado da Praça Félix Martins, no início da Rua Manoel Lobato[6].

É ainda de José do Carmo Rodrigues a informação de que publicou trabalhos de cunho rotário, político, poético e religioso nos periódicos Gazeta de Leopoldina, Jornal Ilustração, O Roteiro, Revista Rotária e no Jornal do Rotary Clube de Leopoldina.

Em 1954, participou ativamente da fundação do Conservatório Estadual de Música Lia Salgado[7], instituição da qual sua filha Helenice foi ativa diretora.

Para a Revista Acaiaca[8], escreveu em 1961 o poema Cidade Menina, posteriormente publicado em prospecto independente e distribuído pela cidade. Escreveu com o coração, deixando espelhar em sua obra, uma vida marcada pela preocupação com a elevação espiritual do homem e o Amor a Deus e à Criatura, segundo o site Amor ao Próximo.

Átila Lacerda da Cruz Machado, foi carinhosamente apelidado pelos rotarianos leopoldinenses como “A Patativa de Caxambu”, em virtude de memorável alocução sua naquela cidade. Teve o seu desenlace em 26.12.1980, rodeado pelo amor e o carinho da esposa, filhas, genros e netos.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Na próxima edição a viagem contará com a presença do mesmo personagem para contar um pouco sobre a família da sua consorte. Até lá.


Fontes consultadas:

[1] RODRIGUES, José do Carmo. Átila Lacerda da Cruz Machado. Disponível em <josedocarmo.blogspot.com/2010/02/atila-lacerda-da-cruz-machado.html> Acesso 31 out. 2016

[2] idem

[3] FREITAS, Mário de. Leopoldina do meu Tempo. Leopoldina: do Autor, 1985. p. 222.

[4] Centro Espírita Amor ao Próximo. Disponível em <http.//amoraoproximo-104anos.webnode.com.br/álbum> Acesso 8 out. 2016

[5] Almanack do Arrebol nº 06, outubro/85, texto Movimento Espírita Leopoldinense.

[6] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: do autor, 2004. p. 38.

[7] Conservatório Estadual de Música Lia Salgado, 55 anos. Leopoldina, MG: Kalon Moraes, 31.10.2009, p. 3.

[8] ALMEIDA, Kleber Pinto de. Leopoldina de todos os tempos. Belo Horizonte: s.n., 2002; p.11-12.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 356 no jornal Leopoldinense de 1 de junho de 2018

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103 – Átila Lacerda da Cruz Machado – Antepassados

O Trem de História traz do passado mais um personagem que se destacou em Leopoldina: Átila Lacerda da Cruz Machado.

E neste primeiro vagão de uma composição de três carros, pretende falar sobre este cidadão que nascido em Barbacena (MG) a 22.12.1911, durante quase cinquenta anos viveu, criou a sua família e prestou relevantes serviços à comunidade leopoldinense. Um cidadão que, no dizer de Mário de Freitas, destacava-se

“pela distinção das maneiras e nobreza de espírito. Nobre sim, porque a verdadeira nobreza é ter-se um bom coração e um caráter íntegro – qualidades essas que lhe não faltavam. Era um cidadão de bondade ampla, sem afetação. Sendo modesto, aparentava aristocrática maneira e sóbria elegância, grangeando na sociedade local um conceito que muito o recomendava. Outra virtude sua era, quando requisitado, espargir nos corações a luz da concórdia e do amor, mormente aos deserdados da sorte. Como verdadeiro rotariano, outra cousa não fez na vida senão servir, o que foi uma constante aqui na terra. A essas pessoas, meus amigos, é que se dá, lá em cima, a incumbência de acender as estrelas.”

Átila Lacerda da Cruz Machado era filho de Clariêta (de Araújo) Lacerda da Cruz Machado e de Átila Brandão da Cruz Machado. Pelo lado paterno, era neto de Arthur Carneiro da Cruz Machado, um dos filhos de Antonio Cândido da Cruz Machado, o Visconde de Serro Frio.

Clariêta de Araújo Lacerda era filha de Modesto de Araújo Lacerda (1859 – 1916) e Maria Amélia Dias de Toledo. Neta paterna de Manuel Francisco de Araújo e Maria Inocência de Lacerda. Segundo o mesmo Freitas, era uma educadora de méritos invulgares e pedagoga respeitada.

Átila Brandão, um barbacenense nascido em 1888, faleceu em 1921, aos 33 anos incompletos, na sua cidade natal, vítima de um surto da gripe espanhola. Era Filho do médico, Dr. Artur Carneiro da Cruz Machado nascido no Serro (MG) em 1853 e falecido em Barbacena em 1925 e de Maria Amélia da Silva Brandão, nascida em Itaguaí (RJ) em 1860 e falecida em Barbacena em 1925.

Era cirurgião-dentista formado pela Escola Americana d’O Granbery, em Juiz de Fora (MG) e foi preparador das cadeiras de Física, Química e Ciências Naturais no Colégio Militar da sua Barbacena (MG).

Átila Brandão e Clariêta Lacerda tiveram cinco filhos, todos nascidos em Barbacena (MG): 1) Moacyr Lacerda da Cruz Machado (*1909 – +2000), que foi juiz de direito no Rio Grande do Sul; – 2) Jayr Lacerda Cruz Machado (1910), pai do genealogista e Coronel Médico, Attila Augusto Cruz Machado; 3) Átila Lacerda da Cruz Machado, personagem central deste trabalho; 4) Oswaldo Lacerda Cruz Machado (*1914 – +1992), que serviu ao Exército Brasileiro, na então aviação militar, como cabo telegrafista de vôo e, com a criação do Ministério da Aeronáutica, migrou para a Força Aérea no posto de 3º sargento telegrafista; e, 5) Carlos Mário Lacerda Cruz Machado (*1915 – +2000), major-farmacêutico da Aeronáutica, professor e oficial categorizado da Escola Preparatória de Cadetes do Ar em Barbacena (MG), professor da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro e do Colégio Leopoldinense, atual Colégio Estadual Professor Botelho Reis.

Ajustando o foco para o personagem leopoldinense que se pretende estudar neste trabalho, registra-se que em 27.02.1935 ele se casou com Herondina Domingues da Cruz Machado, com quem teve cinco filhos: Helenice, Lincoln, Maria, Raphael e Míriam.

Herondina, nascida em 07.09.1916, era filha de Idalina Narcisa Gomes Domingues e Raphael Domingues, um destacado comerciante português estabelecido na esquina da Rua Plóbio Cortes de Paula com a Praça General Osório. Sobre a família de Herondina se ocupará um artigo futuro.

Mas obedecendo ao sinal de aproximação do limite do espaço do Jornal, o Trem de História faz uma parada para imaginário reabastecimento, prometendo seguir a viagem na próxima edição do Leopoldinense, contando um pouco sobre a vida e obra de Átila Lacerda da Cruz Machado. É só aguardar um pouquinho.


Fontes Consultadas:

Colégio Brasileiro de Genealogia, Áttila A. Cruz Machado, Carta Mensal 109, ago-set/2012, p. 05 a 07.

Leopoldinense – GLN Grupo Leopoldinense de Notícias. Leopoldina, MG: 2003, ano 1 nr 15 pag 3.

MACHADO, Áttila A. Cruz, Revista Aeronáutica nº 254, jan-fev/2006, p. 17. Disponível em <http://www.caer.org.br/portal/phocadownload/userupload/revistas/revista254/revcaer254.pdf>. Acesso em 09 out. 2016

RODRIGUES, José do Carmo. Átila Lacerda da Cruz Machado. Disponível em <josedocarmo.blogspot.com/2010/02/atila-lacerda-da-cruz-machado.html>. Acesso em 31 out. 2016.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 355 no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2018

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102 – Escritores Leopoldinenses

Na comemoração dos 164 anos de emancipação administrativa de Leopoldina, um tema pouco comentado é o destaque. Trata-se da produção bibliográfica de autores leopoldinenses, do passado e do presente.

De início vale ressaltar que são considerados como tal, os aqui nascidos e todos os que viveram no município em algum momento de suas vidas.

Talvez alguns leitores se surpreendam ao constatar que mais de uma centena de autores, com pelo menos um livro publicado, dos mais variados gêneros, vive ou viveu em Leopoldina. Sejam poesias, crônicas do cotidiano, romances ou contos, assim como livros técnicos de contabilidade, economia, direito ou livros de memórias. Desde o grande memorialista que foi Francisco de Paula Ferreira de Rezende, que dedicou uma parte do livro “Minhas Recordações” à Vila Leopoldina, para a qual se transferiu nos idos de 1860, mais de uma dezena destes autores publicaram obras que contam, cada uma a seu modo, um pouco da história da nossa terra.

Se os olhos se voltarem para as obras literárias, o número será significativamente maior. Pois aqui viveu não só o poeta Augusto dos Anjos, patrono da Academia Leopoldinense de Letras e Artes, como também o grande poeta português Miguel Torga, que aqui viveu na juventude e, o leopoldinense Dilermando Cruz, que em 1896 publicou “Primeiras Rimas”.

Para a área de direito, dado o grande número de autores foi necessária uma escolha representativa. No caso, Tito Fulgêncio Alves Pereira, por ser autor de uma das mais antigas obras impressas pela Typographia da Empresa Gazeta de Leopoldina.

Também da área técnica é justo lembrar o médico e Agente Executivo Municipal (Prefeito) Joaquim Antonio Dutra, um dos mentores da lei que criou a assistência aos alienados em Minas Gerais e, o professor Juvenal Carneiro, destaque na área da contabilidade.

Mas não se pode deixar de citar um personagem que está, injustamente, entre os mais esquecidos de Leopoldina: Francisco Martins de Almeida. Ou simplesmente, Martins de Almeida, que ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Pedro Nava e tantos outros expoentes da literatura nacional, editou “A Revista”, marco do Movimento Modernista, em Belo Horizonte, na década de 1920. Um escritor que foi o representante de Leopoldina na inquietante travessia da literatura brasileira em direção aos novos tempos e que é hoje totalmente desconhecido dos conterrâneos.

Importante lembrar, ainda, o grande incentivador da pesquisa realizada em torno do assunto, Joaquim Custódio Guimarães. O seu livro “Escritores Leopoldinenses” foi o trabalho que serviu de referência para o estudo atual. A ele, portanto, um agradecimento especial por ter sido o primeiro na cidade a valorizar os autores leopoldinenses.

Certamente estiveram na origem do prazer da escrita muitos outros técnicos,  poetas e prosadores da terra do Feijão Cru.

Trazer estes nomes ao conhecimento de todos e homenageá-los é o objetivo da ALLA, que entende ser esta uma maneira de mostrar que o codinome de Athenas da Zona da Mata surgiu do fato concreto de Leopoldina ter contado, sempre, com bons colégios e ter reunido um número expressivo de pessoas preocupadas com a educação e a cultura do lugar.

E na oportunidade da realização da primeira Festa Literária de Leopoldina, que será realizada entre os dias 19 e 26 de maio, lançar o Dicionário de Autores Leopoldinenses tornou-se uma obrigação para os responsáveis por esta coluna. Um sucinto trabalho de resgate histórico que, num universo de mais de uma centena de verbetes, relaciona os esboços biográficos dos autores vinculados a Leopoldina.

É provável que as pesquisas realizadas não tenham esgotado o assunto e é certo que o trabalho não reúne todos os livros publicados pelos nomes elencados. Mas foram resgatadas obras de pessoas velhas e jovens. De autores de primeira obra e de nomes consagrados até internacionalmente. De cidadãos simples ou acadêmicos daqui e de acolá, merecedores da atenção de todos os leitores deste Jornal.

Assim, para encerrar, aqui fica o convite a todos os leitores para assistirem a uma palestra sobre estes escritores, no dia 26 de maio, a partir de 10 horas no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira e, em seguida, participarem do encontro com muitos destes personagens, em tenda montada na Praça Felix Martins, onde ocorrerá alguns lançamentos de livros.

Compareçam! Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 354 no jornal Leopoldinense de 27 de abril de 2018

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101 – Pelos 164 anos de emancipação de Leopoldina: as Exportações da Produção do Feijão Cru

O Trem de História mostra hoje um pouco dos diferentes meios e modos de escoamento da produção desde os primórdios do Feijão Cru e da Vila de Leopoldina, passando pelos primeiros tempos da cidade e os dias atuais.

Construção de Ponte sobre o Rio Pomba, entre a estação ferroviária Vista Alegre, município de Leopoldina, e o distrito de Vista Alegre, município de Cataguases.

Quando se pensa em contar a história da exportação de produtos de Leopoldina vem logo a imagem dos vagões de trens abarrotados de café, caminhões pipas transportando leite ou, carrocerias lotadas de cereais e engradados com aves vivas. Se história de um tempo mais recente, com negócios geridos por exportadores versados nos ensinamentos do conterrâneo José Augusto de Castro(1), certamente se imaginarão carretas refrigeradas e caminhões baú.

 Mas houve um tempo no qual a produção partia do Feijão Cru por caminhos bem diferentes. Se a carga era de animais vivos, boiadas principalmente eram tocadas a pé pelas estradas por treinados boiadeiros. Se cargas da lavoura ou dos engenhos, eram geralmente levadas por tropas de muares e carros de bois para o Registro do Porto Novo do Cunha, na atual Além Paraíba ou, para o Registro do Porto da Barra do Pomba, localizado na foz do rio deste nome no Paraíba do Sul, em território hoje pertencente à cidade de Aperibé (RJ). Isto, muito antes da presidência da república ser ocupada por Washington Luís (1926 a 1930), deposto pelo Estado Novo, ter tido como lema de governo o seu célebre “Governar é abrir estradas”.

Porto das Barcas, Aperibé, RJ: neste local funcionava o porto da foz do Rio Pomba no Rio Paraíba do Sul, por onde se escoava a produção do Feijão Cru até 1870.

Entre 1841 e 1880, tais partidas de mercadorias, conforme documentos do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro(2) relativos à exportação de produtos da região de Leopoldina para a Corte, seguiam estes caminhos. Principalmente as mais antigas, de 1841 e 1842, que passaram pelo Registro de Porto Novo do Cunha, em cujo termo de abertura consta a declaração de que o livro serviria ao registro das guias de remessa dos gêneros sujeitos a imposto.

Vale lembrar que de tais guias constam itens como: açúcar, azeite, café, cavalo, feijão, galinha, polvilho, queijo, toucinho e varas de pano (provavelmente tecido grosseiro de algodão). Mas já para o ano de 1859 só foram encontrados mapas da arrecadação de imposto sobre o café exportado através daquele Porto para a Província do Rio de Janeiro, não sendo possível identificar os exportadores e nem mesmo assegurar quais deles eram da então Villa Leopoldina.

A partir de 1860, num livro do Registro do Porto da Barra do Pomba, de Aperibé (RJ), os registros passam a ser mais precisos e já se consegue identificar a propriedade exportadora e o café como principal produto comercializado.

Da Villa Leopoldina, excluídos seus então distritos Angu, Capivara e Laranjal, naquele ano de 1860 os seguintes produtores exportaram café para o porto de São Fidelis-RJ(3), de onde seria revendido para a Corte e outras províncias: Agostinho Luiz de Menezes; Antonio Bittencourt de Castro; Antonio José Rodrigues; Bento Pereira da Cruz; Caetano Pedro de Matos; Carlos Augusto Cabral; Cesário José dos Reis; Diogo Gonçalves de Medeiros; Felicíssimo Vital de Moraes; Francisco Antonio de Lima; Francisco Pereira da Ponte; Jacinto Monteiro de Barros; João Paulo Coutinho; Joaquim Corrêa; Joaquim José da Costa Cruz; Joaquim Machado Neto; Joaquim Manuel; José Ignacio Couto; José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros; José Rodrigues Gomes; José Tavares de Oliveira; José Teixeira Lopes Guimarães; Luiz Manoel de Castro e Silva; Maria Antonia; Maria do Carmo Monteiro de Barros; Mariano Pacheco Couto; Thomaz Furtado Branquinho; e, Vicente Ferreira Monteiro de Barros.

Em 14.10.1864, o capitão Alfredo de Barros e Vasconcellos, Diretor de Obras Públicas da Província de Minas Gerais, e Antonio Rodrigues da Costa, Engenheiro Chefe, cumprindo as ordens de 11 de abril e 6 de maio daquele ano, encaminham à Corte planta e orçamento para o reparo e melhoramento indispensável da estrada que do ponto fronteiro à villa de S. Fidelis segue à Província de Minas Geraes pela margem esquerda dos rios Parahiba e Pomba, passando pela freguesia de Santo Antonio de Padua do mesmo município de S. Fidelis.

Interessante observar que, no mesmo documento, o Capitão Alfredo pondera ser uma obra que excede à verba decretada e informa que na margem fronteira corre paralelamente (até a foz do Pomba) uma outra estrada por planicie soalheira, e que além de dous ramaes que lança para as freguesias de São Sebastião do Alto e Santa Rita do Rio Negro de Cantagallo, por onde desce muito café desta provincia, vai directamente pela margem direita do Parahiba entroncar na estrada de ferro de D. Pedro 2º no Porto Novo do Cunha. Estrada que receberá melhoramentos já orçados a 20 de março de 1862 e que necessariamente teem de ser feitos, podendo ella dispensar a outra.

Chegada a era da Estrada de Ferro, a exportação deixou de ser feita pelo leito dos rios e estradas de acesso a eles e, com isso, os controles ou recebedorias passaram para as estações. A partir daí, no território pertencente a Leopoldina, esse controle passou a ser feito pelas estações inauguradas entre dezembro de 1874 e julho de 1877 – Providência, São Martinho, Santa Isabel (hoje Abaíba), Recreio, Campo Limpo (hoje Ribeiro Junqueira), Vista Alegre e Leopoldina. Na Estação de Campo Limpo, segundo os documentos pesquisados, havia armazém com capacidade para estocar a produção até o momento do embarque. E pelo livro de 1880 dessa estação, o mais antigo existente no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, observa-se que o café permanecia como principal produto de exportação e os produtores eram dos municípios de Leopoldina, São Paulo do Muriaé e Cataguases, não havendo identificação de cada um deles.

Estação ferroviária em Ribeiro Junqueira, Leopoldina, MG

Mas exportação através da linha férrea já é uma outra história para uma futura viagem. Por hoje o Trem de História fica por aqui.


Fontes do consulta:

1 – CASTRO, José Augusto de. Exportação – Aspectos Práticos. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001

2 – Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Registro do Porto Novo do Cunha 1841-1842 e 1859; Registro da Barra do Pomba, 1860; Fundo Presidência da Provincia do Rio de Janeiro, Notação 439, 1864;  Registro do Campo Limpo, 1880

3 – São Fidelis (RJ) era a cidade de destino do memorialista Francisco de Paula Ferreira Rezende, autor de Minhas Recordações, quando, em 1861, chegou a Leopoldina.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 354 no jornal Leopoldinense de 27 de abril de 2018

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Junho de 1918

Nascimentos em Leopoldina:

1 Jun 1918,

Antonio

pais: Francisco José Botelho Falcão e Ana Maria de Oliveira Ramos


2 Jun 1918,

Iolanda Maragna

pais: Higino Maragna e Olga Coelho dos Santos


6 Jun 1918, Ribeiro Junqueira,

Maria Consuelo Pimentel

pais: Aurelio Pimentel e Carolina Marangoni

cônjuge: Sebastião Luiz Neto

Maria de Lourdes

pais: Olegario de Lacerda Moraes e Judith Ferreira Valverde

cônjuge: Vanor Luiz Pereira


10 Jun 1918,

Helena Dietz Rodrigues

pais: Antonio Germano Rodrigues e Maria Dietz Tavares

cônjuge: Geraldo Monteiro de Rezende


20 Jun 1918,

Jercira

pais: Sebastião Ezequiel Ferreira Neto e Genoveva Marques Viveiros


23 Jun 1918,

Deoclides Rayol

pais: Eduardo Faria Rayol e Laura Candida Jendiroba


24 Jun 1918,

João Batista Sestu

pais: Giuseppino Sestu e Giuseppina Murgia


25 Jun 1918,

Antonio Conti

pais: Marcelino Conti e Cecília Rodrigues da Silva

Ana Severina Conceição


30 Jun 1918,

João Lisboa Vargas

pais: João Ferreira Vargas e Maria das Dores Lisboa

cônjuge: Maria Aparecida Miranda

Antonio Montovani

pais: Felice Montovani e Amabile Eva Meneghetti

Olivia Togni

pais: Arturo Togni e Augusta Pradal

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Autores Leopoldinenses na Flileo

No sábado, dia 26 de maio, os escritores leopoldinenses estarão em destaque.

Logo após a palestra, no auditório do Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, os autores se reunirão no saguão para autografarem suas obras.

 

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Programa da Festa Literária de Leopoldina

Programação da Flileo

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Maio de 1918

Nascimentos em Leopoldina

7 Mai 1918,

Silvio Leal

pais: Luiz Rodrigues Leal e Maria Orsolina Togni


15 Mai 1918,

Nelson Ferreira de Souza Lima

pais: Francisco de Souza Lima e Ana Ferreira de Almeida

cônjuge: Ivone

Maria José

pais: Antonio Alves de Oliveira e Maria José do Nascimento

Valentim Montan

pais: Antonio Montan e Josefina da Silva


16 Mai 1918,

Sebastião

pais: Sebastião Rodrigues da Silva e Evarista Lomba


20 Mai 1918,

Maria Virginia Carraro

pais: Massimiliano Luigi Carraro e Angelina Guarda


21 Mai 1918,

Ulisses

pais: Oscar José de Almeida Ramos e Jacira Venâncido de Almeida


22 Mai 1918,

Odilon Maragna

pais: Cirilo Maragna e Sebastiana de Souza


29 Mai 1918,

Maria Madalena Saggioro

pais: Antonio Saggioro e Octavia Lorenzetto

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Último dia da Flileo

No encerramento da primeira Festa Literária de Leopoldina, os escritores leopoldinenses serão homenageados em palestra e no Café com o escritor.

Teremos, também, lançamento de livros, workshop, apresentações culturais com artista locais e a Mesa Redondo sobre Miguel Torga, o grande autor português que viveu em Leopoldina.

Inscreva-se para o Cafe com o Escritor.

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